Sanjuushi Home Realm Forum

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    VELHOS CAMINHOS...

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    Athos de La Fère
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    VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Ter Out 19, 2010 12:13 pm

    VELHOS CAMINHOS...

    1. Corações Apreensivos


    Cap. Treville: - Reneé, Reneé! O cerco se fecha minha filha, o cerco se fecha cada vez mais depressa. Temo pelo seu segredo, querida. E temo pela sua vida também. - um aflito Capitão de Treville falava em tom muito melancólico e ao mesmo tempo, preocupado.

    Aramis/Reneé: - Eu não entendo Capitão, como isso foi acontecer! Esta carta, não é possível que a tenha direcionado ao Rei sem alguma pista do meu paradeiro. - Aramis chorava diante do seu capitão que considerava como a um pai. Eu não sei o que fazer agora, Capitão. Não quero abusar de sua boa vontade para comigo e nem pedir nada mais do que tem feito por mim durante todos estes anos... Mas, de fato, não sei como agir a partir disto.

    Cap. Treville: - A carta enviada ao Rei pede que por clemência, após este período longo de 8 anos sem saber o paradeiro da Mademoiselle d'Herblay, Reneé d'Herblay... "Vossa Majestade, o Rei possa, por misericórdia, pedir que seus homens, sua Guarda, seus Mosqueteiros, investiguem este desaparecimento espantoso que há tanto tempo ocorreu e que há muito nos aflige".
    Nossa família anseia ainda pelo retorno de Reneé, e acreditamos firmemente que ela ainda vive. - o Capitão dos mosqueteiros foi lendo diversos trechos da carta que em suma, era um apelo emocionado da família d'Herblay a procura da sobrinha desaparecida misteriosamente há 8 anos e indicando que uma última pista apresentada à família suscitava que Reneé fora vista recentemente em Paris.

    A carta não aluzia a uma história bem contada, mas infelizmente, foi o suficiente para que o Rei a encaminhasse aos cuidados do Capitão Treville pedindo que este tratasse do assunto. Entre outras informações, a carta dizia que a família havia aplicado todos os recursos financeiros de que dispunha em investigações particulares deste desaparecimento, mas que a este tempo, já não tinham dinheiro para continuar a busca.

    Aramis, num misto de revolta e desespero, soltou um forte grito enquanto batia com o punho na mesa do capitão: - PORQUE?!! PORQUE QUEREM A MINHA DESTRUIÇÃO?! NUNCA SE IMPORTARAM, A CARTA É UMA GRANDE MENTIRA, NUNCA ESTIVERAM ME PROCURANDO... O QUE PRETENDEM COM ISSO?!! PRECISO SABER!!

    Cap. Treville: - Reneé, desculpe minha filha. Mas vejo que aproxima-se o tempo de você tomar uma decisão definitiva sobre sua identidade!

    Aramis: - Capitão, por favor, só peço-vos mais um favor, não me pressione a tomar uma decisão assim, desta maneira... eu sei que o senhor está bastante comprometido... se o Rei descobre que o senhor encobriu meu disfarce e aceitou-me nos Mosqueteiros... eu entendo que o senhor também sofrerá consequências.. mas - foi interrompida por Treville.

    Cap. Treville: - Reneé, eu também sei bem das consequências que posso sofrer com isso, mas vou até o fim... mas o que quero que você perceba é que este "fantasma" vai assombrá-la para o resto da vida e obrigá-la a seguir desviando-se e fugindo da felicidade. Não quero pressioná-la a tomar nenhuma decisão, não faria isso, estou sugerindo que pense em sua vida agora que está jovem, reflita sobre isso... seu objetivo maior já foi cumprido, quando chegou aqui você veio determinada a descobrir o assassino de François e vingar-se. Muito bem, isso já foi feito! Se não chegou a pensar em sua vida após este acontecimento, está na hora de começar... você precisa encontrar uma nova razão para viver Reneé... e é só isso que eu desejo que você enxergue a partir de agora... esta carta foi talvez o estopim de que você necessitava para iniciar estas reflexões... vá... pense, o tempo que precisar... eu a apoiarei no que decidir... poderá sempre contar comigo, minha filha! Acredite-me!

    Aramis só conseguiu chorar diante da palavras firmes e verdadeiras ditas por seu Capitão. Um homem severo, mas muito bondoso e que também a via como filha. Abraçou-o forte e depois de algum tempo mais chorando em seu ombro, prometeu que ia sim pensar em tudo o que estava acontecendo e em seus propósitos de vida... prometeu ao seu capitão que ia pensar em seu futuro e despedindo-se carinhosamente, deixou o escritório e a mansão do Sr. de Treville em direção a sua casa.

    Já era noite, não muito tarde, início da noite em Paris. A noite era gélida, era inverno em França, dos mais rigorosos que já se havia vivido até aquela data e o Natal se aproximava.

    Ela andava sozinha até sua casa, a pé, absorta em seus pensamentos quando esbarrou-se a alguém. Olhou para cima, e viu de quem se tratava. Era Rochefort.

    Rochefort: - Boa noite, Aramis. - disse surpreso ao perceber que se tratava do mosqueteiro loiro.

    Ocorre que Rochefort também vinha pensando na vida e não havia dado conta de que havia alguém a sua frente quando esbarraram-se um no outro. Ambos distraídos. Aramis angustiada com os últimos acontecimentos e Rochefort, bem... o Rochefort parecia contemplar a beleza do inverno... um olhar vago e até certo ponto ingênuo se pôde perceber em sua face.

    Aramis: - Ahñ! Ah.. humm.. Boa noite Rochefort. Desculpe, eu não o vi. Até mais.

    Rochefort: - Espere, Aramis... - Rochefort a segurou peço braço fazendo-a virar-se subitamente para trás.

    Aramis: - O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? SE PENSA QUE VOU ENTRAR EM SEUS JOGUINHOS E PROVOCAÇÕES, ESQUEÇA. ESTOU DE PÉSSIMO HUMOR E NÃO AFETO A BRINCADEIRAS, AINDA MAIS COM VOCÊ... SOLTE MEU BRAÇO IMEDIATAMENTE E NUNCA MAIS TOQUE EM MIM DE NOVO, SEU...

    Rochefort: - Ei, ei, ei! Calma, garoto!! Só me pareceu que você não estava muito bem...Posso ajudar em alguma coisa? - Soltou-a.

    Para alguém que vinha bastante distraído, Rochefort passou a ser o mais observador, havia percebido que algo estava errado e sim, inesperadamente por Aramis, ele decidiu perguntar se podia ajudar de alguma forma.

    As rixas entre mosqueteiros, Rochefort e seus homens não podiam dar nenhuma razão a que Aramis pensasse que Rochefort lhe oferecia ajuda, muito menos numa situação tão inusitada quanto aquela: uma "trombada" na rua da gelada Paris.

    Rochefort: - Você não mora por aqui, o que está fazendo longe de casa, mosqueteiro?

    Aramis: - Como se fosse da sua conta... porque quer saber, deixe-me em paz.

    Rochefort: - ¬¬'

    ***







    Última edição por delafere em Dom Nov 07, 2010 1:08 pm, editado 5 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Out 20, 2010 12:18 pm

    2. Tempestade e Bonança

    Rochefort: - Por favor, queira desculpar-me Aramis. Não quis parecer rude e muito menos apertar o seu braço... eu realmente não o vi quando "trombamos" e não fiz nada para provocá-lo... só que você parece meio aflito... eu só pensei que talvez pudesse ajudá-lo...

    Aramis: - Você, ajudar-me!! Que boa piada!! Não moro nas redondezas, mas sei o caminho que devo tomar. E esqueça, pois não é problema seu. - O mau humor de Aramis pareceu tê-la deixado de língua solta, pois não perdeu uma oportunidade de "responder" a Rochefort.

    Rochefort: - Mas que modos?! Então quer dizer que há um problema?!

    Aramis: - Você é surdo?!

    Rochefort: - Não! Escutei perfeitamente que não é problema meu, sendo assim, pela lógica, só posso concluir que... existe um problema... e se ele não é meu, e só estamos nós dois aqui, esse problema só pode ser... seu.

    Aramis: o.O' - Você bateu com a cabeça? Ou está caducando? - Talvez enlouquecendo?! - pensou Aramis consigo. Mas de qualquer forma, que me importa, não tenho tempo para isso, tenho muito o que pensar.

    Rochefort: - É sério?! Você já vai embora? Mesmo?

    Aramis: - AAAAH!! É o que estou tentando. Será que não vê que...

    Rochefort: - O que eu vejo é que você está tão absorto em seus pensamentos que não notou que deixou cair isto aqui. - neste momento, Rochefort abaixou-se e pegou do chão o camafeu que fora de François que Aramis trazia no peito. Isto é seu, não é?!

    Rochefort: - Provavelmente caiu quando trombamos e... - subitamente Aramis retira o camafeu das mãos de Rochefort com violência.

    Aramis: - É MEU!! DEVOLVA ISSO!

    Rochefort: - ¬¬' Claro, ainda mais pedindo assim com tanta cortesia...

    Aramis: - Ah, é.. me desculpe... eu... mas que droga Rochefort, você está bastante diferente hoje que chego a pensar que você só pode estar tramando alguma coisa... o que é que você quer?

    Rochefort: - Eu não sou o único a agir diferente hoje, pelo visto. Você também está incrivelmente alterado e tinha toda a razão quando disse que estava de péssimo humor.

    Aramis: - Rochefort, fala logo o que você quer?! Já me segurou todo este tempo... deve ter um motivo... mas advirto que não estou para brincadeiras e provocações como já disse e você acaba de salientar... quer por favor ir direto ao assunto. Seja breve!

    Rochefort: - Não tenho assunto nenhum a tratar especificamente contigo, mosqueteiro. Gostaria de dizer porém que é meu costume caminhar no quarteirão todos os dias, no fim da tarde e início da noite, antes de entrar em casa. Faço essa caminhada todos os dias e só por isso espantei-me tanto em vê-lo aqui. Isso nunca aconteceu, quero dizer, nunca vi um único mosqueteiro caminhando neste quarteirão... apenas em grupos e sempre quando em serviço.

    Aramis: - Já pensou que isso se deve ao fato de haver diversos homens da sua guarda rondando a área? E a julgar pelas provocações que sofremos todas as vezes, e as consequências dessas provocações, ninguém quer se arriscar.

    Rochefort: - Bem, todos temos os nossos "domínios" para cuidar, vocês mosqueteiros não ficam também "rondando" a casa do nobre Capitão de Treville?! Vocês também não estão na lista dos Santos, Aramis...

    Enquanto a conversa um tanto confusa entre os dois acontecia no meio da rua, o tempo piorou e uma forte tempestade de neve começou a cair.

    Aramis: - Ah, mas era o que faltava!! Viu o que houve? Perdi um tempo precioso aqui com suas maluquices e agora vou voltar embaixo desta tempestade...

    Rochefort: - Isso não é necessário. Podes tranquilamente passar a noite em minha casa, está muito perto daqui, vê, bem ali. - Rochefort apontou em direção a sua casa que podia ser vista dali por ambos.

    Aramis: - Tem certeza do que está dizendo Rochefort? Está oferecendo abrigo a mim?

    Rochefort: - Você quer continuar com a conversa aqui fora ou pretende entrar e abrigar-se do frio? Até porque não há muita saída, a tempestade vai piorar e vai te impedir de continuar no meio do caminho, não é muito seguro.

    Aramis: - Não acredito. - pensou. Vou ter que aceitar o convite. Não tem outro jeito? - o vento soprou fortemente.

    Rochefort: - Aramis, estou falando sério, é melhor entrarmos. Abrigue-se em minha casa esta noite. Eu não farei nada contra você, nem meus homens, é uma promessa.

    Aramis: - Desculpe-me a franqueza Rochefort, mas sua palavra não vale muita coisa.

    Rochefort: - Faça-a valer e acredite em mim. Entremos por favor, está muito frio aqui fora, depressa. - Rochefort disse estas palavras num misto de tristeza e resignação, pois sabia o que já havia causado aos mosqueteiros e até particularmente a Aramis.

    Aramis: - Não tem remédio. - pensou novamente consigo. - Eu aceito. - e seguiu Rochefort.

    Ambos foram em direção a casa de Rochefort abrigando-se em suas capas, tentando evitar o frio em seus rostos. Rochefort abriu a porta e entraram.

    Aramis: - Obrigado, Rochefort. Agradeço pela hospitalidade. Seu convite foi muito inesperado e espero que perdoe a rudeza das minhas atitudes. Você há de convir que...

    Rochefort: - Está tudo bem, Aramis. Não me deve explicações. Esteja à vontade, eu vou pedir que lhe preparem um quarto e, se desejar, um banho quente também. Madame Gertrudes?

    M. Gertrudes: - Oui, Monsieur Rochefort. O que desejas, meu senhor?

    Rochefort: - Madame Gertrudes, hoje teremos um hóspede em nossa casa, por favor, trate de tudo o que ele precisar. Peço-vos que mande preparar um quarto para ele e também um banho quente. Indique a ele o quarto em que deve ficar e atenda ao que ele lhe solicitar está bem?

    M. Gertrudes: - Oui, Monsieur! Claro.

    Rochefort: - Aramis, esta é M. Gertrudes, minha governanta e vai ajudá-lo no que for necessário. Eu também estou à sua disposição.

    Rochefort apresentou-os, M. Gertrudes e Aramis, e pediu licença retirando-se para o seu quarto.

    Rochefort: - M. Gertrudes, por gentileza, peço-vos que também solicite que preparem um banho quente para mim, estarei no meu quarto. Ah, Aramis, meu quarto é o 1º do corredor, no fundo, quando subires as escadas, à sua esquerda. Se precisares de algo, bata a porta. Bonne nuit!

    Aramis: - Ah... claro... oui... farei isso, obrigado. - e essa agora pensava Aramis que não havia se esquecido do turbilhão de problemas que tinha na cabeça e das decisões definitivas que precisava tomar. - Bonne nuit!

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Out 21, 2010 7:09 am

    3. Conclusões Precipitadas

    Enquanto se banhava, Aramis continuava absorta em seus pensamentos, mas agora, não estava apenas confusa, estava atordoada. Não sabia no que pensar primeiro e suas idéias e emoções e misturavam de tal forma que a estonteavam.

    Aramis: - Rochefort um bom samaritano... Capitão de Treville está se arriscando muito, ... não posso permitir que ele seja prejudicado... e esta carta? Esta busca repentina... tantos anos... e agora estou aqui na casa do Rochefort e preciso continuar escondendo meu segredo... eu... o camafeu... minha reação foi tão estúpida... ele desconfia de alguma coisa, sim... pode até ser que... Não... como ele saberia... tudo está tão estranho... aaah... - suspirou alto e profundamente... não consigo organizar meus pensamentos, dessa forma, não vou resolver esta situação. Uma coisa de cada vez Reneé... uma coisa de cada vez.
    O tempo não parou enquanto Aramis tomava banho e pensava em sua vida... já haviam corrido cerca de 40 minutos e ela não havia saído do quarto. Despertando um pouco de preocupação em M. Gertrudes que procurou ficar atenta a qualquer necessidade do hóspede de Monsieur Rochefort. M. Gertrudes então bateu à porta:

    M. Gertrudes: - Monsieur Aramis, está tudo bem? Perdõe a intromissão, quero apenas avisá-lo que o jantar será servido. Com sua licença.

    Aramis: - Aahh!! - pensou. Puxa vida, eu esqueci do tempo. Mas que... - Ah, oui, madame. Eu já estou quase pronto. Desculpe.

    M. Gertrudes: - Não se desculpe, Monsieur, de forma alguma. Pensei apenas que faltava que lhe providenciássemos algo.

    Aramis: - ... Não... não é preciso nada... está tudo bem... eu já terminei.

    M. Gertrudes: - Tudo bem Monsieur. Estarei lá embaixo se precisar de mim. Com sua licença.

    ***

    Rochefort já havia tomado o seu próprio banho em bem menos tempo que Aramis. Estava distraído com seus pensamentos, mas não havia tantos problemas assim em sua mente que o pudesse desconcentrar tanto como era o caso de Aramis/Reneé.
    O Conde agora terminava de vestir-se com um traje na cor preta, formal e elegante mesmo para quem estava apenas em casa esperando pela hora do jantar. Desceu até seu escritório particular e tomou um livro da biblioteca, sentou-se na cadeira de fronte à escrivaninha e começou a ler enquanto esperava Aramis descer para o jantar.
    Criados eficientes que eram os do Conde de Rochefort, mesmo não esperando um hóspede, haviam conseguido preparar um guisado de coelhos, aumento a lenha do forno para acelerar o cozimento. Separaram queijos, pães, frutas e o vinho... bem, o vinho era sempre a escolha do Conde... somente ele era autorizado a entrar na adega e escolher o vinho que seria aberto e consumido.
    O ciúmes que tinha de sua adega era exagerado e os empregados eram proibidos de abrí-la. E o vinho já havia sido escolhido, um Merlot ano 1.617, boa safra, de seu próprio vinhedo nas terras de Rochefort. Seria perfeito para acompanhar a carne macia dos coelhos preparados por Mademoiselle Luise, a jovem cozinheira recém contratada e M. Gertrudes.

    Aramis desceu as escadas e foi em direção a sala de estar, pronto/a para desculpar-se pela demora quando percebeu que não havia ninguém na sala.
    Procurou por seu anfitrião e foi encontrá-lo no escritório, cuja porta estava semi aberta. Uma luz fraca irradiava lá de dentro.
    Aramis arriscou, bateu à porta, pediu licença e entrou chamando o nome de Rochefort.

    Rochefort estava de costas, sentado na cadeira, voltado para a escrivaninha e de braço caído. Havia mesmo pouca luz no ambiente, poucas velas acesas. Um livro estava caído no chão.
    Aramis assustou-se com a cena que viu e pensando ter acontecido algo a ele, aproximou-se, sacudindo-lhe os ombros com leve firmeza e chamando seu nome:

    Aramis: - Rochefort! Rochefort! Você está bem, acorde, o que foi que houve?!!

    Um Rochefort assustadíssimo despertou e despropositadamente, por conta do susto que tomara, levou as costas à cadeira em que estava sentado, impulsionou-a para trás e fê-la tombar junto com ele e Aramis na sequência.
    Aramis e Rochefort (uníssono): - Aaaaaaaaaah! - TUM!
    Aramis caiu por cima de Rochefort que permaneceu no chão completamente aturdido e desorientado pela queda. O que seguiu foi uma situação demasiado embaraçosa para ambos.
    Aramis sobre Rochefort, apoiando-se apenas sobre uma das mãos para não deitar-se (por completo, já estava meio deitado/a) no tórax do Conde e ele, Rochefort, tentando achar um canto onde apoiar-se para se levantar. Ficaram cara a cara, olho no olho. E coraram. Podem não ter sido fácil perceber o rubor na face de ambos pois havia pouca luz, mas o fato era que estavam envergonhados. Foi Rochefort quem quebrou o silêncio.

    Rochefort: - Meu Deus, o que aconteceu?!!! Onde estou?!! o.O'

    Aramis corado/a: - Ah... me desculpe... a culpa foi minha... eu só... - Aramis ainda tinha uma segunda preocupação que não era apenas a de levantar-se, ajudar o Conde a também levantar e pedir desculpas. Tinha que evitar o contato mais próximo pois o seu segredo poderia ser revelado com um possível e indevido toque acidental. - Eu me precipitei. Perdoe a minha estupidez, Rochefort. Vi o livro caído no chão, seu braço estendido para fora da cadeira... não sei.. pensei que não se sentia bem... você não se virou quando eu entrei e chamei da porta... eu só pensei... pensei que... pensei que... estivesse inconsciente e...

    Passando as mãos sobre a cabeça, Rochefort balbuciou: - Ai, minha cabeça!! - as consequências daquela queda para Rochefort foi uma forte pacanda na cabeça que ficou latejando durante a noite. Para Aramis, nada, pois caiu por cima de Rochefort e nenhuma lesão sofreu.
    - Tudo bem! Está tudo bem... eu acho... você não teve culpa, eu é que adormeci aqui por causa da pouca luz. Não posso ler sem boa iluminação pois sempre acabo dormindo. Mas agradeço a preocupação para comigo. - esboçou um sorriso singelo.

    Aramis já de pé estendeu as mãos a Rochefort com intuito de ajudá-lo: - Eu sinto muito. Em poucas horas em sua casa já causei um transtorno como esse. Tomou também o livro nas mãos e o pôs sob a escrivaninha, sem deixar passar o título da obra: Chansons de Geste (Canções de Gesta)*

    Rochefort: - Espero que não seja uma vingança. - disse com o mesmo singelo sorriso no rosto. - vamos, o jantar já deve estar sendo servido.

    Ninguém veio em socorro deles por que a cozinha não era tão próxima do escritório e também por causa da idade de M. Gertrudes, que apesar de ser a mais atenta de todos na casa, já não escutava tão bem. Os demais criados ficavam tão envolvidos em seus afazeres, que não ouviam nada mais além das ordens de M. Gertrudes que era responsável por cuidar de tudo na casa.
    M. Gertrudes servia os Rochefort há muitos anos, conhecia Rochefort desde menino.

    Aramis sentiu um cheiro muito agradável no ar. Um leve perfume de uma essência que ele/ela desconhecia. - Que aroma agradável! - expressou.

    Rochefort: - É o guisado de coelho de Mademoiselle Louise, certamente está uma delícia. É a nova cozinheira do chateau, mas tem feito um excelente trabalho.

    Aramis: - Não é isso!! - disse entre risadas - Eu não falo da comida, que sim, cheira muito bem. Sinto uma fragância diferente no ar. Suas velas são perfumadas? - Aramis não percebeu, mas o aroma que sentia era essência de sândalo bastante diluída, bem suave, transformada em perfume.
    Era o perfume que Rochefort estava usando. - procurou 'ver' de onde vinha o cheiro. Seguindo o aroma com o rosto, acabou notando que vinha de Rochefort, em quem parou a busca. - olhando para ele de frente, Aramis corou mais uma vez.

    Rochefort: - Eh... não, as velas são comuns... - disse sem jeito tentando parecer natural e não dar sinais a Aramis de que o/a vira corar. Até certo ponto, Rochefort ficou constrangido e "disfarçou" muito bem convidando Aramis para ir até a sala de jantar.
    - Vamos. Não o guisado vai esfriar.

    Já à mesa, ambos iniciaram a refeição. Em silêncio, Rochefort fez uma oração em agradecimento pela comida. Ao menos foi o que pareceu a Aramis, pois o viu de mãos postas e olho fechado (apenas o que ficava a mostra, o outro estava escondido pela pala).
    Aramis presenciava e convivia com um Rochefort extraordinariamente diferente do que conhecia. Era isso possível?! Que mudança era essa? Ou será que ele sempre foi assim?! Não!! Claro que não, ela o conhecia bem, ele era um homem cruel, imaturo, atrapalhado, caprichoso e parecia pouco inteligente.
    Bem, parecia, porque este Rochefort com quem ele/ela estava agora jantando, era absolutamente outra pessoa. Era gentil, um cavalheiro, parecia até sensível, nada cruel... e nem um pouco atrapalhado... já ele/ela sim, estava bastante atrapalhado/a... mas os motivos justificavam. Também ele se mostrava uma pessoa inteligente, a julgar pelo que estava lendo, escrito em francês antigo.
    Aramis concluiu em pensamento: - Não se é um Conde à toa. Minhas impressões sobre esse homem foram completamente modificadas a partir de hoje.

    Rochefort: - Prove deste vinho Aramis. Um Merlot lá de Rochefort, safra de 1.617. Acho que vais apreciá-lo bem.

    Aramis: - Ah, obrigado! Rochefort, realmente me desculpe por...

    Rochefort: - Não é estranho.

    Aramis: - O que?

    Rochefort: - Creio que esta seja a quinta vez que me pedes desculpas hoje. É muito estranho para mim ouví-lo desculpar-se tanto quando na realidade sou eu quem lhe deve desculpas.

    Aramis: - Agora sim está estranho? Deve-me desculpas pelo que? Ofereceu-me abrigo, uma excelente refeição, como isso pode ser motivo para que me peças desculpa. Ao menos hoje, Rochefort, fui apenas eu quem lhe causou inconvenientes.

    Rochefort: - Aí está! Apenas hoje foi você. Mas por tantas outras vezes... fui eu. - disse num suspiro tímido e triste.

    Aramis: - Bem, é passado não é assim que se diz. - disse para ser agradável e simpática pois percebeu sinceridade e um pouco de angústia nas palavras de Rochefort.

    Rochefort: - Sim, é passado. - o tom agora era melancólico. - Aramis, desculpe, não é o momento, mas sinceramente, espero que você e seus amigos possam perdoar minhas atitudes em relação a vocês no passado. É muito sério. Eu gostaria muito de ter uma conversa franca com todos vocês juntos e uma especial com Athos.

    Aramis: - Com Athos?!! - surpreso/a.

    Rochefort: - Sim, é claro. Com ele especialmente. Fui muito covarde atacando-o quando ele estava desarmado e com tantos homens para ajudar a capturá-lo. Você deve se lembrar disso. Eu me lembro todos os dias.

    Aramis: - Porque estamos falando disso agora! - um pouco impaciente.

    Rochefort: - Você tem toda a razão. Não é a hora certa para tal. Perdoe-me. Espero não lhe ter tirado o apetite. Por favor, esqueça.

    Aramis: - Não... não tirou... Rochefort?! Não sei de suas preocupações quanto ao que acaba de dizer, mas não se incomode, as coisas vão se resolver. - Sorriso. - Seria bom para Aramis que acreditasse em suas próprias palavras, pois era ela quem estava com demasiados problemas.

    Rochefort: - Oui. - sorriu sutilmente. - Tem razão. 'Um lugar pra cada coisa e cada coisa em seu lugar'. Também vale um 'tudo a seu tempo'.

    Ambos passaram a comer em silêncio a partir de então.
    Aramis começou a pensar em seus problemas de novo. E no meio dos pensamentos, teve outra conclusão... Esse homem fez com que pelo menos por alguns instantes eu me esquecesse de tudo o que está acontecendo comigo. Que dom é esse?! E o fez sem tirar-me do sério, como era seu costume. Mas ainda tenho que decidir o que farei a partir de amanhã. Lembrou-se das últimas palavras de Rochefort: - ... tudo a seu tempo. E sem querer, voltou a inebriar-se com o cheiro do perfume que agora sabia, vinha de Rochefort, que estava sentado à sua frente.

    Rochefort: - Tudo bem?

    Aramis: - Oui. Claro. Tudo bem. E sua cabeça? Como se sente? Nem lhe perguntei como se sentia, muita indelicadeza.

    Rochefort: - Não se preocupe que não foi nada. Já sofri danos piores. Mas Aramis, se me permite a curiosidade, que 'ventos' o trouxeram até aqui, quero dizer, até esta parte da cidade.

    Aramis: - Nada de mais, Rochefort. Estava caminhando como você, distraí-me e não percebi onde estava até que nos esbarramos e você me abordou.

    Rochefort: - Hummm... - bebeu um gole do vinho - Entendi. Quando esbarramos, e eu pude ver que se tratava de você, olhando em seu rosto vi uma expressão de quem parecia perdido, assim, como quem não soubesse onde estava. Foi apenas por isso que ofereci ajuda, que prologuei a conversa; saiba que não foi minha intenção de investigá-lo ou coisa parecida, nem que planejei qualquer coisa.

    Aramis: - Você já provou suas nobres intenções para comigo hoje Rochefort, eu só tenho a agradecê-lo. E agradecer também a Madame Gertrudes e Mademoiselle Louise pelo guisado maravilhoso que preparou e pelo quarto tão bem arrumadoe confortável. Está tudo muito saboroso. Ah, e para deixar constar, estava distraído mas apesar de não vir para estes lados da cidade conheço bem Paris. Não se aflija por mim novamente. - sorriu.

    Rochefort: - Está bem. Assim seja.

    Levantaram-se da mesa. E foram em direção aos quartos, para um merecido descanso.

    Aramis ousou perguntar: - Você tem uma bela biblioteca. Vastíssima.

    Rochefort: - E só metade dos livros. Não pude trazê-los todos a Paris. A grande maioria ficou em Rochefort no velho escritório do meu pai.

    Aramis: - Puxa! Só a metade! E o livro que lias, Chansons de Geste, é sobre o que? - Aramis sabia vagamente sobre aquele título. Lembrou-se da biblioteca em sua casa em Noisy-le-sec. O escritório de seu Tio. Aquele tio tão carinhoso de quando ela era criança, que depois, pouco tempo mais tarde, em sua tenra mocidade e diante do noivado com François, tranformara-se num tio perverso e obcecado. Um tio incapaz de aceitar o relacionamento dela com François. Queria sim que Reneé se casasse com o Duque Frederich Duchateau, homem muito mais velho e também muito mais rico que François. Tem que garantir o seu futuro Reneé, dizia ele. Suas intenções, sabia bem ela, ampliar a riqueza da família e talvez conseguir um título de nobreza de que a família dele ainda não gozava. Reneé presenciava as conversas que ele tinha com sua tia, uma senhora adorável mas completamente submissa à vontade do marido de quem tinha muito medo.

    Rochefort: - Gosto muito desse. Leva-me a pensar em como viviam as civilizações mais antigas. Faz-me divagar e gosto disso. É relaxante antes de dormir. Trata-se de um conjunto de canções, como o próprio nome diz, antigas, um tanto folclóricas de certa forma... falam das Cruzadas... enfim, falam sobre guerras, vitórias, derrotas, grandes nomes de conquistadores, Reis importantes... Mas o encanto está em imaginar as melodias... é que tento fazer... Gosta de música, Aramis?

    Aramis: - Oh, oui! Gosto muito.

    Rochefort: - Bem, cantar é uma qualidade da qual não disponho, mas que admiro muito nas pessoas.

    Aramis: - Fala sério?!

    Rochefort: - Sim, falo sério. - sorriu.

    Terminaram a conversa e simultaneamente de subir as escadas. Despediram-se para dormir dirigindo-se a seus respectivos quartos.

    Em seu quarto, Aramis despejou-se na cama tirando parte da roupa mais pesada para dormir. Era interessante, estava em casa alheia, quarto alheio e usando também roupas alheias, que haviam lhe caído um pouco maiores e por isso foram parcialmente ajustadas por ela mesma, dentro que era possível fazer.
    Madame Gertrudes havia disponibilizado roupas limpas e secas (as suas estavam um tanto molhadas pela tempestade de neve). As roupas eram claro, do Conde de Rochefort. Roupas que o Conde havia usado tão pouco, mas que eram guardadas com carinho pela Governanta para que pudesse lembrar da infância daquele menino por quem ela tinha tanto carinho.
    Ele era mais novo quando usou esta roupa, porque não lhe serviriam hoje, percebeu Aramis, mas que coisa, ainda assim, são grandes para mim. Aramis desconfiou que a roupa era mesmo de Rochefort pela qualidade dos tecidos e o estado de conservação. Não eram roupas simples. Um gibão de aspecto juvenil, na cor azul escuro. Tirou casaco e botas, puxou os lençois e repousou a cabeça no travesseiro e pôs-se a pensar (mais uma vez): - Que embaraçoso, esta noite... digo este DIA inteiro, saiu tão longe do que eu esperava. Quando fui chamada pelo Capitão, sabia que algo estava errado.
    Não podia imaginar que era isso, mas só podia ser algo relacionado a mim, pois ele não chamou também a Athos, Porthos e D'Artagnan. Como estarão vocês meus amigos? Eu queria muito poder dividir isto com vocês... sei que me ajudariam... mas como, Athos e Porthos jamais me perdoariam por ter-lhes ocultado o fato de ser mulher e contar-lhes tudo é pré-requisito para ter a ajuda deles... como pedir a eles ajuda sem lhes dizer os motivos. Só sei que preciso proteger o meu Capitão e não posso deixar escapar o meu segredo. Não posso! Mas como???!

    ***
    *No século XI apareceram os primeiros textos em francês: as Canções de Gesta. Formas prematuras de poesia, seus autores narravam façanhas heróicas. Estes poemas são classificados em três grupos: francês, bretão e clássico.
    Fonte: http://www.historiadomundo.com.br/francesa/literatura-francesa.htm (gente, não foi uma super pesquisa... foi pesquisa relâmpago, gomen ne!)


    Última edição por Athos de la Fère em Sex Out 22, 2010 3:59 am, editado 1 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Out 21, 2010 11:25 am

    4. Angústia

    Enquanto Aramis pensava mais uma vez em sua vida e nos problemas que a conturbavam, Rochefort não conseguia dormir. Havia sido, ao menos para ele, um ótimo dia. Estranho receber um 'inimigo' em casa, mas há bastante tempo que considerava tudo aquilo de que falou no jantar com Aramis. Aquela conversa refletia os seus sentimentos verdadeiros. Estava certo de que pela fidelidade ao Cardeal de Richelieu, ele havia ultrapassado alguns limites éticos e nutria um forte desejo de reparar os erros cometidos.
    Na verdade, desde o caso do Máscara de Ferro, quando os Mosqueteiros do Rei e os Homens do Cardeal trabalharam juntos, há uma trégua entre os dois regimentos. O próprio Rei e o Cardeal assinaram juntos um 'decreto' de intolerância a qualquer desavença que pudesse acontecer entre os dois grupos que trabalhavam em honra da Coroa da França.
    Dessa forma, as rixas, que desde sempre eram indevidas, mas toleradas pelo Rei e pelo Cardeal, agora não seriam aceitas e não se faria vista grossa. Os culpados por qualquer confusão, seriam severamente punidos.

    Com tudo isso, Rochefort entendeu que foram inúteis todas as desavenças e desentendimentos contra os mosqueteiros pôde perceber isso quando esteve trabalhando lado a lado daqueles homens que julgava serem apenas baderneiros e conspiradores. Percebeu que eram, na realidade, homens honrados, corretos e éticos. Homens que serviam ao Rei e cumpriam seu devem com lealdade, qualidade que ele tanto preza. Ele compreendeu que agiu errado porque estava fazia um juízó equivocado a respeito dos valores dos Mosqueteiros. É claro que havia vários desordeiros entre eles, mas o mesmo acontecia entre os homens de seu próprio regimento. Outros inclusive, demonstraram quão convardes e sem princípios podiam ser para conseguir algo que lhes beneficiasse. Era o caso de Jussac, por quem já não tinha qualquer tipo de afeto. Ele perdeu toda a confiança que depositava naquele homem que era o segundo em comando para os seus soldados; e isso aconteceu após o incidente em que acusaram indevidamente o Cardeal de desviar dinheiro da coroa da França. Rochefort soube qual o verdadeiro caráter de Jussac e isso o decepcionou muito. Porém, foi a partir destes fatos, que Rochefort pôde compreender que mesmo não estando do mesmo lado, ele podia confiar naqueles quatro mosqueteiros com os quais trabalhou junto para capturar o Máscara de Ferro.

    O problema é que havia uma barreira intransponível entre eles pelo tempo em que estiveram um contra o outro e por tudo o que Rochefort já havia feito para lhes causar mal. Mesmo tendo-se confessado na Igreja, Rochefort não tinha sua consciência aliviada. Aquela conversa que ele mencionou no jantar com Aramis era o pedido de desculpas que ele queria exprimir pessoalmente aos quatro mosqueteiros. Um pedido especial se fazia necessário a Athos, pois fora Rochefort quem atacou covardemente o líder dos mosqueteiros com 16 homens em seu encalço. - Quase levei-o à morte. E foi por um tris que isso não aconteceu. Se ele tivesse morrido, o dano seria irreparável. - Pensou. - Como fui estúpido? - sentiu um aperto no peito.

    Rochefort: - Serão capazes de me perdoar? Serão capazes de aceitar minhas desculpas e ... será que conseguirei deles respeito e amizade? Ora, estou parecendo um menino querendo fazer novos amigos quando muda de cidade. O que é isso? Já não tenho idade para isso. São 39 anos, que imaturidade é essa! Resta-me agir com honradez e pedir-lhes desculpas, mas acreditar que seremos amigos é muita ingenuidade da minha parte. Não posso tencionar isso. Devo-lhes desculpas e nunca é tarde para redenção. Só espero que não me guardem rancor. Ao menos Aramis parece já ter aceitado-me, mas... Aaaah!! O que é isso?!! Aceitado-me! O que estou dizendo!?! Não estou agindo como adulto que sou. E também não consigo dormir com tudo isso na cabeça... O LIVRO... vou buscar o bendito livro... sei que vai tirar estes devaneios da minha cabeça e vou relaxar e dormir. Amanhã estarei de folga, mas acordarei cedo, talvez Aramis precise de alguma coisa. Rochefort sentiu mais uma vez o peito apertar sem razão aparente... estava angustiado e era tão ruim. Sentia-se um idiota, mas não conseguia evitar pensar em tudo isto.
    Levantou-se, vestiu o casaco preto (mais quente) que estava à mão e desceu até o escritório. Foi buscar o livro das Canções de Gesta para distrair sua mente e imerso na imaginação das melodias das canções, dormir. Com uma lamparina, foi tateando e procurando o livro na estante. Lembrou-se que Aramis o havia deixado sobre a escrivaninha após o acidente que tiveram. Encontrou-o, mas... encontrou algo mais caído no chão. Brilhava, e só por isso pode notar.

    *

    Aramis também não havia conseguido fechar os olhos e dormir. Virando-se de um lado para o outro da cama, começou a lembrar de como era feliz com François e de como tudo estaria bem se ele estivesse lá com ela, se ele não tivesse partido para sempre: - Ah, François! - Pôs a mão no peito procurando pelo camafeu. Um susto. Meu Deus! Onde está? Tateou-se inteira e não achou o camafeu. Pegou a lamparina do criado mudo e começou a procurar desesperadamente pelo quarto. - Tem que estar aqui, tem que estar!! Os criados... devem ter achado... Ah, meu Deus, onde estará!! Mas não... estava comigo quando desci para jantar... estava comigo... sim... eu tenho certeza... toquei-o quando terminei de vestir-me com aquelas roupas do Rochefort... eeeeu.... É isso!! Só pode ter caído no acidente no escritório... não posso permitir que o encontrem antes de mim... e se alguém o vir amanhã.... tenho que ir buscar, só pode estar lá... mas e se não estiver... Oh, meu Deus... mas estará!! Estará lá Reneé, acredite! - Desceu com cuidado e rapidez para não ser percebida na casa.
    - Ninguém pode achá-lo antes de mim.

    *
    Rochefort: - Mas é o camafeu do Aramis. Rochefort abriu o camafeu e viu o retrato de uma moça. Uma bela moça de expressões faciais muito parecidas com as de Aramis. - Que estranho... parece-se tanto com ele... mas como... não pode ser... Aramis terá uma irmã gêmea... será isso? Estranho.. este camafeu é o tipo de relicário que os apaixonados costumam presentear-se uns aos outros... ele não poderia estar apaixonado pela própria irmã.. e esta jóia é... Rochefort fazia milhões de conjecturas quando Aramis chegou no escritório.

    Aramis: - Rochefort?!

    Rochefort: - Aramis?! Você pe...

    Aramis: - Me devolva isso, já! Por favor... dê-me isso! Já entendi o que queria.. você queria o meu camafeu não é, porque???

    Rochefort: - O que???! - confuso. - Eu não queria nada... eu não sei do que está falando... só sei que mais uma vez você deixou cair este relicário... e mais uma vez está gritando comigo por causa dele... eu não quero roubá-lo de você.

    Aramis: - Ah, não!! Então o que faz aqui com ele nas mãos... Você...

    Rochefort: - Eu vim até aqui pegar um livro e o vi caído no chão... se a jóia é tão importante para você, deveria ser melhor cuidada não acha. - já estava se exaltando um pouco por conta das acusações firmes de Aramis.

    Aramis: - O que?

    Rochefort: - Porque eu iria querer esta sua jóia. Porque razão?

    Aramis: - Eu.. você... não se faça de desentendido... Aramis havia estragado tudo... por culpa do turbilhão de pensamentos, do seu cansaço físico e mental, não conseguiu se controlar, achou que de alguma forma Rochefort estivesse envolvido na história toda, que soubesse de tudo e desatou a acusá-lo de uma série de coisas. Isto só despertou a atenção de Rochefort que teve a certeza de que havia algo muito sério por trás daquilo. Praticamente se desmascarou para o homem menos indicado... um potencial inimigo seu... Claro que ele não entendeu de pronto o que estava acontecendo... mas logo descobriria...

    Rochefort: - Aramis, do que eu poderia saber apenas olhando para esta jóia???

    Aramis: - Não se faça de inocente... não seja dissimulado.. eu sabia que não podia confiar em você... você planejou tudo isso... devia estar me seguindo esta tarde, é claro, como poderia ter esbarrado justamente comigo... furiosa, Reneé partiu em direção a Rochefort com o candelabro que estava sobre um móvel próximo a ela.

    Rochefort sem entender, reagiu: - Você está LOUCOOOOO?!!! Segurou com firmeza as mãos de Aramis que continuava tentando agredí-lo com todas as forças... - Ahhh... Aramis, pára! Pare com isso... travaram uma luta feroz, mas Rochefort não ousou machucar Aramis... ele queria apenas entender o que estava acontecendo e por isso, com muita força, enroscou os pés contras as pernas de Aramis e a fez cair no chão... pulou sobre ela/ele segurando-lhe os braços... - Me explica o que está acontecendo, já?! - Aramis se debatia loucamente e foi então que Rochefort percebeu... Viu os pulsos de Aramis que ele agarrava, olhou atento para o rosto dele/a e comparou com o do camafeu, viu os olhos de Aramis... viu o seu desespero, o aspecto físico... o tamanho das roupas que vestia.... finalmente viu os pés de Aramis que estava descalça... Aramis... - suspirou em tom baixo, atônito e concluiu: você é... uma... - Ah!! Nossa... estou sonhando, não pode ser, você é... é... uma... uma... uma... Deixou-se escorregar com a surpresa do que estava descobrindo e acidentalmente tocou com uma das mãos um dos seios de Aramis... continuava perplexo, sem ação... ao que a Aramis não hesitou e reagiu: - MULHER! - disse com muita energia ao mesmo tempo em que com toda a força que tinha juntado para escapar das mãos dele, lhe deu uma joelhada num local que realmente doeu.

    Rochefort: - Aaaaaaaaaaaaah!! - cai para o lado.

    Aramis: - EU CONFIEI EM VOCÊ!! - em prantos pôs-se a correr em direção à porta com intenção de fugir do chateau.

    Rochefort, percebendo as intenções de Aramis, com o reflexo que lhe restou e ainda caído, esticou uma das mãos e alcançou os pés dela fazendo-a tropeçar. - Es.. pe... Ahh... - Aquilo doía mesmo. - Espe.. re.. Ara... mis...

    Aramis desistiu, não restava mais nada a fazer, estava sozinha e perdida, não resistiu mais, não teve forças para isso e de imediato, notou que ia perdendo os sentidos e finalmente, desmaiou.

    ***


    Última edição por Athos de la Fère em Sex Out 22, 2010 4:27 am, editado 3 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Out 21, 2010 5:19 pm

    5. Lealdade

    Os empregados acordaram com o barulho na casa. Assustados seguiram os ruídos. Rochefort percebeu imediatamente os riscos que corria. Estava ainda completamente confuso com o que estava acontecendo e não sabia bem como agir, mas só teve tempo de juntar as forças e recuperar-se da joelhada estratégica que levara e arrastar o corpo de Aramis para atrás da porta do escritório.

    Foi o tempo exato que culminou com a chegada de Louise, M. Gertrudes, Maurice, Pierre e Jean Luc, respectivamente, a cozinheira, a governanta, o cocheiro e auxiliares.

    M. Gertrudes: - Monsieur Rochefort, está tudo bem? Ouvimos barulhos assustadores, o senhor está bem, aconteceu alguma coisa? O que houve???

    Rochefort: - Ah... não Gertrudes... não aconteceu nada de mais.. houve mesmo um barulho... sim... houve... mas fui eu...

    M. Gertrudes: - Como? O senhor? - os demais empregados não ousaram falar nada.

    Rochefort: - Oui, Madame Gertrudes. Eu... eu caí nas escadas... perdi o sono... desci para pegar um livro, e a baixa iluminação fez que eu pisasse em falso e eu caí... foi isso o que aconteceu, por isso vocês ouviram esses barulhos..

    M. Gertrudes: - Mas Monsieur... como isso foi acontecer? Monsieur é tão atento... e

    Rochefort: - M. Gertrudes, estou ficando velho... é isso!! Agora não se preocupe que já me certifiquei de que não houve nada comigo, está tudo bem, vocês já podem se retirar... está bem?

    M. Gertrudes: - O senhor não se machucou, deixe-me ajudá-lo, monsieur? - disse em muito preocupado.

    Rochefort: - M. Gertrudes, eu já lhe disse que está tudo bem, não preciso de nada... por favor, não insista!

    M. Gertrudes: - Oh... está bem Monsieur... Muito bem, todos de volta para seus aposentos agora mesmo. - Rochefort pôde ouvir as risadinhas de Louise e teve certeza de que a desculpa tinha colado para eles, mas para M. Gertrudes não. Ela era já idosa e não ouvia bem, mas não era ingênua. Ela soube que algo estava errado, mas respeitava demais a privacidade de seu senhor para ousar desobedecê-lo. Teve tempo de lembrar de uma ocasião, quando Rochefort era muito pequeno, tinha apenas 6 anos de idade. Ele havia caído quando fugia de um javali que o perseguia. Caiu e se machucou, mas Madame Gertrudes, que na época tinha apenas 17 anos de idade, o socorreu. Ela estava começando a trabalhar para os Rochefort. Fora muito recomendada por uma amiga da Condessa de Rochefort. - O que aconteceu, meu menino. O que aconteceu? - pensou ela.

    Rochefort recompôs-se mais rapidamente e tratou de apanhar o corpo de Aramis e carregá-lo para o quarto. Fez isso com bastante dificuldade e bem devagar, pois a lamparina havia sido deixada no escritório, não havia como levar o corpo de Aramis e iluminar o caminho ao mesmo tempo. E claro, ainda sentia as dores do golpe recebido. - Minha Nossa...

    Chegando ao quarto, o seu próprio, colocou-a na cama, cobriu-a e correu para buscar a lamparina no escritório. Voltou rápido para o quarto e trancou a porta. Agora sim, podia expressar o que sentia... Abriu a janela, pôs o rosto pra fora e agarrou-se ao parapeito. Queria gritar, mas não podia... não era um grito de dor... queria dar um grito de desespero, de pânico. Repetiu para si mesmo. - Eu não entendo nada do que está acontecendo... Deve ser um pesadêlo... por favor, tem que ser um pesadêlo!! Rochefort sentia forte falta de ar, estava sufocando como se alguém lhe estivesse apertando a garganta. Pôs a mão no peito tentando aliviar aqueles sintômas estranhos. Em vão, eles só aumentavam.

    Aramis se contorcia na cama, virava de um lado para outro. Era óbvio que não estava tendo uma boa noite de sono... - Athos... Athos... François... não! Não me deixe... - balbuciou.

    Rochefort foi até ela e tocou-lhe a testa. Aramis estava com febre. - Está delirando... o que faço, o que eu faço... drooogaa! Não sei o que fazer... Pelo amor de Deus, Aram, moça, sei lá, acorde!! - Rochefort a sacudiu com força tentando fazê-la recobrar os sentidos. Aramis abriu levemente os olhos... Rochefort a fez sentar-se na cama e de frente para ela, perguntou: - Como se sente? Está bem? - Aramis percebeu diante de quem estava e reagiu furiosamente, tentando atacá-lo novamente, mas desta vez, com mais energia que antes, atacou-o no olho esquerdo, arrancando-lhe a pala e pressionando com os dedos. Empurrou Rochefort para longe dela, derrubando no chão. - NÃO ME TOQUE, EU VOU EMBORA DAQUI. - Foi em direção da porta mas percebeu que estava trancada por dentro e não havia chave na fechadura. - Onde está? Onde está cretino? Onde está a chave da porta?? - Aramis falava sem gritar pois o segredo já havia sido revelado a ele, mas não podia espalhar na casa toda. Os demais não podiam escutá-la. Ela teria de escapar sozinha e sem fazer mais alardes. E estava furiosa, a febre já a fazia ter alucinações, mas estava obstinada em proteger seu segredo e escapar daquela situação. - Vou escapar daqui, custe o que custar! Entregue-me a chaveeeee, AGORA!!

    Rochefort olhava para aquela mulher furiosa, já havia se levantado, mas suas pernas bambearam, a sensação de sufocamento voltou. Ele se apoiou na parede tentando manter-se em pé, mas não conseguiu, recostado nela, escorregou até cair com os joelhos no chão e braços estendidos ao lado do corpo. Não estava insconsciente, mas era como se estivesse. Olhada diretamente para Aramis e não conseguia acreditar no que via, suava frio e começou a sentir náuseas... Um incrédulo e assustado Rochefort estava, naquele instante, em CHOQUE. Não respondeu a Aramis onde estava a chave da porta. Por isso, ela avançou na direção dele, que permaneceu imóvel e catatônico, e começou a revistar-lhe as roupas. A chave também não estava com ele. Impaciente e revoltada, Aramis o puxou violentamente pelo gola da camisa e perguntou mais uma vez em tom ameaçador: - Onde está a chave? E mais uma vez não veio resposta. - Seu COVARDE, responda-me! Aramis estava transtornada, num misto de raiva e desespero, começou a chutar Rochefort. Não percebeu que o homem caído estava realmente incapacitado de ouvir e responder perguntas. Sua condição não permitia. Estava aparentemente acordado, mas não ouvia nada. Aramis perdeu toda a paciência e com a força de uma mulher que era mosqueteira, deu um soco potente no rosto de Rochefort.
    Finalmente, ele acordou do estado de 'transe' em que se encontrava e começou a agarrar a parede atrás de suas costas... estava tentando se defender... e continuava sem entender nada... Aramis o levantou do chão puxando-o pela gola da camisa, mais uma vez... Ele começou a reagir e foi soltando as mãos dela e tentando empurrá-la para trás...

    Rochefort: - Afaste-se... por favor... por favor.. eu não consigo respirar...

    Aramis: - Ótimo!

    Rochefort: - Pára, pára!! Me larga...

    Aramis: - Me diga onde está a chave, onde você a escondeu? O que pretende me predendo aqui...

    Rochefort: - Não estou prendendo você aqui... a chave está ali. - Apontou para o criado mudo. - Solte-me!!!

    Aramis deixou Rochefort e foi pegar a chave. Quando a encontrou saiu correndo em direção à porta, a esta altura a adrenalina já lhe corria nas veias e ela recuperou com por encanto toda a força do corpo. Ao colocar a chave na fechadura, Aramis sentiu uma mão puxando-lhe o braço.

    Rochefort: - Espere... vai embora assim, nem me dizer o que está acontecendo? - Ainda estava tonto e cambaleando. Sentia-se muito mal.

    Aramis: - Cínicoo!! Você está nisso até o pescoço, já sabe de tudo. Não confio em você. Não sei quais são seus planos mas... Aramis parou de falar e percebeu que seu interlocutor estava... trêmulo, muito trêmulo.

    Rochefort: - Eu não sei de nada... eu ju... - e soltando o braço de Aramis, empalideceu pale e perdeu a consciência.

    Aramis o segurou para que não caísse. Faria barulho. De qualquer forma, não estava disposta a confiar naquele homem. Mas e agora? Ele disse que não sabia de nada. Então, terá ela entregado tudo de mão beijada a ele, e revelado seu segredo? Agora vivia um dilema, fugiria, ou ajudaria Rochefort? Ele pelo visto não se sentia nada bem. Ela não conseguiu observar isso antes porque estava desesperada para fugir dali. Nem parou para pensar que se Rochefort estava passando tão mal, a causa só poderia ser a revelação que lhe foi feita; a de que ela era mulher. Foi um choque para ele. E se esta reação foi assim tão forte, era verdade mesmo que ele não sabia de nada. Mas, era inteligente correr o risco de ser tudo uma cena, uma armação? Decidiu que iria apenas levantá-lo do chão e deixá-lo na cama, depois disso, sairia de lá escondida. Eram cerca de 2 horas da madrugada. Ao levantá-lo e arrastá-lo para a cama, Aramis pôde sentir novamente aquele aroma agradável de sândalo que sentiu anteriormente, minutos antes do jantar e após o acidente no escritório. Enrubeceu as maçãs do rosto ao lembrar daquele instante. De novo, estava se deixando levar pelas emoções e esqueceu-se da sua situação. Como antes, estava envolvida por aquele homem, que ao menos naquela noite havia se mostrado gentil e sensível. Teve pena de deixá-lo. Tirou-lhe o pulso para saber se estava tudo bem. Teve que fazer muita força para colocá-lo na cama. Estava tudo pronto, sairia agora. Porém, Rochefort despertou naquele instante, abrindo os olhos delicadamente.

    Rochefort: - Onde estou? - olhou para cima e viu Aramis próximo a ele, de pé. Recordou-se de tudo, um turbilhão de imagens em sua cabeça. - A... A... A... Aramis... você... Tudo bem, tudo bem, eu não conto o seu segredo a ninguém, eu juro!!! - Rochefort estava acelerado. Os batimentos cardíacos também acelerados. Juro, confie em mim, eu jamais contarei qualquer coisa a ninguém, pela minha vida, eu juro!! Eeee... eu não sabia de nada, eu garanto... é verdadde, tem que acreditar em mim...
    Não restava dúvidas de que Rochefort não fazia idéia do que estava acontecendo e que desconhecia, até então, a verdade oculta de Aramis. - Quando olhei para o seu camafeu, eu pensei que fosse uma irmão gêmea, nunca imaginaria que era você mesmo, és bastante convincente como homem... até na... força física. - Que soco! - pensou ele. Rochefort não parava de falar. Estava receoso de ser mais uma vez atacado por Aramis. Aramis acabou desistindo de ir embora... Não podia deixá-lo lá, assim sem mais, nem menos, ainda mais agora que ele sabia do seu segredo.

    Aramis: - Shhh! Silêncio! - tapou a boca de Rochefort com a mão. - Não quero que ninguém mais saiba de nada. Já chega. Você descobriu tudo por imprudência minha. Nunca deveria ter aceitado o seu convite para passar a noite aqui. E não devia ter descuidado do meu camafeu. Agora cale-se, e apenas escute. Vou contar a você parte do que está acontecendo para que se acalme, mas não fica assim, você sabe meu segredo agora Rochefort, mas esqueça se pensa que eu ficarei em suas mãos por conta disso, está entendido?! Eu não deixarei ninguém me chantagear, muito menos você. Já sei o que vou fazer! - Aramis tinha tomado uma decisão definitiva, que seria consumada ao raiar do dia, conforme seus planos. Está na hora. Na verdade, já é até tarde.

    Rochefort: - Mmmm... - Aramis liberou sua boca. - Ok............. Mas saiba que não me passou pela cabeça chantageá-lo... chantageá-la... Eu já lhe jurei que guardarei o seu segredo a custa da minha vida, mesmo sem saber de nada, acredite na minha palavra. - pôs a mão na cabeça. - Ai. Neutral Mas sou todo ouvidos, pode começar a sua história.

    ***


    Última edição por Athos de la Fère em Seg Out 25, 2010 10:48 am, editado 1 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Out 22, 2010 7:01 am

    6. Tristes Lembranças

    Aramis: Muito bem, eu vou lhe contar uma parte, a outra parte você saberá mais tarde, quando nos encontrarmos com meus amigos e meu Capitão. Você entendeu?!

    Rochefort: - Oui. Claro. Você dita as regras e eu as sigo.

    Aramis: - Parfait. - Aramis contou apenas uma parte, como havia dito, para Rochefort. Nâo falou nada sobre François e sua vingança, também não revelou quem já sabia de seu segredo nem que o capitão de Treville a escondia nos mosqueteiros. Disse apenas que fugiu de um casamento forçado e para não ser encontrada, travestiu-se de homem, mudou de nome e passou a incorporar o Regimento dos Mosqueteiros, pois acreditou que estaria melhor protegida assim. Habilidade com espada ela já tinha e por isso conseguiu levar bem o seu disfarce. Contou-lhe então da carta que havia chegado ao Rei pedindo que ela fosse encontrada e revelou a ele o seu nome verdadeiro. - Meu verdadeiro nome é Reneé d'Herblay.

    Rochefort ouviu a tudo atentamente e ficou estupefato. Quanta determinação tinha aquela mulher. - Aramis, nunca pensei que lhe diria isso, mas chego a ter medo de você, sabia?!

    Aramis: - É mesmo?! Isso, para mim é muito bom. Parecia que Aramis estava de bom humor, mas isso não se podia confirmar em seu olhar. Estava profundamente triste e preocupada, novamente angustiada. O timbre da voz não a deixava mentir e isso não passou despercebido a Rochefort.

    Rochefort: - Não sei o que tem em mente para daqui a pouco, mas vai dar tudo certo. Você não lembra o que me disse ontem no jantar?

    Aramis: - Não me lembro, desculpe. O que?

    Rochefort: - Você me disse que as coisas iriam se resolver. Você só pode dizer uma coisas dessas se acreditar naquilo que está dizendo. Você acredita? - a voz suave e doce de Rochefort havia conseguido uma façanha para aquele momento, conseguiu acalmar Reneé. Ela estava começando a se tranquilizar com aquela voz um pouco rouca, mas ainda assim muito bonita e envolvente que saia dos lábios de Rochefort. Era incrível! Nunca antes ela havia 'ouvido' Rochefort daquela maneira... nunca observou o tom e timbre da voz dele... Só nesta conversa que estavam tendo é que ela prestou-se a notar as características da voz daquele homem a sua frente. Estava surpresa.

    Aramis: - Eu... não sei bem no que acreditar agora Rochefort. Mas fico feliz que não esteja me julgando.

    Rochefort: - Como eu poderia? Só você conhece os verdadeiros motivos que a levaram a tomar essa decisão tão drástica e somente a você cabe julgar valores sobre isso. Eu não tenho esse direito e tudo que posso dizer é que compreendo.

    Aramis: - Obrigada. Ouvir isto a esta altura dos acontecimentos é importante para mim. Sabe Rochefort, mesmo que não sejamos próximos, você está me ajudando muitíssimo a lidar com isso. Estou muito surpresa com suas ações e agradecida por tê-lo encontrado.

    Rochefort: - Não está mais achando que eu sou culpado, nem que eu já sabia de tudo? Não vai mais me acusar de ser cínico e dissimulado e me chamar de chantagista? Posso ficar sossegado com isso?

    Aramis: - Pode. - foram palavras ditas com tristeza.

    Rochefort: - Anime-se. - disse enquanto se levantava da cama. Está amanhecendo. Você disse que já sabia o que fazer; seja o que for, acho que já está chegando a hora. É bom que descanse um pouco e...

    Aramis: - Nada disso. Vou me aprontar e volto logo. Você não saia daqui porque você vem comigo resolver estes impasses de uma vez por todas.

    Aramis começara a por o seu plano em prática. Ia levar Rochefort até a casa do Capitão de Treville e em seguida, reunir os outros três amigos, D'Artagnan, Athos e Porthos. Estava determinada a contar-lhes a verdade de modo que assim procedeu; Vestiu-se com suas próprias roupas, voltou ao quarto do Rochefort, que também já estava pronto para sair e juntos seguiram para a casa do Capitão Treville. Lembraram de deixar sobre a mesa central, um bilhete para Madame Gertrudes avisando que não estariam em casa para o café e almoço, e pedindo que ela ficasse despreocupada.

    Aramis: - Bonita caligrafia.

    Rochefort: - Merci.

    ***

    No caminho para a casa do Capitão, pararam na casa de Aramis/Reneé. Reneé pediu que Rochefort esperasse la fora um instante. Em seguida, voltou com um pacote nas mãos.

    Aramis: - Vamos, continuemos!

    ***

    Ao chegar na casa do Capitão Treville, Reneé, Rochefort e o próprio Capitão fecharam-se no escritório.

    Capitão Treville: - GERARRRD!

    Gerard: - Oui, mon capitaine.

    Treville: - Por favor, mande buscar com urgência o Athos, o Porthos e o D'Artagnan e peça que venham até meu gabinete. Também quero que cuide para que NINGUÉM nos interrompa a partir de agora, você entendeu bem?! - C. Treville foi taxativo... não toleraria erros.

    Gerard: - Oui, monsieur capitaine. Assim será feito. Com sua permissão.

    Treville: - Muito bem, vá.

    As portas se fecharam.

    Treville: - Muito bem, já estamos sozinhos. Aramis, o que raios faz o Rochefort aqui?

    Aramis: - Capitão... eh... Rochefort já sabe a verdade...

    Rochefort: - ???

    Treville: - ????!!!!! O que disse?!! É verdade? Ele já sabe de tudo? Contou a ele?

    Aramis: - Não tive escolha Capitão, é uma longa história. Por favor, enquanto esperamos os outros, posso adiantar ao senhor o que foi que aconteceu e porque Rochefort está aqui também. O senhor tinha razão, em algum momento ia chegar a hora... e este momento é agora.

    Treville: - Está bem minha filha. Está bem.

    Aramis contou ao seu Capitão o que lhe havia sucedido desde a tarde do dia anterior, quando deixou aquele mesmo escritório com a informação da carta misteriosa de sua família. Disse que acabou esbarrando-se com Rochefort na rua e tudo o que passara até então. O relato conseguiu ser feito com calma e serenidade. Rochefort acompanhou tudo calado, não disse palavra e só ousou confirmar com a cabeça quando via que Reneé esperava isso dele.

    Treville: - Minha querida, eu sinto muito que tudo isso esteja lhe acontecendo de uma vez só. até parece coisa predestinada a acontecer. Mas você ponderou bem sua decisão de revelar o seu segredo?

    Aramis: - Sim... ponderei Capitão. Não posso mais esconder, não posso mais viver com isso engasgado, com a ameaça de ser desmascada e considerando-me como uma espécie de criminosa... Não está certo. Além disso, eles merecem muito mais do que minha consideração, merecem minha confiança... estou com muito medo de como vão reagir Capitão, mas eu vou em frente. Vou contar tudo a eles.

    Treville: - Então está bem. Ah, Rochefort?!

    Rochefort: - Oui, Monsieur Treville.

    Treville: - Obrigado por ajudar Reneé e por prometer guardar o segredo dela. Obrigado por cuidar dela.

    Rochefort: - Não me agradeça. Devo-lhes isso e muitíssimo mais, Capitão.

    Treville: - Obrigado.

    Rochefort fez apenas um sinal afirmativo com a cabeça. Foi então que alguém bateu à porta. Era Gerard e introduzia no gabinete do Capitão Treville, 3 de seus mosqueteiros. Athos, Porthos e D'Artagnan, que chegaram curiosos para saber o que estava acontecendo e o que o seu Capitão poderia querer deles tão cedo, afinal, eram apenas 6h da manhã. A porta se fechou novamente atrás deles e o Capitão pediu que eles se sentassem, ao que todos obedeceram.

    Treville: - Sendo assim - falou o Capitão - não vejo porque não começarmos logo. Aramis?! Você quer começar?

    Aramis: - Oui, mon Capitaine. - disse num quase gemido.

    Athos olhou preocupado para Aramis e interrompeu questionando: - Espere um instante, porque o Rochefort está aqui?

    Aramis: - Querido Athos, logo você saberá. Eu tenho de lhes contar algo muito importante sobre minha vida, sobre meu passado. Algo que pode mudar o nosso relacionamento daqui por diante, ebora eu espere sinceramente que não. Quero que saibam que vocês são as pessoas mais importantes da minha vida, pessoas que eu amo muito, do fundo do meu coração, e em quem eu confio a minha vida. Espero que entendam o que eu vou lhes contar a partir de... agora.

    Percebendo a seriedade da situação, Porthos quis brincar: - Ora o que é isso, raios!! Que coisa toda é essa? Vais dizer o que, que surgiu uma noiva não sei de onde?

    Aramis: - Não Porthos, não é isso meu querido amigo.

    Porthos: - Ah, então o que! Parem com este clima fúnebre... Espera! Você não vai sair dos mosqueteiros, vai?!!

    D'Artagnan estava sentado ao lado de Rochefort e acompanhava tudo com as mãos na cabeça. Ele entendia o que estava acontecendo. Percebeu logo quando entrou e viu Aramis na sala. A única coisa que não fazia sentido ali era a presença de Rochefort, mas estava certo de que Aramis iria esclarecer aquilo em breve. Ele então interrompeu Porthos: - Porthos, meu amigo. Vamos deixar Aramis falar sem interrupções não é. Parece que o que ele tem a dizer é demasiado importante.

    Porthos: - Pois bem, que desembuche então porque está enrolando demais.

    Aramis continuou. Começou dizendo que estava escondendo um detalhe importante sobre ele/ela e decidiu que para ter coragem de contar tudo era necessário algo antes. Pediu licença a todos da sala, fez menção ao capitão de que iria usar o aposento ao lado e voltaria dentro de instantes. Reneé despiu-se de seu traje masculino e vestiu o que trazia no pacote. Um vestido antigo de que ela gostava muito e que usou na noite em que François lhe propôs casamento.

    Um flash de memória a transportou de volta aquela noite maravilhosa, somente ela e François, nos jardins do chateau de François, namorando um pouco. Ele estava especialmente lindo naquele dia, estava se preparando para lhe pedir em casamento, ela não sabia, mas a sensação de estar junto de François era tão inebriante, tão boa, tão sublime. E ele, quebrando um silêncio que pairou no ar por alguns instantes, abriu uma pequena caixa nas mãos, apresentou um anel de diamantes belíssimo para Reneé e perguntou: - Reneé d'Herblay, você aceita ser minha esposa? -o flash se apaga da mente de Reneé que percebe qu está pronta para voltar à sala onde todos a aguardam ansiosos. Ela retorna até o gabinete do capitão vestida como mulher, uma linda mulher.

    A expressão de susto no rosto de todos os homens presentes não podia ser descrita com palavras. Até mesmo D'Artagnan, Rochefort e o próprio Capitão de Treville, que já sabiam da verdade, ficaram imensamente boquiabertos e surpresos. Athos ficou paralisado e Porthos, bem Porthos tombou da cadeira para trás.

    Porthos: - O que é isso? - quebrou o silêncio.

    Athos: - A... A... A... Aramis... isso é... Capitão... eu não entendi... é.. algum tipo de... prenda. - gaguejou.

    Porthos, já de pé: - É, é isso! Só pode ser... Pois saiba que não tem graça... não tem a menor graça... você me deu o maior susto... só porque você tem aparência de mulher não quer dizer q.... - Aramis interrompeu.

    Aramis: - Querido Porthos... - muita tristeza em sua voz - Eu não tenho aparência de mulher, eu... sou uma mulher.

    Athos e Porthos: - O QUEEE?

    Athos perdeu a cor. Sentiu-lhe o sangue ferver e subir até a cabeça, o coração palpitava acelerado, e o ambiente parecia querer girar. Percebeu que estava com tonturas, mas sentiu-se desconfortável sentado e quis se levantar. Em vão, ao fazer isso, caiu sentado na cadeira. Não teve forças. Desesperado, levou as mãos ao peito. - Aaah.. Meu Deus... eu... preciso de ar... - D'Artagnan apressou-se para socorrer o amigo.

    D'Artagnan: - Athos... calma... amigo...

    Porthos, ainda em pé, também percebeu seu sangue ferver e isso foi notado pelos demais presentes, pois a sua face estava agora completamente avermelhada e não era de vergonha, mas pura fúria. - O QUE É ISSO? QUE HISTÓRIA É ESSA? MULHER, VOCÊ ESTÁ BRINCANDO CONOSCO? CAPITÃO... ONDE ESTÁ O ARAMIS... ISSO NÃO...

    Com a reação de ambos, Aramis pôs-se a chorar no mesmo instante. - Eu sinto muito meus queridos. Eu sei que menti para vocês todos estes anos, mas foi preciso. Se me permitirem, eu vou lhes explicar tudo. Eu tenho razões fortes que me levaram a... - foi interrompida por Porthos.

    Porthos: - MENTIU PRA NÓS.... VOCÊ MENTIU... VOCÊ NÃO É UM HOMEM... COMO PÔDE ESCONDER ISSO DE NÓS POR TANTO TEMPO... QUE RAZÕES SÃO FORTES O BASTANTE PARA ISSO... CALE-SE... NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA... EU DESCUBRO SÓ AGORA QUE NÃO POSSO CONFIAR EM VOCÊ PORQUE SEQUER SEI QUEM VOCÊ É... O QUE VOCÊ ESPERA.... MENTIROSO!! AAAH.. MENTIROSA... INFÂÂÂÂÂÂME! COMO SE ATREVEU A ABUSAR DA NOSSA CONFIANÇA DESSA MANEIRA? - Porthos estava alucinado de raiva. A fato de que Aramis não era um homem não tinha sido digerido muito bem. Na verdade, parecia que ele não se dava bem conta disso.. estava absurdamente confuso. Ora tratava Aramis por homem e ora por mulher, mas a mentira o havia enfurecido. - VÁ EMBORA DAQUIII... DESAPAREÇA... NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA... NÃO QUERO SABER DE MAIS NADA.. NÃO PRECISO... ISSO É UMA LOUCURA... CAPITÃÃÃÃO... O SENHOR... POR FAVOR... O SENHOR TEM QUE TOMAR PROVIDÊNCIAS... EXPULSE ESSE... ESSA... EXPULSE-A DAQUI... POR FAVOR, PELO AMOR DE DEUS... TIREM-NO DA MINHA FRENTE, OU NÃO RESPONDEREI POR MIM.

    Aramis continuava chorando. Rochefort foi consolá-la, mas D'Artagnan interveio e a amparou primeiro. Acalme-se Reneé. Tenha fé, ele só está exaltado, em choque. Não vai ficar assim por muito tempo, sabe como ele é impulsivo, mas depois se acalmará e compreenderá tudo. - disse-lhe nos ouvidos. O Capitão segurava Porthos e para acalmá-lo não teve outra alternativa senão lhe dar uma bofetada.

    Treville: - Acalme-se Porthos. Já chega!! Está tornando tudo muito mais difícil.

    Foi Athos que, conseguindo finalmente ficar de pé, e minimamente recuperado do susto, mas ainda em choque, falou com uma calma inesperada: - Aramis... não sei se devo chamá-la assim... Você traiu a nossa confiança. D'Artagnan, Capitão, pela vossa reação, eu devo entender que... já sabiam a verdadeira identidade de Aramis, estou certo? E também devo considerar que, se Rochefort está aqui, ele que nenhuma proximidade tem conosco, é porque também ele conhece a verdade...

    D'Artagnan, Capitão, Rochefort e Aramis: - Sim.

    Athos: - Porque? Ara... desculpe... Porque escondeu isso de nós? E porque por tanto tempo? Não merecemos sua confiança. Somente eu e Porthos não sabíamos. Pode imaginar como estou me sentindo agora? Perdoe-me, Ara.. perdão. Estou... estou tão decepcionado com você... mais do que isso, estou magoado contigo... muito mesmo. - a calma e a tristeza profunda na voz de Athos atordoaram Reneé que ainda não parava de chorar e começou a soluçar...

    Aramis: - Me desculpe. Me perdoe. Eu imploro que me perdoem, os dois. Porthos, Athos... Eu os amo tanto... não se trata de não ter confiado em vocês... eu confio, confio a minha vida... eu nao podia... - foi interrompida por Athos que voltou a falar.

    Athos: - Eu quero acreditar que você realmente teve razões muito fortes para ter ocultado essa verdade por tanto tempo para nós, que você sempre considerou (ao menos assim eu penso) seus melhores amigos. Estou chocado com esta revelação, Aramis (deixou escapar)... mas quero muito, muito mesmo, ouvir os seus motivos, porque você é tão importante para mim, que não posso imaginar a minha vida sem a sua presença ao meu lado. - lágrimas começaram a descer nos olhos de Athos, lágrimas quentes e verdadeiras... do mais puro amor e amizade sincera... num ímpeto, Athos jogou-se nos braços de Aramis e a abraçou forte. - Por favor, não quero que a sua verdade nos separe, eu não posso viver sem você, eu não suportaria*. Diga que tudo o que você vai dizer agora, as suas razões, não mudarão nada entre nós, entre mim e você e entre todos nós. - A comoção na sala foi tamanha que até o Capitão de Treville deixou cair algumas lágrimas. Porthos já estava mais calmo e também estava comovido, é claro. Porém, um trabalho a mais precisaria ser feito com ele. Ainda estava zangado pela mentira e por ter sido o último a saber.

    A entrega de Athos encorajou Reneé a continuar o seu relato. Continuava chorando e abraçada a ele, e isso se daria até o fim da sua história. Foi chorando que ela terminou de contar a todos, com os devidos pormenores, tudo o que lhe havia sucedido. Falou do amor de Fraçois, de como se conheceram até o dia do noivado, do assassinato de François, das intenções do seu tio e casá-la rapidamente com outro homem rico, o Conde Duchateau, muito mais velho que ela, de como ela fugiu para que isso não acontecesse em sua vida, da dor que sentiu ao enterrar François, do desejo de vingança e do juramento de que realizar essa vingança em honra da memória de François e do amor que sentiam um pelo outro. Falou que procurou o Capitão de Treville, grande amigo de seu pai, pediu ajuda para se esconder. Passando-se por homem e entrando no corpo dos mosqueteiros, facilitaria e muito a sua busca pelo culpado da morte de François. Falou de Manson com muito rancor em sua voz. Depois contou todo o resto a eles que ouviram atentamente, sem interrompê-la. Em alguns momentos, era preciso que lhe transmitissem força para continuar, pois aquelas lembranças eram terrivelmente dolorosas e contá-las a eles depois de esconder a verdade tanto tempo ainda lhe faziam sentir vergonha por ser uma 'mentirosa' como acusou Porthos. Emendou sua história inteira à história da recém chegada carta ao Rei por parte de sua família que agora a procurava desesperadamente. Um mistério terrível que ela não conseguia decifrar; e apontou a necessidade de proteger o Capitão. Antes que lhe perguntassem, Reneé começou a relatar como foi que D'Artagnan e Rochefort descobriram o seu segredo, pois eles também não deveriam saber de nada. Se souberam, foi por acidente. A única coisa que não mencionou era que havia mais alguém que sabia da verdade. Esse alguém era Jean. Mas seria demasiadamente embaraçoso para ela dizer que Jean descobriu a verdade porque espiou pelo buraco da fechadura enquanto ela tomava banho. Isso poderia passar. Ah, claro, no início do relato, Reneé lhes disse o nome verdadeiro.

    Tudo esclarecido, e ânimos um pouco mais calmos, Reneé parou de chorar. Athos a abraçou mais uma vez, com ternura.

    Athos: - Eu vou precisar de um tempo para me situar, Ar.. Reneé. - sorriu levemente. - Não estou mais magoado, mas, continuo triste. Espero que me compreenda, assim como estou me esforçando para compreendê-la também. - Athos conseguia ser um cavalheiro até sofrendo. - Eu sei que vou entender tudo com total clareza, eu sei que vou.

    Reneé: Não tenho o direito de lhes cobrar nada... eu só posso implorar a compreensão de vocês, mas nunca exigir. Vocês são a minha família, são meus amigos queridos que eu tanto amo, eu não quero perdê-los por nada neste mundo e é meu desejo mais forte que nossa amizade não seja destruída por conta de tudo o que lhes acabo de contar.

    Athos e Porthos perceberam que a vida de Reneé foi marcada por muito sofrimento para uma mulher tão jovem e solitária. Órfã de pai e mãe, não pôde contar com uma família que a amasse e a relação com eles, foi a única relação de afeto que vivera, a exceção do amor de François, é claro. Mas este, lhe fora arrancado com violência e essas marcas transformaram a vida dela, e por consequência, agora estava mudando a deles.

    D'Artagnan não teve dúvida, percebeu que era hora de selar aquele momento renovando as juras de amizade eterna. Tirou a espada da bainha e bradou: Um por todos! - Foi seguido pelo próprio Capitão Treville, primeiro, depois o Athos, que tomou a mão de Reneé e segurou junto dela a mesma espada, e com ressalvas e resmungos inaudíveis, o valente e irritadiço Porthos, que agora estava chorando. Juntaram espadas no ar e terminaram: E TODOS POR UM!

    Só Rochefort não ousou participar daquele momento, seria forçoso demais. Além disso, ele sequer era mosqueteiro. Ajudou Reneé, era evidente, e a entendeu. Mas não eram amigos propriamente ditos, ao menos não amigos como aqueles quatro. O Capitão de Treville entrara no 'jogo' porque era um pai para aqueles seus mosqueteiros. Eram mesmo os melhores de seu regimento e especiais de verdade por seus valores e conduta. Apesar disso, Rochefort sorriu feliz com o desfecho daquele momento que tinha tudo para ser trágico. Podia ser o fim da amizade dos quatro, podia ser o fim para Reneé que estaria sozinha para enfrentar o que estava por vir... sim, porque a próxima etapa, era, além de convencer plenamente a Porthos, descobrir porque a família dela a estava procurando agora, que motivos estavam por trás disso.

    ***

    * Não é uma declação de amor, entre homem e mulher, é declaração de amor fraterno. Esses quatro amigos são famosos pela amizade verdadeira que nutriam um pelo outro, eu quis enfatizar isso aqui nesta cena. Eu sei que tá meio forçadinho. Razz
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Nov 08, 2010 5:49 pm

    7. O Passado se Aproxima

    Em Noisy le Sec, o Tio de Reneé, Richard d'Herblay, acertava os detalhes com o Duque Duchateau.
    d'Herblay: - Certamente que não se arrependerá, Monsieur Duque. Será um grande casamento, e agradeço de vós a paciência e os recursos de que tem disponibilizado para encontrar a Reneé.
    Duchateau: - É claro que será, d'Herblay. Especialmente para a vossa família que agora está falida. - falou em tom áspero e bastante rude, despreocupado de causar mágoa.
    d'Herblay engoliu seco, e segurou o orgulho. Era verdade, sua família, os d'Herblay não tinham mais fortuna. Estavam mesmo falidos. O fato não era notório na sociedade, mas logo seria se medidas drásaticas não fossem tomadas nesse sentido.
    Por isso, quando o Duque Duchateau o procurou para propor casamento a Reneé, o tio d'Herblay não hesitou em prometê-la. Porém, era preciso resolver o grave problema do desaparecimento de Reneé desde a morte de seu antigo noivo, François Leblon, filho do Marquês Daniel Leblon.
    Acontece, que o Duque Duchateau, não era o velho Duque que há 8 anos quis casar-se com Reneé. Este novo Duque era o seu único filho que na ocasião era um jovem com carreira militar promissora. Não se casaria até tornar-se tenente da guarda oficial de sua cidade, então, foi o seu Pai quem se interessou em casar-se com Reneé depois a viuvez.
    O velho Duque, agora morto, deixara toda a herança para o seu filho Alexander Duchateau. Este homem, quando menino, fora criado debaixo de muitos mimos e caprichos, sempre teve tudo o que quis. E agora, queria vingança pela morte de seu pai.
    O veho Duque morreu alguns anos depois de ter sido abandonado por Reneé que fugiu para não se casar com ele. Rejeitado, humilhado diante dos amigos, família e sociedade, o duque foi ficando melancólico, adoeceu repentinamente e finalmente morreu.
    Isso deixou o filho Alexander revoltado. Agora não tinha mãe, e pai. Sentiu ódio de Reneé porque percebeu as razões que levaram seu pai a morte. O velho Duque já estava com 62 anos quando faleceu. Era de fato bastante velho para Reneé que estava ainda demasiadamente fragilizada com a morte de seu amado François.
    Mas isso não passou pela cabeça do caprichoso Alexander. Após a morte do pai, jurou que um dia se vingaria, que levaria o tempo que fosse preciso, mas esse atrevimento jamais seria esquecido e a memória de seu pai seria honrada a qualquer custo.
    É por isso que o fato de Reneé continuar desaparecida não o fez desistir do casamento/vingança, que seria, igualmente forçado.
    Ao contrário, alimentou ainda mais o desejo daquele homem sádico, acostumado a batalhas sangrentas, e temido de muitos homens na região de Noisy le Sec e imediações. Era considerado por todos um homem cruel, intolerante e um assassino sem piedade, pois não eram apenas bandidos que sofriam em suas mãos.
    Bastava-lhe que fosse contrariado para punir severamente o culpado por tal 'insolência' como dizia com frequencia. Duchateau, após a morte do pai, dedicou-se ainda mais a carreira militar até tornar-se capitão da guarda local e evidentemente, era a Lei em Noisy le Sec desde então. Todos tinham medo de desafiá-lo, pois era um homem igualmente poderoso, em fortuna e influência.
    Logo, era um prazer para ele ter Reneé desaparecida, pois ela seria CAÇADA. Uma caçada de ouro. Condenou o gesto tolo do tio de enviar a carta ao Rei, pois certamente alertaria Reneé onde quer que estivesse escondida, pois o Rei mandaria procurá-la e colocaria seus homens nesse serviço. Era possível que estes homens a serviço do Rei lhe atrapalhassem os planos. POrém, era tarde, precisava correr contra o tempo e iniciou viagem com 7 de seus melhores homens a procura, ou melhor, à caça de Reneé.
    Ele que na época em que seu pai se casaria com Reneé tinha já seus 26 anos, agora tinha 34.
    Duchateau: - Você já pode ir d'Herblay. Peça a sua mulher que vá ocupando-se dos preparativos para o casamento. Quero a melhor festa. E como vou encontrar sua sobrinha perdida, não terei tempo para nada.
    Quando eu retornar com Reneé d'Herblay, espero que tudo esteja pronto. Tome! - jogou uma bolsa com muitas pistolas em prata e ouro. - Deve bastar para as despesas necessárias para o que acabo de vos ordenar.
    d'Herblay: - Oui, Monsieur Duque, tudo estará pronto quando retornares.
    O tio de Reneé estava tão obcecado com a idéia de conseguir dinheiro para saudar dívidas que já surgiam, e futuras que seria contraídas se não resolvesse sua situação financeiras, que nem deu-se conta das intenções perversar do Duque.
    Era claro que aquele homem de fama cruel, faria Reneé sofreu muito enquanto sua esposa. E era evidente que haviam intenções escondidas ali naquela inteção misteriosa de casar-se com a mesma mulher que desonrou seu falecido pai. d'Herblay não foi perspicaz o suficiente para perceber que Duchateau estava querendo vingar-se pelo pai e que certamente faria algo de ruim contra Reneé.
    Duchateau: - Vou trazê-la viva, desprezível Reneé, trarei-a viva para só depois de fazê-la casar-se comigo forçadamente, matá-la com muita dor e sofrimento com minhas próprias mãos. - ira no olhar e nos pensamentos. - Vá embora d'Herblay.
    A viagem a Paris foi rápida para aqueles homens, já estavam na cidade.
    Reneé não se lembraria daquele homem, pois sequer conheceu pessoalmente, seu quase noivo, o Duque pai.
    Poderia cruzar com ela na rua, e não saberia quem ele é. Mas Duchateau sim, saberia quem ela era, pois tinha consigo um retrato que o tio de Reneé lhe dera.
    Reneé não sabia, mas seus problemas estavam começando a complicar. O que a ajudava era o fato de que estava com um disfarce quase perfeito. Era agora um homem, e isso dificultaria e muito a busca do Duque.
    ***
    Ainda no gabinete do capitão de Treville, todos estavam agora pensando no passo seguinte que deveriam diante da revelação da carta que pedia ao Rei que o paradeiro de Reneé fosse desoberto e que ela fosse levada de volta à família.
    Rochefort: - Coloco-me a disposição para ajudar no que for preciso. Já lhes disse que podem contar com minha discrição e que ninguém mais saberá da verdade.
    Athos: - COmo é que você pretende ajudar, se justamente não pode falar a ninguém sobre Aramis? - Athos perguntou em tom desdenhoso, como se recusasse a ajuda de Rochefort. Foi a primeira vez que viu-se um Athos reagindo sem o seu cavalheirismo de sempre.
    Rochefort: - Da maneira que puder, Athos. - ROchefort respondeu sem a empáfia com que costumava dirigir-se aos mosqueteiros. Seu tom agora era até triste, mas havia de ser firme.
    Reneé: - Rochefort, já que aqui se encontra, e já que oferece tua ajuda e sabendo que isso significa ou implica uma aproximação maior entre nós e você, posso ousar fazer-lhe um pedido?
    Rochefort: - Claro que sim...
    Reneé: - Acho que hora de colocar um fim a uma situação desagradável, que você mesmo me relatou quando estive em sua casa.
    Rochefort: - Reneé, não sei se é uma boa hora para..
    Reneé: - POrque não?! Talvez seja melhor aproveitar este momento em que estamos todos reunidos...
    Rochefort: - Mas eu...
    Reneé: - Eu acredito firmemente que este é o melhor momento Rochefort. Não deixe passar esta oportunidade.
    Rochefort: - Eu... não sei por onde começar... me preparo para isso há algum tempo, sempre pensando e idealizando a melhor forma de fazê-lo... jamais esperei que você fosse me surpreender assim... - Rochefort parecia não ter gostado muito da atitude de Reneé.
    Reneé percebeu. - Me desculpe. Perdoe-me Rochefort, achei que você queria por um fim nis...
    Rochefort: - Eu quero. - Tristeza na voz.
    D'Artagnan: - O que está acontecendo?
    Treville: - Sim, não entendemos, o que é que Rochefort está 'ensaiando' para dizer há tanto tempo...
    POrthos: - Ah!! Deixe-me adivinhar, certamente é alguma outra mentira escondida de nós.. é isso... mas de você já se espera... nunca foste nosso amigo, e jamais contamos com teus préstimos, até quando unimo-nos a ti na ocasião da captura do Máscara de ferro, não tivestes a humildade de agradecer a ajuda que lhe demos.
    És um pulha, Rochefort.
    Treville: - Calma Porthos. Estamos todos com os nervos a flor da pele, mas você é o único agressivo.
    Rochefort: - Ele tem razão, não lha tiro dele. De jeito nenhum.
    Athos: ? O que?
    Rochefort: - É verdade, sou mesmo um pulha, como disse Porthos. Foi sempre assim, sempre agi como um canalha convosco o que é que posso esperar, um abraço?
    D'Artagnan estava incrédulo, Rochefort estava confirmando a ofensa de Porthos e parecia que ia se retratar... um homem tão orgulhoso como ele... não era possível.
    Rochefort: - Não posso esperar nada diferente, nenhuma atitude de simpatia ou cortesia para comigo. Eu reconheço todas as faltas que cometi contra vocês, reconheço todos os planos de sabotagem, todas as vezes em que eu quis matá-los, em que planejei a prisão de vocês com base em acusações e provas falsas que eu mesmo forjava. Eu RECONHEÇO minha total falta de caráter, está bem... Eu reconheço isso Porthos, e do fundo do meu coração eu espero que vocês possam me perdoar algum dia.
    Uma lágrima desceu-lhe no olho direito... o único que ainda podia chorar... Ele escondeu isso dos outros, dando-lhes as costas. Queria ir embora. Virou-se novamente para eles. - Eu sei muito bem o que fiz a vocês e acreditem, amargo cada incidente e tenho grande arrependimento. Queria que soubessem disso. Não posso esperar que me perdoem, mas posso ao menos dizer o que sinto a respeito. Gostaria imenso que me perdoassem, mas é lógico que isto é pedir demais. Gostaria que cada um de vocês pudesse esquecer o que aconteceu, e pudessemos conviver em harmonia, mas não as coisas não se resolvem com esta simplicidade que eu tanto desejo, não se pode apagar as mágoas que eu causei... especialmente a você, Athos.
    Athos estranhou aquela revelação. Como assim? Especialmente ele?
    Athos: - Não entendo, Rochefort. O que há de especial comigo?
    Rochefort: - Athos, você foi o mais...
    Porthos: - Ah, cale-se. Como se já não bastasse o que acabamos de passar, ainda vamos ter que ouvir este discurso hipócrita e mais falso que o próprio Cardeal Richelieu?!!! POUPEM-ME!!
    Rochefort: - Não permito que insultes o Cardeal na minha presença!
    Porthos: - Advirto que estás em território inimigo, meu caro, queres perder o outro olho?!! Falo daquela cobra velha como bem me convier...
    Rochefort: - BASTA. Você não sabe o que está dizendo. Retire isso AGORA?! - Rochefort foi em direção de Porthos e parou diante dele, olhando-o fixamente nos olhos.
    Porthos muito exaltado, retrucou: - JAMAIS!
    Treville: - Já chega?! Porthos, você passou dos limites!!!
    Rochefort: - Retire o insulto, Porthos!
    Treville: - Rochefort, por favor, não o inflame.
    Rochefort: - O Senhor compactua com ele, Capitão?
    Treville: - Não se trata disso...
    Rochefort: - Sou eu quem lhes causou mal, não tem que envolver o nome de Sua Eminência. Eu jamais permitirei que alguém insulte este homem santo na minha frente.
    D'Artagnan: - Ah, Santo! Ora Rochefort. Você fez tudo conforme as ordens dele mesmo. Também não me venha querer que engulamos esta história de que o Cardeal é um Santo. Ah, muito menos... por favor...
    Treville: - D'Artagnan... - aquela situação estava ficando cada vez mais embaraçosa para Treville. Seus homens, os melhores de seu regimento estavam insultando Sua Eminência, o Cardeal Duque de Richelieu, Primeiro Ministro de França. Era um crime. E estavam fazendo aquilo na frente do homem da mais alta confiança do Cardeal e o capitão da sua guarda pessoal.
    Porthos: - Eu digo, e repito, Sua Eminência é uma víbora, Capitão Rochefort.
    Rochefort não se conteve e partiu para cima de POrthos que obviamente reagiu com força e segurou-lhe os pulsos. A força de POrthos era hercúlea, ninguém, homem a homem, conseguiria vencê-lo. Com os pulsos nas mãos de POrthos, Rochefort ainda exigia: - RETIRE O QUE DISSE!! AGORA!! EU... EU.... Porthos estava apertando-lhe os pulsos, e jogou-os para baixo.
    Porthos: - E porque é que devo retirar? - o tom de atrevimento na voz.
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Fev 10, 2012 11:46 am

    8. Mais um Por Todos




    Rochefort: - ÉS UM ATREVIDO, PORTHOS! Violentamente, Rochefort, tendo em conta que não conseguir soltar suas mãos do aperto forte de Porthos, deu-lhe uma cabeçada de frente que lhe fez ver estrelas. Porthos também ficou tonto, tanto que soltou seu adversário, que já se apoiava na parede, logo atrás dele.

    Porthos: - Seu... grrrr..

    Athos: - Porthos.. Páre, pelo amor de Deus, para onde vamos com isso?!

    Treville: - Exatamente, páre agora! Parem todos, Rochefort, você também. Por favor, entenda que estás entre os mosqueteiros e que respeitamos Sua Eminência, o Cardeal, no entanto, ele não é Deus na terra, por favor. O melhor é que não falemos sobre isso. Nem ofendamos ao Rei, tão pouco, o Cardeal, quero isso agora, de todos, prometam.

    Athos foi o primeiro a prometer, seguido de D'Artagnan e Reneé. Rochefort acabou concordando e enquando ainda massageava os pulsos e se recuparava da colisão entre as cabeças, respondeu:

    Rochefort: - Estes termos estão ótimos para mim.

    Um Porthos titubeante respondeu que também concordava, mas resmugou qualquer coisa que ninguém pôde ouvir com clareza.

    Treville: - Está bem, cavalheiros, agora todos sabemos da verdade de Reneé. Ela não teve opção, teve de agir assim por sua própria segurança, mas esta repentina busca por parte de sua família a está encurralando e há muito que eu sei que ela lhes desejava contar a verdade.

    Reneé: - Nunca pleitei enganá-los, meus amigos, nunca foi um plano, foi apenas, uma necessidade. Por favor, espero mesmo que possam compreender, do fundo do meu coração, lhes peço perdão, mais uma vez e sempre pedirei, não mereço que acreditem em mim, mas ainda me atrevo a lhes pedir mais este voto de confiança. Por favor, perdoem-me. Athos, Porthos.. perdõem-me!

    Athos: - Ara.. Reneé.. oh, vai levar tempo para que eu me acostume.. é.. eu já lhe respondi, não lhe tenho mágoa, mas o choque foi tão grande, por favor, só me dê um pouco de tempo para me habituar, para situar-me de tudo, e pergunto, como quer que o... a.. tratemos daqui por diante, continuarás nos mosqueteiros, o que fará?

    Reneé: - Isto ainda não sei. Dependia tanto da reação de vocês para saber o que faria em seguida. Eu não gostaria de deixá-los, amigos, não gostaria de deixar os mosqueteiros, de voltar a Noisy-Le-Sec, pois só tenho más recordações, quero continuar com vocês, mas penso, como farei isso, sendo mulher? Entendo agora, mais do que nunca, que posso prejudicar meu Capitão. Está em tempo de partir, eu confesso, preciso de ajuda, não sei o que vou fazer, não sei como agir.

    Porthos: - Então é foi só por isso que nos contou? POrque precisa da nossa ajuda para o que? Permanecer escondida? Podes mesmo prejudicar o Capitão, sabia disso? Se descobrem? E esse Rochefort aí, é de confiança?

    Reneé: - Porthos, por favor, meu querido... eu..

    Porthos: - Não me chame de querido, está bem... me dá um tempo também, não é fácil para você, não é fácil par amim também, quer saber, estou farto por hoje, Capitão, peço que me dispense, não estou mais suportando continuar aqui. Me deixe sair, por favor. Preciso de ar fresco.

    Treville: - Está bem, Porthos, pode sair.

    *

    Porthos saiu, furioso, confuso, chateado. Ficou todo atrapalhado durante o resto do dia até que a noite chegou. Rumou para a taverna e se embriagou durante toda ela. Procurou ficar sozinho, para que não puxassem assunto e ele abrisse o bico, descuidado por causa da bebida. Mesmo assim, um homem estranho, de baixa estatura, calvo e meio corcunda sentou-se com ele na mesa, puxou um papo estranho, percebendo ser Porthos um boa boca, pagou-lhe uma refeição e conquistou a simpatia do guloso mosqueteiro. Em meio a alguma conversa, sem revelar quem, Porths acabou dizendo que estava surpreso com uma mulher intrigante que estava em Paris. Aquilo acendeu os olhos do seu interlocutor malicioso. Arrancou-lhe o que pode, mas não soube que Aramis estava escondida nos mosqueteiros. Soube apenas que havia alguma ligação entre eles, mas pensou que talvez os mosqueteiros já soubessem do paradeiro dela. A noite foi longa, e na manhã seguinte, o tal homem encontrou-se com seu superior, Duque Duchateau.

    *

    Depois de saírem da casa do Capitão de Treville, Reneé, D'Artagnan, Athos e Rochefort se encontraram do lado de fora, ainda sem saber o que fazer. Reneé voltou a vestir-se de Aramis, porque ainda era importante permanecer oculta até estar certa do que devia fazer. Olhava para os 3 desolada. Rochefort estava penalizado, queria poder ajudar.

    Rochefort: - Farei o que estiver ao meu alcance, Reneé, digo, Aramis. No que depender de mim, seu segredo está a salvo e estou disposto a fazer o que precisares para livrá-la de qualquer embaraço.

    D'Artagnan: - Não entendo. QUal é o motivo desta ajuda tão desinteressada! Não engolimos você, Rochefort.

    Athos: - D'Artagnan, não fale assim.

    D'Artagnan: - Ah, você também, Athos. Só me faltava essa. Apóia esse aí. Eu não acredito nisso.

    Athos: - Você ouviu Aramis. Ele a ajudou, livremente, e a protegeu. Sou-lhe grato por isso, Rochefort. Aramis é e sempre será muito importante para todos nós, para mim, nós nos temos muito apreço por ele... ela... ele. ela.. sempre foi tão frágil, agora sabemos porque... sempre tivemos esse sentimento de proteção, nem sabíamos exatamente o que acontecia dentro de nós, mas sempre sentíamos assim, Porthos e eu.. Quando recebemos Aramis aqui nos Mosqueteiros, achamos que não aguentaria muito, aparentava muita vulnerabilidade e não tinha estatura ou estrutura masculina... era estranho que o capitão o tivesse admitido, estranhamos... mas agora está tudo claro. Eu só quero dizer que, agradeço porque você também a protegeu, a manteve a salvo e garante que vai guardar-lhe este segredo tão importante. Podemos confiar em você, não podemos Rochefort. Por favor, não poderá contar nem mesmo ao Cardeal. Sabe da gravidade disso. Não falemos da índole dele, como prometemos, mas você bem conhece a vontade do cardeal de conhecer tudo o que está a sua volta, ele quererá saber sobre Reneé, ele pode ser uma ameaça.. ele...

    Rochefort: - Athos.. eu entendo. Não se preocupem, Reneé, Athos, D'Artagnan... eu não contarei a ninguém. Eu juro pela minha vida. Este segredo está protegido.

    Reneé/Athos: - Obrigada/o. (uníssono) Os dois agradeceram ao mesmo tempo e olharam-se enrubescidos.

    Rochefort: - Athos...

    Athos: - Sim...

    Rochefort: - Sei que agora dedicará tempo a seus amigos, mas quando tiverdes um tempo livre, podes ouvir algo que tenho a lhe dizer?

    Athos: - Como?!

    Rochefort: - Algo em particular. Gostaria de poder conversar em particular convosco, se for possível.

    Athos: - É... particular... está.. bem... - Não entendo?! - Pensou. O que poderá ter esse homem para tratar comigo em particular?

    D'Artagnan: - Contanto que não seja outra emboscada.

    Reneé: - D'Artagnan? Oooh...

    Athos: - Eu posso conversar com você agora, se quiser, tudo bem, Reneé?

    Sabendo do que se tratava, Reneé concordou e achou que era então a hora de Rochefort também colocar em pratos limpos aquilo que sentia e demonstrou na noite anterior. Era a sua hora da verdade agora e ela ficaria bem com D'Artagnan, pensaria com ele, numa forma de dobrar o grandioso Porthos.

    Reneé: - De modo algum me oporia, Athos. Por favor. Vá. Conversem.

    Rochefort: - Está certo. Então é...

    Athos: - Anda, vamos até onde eu moro. Lá teremos mais privacidade.

    Rochefort: - Claro. Como queira!

    Athos: - Rochefort...

    Rochefort: - Sim.

    Athos: - Podemos MESMO contar com você? É de verdade, tudo isso? Essa fraternidade que demonstras?

    Rochefort: - AThos... eu sinto tanto pelo maus que lhes causei, confie em mim, estou do vosso lado nesta história. Pode contar comigo, e confiar em mim. POr favor, lhe peço.

    Athos: - Está bem, considerarei você mais um entre nós.. mais um por todos... Athos sorriu ao dizer está última frase e aquilo animou Rochefort a abrir seu coração e falar logo de todo o arrependimento que tinah no peito. Foram então caminhando, os dois, até a casa de Athos. Rochefort ia em silêncio, só queria falar quando chegassem, e estivesse sob quatro paredes. Mas ficou observando aquele jovem homem ao seu lado, ele tinha um porte tão diferenciado, não era apenas um soldado, tinha um ar de nobreza que emanava dele... e o semblante altivo também... era por isso que Rochefort o admirava tanto... agora ele sabia.. Rochefort nutria por Athos uma admiração que lhe chegou a despertar-lhe inveja, algumas vezes, e ele se sentiu tão vil e baixo quando lembrou-se disso. Buscaria o perdão por suas atitudes inadequadas, e esperava conseguir obtê-lo. Athos espantou-se quando percebeu-se observado pelo Capitão ao seu lado.. olhou-lhe nos olhos...

    Athos: - Alguma coisa.. estranha comigo?

    Rochefort: - Ãhn? Não.. nada estranho... nada... mesmo.

    Athos: - Está me olhando... - sorriu um sorriso delicado.

    Rochefort: - Desculpe, não é nada.

    Athos: - O chapéu está torto, avise-me, por favor. - Mais um sorriso.

    Rochefort: - Não, homem, nada disso... já lhe disse, não é nada... - também sorriu.

    Athos: - Chegamos. Abriu a porta e convidou o Conde a entrar. Sinta-se a vontade, o que acho difícill, a casa é demasiada humilde para um Conde.

    De verdade, a casa de Athos era mesmo humilde, pequenina, mas aconchegante e requintada como podia, afinal ele também era um Conde. Ele tinha objetos sofisticados que denunciavam sua nobreza, Rochefort desconfiou-se de que Athos escondia suas origens nobres, ele não conhecia a história de Athos, mas certamente pôde perceber que o rapaz de apenas 28 anos tinha um bom gosto extremo para alguém que não tivesse no mínimo um título de nobreza.

    Rochefort: - Sua casa é extraordinária.

    Athos: - Ah vá! Não tem 0,5% das dimensões do seu Chatteau, Rochefort. Não é preciso ser cortês ou formal. Sente-se, por favor, vou servi-lhe um vinho, aceitas?

    Rochefort: - Claro. Nunca se recusa um vinho.

    Athos: - Ok. - Rindo um riso suave. Mas então, conte-me, estou curioso, o que tem para tratar comigo em particular?

    *


    Última edição por Comte Athos de La Fére em Seg Jan 14, 2013 2:26 am, editado 2 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Jan 11, 2013 10:13 am

    9. Orgulho e Preconceito (ref.:Jane Austen)


    Rochefort estava desconfortável, ele queria sim, dizer o que sentia, mas ao mesmo tempo estava tão atrapalhado, não sabia como começar.
    Sentia-se um menino que tinha que contar a arte inconsequente que fez ao seu pai. Preparava-se para uma reação violenta de seu interlocutor, embora soubesse da classe de Athos.


    Rochefort: - Bem, Athos... quero continuar a pedir as desculpas que pedia a todos vocês lá no gabinete de teu Capitão... mas agora, particularmente a você porque... porque... por causa do incidente que causei e que quase tirou a sua vida, eu fui, vil e covarde, não deveria ter agido assim, as coisas passaram de todos os limites naquele dia, e eu sei que com toda a certeza pedir-lhe perdão não vai apagar o que houve, não vai fazê-lo esquecer e sem dúvida não vai ser suficiente para que confie em mim a partir de hoje... também não vim aqui para dizer que estou mudado, diferente... longe de mim, não sou hipócrita Athos... eu agi com fúria e tinha tanta vontade de te pegar que quando estive tão perto, não quis perder a chance... vocês mosqueteiros sempre foram tão hábeis para escapar... um riso sem graça para fingir que havia graça numa quase piada que não conseguiu fazer.... eu... sinto muito que tenha agido
    daquela forma, que o tenha quase matado quando você estava desarmado... eu me arrependo muito do que fiz, Athos... eu não devia ter te emboscado, especialmente não com mais 16 homens junto comigo enquanto você estava sozinho. Eu o feri e você, por muito pouco eu.... Silêncio por alguns instantes... Athos permaneceu calado mas não escondia a expressão de susto no rosto.


    Rochefort voltou a falar:- Athos, já o fiz... agora já o fiz e não posso voltar atrás e consertar o erro, me desculpe, resta-me apenas a hombridade de vir até vós, olhar-lhe nos olhos e dizer o quanto lamento e pedir vosso perdão. Affff... Desculpe... era isso o que eu queria dizer-te em particular.. e... era isso.. é... isso mesmo.... Rochefort estava aflito, olhando para Athos, sentou-se e levantou-se no mesmo instante, foi a partir daí que, de pé se pôs a discursar tudo aquilo, ele segurava o próprio chapéu nas mãos e o rodava enquanto falava... parou com ele nas mãos olhando nos olhos do mosqueteiro que o ouviu atentamente e ao término do discurso do Conde, estava quase boquiaberto. Rochefort, o Conde Capitão da Guarda de Sua Eminência, altivo e sagaz e sobretudo, muito orgulhoso, estava dobrando-se perante Athos, um mosqueteiro, e pedindo-lhe perdão?! Era isso possível? Não só era, como estava de fato acontecendo! Athos não soube o que dizer...

    Mais alguns instantes de silêncio tortuoso na casa, que deixou a ambos mais aflitos. Athos queria dizer algo, mas as palavras não saiam.
    Rochefort por sua vez, acreditava que já havia falado por demais e que era hora de ouvir o que Athos pensava a respeito e estava ávido por saber se seria
    perdoado ou não. Athos até mexia os lábios, mas as palavras não vinham... Rochefort esperava... uma gota de suor escorreu de seu rosto e suas mãos
    estavam tremendo um pouco, orgulho ferido pode corroer a alma, quanto mais não podia fazer com o corpo físico. A firmeza das pernas lhe escapou e Rochefort, diante do silêncio de Athos, despencou sobre a cadeira que estava logo abaixo de si, sentando-se involuntariamente. Até deixou cair o chapéu das mãos trêmulas e Athos percebeu o quão abalado estava o Conde. Ele havia de tecer algum comentário, qualquer um, bem, falou a primeira expressão que lhe veio a mente ao ver aquele homem que acabava de desabar em sua poltrona.


    Athos: - Estás bem? Foi o vinho?

    Rochefort: - Se queres a verdade, não estou e não, não se trata do vinho... Rochefort encontrava-se sobre tensão extrema.

    Athos: - O que posso fazer?

    Rochefort: - Diga algo, qualquer coisa, diga até que não perdoa, mas por favor, não me deixe sair daqui com esta dúvida. Entregou-se a emoção,
    e recostou as costas na poltrona, relaxou os músculos, fechou o olho e o chapéu que já havia recolhido do chão, voltou a cair, escapando-lhe suavemente das mãos que não se moveram para tentar recuperá-lo mais uma vez.


    Athos: - Rochefort... dúvida... eu.. mas... travado, Athos estava travado, as palavras sumiam de sua mente toda vez que tentava formular uma sentença, por mais simples que fosse.

    Rochefort: - Agora eu é que o pergunto? Estás bem?


    Athos: - Sem dizer, expressou uma resposta afirmativa sinalizando com a cabeça. Athos se sentou, pois do momento em que Rochefort havia se
    levantando para falar, ele fez o mesmo, por considerar não educado ouvi-lo sentado.


    Rochefort: - Eu sei... o perdão é inconcebível nesse caso. Mas eu precisava dizer, espero que não tenha lhe importunado muito, eu vou me retirar, obrigado pelo vinho e por me ouvir, Athos... Rochefort se fortaleceu um pouco, levantou-se com alguma vitalidade e se pôs a caminho da porta para sair. Quando já estava com a mão à maçaneta, Athos o interrompeu.

    Athos: - ESPERE! Por favor, espere, eu tenho uma resposta, eu só... eu não sabia que.... não podia imaginar que um dia você... eu... é só... ‘você me pediu perdão?!’ Aquelas palavras foram ditas num sussurro que revelava o quanto Athos estava surpreso com o fato de Rochefort lhe pedir desculpas. Jamais se
    esperaria que um Conde como ele, orgulhoso como todos o conhecem, e ainda mais em relação a um “odioso mosqueteiro” como os homens do Cardeal Richelieu os costumam chamar, fosse sentir-se obrigado a desculpar-se e fazê-lo livremente, espontaneamente. A verdade é que a relação conturbada entre mosqueteiros e os guardas do Cardeal sempre deu margens a que ambos os lados, interpretassem o inimigo como a pior das criaturas na terra. Athos era muito cavalheiro e cortês, mas sinceramente, duvidava que Rochefort tivesse, haja vista as demonstrações do Capitão que só faziam favorecer esta conclusão. O que chocava Athos é a mudança repentina de comportamento de seu inimigo. Ele estava ajudando Aramis, e pediu desculpas a todos no Gabinete do Capitão Treville, acatando até mesmo a ofensa de Porthos a sua pessoa, e agora estava se desculpando com ele, em particular, dizendo-se arrependido... isso tudo era muito confuso!


    Rochefort não havia se virado de frente para Athos, estava paralisado com a mão na maçaneta da porta. Ouvia de costas, apenas.

    Athos: - Rochefort, é claro que eu o perdôo.

    Rochefort virou-se rapidamente, soltando-se da porta. Um novo instante de silêncio antes que um deles o quebrasse, e foi Rochefort quem o fez.

    Rochefort: - Fala sério? Vai mesmo me perdoar?

    Athos: - É claro. O incidente já ocorreu, mas eu ainda estou aqui e bem e você se diz arrependido... Não há porque guardar-lhe rancor, Aramis está convencido, convencedia, de que você não é o mesmo... mas você não ter mudado... ainda assim, me pede perdão... estou confuso Rochefort, mas sim,
    eu o perdôo e está tudo bem.



    Rochefort: - Athos, você é um homem valoroso e muito nobre e digno. Eu fui muito estúpido em não observar essas qualidades em você, e em seus companheiros também, antes desta ‘guerra’ inconsequente e hedionda que nossos regimentos travam até hoje. Merci, Athos... lho agradeço imenso, com
    toda a sinceridade. Respirou aliviado.



    Athos: - De rien, Athos sorriu. Eu não sou insensato, Rochefort. Sei que nos perseguiu, mas também sei que muitos dos homens da sua guarda morreram em combates desleais com mosqueteiros que, muito bem, não éramos nós e com nós quero dizer, eu, Porthos, Aramis e D’Artagnan, mas de fato eram mosqueteiros. Isso quer dizer que tinha os elementos para alimentar algum sentimento contra nós, contra todos nós. Só acho que este sentimento foi inflamado, permita-me dizer com franqueza, por Sua Eminência o Cardeal de Richelieu.


    Rochefort: - Não... o Cardeal não inflama realmente, ele apenas


    Athos: - Rochefort, por favor, disseste que não era hipócrita e eu acredito, pois estou vendo com meus próprios olhos. Sendo assim, porque o defendes com tanta piedade sabendo que ele está errado, você é um homem perspicaz, eu sei que você sabe que Sua Eminência também peca.

    Rochefort ficou calado; e é o costume dizer que “quem cala, consente”.


    Athos: - Não quero causar maior constrangimento “provocando” Sua Eminência, percebo o que ele significa para você, queira me desculpar.

    Rochefort: - Não se preocupe. Você tem razão quando diz que ele é muito importante para mim, Athos... é uma história muito longa, e não
    quero tomar-lhe todo o tempo, mas se me permite, vou ao menos dar-lhe um breve resumo para saber o porque. Acho que isto é justo, o que acha.


    Athos: - Claro. Vá em frente. Voltaram a se sentar.

    Rochefort: - Rochefort é uma cidade pacífica, Athos, pequena mas pacífica. Há algumas grandes propriedades de alguns nobres da região, e claro, são vinhedos, em sua maioria. E os vinhedos da minha propriedade sempre foram os mais vastos. A propriedade que chamo de minha, evidentemente começou com a luta de meu bisavô, no entanto, não é tão longe no tempo que desejo ir. Vou somente até os meus 13 anos, quando celebrávamos uma excelente safra que produziria os melhores vinhos da França, com toda a certeza. Meu pai mandou que fosse organizada uma festa naquela noite para que
    os empregados pudessem celebrar e o dia seguinte seria concedido como descanso a eles pelo belo trabalho que haviam feito. Naquela ocasião, o Cardeal de Richelieu, então Bispo de Luçon, e Duque de Fronsac e Richelieu, estava na diocese, em razão da celebração especial do Santo Padroeiro de Rochefort. Nós fomos à Missa, minha família e eu. Como família mais influente da cidade, o Pároco que era muito amigo de meus pais, insistiu em nos apresentar ao Bispo de Luçon, e assim sucedeu. O fato é que por conta da festa, meu pai também havia pedido que um jantar especial fosse preparado para quando voltássemos da Igreja. E assim o fizemos, voltamos, minha família, o Padre Armand e o Senhor Bispo que acabávamos de conhecer, e ceamos todos juntos, com alegria e tranqüilidade. O dia seguinte seria o último da visita do Bispo à Diocese de Rochefort. Muito bem. Os homens estavam mesmo em descanso e para alguns meu pai até concedeu que eles pudessem sair e visitar seus parentes que moravam em regiões não tão distantes, o número de empregados ficou bastante reduzido por isso. Para o que seria apenas um resumo, acho que já me alonguei demais. Mas agora é mais rápido, pois foi rápido demais que tudo aconteceu. Era já o entardecer quando notamos um incêndio num dos celeiros. A agitação foi enorme, ficamos tão alarmados com o incêndio que demoramos para perceber o pior. Os poucos empregados que ficaram, estavam sendo atacados por um bando de homens
    armados com espadas e pequenas pistolas. Muitos morreram. A balburdia se instaurou. Meu pai procurou proteger a mim e minha mãe e eu fiquei revoltado, porque treinava esgrima desde os 6 anos de idade, porque não podia lutar pelo vinhedo. Mas ele ordenou que eu protegesse minha mãe e subisse até o último pavimento da torre que tínhamos na propriedade. Achou que estaríamos seguros ali. Ele voltou para ajudar os empregados e salvar nossa propriedade, nossa casa.


    Athos: - Minha Nossa...

    Rochefort: - Detalhes ficam para outra hora, Athos. Meu pai morreu naquela noite, eram muitos homens e ele entrou no celeiro para tentar conter as chamas que estavam destruindo boa parte daquela boa safra que colhemos e celebramos. Mas a estrutura de madeira ruiu, e caiu sobre ele. Eu
    não sei se ele se asfixiou com a fumaça, se morreu pela pancada dos escombros ou se... engoliu em seco...


    Athos: - Não precisa continuar, Rochefort...

    Rochefort: - Preciso sim, pelo menos devo chegar aonde pretendo.... no Cardeal. Perdi meu pai naquela noite. E ainda da torre, ouvindo os gritos e tudo o que acontecia lá embaixo, percebi que meu pai não voltava para nos dizer qualquer coisa que fosse, e fiquei preocupado... Disse a minha mãe que desceria, e ela não quis que eu partisse. Mas eu não podia deixar o vinhedo e não fazer absolutamente nada para defendê-lo, você concorda? Athos acenou concordando.

    Rochefort: - Desci atarantado pedindo a minha mãe que continuasse lá em cima e esperasse por mim, pois eu certamente voltaria para buscá-la quando tudo estivesse sob controle. Ela se pôs a chorar, lembro-me muito bem do rosto dela naquele instante. Quando cheguei perto do celeiro e o vi desabando, pude ver o corpo do meu pai e aquilo me paralisou, eu congelei e parecia que nada mais estava ao meu redor, somente meu pai, morto, com os escombros incendiados sobre ele. Ia em direção a ele para tentar tirá-lo de lá, na realidade, queria acreditar que ele ainda estivesse vivo, mas fui bruscamente
    interrompido por dos homens que nos atacava. Soube depois que aquele era o líder de todos eles, mas isso não importa, eu estava tão preocupado com meu pai, que não vi nada a minha volta, como já disse,e portanto, não vi quando aquele homem entrou na minha frente e me deu uma estocada... Rochefort levou suas mãos à pala que lhe escondia o olho esquerdo. Athos assustou-se, mas procurou ser discreto e continuou apenas ouvindo a história.


    Rochefort: - Eu caí, e a dor era tão forte, estava perdido naquele turbilhão de acontecimentos trágicos; segurando meu olho ferido, me esforcei para levantar e fui dando passos para trás, depois, não sei bem como consegui, mas saquei a espada que levava à cintura e apontei para meu inimigo, pelo menos 1m maior do que eu e certamente muito mais forte, mas não importava muito agora, eu não sabia o que estava fazendo, só achei que tinha
    que continuar defendendo o vinhedo e entrei em confronto com ele, atacando-o violentamente. Ele muito mais hábil do que eu com a espada, desvencilhava-se dos meus golpes com facilidade e chegou o ponto em que me vi encurralado na parede, com minha espada longe de mim, pois ele me desarmou e estava prestes a me matar. Mas foi então que aconteceu... um homem surgiu do nada e impediu que eu fosse morto e assumiu o combate no meu lugar, derrotando meu adversário com um única estocada no coração. Meu inimigo estava morto e minha vida fora salva, Athos... você já pode imaginar quem é o homem que me salvou, não pode?


    Athos: - Richelieu...

    Rochefort: - Sim. Ele salvou minha vida, Athos. Eu sou-lhe eternamente grato e não apenas por isso, devo-lhe muito mais. Um empregado havia conseguido fugir e foi refugiar-se na Igreja onde acreditava-se ninguém ousaria blasfemar e cometer crimes, e ele contou tudo ao Padre e ao Bispo que adiara em mais um dia sua partida e portanto ainda se encontrava hospedado na Diocese. Chamando a guarda da cidade, o Padre, o Bispo se dirigiram ao vinhedo e intervieram e colocaram toda a situação sob controle. Soubemos que foram dois vinhedos vizinhos que se juntaram, contrataram mercenários para fazer o estrago que fizeram e que poderia ter sido muito pior se não houvesse a intervenção do Cardeal, por inveja da boa safra que tivemos, e não sei que motivos mais... o fato é que, quando a situação já estava sob controle, cumpri o prometido e subi à torre para ver minha mãe e buscá-la. O que encontrei foi ainda pior do que o que passei, Athos... ela estava morta, foi assassinada a sangue frio, cortaram-lhe... respirou uns segundos antes de prosseguir... cortaram-lhe a garganta e eu não estava lá.... eu não estava lá para protegê-la como prometi ao meu pai. Rochefort apertava os punhos cerrados e se não fosse pelas luvas, Athos podia jurar que a força poderia ter arrancado sangue daquelas mãos.

    Athos: - Eu sinto muito... sinto muito mesmo.

    Rochefort: - A parte disso, após este incidente, o Cardeal me deu total apoio, o vinhedo não enfrentou problemas financeiros, pois meu pai era muito precavido nesse sentido e eu pude contar também com empregados e pessoas de confiança fiéis ao meu pai, mas eu perdi minha família e o que podia eu fazer a respeito para reconstruir tudo? Se não fosse o apoio do Cardeal, eu não teria chegado até aqui, Athos. Enfim, acho que não preciso mais me aprofundar... me desculpe tomar tanto o seu tempo e contar-lhe uma história que não lhe tenha serventia alguma... eu só quis esclarecer que Sua Eminência não é esse monstro que todos pintam, é um bom homem, mas ninguém se digna conhecer este lado que é sua verdadeira alma. Ele acabara de nos conhecer, Athos, que compromissos tinha conosco, nenhum, absolutamente, ele não tinha razões para fazer o que fez por mim, mas o fez assim mesmo... salvou-me a vida e me ajudou a superar o que houve e seguir em frente. Ele me deu horizonte e força para continuar a viver, pois eu já não
    tinha razão alguma para isso. Senti-me tão culpado pela morte da minha mãe, e foi ele, o Cardeal quem pessoalmente me ajudou a enfrentar essa dor sem NUNCA pedir-me nada em troca. Por favor, não façam tão mau juízo dele, especialmente não diante de mim, eu sempre o defenderei, sempre.


    Athos: - Eu entendo, Rochefort. Peço desculpas, por mim e meus amigos, e novamente, eu... sinto muito.

    Rochefort: - Está tudo bem. Sorriu... finalmente sorrira. Agora sim, eu devo ir. Obrigado Athos, muito obrigado. Espero que possamos... bem.. que não haja nenhum ressentimento entre nós.

    Athos: - Não há, não de minha parte.

    Rochefort: - Tão pouco da minha, pois nem teria este direito. Até breve, Athos. E assegure Aramis de que guardo com a vida o que soube. Palavra de honra.

    Athos: - Obrigado.

    Rochefort deixara a casa de Athos e voltou para sua própria casa, o Chateau, cheio de pensamentos sobre o segredo de Aramis, os riscos que ele corria ao guardá-lo até mesmo do Cardeal, mas imperava um sentimento de alívio ao ser perdoado por Athos. Sua consciência estava muito mais tranqüila e foi mais fácil repousar naquela noite.

    Athos ficou o resto do dia perplexo. Tantas revelações e surpresas num único dia, e apenas no começo dele, o deixaram embasbacado, e um tanto sem ação. Com os pensamentos perdidos, ele se dirigiu à taverna na esperança de encontrar Porthos. Havia retornado rapidamente ao gabinete do Capitão Treville e conversou brevemente com ele, Aramis (trajada como homem novamente) e D’Artagnan. Deixou-os para resgatar o amigo guloso que saíra tão
    revoltado de lá. Era preciso amansar a fera, e talvez só mesmo Athos o conseguisse, pois Porthos era demasiado cabeça dura e teimoso e dificílimo de
    dobrar e mudar de idéia. Essa era a maior preocupação de Aramis, por isso é que Athos se viu na obrigação de ajudar.


    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Jan 11, 2013 10:29 am

    10. Conforto

    Athos entrou na taverna e de pronto avistou Porthos comendo um leitão muito bem assado e bebendo o 8º copo de vinho. Dirigiu-se até o amigo e sentou-se à mesa onde o mais forte dos mosqueteiros se esbaldava com a comida. Comer era o único ponto fraco de Porthos.
    Athos: - Porthos... olá meu amigo.
    Porthos: - Amigo nada, você está endossando o que Aramis nos fez, não está, Athos? Pela sua cara, é o que posso dizer... aprovas a atitude dela...
    Athos: - Shhh... seja discreto, disse em sussurrando. Por favor, Porthos, vamos sair daqui e conversar em outro lugar, eu tenho algumas coisas a te dizer. Vamos, amigo. Venha comigo... Athos levantou-se e foi tentar retirar Porthos da mesa.
    Porthos quis resistir, mas estava demasiado embebedado para o fazer, então deixou-se arrastar por Athos, que foi pagar a conta e surpreendeu-se pois o taverneiro disse que já estava paga. Athos achou estranho, porque Porthos estava sempre sem dinheiro.
    Athos: - Pronto, um pouco de ar fresco... não era isso que você disse que precisava, lá no gabinete do Capitão?
    Porthos: - Eu ainda não me conformo com a mentira, e não entendo como você pode ser tão complascente, Athos... você não, você sempre foi a voz da razão neste grupo, porque agora há de dar para trás, nós fomos enganados, ela mentiu para nós.... *soluço”
    Athos: - Você está trêbado, venha, vamos para casa, eu te levo, passas a noite lá em casa hoje.
    Porthos: - Em tua casa, que vão pensar, estás louco, dormir na casa de outro homem... és um grande amigo, mas lá isso não, Athos... Largue-me... Porthos se afastou de Athos e empurrou o amigo para um pouco mais longe dele.
    Athos começou a rir pois viu como as pernas de Porthos bambearam e como o amigo tinha dificuldades para se manter em pé.
    AThos: - Não é um convite para dormir COMIGO, eu pensei em atirar-te a sofá ou coisa assim e eu que ia para o meu quarto e meu conforto. Você só precisa parar e pensar um pouco, Porthos e não é uma boa hora para fazê-lo sozinho.
    Porthos: - Ah, mas pronto, agora consegui uma Ama para cuidar-me.
    Athos: - Chega, Porthos, vamos...pelo visto teu almoço foi muito bom, então, é só vir para casa descansar um pouco. Athos agarrou Porthos pelo braço, queria ampará-lo como os amigos costumam fazer para carregar os seus que bebem demais... mas Porthos o empurrou novamente, com violência. Só que o feitiço virou-se contra o feiticeiro e Porthos é quem caiu, como criança, batendo o traseiro no chão com força. Novamente, Athos riu, e com severidade maior, puxou o amigo do chão e finalmente conseguiu levá-lo para sua casa. Entraram e Athos jogou Porthos numa poltrona onde o mosqueteiro embriagado se estatelou e se entregou. Parecia que estava morto, com os braços estirados para fora dos braços do acento onde estava, olhos fechados, semblante sem expressão alguma e chapéu e capa pendurados por Athos no chapeleiro. Por causa do frio, Athos acendeu a lareira enquanto seu amigo descansava e foi arranjar algo para tirá-lo da bebedeira. Talvez um café ou chá muito amargo e forte.
    *
    Duchateau: - Ótimo, são informações valiosas. Quer dizer que os mosqueteiros sabem onde ela está e a escondem.
    Informante: - Vais entregá-los ao Rei, capitão?
    Duchateau: - Claro que não, não quero escândalos, e não quero alertá-la para fuja novamente. Se está em Paris, vou encontrá-la. Preciso aproximar-me destes mosqueteiros.
    Informante: - Deseja que eu continue próximo deste mosqueteiro que encontrei na taverna, senhor?
    Duchateau: - Eu preciso pensar no que farei. Na realidade, quero a caçada. Um sorriso diabólico surgiu em seus lábios. Preciso atraí-la de alguma maneira e trazê-la até mim.
    Informante: - Talvez o senhor possa usar o segredo dela.
    Duchateau: - Es algum idiota? Não descobriste o segredo, apenas que ela tem um.... hora.
    Informante: - Sorrindo, exatamente, meu capitão, exatamente, sabemos que ela tem um segredo. Não temos certeza, mas podemos usar como isca, pois o que o mosqueteiro me revelou foi apenas que uma mulher intrigante está em Paris e que esta mulher guarda um segredo a 7 chaves, algo que ninguém pode saber. Que mulher pode ser, senão a Reneé que procuras, meu senhor?
    Duchateau: - Até que não és de todo inútil, como te chamas?
    Informante: - Marcel, Monsieur.
    Duchateau: - Muito bem, Marcel, ande por aí e com cuidado e discrição, veja se descobres mais infromações, e por exemplo, uma forma de usar este segredo contra ela, mesmo sem conhecê-lo.
    Marcel: - Oui, Monsieur. Pode contar comigo. Sorrindo.
    *
    Em casa de Aramis
    Aramis: - D’Artagnan, acha que Porthos vai meu perdoar por ter mentido por tanto tempo?
    D’Artagnan: - Claro, Aramis. Sabes como ele é, deixa que ele se acostume a idéia, mas ele vai perdoá-la com toda a certeza. Ele é impulsivo, mas tem um coração mole e gosta muito de ti para simplesmente esquecer -se de tudo e a partir de agora ignorar-te. Não vai acontecer.
    Aramis: - Tenho muito medo de perdê-los, tanto medo, D’Artagnan.
    D’Artagnan: - Não vai nos perder, não te preocupes com isto, está bem.... D’Artagnan se comoveu com os sentimentos de Aramis e não pode conter sua vontade de abraçá-la e a envolveu em seus braços carinhosamente e até acariciou-lhe os cabelos. – Vai ficar tudo bem, você há ver.
    Aramis: - Obrigada por teu apoio, meu querido D’Artagnan, tu que sempre me compreendeste, nunca me julgaste e ainda me ajudaste a manter este segredo. Obrigada, não sei que faria sem ter a ti por perto.
    D’Artagnan: - Eu só faço o que aprendi com vocês, com você Aramis, “um por todos e todos por um”. Não te preocupes, Porthos vai se lembrar disto e ele vai entender e nada vai mudar entre todos nós.
    Aramis: - Assim espero, meu amigo. Aramis se confortava em D’Artagnan, mas não conseguia tirar Athos da cabeça. A expressão de tristeza que viu em seu rosto quando ele revelou a mentira que contava a eles a tantos anos, doeu-lhe tanto magoá-lo daquela forma, ela tinha de conversar com ele a sós e pedir desculpas, assim como deveria fazer com Porthos, mas Athos não se zangou com ela, apenas entristeceu-se por acreditar que gozava plenamente da confiança dela mas constatou daquela forma tão dolorosa que não era bem assim que acontecia. Seu coração ficou despedaçado, ela tinha certeza. Ele a apoiava, mas estava entristecido. E enquanto pensava em Athos, repentina e surpreendentemente, outro nome lhe veio a cabeça...
    Rochefort...
    Aramis pensou em Rochefort e como que por encanto, o aroma de sândalo que ela sentiu aquele dia na casa do Conde, pairou no ar da pequena saleta de sua própria casa.
    *
    Porthos despertava de um sono perturbado que teve no sofá do amigo Athos. Este último, o mais velho dos 4 amigos mosqueteiros, estava quieto, sentado a frente de sua pequena lareira, aquecendo-se e apreciando uma boa taça de vinho. Ele percebeu o acordar de Porthos.
    Athos: - Olá, donzela adormecida. Como foi que dormistes?
    Porthos: - Pergunta estranha, como achas que eu dormi depois de tanto beber, ah como sou parvo.
    Athos: - É mesmo, Porthos, é mesmo... devo concordar.
    Porthos: - Me desculpe.
    Athos: - Não foi nada. Está melhor agora?
    POrthos: - Não... Porque ela mentiu para nós, Athos?!
    Athos: - Ah Porthos, por favor, não pensei que fosse realmente ter de convencê-lo a perdoar Aramis, por favor.... você ouviu a história toda, completa, sabe que ela teve motivos muito sérios para fazer o que fez e se escondeu de nós, foi por medo de ser descoberta e das conseqüências que poderia causar ao Capitão de Treville.
    Porthos: _ ela não nos contou porque não confia em nós, ao menos, não plenamente.
    Athos: - Porthos, Aramis já arrisco a vida por nós em combate, você sabe disso. Ela confia em nós, é só que este é um problema muito delicado, uma situação atípica, você PRECISA compreender, coloque-se no lugar dela! O que farias?
    Porthos: - ORA, mas o que eu faria, eu contaria com aqueles em que em podia realmente confiar, em pessoas em quem eu apostava até a minha vida, que são vocês, bem agora já não sei se é certo dizer, se ela não confia em mim, não posso confiar nela também.
    Athos: - Estás sendo injusto e intolerante. Sabe disso, não sabe?!
    Porthos: - Não estou não...
    Athos: - Está sim, afinal o que é que te incomoda tanto, ela pediu desculpas, ela pediu perdão, você viu a sinceridade das palavras dela, eu sei que viu, Porthos, está doendo, eu sei, eu também senti, mas não sei como reagiria no lugar dela, então, não me cabe julgá-la, só compreendê-la, assim eu entendo que é que os amigos fazem, e é assim que vou agir, eu perdôo Aramis e você também vai perdoá-la, Porthos.
    Porthos: - Não sei se posso com isso...
    Athos: - Com o que?
    Porthos: Ela era uma mulher todo este tempo, ora!! Todo o tempo!!! Se fosse mesmo só uma questão de medo, até entendo que no começo ela ficasse receosa de nos contar, mas, 8 anos, 8 ANOS, Athos...
    Athos: - O tempo passou depressa, Porthos, nós nos tornamos grandes amigos, e eu não vou deixar que isto atrapalhe, vou tratar a questão como um detalhe.
    Porthos: - Mas não é um DETALHE, ela é uma MULHER... uma mulher entre mosqueteiros.. era só o que faltava...
    Athos: - ¬¬ Está insinuando que ela não devia ter mentido para nós apenas porque é mulher? Só por isso??????Porthos, qual é o real problema aqui? O fato de Aramis ser mulher ou a confiança que você diz ter perdido nela por causa da mentira.
    Porthos: - Não... não sei.. não é... não está nada muito claro na minha cabeça, Athos...
    Athos: - Perdoe Aramis, Porthos. Ela o derrotou 3 vezes quando ainda estava em treinamento, não se lembra? É uma mulher, mas não uma mulher comum, ela é muito capaz de defender-se, sua fragilidade é apenas uma condição física natural, mas sua inteligência dá conta de superar este problema. O fato mais importante aqui é que Aramis é a mesma pessoa, Porthos, sendo homem ou mulher, Aramis é a mesma pessoa que conhecemos, e nisto ela não nos enganou, ela só escondeu o fato de ser mulher, mas não fingiu ser alguém que não era para nos manipular, ela nos quer bem, eu sei disso, você também sabe, então pare com isso já, vá até ela e peça desculpas e diga que a perdoa, você gosta dela, sempre gostou e nunca vai deixar de gostar... sorriu... vamos, tem grande carinho por Aramis, era seu orgulho quando a treinou. Você se lembra?
    Porthos: - Eu me lembro, é claro que me lembro... Porthos sorriu. Droga, eu sei que você tem razão... eu sei... é só que...
    Athos: - Só que nada, Porthos.. é mesmo tão difícil assim perdoá-la? Do fundo do teu coração, estás com toda esse ressentimento? Vai esquecer de nosso lema que foi você mesmo quem criou?
    Porthos: - Um por todos e todos por um....
    Athos: - Aramis precisa de nós agora.... somos todos por ela ou você vai se afastar realmente e estragar tudo o que temos? Vai jogar tudo para o alto por orgulho ferido? É mesmo tão grave assim?
    .............................
    Silêncio
    ..............................
    Porthos: - Eu... merde, você está certo como sempre, como sempre, bolas...
    Athos: - ^^ É, estou...
    Porthos: - Preciso conversar com Aramis agora mesmo...
    Athos: - ^^ Faça isso... aposto que a esta hora ela deve estar em casa... vá até lá.
    Porthos: - Vem comigo?
    Athos: - Não é melhor que tenham esta conversa em particular?
    Porthos: - Um por todos e todos por um, eu preciso de você nessa, parceiro, porque eu a magoei também, disse coisas que não devia e... pode me apoiar mais um pouco?
    Athos: - É claro que posso. Vamos então, mas antes toma um chá amargo e tira esse cheiro de bebida forte que exala de ti...
    Porthos: - Está bem!

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 2:32 am

    11. Laços Fortes


    Porthos bateu à porta de Aramis e esperou.
    D'Artagnan: Quem bate? Perguntou atrás da porta.
    Porthos: - Ah, Athos, diga que és tu, e se ela não quiser me receber?
    Athos: - Tenho certeza de que ela quer. Anda, Porthos, não adies mais.
    Porthos: - Sou eu, D'Artagnan, posso entrar?
    Ouvindo quem era à porta, Reneé/Aramis, desceu as escadas às pressas, dando tempo de ela mesma receber seus visitantes.
    Aramis: - Porthos... meu querido Porthos... - Ela pulou aos braços do amigo mosqueteiro, tirando um sorriso do rosto de Athos, tão animado por ver seus amigos todos juntos de novo.
    Eles entraram e Porthos iniciou seu pedido de desculpas a Aramis. É claro que Aramis disse que não havia nada para desculpar, para perdoar e que somente ela é quem deveria ter sido sincera e ter confiado este segredo a eles antes, pois são grandes amigos, mais que amigos e mereciam este voto de confiança da parte dela. Ela disse que apenas teve muito medo de que algo desse errado e que havia o Capitão de Treville para proteger e eram tantas coisas em sua mente que a perturbavam que desfrutar da amizade deles era o único consolo que ela tinha e ela não queria perder isso de jeito algum. Porthos entendeu, expôs os pontos dele, com quais Aramis até concordou, mas sempre explicando suas razões. Tudo ficou muito claro para todos, finalmente, e eles se abraçaram, um a um e o ambiente ficou bem mais descontraído. Havia um "q" de estranho agora que sabiam que seu amigo mosqueteiro era uma linda garota, e as coisas não ficaram exatamente da mesma maneira. Athos e Porthos estavam pelo menos um pouco desconfortáveis e estavam se habituando, para tentar voltar à velha forma de se relacionarem. É como mulheres, os rapazes haviam de ser um pouco mais cuidadosos com o que falar e quando pensavam que Aramis era um homem, não tinham lá muitas papas na língua, especialmente Porthos que não era muito dado à etiqueta e formalidades quando estava entre amigos. Conversaram algumas trivialidades levantadas por D'Artagnan. O mesmo D'Artagnan, curioso que estava, perguntou a Athos o que raios Rochefort quis tratar com ele em particular.
    D'Artagnan: - E então, Athos, Rochefort não lhe deu nenhuma estocada pelas costas, deu? O que foi que conversaram, se é que posso perguntar-te?
    Athos: - Meu caro D'Artagnan, é claro que podes me perguntar, não há nada a esconder. Rochefort deu continuidade ao pedido de desculpas que fez a todos nós no Gabinete do Capitão, e pediu-me perdão pela emboscada que provocou contra mim naquela ocasião em que se não fosse por você, meu amigo, eu teria deixado este mundo.
    Porthos: - Vire essa sua boca para lá, nem fale isso.
    Aramis: - Porthos tem razão, Athos, por favor, não diga isso.
    Athos: ^^ Só estou dizendo o que quase aconteceu. Bem, a conversa foi essa, ele me pediu perdão por tudo e disse que espera não haver ressentimentos e que está profundamente arrependido.
    Porthos: - O Capitão Caolho, pedindo perdão? Não parece coisa dele, parece sim é uma trama bem montada, que será que está tramando.
    Athos: - Não fale assim, Porthos, Rochefort me pareceu sincero, sabia. Além do mais, quando desconhecemos certos fatos, podemos ser bastante injustos, mesmo com inimigos nossos. Ocorre que já não o considero inimigo.
    Aramis: - Athos, eu tenho que concordar contigo. Não é só porque ele me ajudou, mas sim porque o observei bastante naquela noite em que acabei obrigada a dormir em casa dele. Ele estava muito estranho, comportando-se de forma muito diferente e não me pareceu nada artificial. Pareceu-me muito verdadeiro e convincente. Acho que ele estava sendo sincero. Também não o posso considerar um inimigo, ainda mais, não depois do que ele está fazendo por mim. Ele jurou proteger meu segredo.
    Athos: - Eu também senti sinceridade nas palavras dele.
    D'Artagnan: - Você o perdoou?
    Athos: - Claro que sim.
    Porthos: - Está acontecendo muita coisa ao mesmo tempo, eu não sei se consigo entender tudo isso, Athos, e não sei se engulo esse Rochefort. Me deem um tempo, ok.
    Athos: - Claro.
    D'Artagnan: - Olha, estou com Porthos, eu também não engulo esse Rochefort e não vou dar muito milho ao bode. Vou observá-lo bem e ver se ele não nos prejudica.
    Athos: - Eu não creio que ele vá fazer isso.
    D'Artagnan: - Athos, a mim só me importa "nós", meu amigo. Somente o nosso grupo de amigos é que é importante aqui.
    Athos: - Eu sei, D'Artagnan, nossos laços são muito fortes e nunca serão desfeitos. Nada e ninguém vai abalar nossa amizade, estou certo?
    Aramis: - Certíssimo e eu lhe prometo, juro por tudo quanto é mais sagrado que nunca mais esconderei algo de vocês, acreditem, jamais o farei.
    Porthos: - Assim está bem melhor, Aramis... Ah, sabes que é estranho chamar-te com nome de homem?
    Aramis: - ^^
    D'Artagnan: - Mas se a chamarem por Reneé, vão descobrir o disfarce dela. É melhor que a chamemos Aramis mesmo.
    Athos: - Está conversa foi ótima, mas eu vou para casa agora. Aramis, você ficará bem?
    Aramis: - Agora vou.
    D'Artagnan: - Eu vou ficar por aqui com ela.
    Porthos: - Bom, eu também vou para casa. Aramis, me desculpe por tudo, mas espero que tenhas compreendido mesmo os meus motivos de revolta. Eu me coloquei em seu lugar para entender tuas razões, podes fazer o mesmo por mim, não pode?
    Aramis: - Meu querido Porthos, é claro que sim... já lhe disse que não há nada para perdoar, não fizeste nada de mau, se reagiste daquela maneira foi por ter sido enganado. Mas fico feliz que tenha me dado uma nova chance e voltado a depositar tua confiança em mim e me perdoado. Obrigada. Aramis deu um beijo singelo nas bochechas de Porthos e o grandalhão ficou todo abobalhado, vermelho e não soube bem como se comportar. Respondeu-lhe com um boa noite animado, e saiu juntamente com Athos.


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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 2:37 am

    12. Procurar e Esconder

    No resto daquela noite, ao dormir, Porthos acorda novamente com um pesadelo. Ele se lembra de um estranho que lhe oferecer uma excelente refeição, mas quando se deu conta, a refeição estava cheia de cobras venenosas. Ele desperta com suor pelo corpo e sente-se mal com o sonho. Sentado em sua cama, esfregando os olhos, Porthos decide acender uma vela para iluminar um pouco o ambiente muito escuro de seu quarto. Muito bem, ao acender a lamparida de cabeceira, um flash de memória lhe vem à mente.
    .....................
    Porthos: - MERDE! Eu pus Aramis em perigo!! Não acredito no que fui fazer!! Porthos lembrou-se do estranho na taverna, aquele que lhe pagara uma refeição saborosa, o leitão assado. Ele deixou a taverna pouco tempo antes de Athos chegar e encontrar Porthos bêbado.
    Levantando-se apressado, Porthos se lavou rapidamente, vestiu-se, armou-se com sua espada e pistola, e disparou para casa de Athos.
    *
    BAM BAM BAM
    Porthos batia com certa violência à porta do amigo para se fazer ouvir.
    Athos: - Ãhn?! Mas... Athos se levantou assustado com os barulhos, antes de abrir, viu pela janela quem era e percebendo ser Porthos, abriu rapidamente a porta.
    Porthos: - Athos, Athos, eu fiz uma grande besteira, meu amigo, eu fiz... droga, droga!! Não foi por querer, eu estava bêbado, Athos, eu não... não devia... droga, Aramis está em perigo por minha causa.
    Athos: - COMO?! Porthos, o que você fez?!!
    Porthos contou a Athos sobre o ocorrido na taverna minutos antes dele chegar. A revelação deixou o mosqueteiro mais velho preocupado e pensativo.
    Athos: - Temos que fazer algo a respeito... não podemos expor Aramis, Porthos. Amanhã mesmo vamos conversar com o Capitão Treville, precisamos de seus conselhos. Acho que localizar este homem estranho com quem você falou é o primeiro passo, mas temos de fazer isso com discrição também. Mas afinal, de onde saiu este aí? Será algum familiar de Aramis?
    Porthos: - Eu me sinto um imbecil... eu prejudiquei seriamente Aramis porque estava com raiva e por ser um idiota..
    Athos: - Isso não adianta agora, Porthos... vamos esperar até amanhã cedo.
    *
    Duchateau: - Acho que se os mosqueteiros estão mais perto de encontrar Reneé d'Herblay, ou até que já a tenham encontrado, é por lá que devo começar a caçar. Com um retrato exposto na cidade toda, não haverá como escapar. Eu posso oferecer até mesmo uma recompensa a quem achar a garota.
    Marcel: - Brilhante, meu senhor.
    Duchateau: - É claro que sim.
    Marcel: -Mas o que fará nos mosqueteiros, meu senhor?
    Duchateau: - O Rei acatou a pedido da família d'Herblay e pôs seus mosqueteiros para procurá-la. Neste caso, vou até lá falar com o Capitão, com a procuração que d'Herblay me deu, posso representar os negócios da família aqui em Paris e tratar pessoalmente da procura de Reneé. Vou pedir que espalhem o retrato com o valor da recompensa para quem achá-la nos pontos principais de Paris. E vou sondar que informações eles tem que me possam ser úteis.
    *
    Pela manhã
    Rochefort já havia treinado seus homens logo cedo, e acabava de despedir-se de Antoine, a quem estava treinando mais incisivamente, pois viu potencial no garoto para ser um de seus novos tenentes. Era disciplinado e persistente. Rochefort o admirava, era seu novo pupilo. Após este treino, ele parou alguns instantes nos muros do jardim dos fundos do Palácio de Versalhes, contemplativo.
    Richelieu: - .......................
    2 minutos depois
    Richelieu: - Capitão Rochefort?
    Rochefort: - Ãhn?! Eminência!! Eu... Rochefort beijou o anel do Cardeal atrapalhado e rapidamente voltou-se a ele para ouvi-lo. Um bom dia.
    Richelieu: - Distraído, Capitão?
    Rochefort: - Eu... na realidade, estava. Admitiu.
    Richelieu: - Isto não é recomendável para um Capitão de guarda, é? Podes ser vítima de um inimigo astuto que apercebendo-se de sua desatenção, o ataque.
    Rochefort: - Oui, Eminência. Mas este certamente não é o caso de Sua Eminência que vem a mim nesta manhã. Em que posso serví-lo?
    Richelieu surpreendeu-se com a resposta pronta de Rochefort, já que estava distraído, como podia ter-lhe respondido com esta 'astúcia'. Diante de Richelieu, Rochefort sempre tivera uma postura submissa e filial. Rochefort teve a impressão de que o Cardeal havia se zangado com sua resposta.
    Richelieu: - Não venho dizer nada em especial, apenas que supreendeu-me vê-lo meditando diante do jardim. Tem algo incomodando-o?
    Rochefort: - Não, Eminência, de forma alguma. Nada me incomoda, sem dúvida.
    Richelieu: - ................ O motivo da meditação, presumo, seja então, apenas um louvor a Deus em agradecimento pelo dia?
    Rochefort: - Sua Eminência é sempre tão sagaz e nada lhe passa desapercebido, com certeza. Sim, eu estava apenas agradecendo a Deus. Apesar do inverno rigoroso, o dia está claro e bonito hoje, não acha?
    Richelieu: - Devo concordar. Mas se o Capitão de minha guarda passar mais tempo aqui fora, pode resfriar-se seriamente, as temperaturas estão muito baixas, recomendo que entre e abrigue-se, Rochefort.
    Rochefort: - Claro, Eminência, tem toda a razão. Eu vou entrar, com sua licença. Rochefort beijou o anel do Cardeal mais uma vez e deixou o local com um sorriso sereno nos lábios.
    Richelieu: - O que foi que aconteceu a ele? Terá conhecido mulher? Pela primeira vez desde que o conhece, Rochefort era um enigma ao Cardeal. Ele desconfiava de algo e o que lhe incomodava era não saber que algo era esse. Sabemos que o Cardeal é personalidade que deseja saber de tudo e ter tudo ao seu controle. Rochefort sempre esteve sobre forte influência do Cardeal, mas o que pode ter acontecido que lhe escapara? Nada na vida pessoal de Rochefort escapava ao Cardeal, mas agora havia algo oculto e isso incomova Richelieu. Escondes-me algo, Rochefort, escondes-me algo e saberei do que se trata.
    *
    No Gabinete do Capitão Treville
    Treville: - Porthos, não devia ter deixado isso acontecer. Se tivesse ficado aqui, não terias exposto Reneé, agora ela corre risco de ser descoberta.
    Porthos: - Eu sei, meu Capitão, eu sei. Droga!! Que posso fazer... eu... sinto muito por isso... Aramis.. Aramis... me perdoe!
    Aramis: - Acalme-se, querido Porthos, sei bem que não o fez de propósito. E já nos disse que podes reconhecer o homem com quem falou. Mesmo embriagado, lembra-se do rosto dele, é suficiente.
    D'Artagnan: - Com certeza. Vamos encontrá-lo e colocá-lo contra a parede.
    Athos: - Capitão, temos uma carta na manga.
    Treville: - De que se trata, Athos?
    Athos: - O Rei não nos encarregou de procurar o paradeiro de Reneé d'Herblay?
    Treville: - Sim, mas o que tem?
    Athos: - Buscar este homem não será problema para nós e interrogá-lo não será indevido como estava pensando inicialmente. Será legítimo porque fomos encarregados de encontrar a moça perdida. Nesse caso, Porthos podendo identificar este homem, nos ajudará a saber o que está acontecendo por trás desta busca misteriosa ao mesmo tempo em que 'fingimos' que estamos investigando. Na verdade o que queremos é descobrir queme stá por trás disso, então, este homem é no fundo um excelente ponto de partida, pois antes estávamos as escuras, agora pelo menos temos direção.
    Todos se animaram com o ponto de vista sempre lúcido e inteligente de Athos.
    Treville: - Sim, mas ainda há um problema. Aramis não poderá participar das investigações, porque seu rosto poderá ser reconhecido por pessoas que a conheçam de sua cidade. Eles certamente se lembrarão, mesmo que esteja disfarçada como homem. Será perigoso, então, deve se refugiar em algum lugar, Aramis.
    Athos: - Nisto o Capitão tem absoluta razão.
    Aramis: - Mas onde me refugirei. E Capitão, devo me afastar dos mosqueteiros?
    Treville: - Temo que sim, durante este tempo em que investigamos, será melhor.
    Aramis: - Mas isto não chamará a atenção das pessoas, se eu me afastar?
    Treville: - Não acredito nisso pois não são muitos os que conhecem a história desta moça, este caso está sigiloso, e somente nós e os que te procuraram é que sabem de tudo. Nesse caso, não haverá riscos, porque também não conhecem o mosqueteiro Aramis. Era bom que ocultasses, mas onde seria improvável que um mosqueteiro fosse encontrado? O motivo para tua ausência, posso alegar que foste visitar teus parentes em tua terra natal, de modo que deixaste Paris nesta manhã. Isto deixa comigo que resolvo. Mas precisas apenas de um lugar de confiança, onde possas se esconder e não ser vista nunca nas ruas. Não poderás sair, Aramis, está entendido.
    D'Artagnan: - Mas não há lugar onde ela possa se esconder, Capitão. Nem ficando na própria casa todo este tempo, não vai adiantar, terá que comer, se a visitar-mos para levar comida, por exemplo, perceberão que é uma farsa. Isto tem que ser perfeito.
    Porthos: - Onde Aramis pode ser esconder?? Onde?
    Treville: - Em minha casa ficará exposta, minha esposa, meus filhos, não será possível... onde??? Onde?
    Athos: - Rochefort!!
    Todos: - COMO?!
    Aramis: - Rochefort, Athos? Como? Ele concondará?
    Athos: - Temos que perguntar, ele é o único além de nós que sabe de teu segredo e jurou que podemos confiar nele, portanto, talvez ele possa nos ajudar.
    Aramis: - Meu Deus, mas como vou falar com ele?
    Athos: - Não vai, eu vou. Eu vou pedir-lhe que te ajude e faremos tudo a noite, de madrugada, quando a cidade está mais vazia, ainda mais no inverno. Tenho também uma idéia em paralelo que já D'Artagnan e Porthos podem por em andamento, se o permites, Capitão.
    Treville: - qual é a idéia?
    Athos: - Eles podem voltar a taverna e fingir um pouco de embriaguez e ver se encontram o homem novamente, se ele não estiver por lá, podem perguntar a algumas pessoas se o viram, os taverneiros são muito observadores, como sabem, então podem começar por eles e tenho certeza que trarão novidades. Enquanto isso, Aramis aguarda a noite para que possamos fazer tua transferência para algum lugar seguro que Rochefort possa te oferecer.
    Aramis: - Mas onde será que haverá lugar para mim, Athos?
    Athos: - Deixa isto comigo, não te preocupes, nós vamos te proteger, Aramis, confie em nós.
    Aramis: - Por quanto tempo devo me esconder?
    Athos: - Não sei, Aramis... mas até que seja seguro, ficarás oculta. Fique aqui, eu vou até Rochefort.
    Treville: - Agora? Sabe que ele está em Versalhes, vai dar na cara de Sua Eminência, o Cardeal.
    Athos: - Tem razão, terei de esperar anoitecer.
    Aramis: - Neste caso, podemos ir os dois.
    Treville: - Sim, mas como vou dizer que saiste da cidade, Aramis, é bom que finjas que está partindo ou coisa que o valha.
    D'Artagnan: - Ela não pode simplesmente pegar o cavalo e ir até a casa dela e esperar.
    Aramis: - Posso sair agora, ir até minha casa, pegar roupas e sair da cidade, mas ficar por perto. Encontrar algum arbusto seguro onde possa retirar a farda e retornar a cidade, com roupas masculinas também, mas comuns, e com capa para não ser percebido. Ninguém notará nada, tenho certeza, já será o crepúsculo quando eu voltar e aí posso encontrar-me com Athos e ir ter com Rochefort para ver se encontramos solução.
    Athos: - Aramis........ Ele não resisitiu, não soube que razões o teriam motivado a fazer o que fez, mas abraçou Aramis com muito carinho.
    Aramis: - Athos... Surpresa.
    Athos: - Nós faremos isso dar certo. Está bem?
    Aramis: - Smile Está bem, meu amigo. Aquela palavra soou estranha aos ouvidos de Athos... amigo... Hummm...
    Athos: - Bem, então, está em tempo de você sair, já é hora de almoço agora. As pessoas estão agitadas nas ruas ou comendo em algum lugar, dificilmente serás muito notada ao sair. Vá. Vá agora. D'Artagnan e Porthos, também é uma boa hora pra vocês irem até a taverna, pode ser que encontrem o sujeito por lá, o que acham?
    Treville: - O momento é perfeito, ainda podem observar de longe e discretamente a saída de Reneé da cidade e se retorno. Para garantir sua segurança, estejam na cidade.
    Porthos: - Isto pode deixar conosco, certo D'artagnan?
    D'Artagnan: - Mas é claro que está muito certo. Vamos logo! Foram os três.
    Athos ainda estava com o Capitão Treville, quando Gerard bateu a porta anunciando a chegada de um visitante inesperado.
    Treville: - Sim?
    Gerard: - Capitão, deseja vê-lo um senhor chamado Duque Duchateau, quer falar-lhe em particular sobre o caso de um desaparecimento.
    Treville: - ?
    Gerard: - Deixo-o entrar?
    Treville: - Desparecimento?
    Athos gelou da cabeça aos pés, sua intuição lhe dizia que esta pessoa estava relacionada ao caso da Reneé/Aramis. Isso o deixou preocupado e ele sinalizou para o Capitão indicando que este devia receber o visitante. Ao que o Capitão que sempre ouvira os conselhos de seu mosqueteiro mais sábio, pediu que Gerard fizesse o Duque entrar.
    Treville: - Muito boas tardes, senhor Duque. Em que posso ser útil?
    Duchateau entrou acompanhado de dois de seus homens. Um alto e esguio, silencioso, com olhos negros e profundos que lhe conferiam um olhar penetrante. Ele encarou a Athos com desdém e voltou-se para seu senhor.
    O outro homem era muito mais baixo, e calvo. A coluna era quase corcunda e seus olhos não mostravam muita auto confiança, ao contrário, aquele parecia ser um capacho apenas ao olhar-lhe. Era esta a impressão que causava.
    Duchateau: - Mon Capitaine, Bonsoir. Sou Fernand Duchateau e estes são Marcel, apontou para o homem mais baixo e calvo e Gillies, referindo-se ao mais alto. Meus conselheiros da mais alta cofiança e por isto estão aqui comigo. Eu represento os interesses da família d'Herblay e venho pedir notícias a respeito do paredeiro de Reneé d'Herblay, que a pedido do Rei, como consta nesta carta resposta enviada da Corte de França, foi tarefa incumbida aos vossos nobres Mosqueteiros. Estamos a procura de Reneé desesperadamente, meu Capitão, e esperamos contar com vossa ajuda para encontrá-la!
    Athos quase caiu sentado, mas teve de manter as aparências e disfarçar a imensa surpresa. O mesmo aconteceu com o Capitão Treville, que também soube segurar as emoções para continuar a ouvir o que aquele homem misterioso vinha dizer.

    ***
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    Athos de La Fère
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 2:51 am

    13. Mudança de Planos

    D'Artagnan: - Algum sinal do dito cujo, Porthos?
    Porthos: - Não, não até agora. Droga. Vamos perguntar ao taverneiro.
    D'Artagnan: - Está bem.
    .............
    Taverneiro: - Não, não apareceu aqui no dia de hoje, este senhor. Mas espere um instante, Genevieve? - Esteve cá aquele senhor dos 3 leitões assados que encomendou? Pois o procuram estes senhores mosqueteiros?
    Genevieve: - Ah, Jacques o viu esta manhã, logo cedo, passou aqui em frente, e se dirigiu para o centro da cidade onde há a estalagem para onde ele levou a comida que comprou conosco ontem.
    D'Artagnan: - Senhora, muito obrigado. Sabes que estalagem é esta?
    Genevieve: - Desculpe, Senhor, isto não sabemos, mas por lá, há poucas mas boas estalagens, não creio que será difícil encontrá-lo.
    Porthos: - Claro, claro... é, está muito bem, obrigado.
    ............
    Porthos: - Viu só, D'Artagnan. O mínimo descuido, por mais discreto que se seja, nunca passa desapercebido aos taverneiros. Estas são as mais bem informadas pessoas em toda a terra, acredite-me.
    D'Artagnan: - Vamos, vamos rondar as estalagens, então.
    Porthos: - Não, eu não posso ir contigo, se o homem me reconhece, saberá que estou 'investigando' ou coisa parecida. Enfim, despertará a atenção dele de imediato. É melhor que vás sozinho, podes fazer isto? Eu volto ao Capitão e Athos e contarei estas novidades. Estamos chegando perto.
    D'Artagnan: - Pode deixar comigo. Despediram-se.
    *
    Aramis, a esta altura, já havia chegado a sua casa e estava preparando-se para a falsa partida. Saiu de casa pouco antes das 13:30 minutos, ao mesmo tempo em que o Duque Duchateau deixava o escritório do Capitão de Treville.
    *
    Duchateau: - Merci, Capitaine Treville. Foi muito amável em nos conceder seu tempo para esta conversa e me animo muito que permita que meus homens coloquem o retrato de Reneé em toda a cidade. Acreditamos que oferecendo a recompensa, pode contribuir muito para a efetividade das buscas. Vamos encontrá-la mais rápido, sem dúvida.
    Treville: - É claro, é claro. Sem dúvida, alguma. Gerard os acompanhará até a saída. Duchateau deixou o escritório do Capitão Treville sorrindo para o Capitão, mas encarando Athos com certa austeridade no olhar. Isto certamente aconteceu porque no início da conversa, o Duque pediu privacidade ao Capitão, dizendo que a conversa era particular, mas Treville foi mais astuto e disse que Athos era também um mosqueteiro da sua mais alta confiança e que preferia até que ele estivesse presente, se não fosse problema. O Duque não teve como recusar, uma vez que ele mesmo trazia dois de seus homens com ele, então Athos sorriu levemente, pois percebera o desprezo e arrogância do Duque assim que este pôs os pés no Gabinete de seu Capitão. Muito mais visível esta empáfia ficou quando este começou a falar. Sua presença e atitude era difícil de suportar.
    .......
    Athos: - Capitão, porque um Duque está representando os interesses da família d'Herblay, que segundo Aramis nos contou, não tem título de nobreza? Porque? Isso soa-me muito estranho, não acha?
    Treville: - Seguramente que há algo mais aí que desconhecemos. E o pior é que sabemos que D'Artagnan e Porthos não tiveram sorte na taverna, pois o homem que Porthos descreveu mais cedo é exatamente como aquele que esteve aqui como Duque.
    Athos: - Sim, percebo. Isto é um aborrecimento. A Aramis, já terá conseguido sair da cidade? Agora estamos com outro problema, Capitão.
    Treville: - Se este homem vai espalhar cartazes com o retrato de Reneé pela cidade e ainda oferecendo uma recompensa, ela não estará segura em parte alguma de Paris.
    Athos: - Exato. Aramis vai ter mesmo que sair da cidade.
    Treville: - E já tem algo em mente, caro Athos? Apoio o que planejares?
    Athos: - Mais ou menos, Capitão, ainda quero recorrer a Rochefort, acho que poderá nos ajudar.
    Treville: - Faça o que achar melhor, mas me comunique sempre e seja rápido.
    Athos: - Claro, Capitão.
    ........
    POrthos vinha um tanto exacerbado para a sede dos mosqueteiros quando viu o movimento que fazia a saida do Duque de lá. Ele notou o homem com quem conversara na taverna acompanhando-o. PErcebeu que devia esconder-se para não ser visto. Assim o fez, esperou-os sair, e então, entrou correndo no Chateau e procurou o Capitão.
    ........
    Porthos: - Capitão, Capitão... o tal homem estava saindo daqui agora, o que esteve comigo na taverna ontem... estava aqui...
    Treville: - Já sabemos, Porthos.
    Athos: - Sim, onde está D'Artagnan?
    Porthos: - Eu o enviei sozinho no centro de Paris, onde ficam as estalagens mais requintadas, na taverna descobrimos que quem procuramos está hospedado lá.
    Athos: - E nós descobrimos que temos mais problemas para lidar, Porthos. Que horas são, amigo?
    Porthos: - São quase 2, porque?
    Athos: - Estou preocupado com Aramis, e preciso antecipar a conversa com Rochefort. Não vai dar pra esperar a noite, pois esta noite mesmo, devemos partir com Aramis.
    Porthos: - Porque? Não ia ser uma falsa partida?
    Athos: - Ela será procurada em toda a cidade, Porthos. Vão colocar um cartaz com seu retrato e ainda vão oferecer recompensa para quem encontrá-la. Acho que é arriscado ela continuar por aqui. Vamos agora mesmo precisamos achar Aramis e dar um jeito de ter com Rochefort. Droga!! Essa é a maior dificuldade!
    Porthos: - Porque?
    Athos: - Porque Sua Eminência não larga-lhe nem por um segundo!
    Porthos: - Ora, mas por isso, não... Podemos pedir ajuda a alguém de dentro.
    Athos: - CONSTANCE?!!
    Porthos: - Claro! Vou procurar D'Artagnan e peço-lhe que vá ter com Constance, ele é o único de nós que não dará na vista, pois tem namoricos com ela... Smile sorriu.
    Athos: - És um gênio, Porthos!
    Porthos: - Óóóó!!!
    Treville: - Eu realmente não sei que seria deste regimento se não fosse vocês 4. Tomem muito cuidado, no Palácio, as paredes tem ouvidos e tomem também a precaução de não expor Aramis a Constance.
    Athos: - Sim, não é bom que mais ninguém saiba, a menos que Aramis o julgue melhor contar.
    Porthos: - Quanto mais gente soube, pior. vamos, Athos, para antecipar, escreves aí um bilhete a Rochefort, que trato de pedir a D'Artagnan que peça a Constance para entregar-lhe. Ela não é de contestar e querer saber de tudo, ela fará o favor e será discreta.
    Athos: - Muito bem. Athos pegou papel e tinta e escreveu rapidamente, mas com impecável caligrafia, um bilhete para Rochefort.
    "Preciso lhe falar. É importante.
    Espero-vos ao cair da tarde na Rue de la Fey, próximo de tua área.
    Esteja sozinho.
    A."
    Porthos foi dar conta do recado, literalmente.
    *
    Sem saber da mudança de planos, Aramis fez o que havia de ser feito. Ai sair da cidade, procurou um refúgio seguro para trocar-se, e vestiu-se como homem comum, colocando uma capa de cor marrom para esconder-se. Seria uma boa desculpa para proteger-se do frio também. Quando já chegava de volta a Paris, o Duque chegava também próximo da sua estalagem onde se hospedava. Estava despreocupado fechando a janela de sua habitação, no segundo andar da estalagem, quando notou um cavalo alto demais para ser de um simples camponês, como o rapaz que o guiava. O Duque conhecia muito bem os cavalos. Ele observou ocom atenção, e...
    Duchateau: - É elaaaaaaaaa!! Vamos, agora mesmo... é ela!!!

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 4:29 am

    14. Quebra-Cabeças

    O tempo passou depressa. Era quase o cair da tarde. Constance conseguiu cumprir bem o seu dever e disfarçadamente, no horário que ela sabia que era o descanso do Cardeal, foi até o Conde de Rochefort, e entregou-lhe o bilhete. Ele soube o que fazer e se dirigiu a Rue de la Fey no horário combinado.

    *

    Duchateau: - Atrás dela. Vamos, depressa. Apressadamente, o Duque e 4 de seus homens sairam em seu cavalos atrás da Reneé, vista a certa distância - alcaçável - da janela. Se formos rápidos, a alcançaremos.

    Aramis estava um pouco tensa, sentiu um arrepio na espinha ao avistar um cavalo de mesmo porte que o dela no final da rua que cruzava com a dela. Ela passava pelo meio da Rua. Cruzou-a. Logo mais, ouviu outro cavalo que parecia muito próximo. Apressou-se e começou a galopar. Não podia ser Athos ou Porthos. Não, não eram eles. Era mais alguém que ela não sabia quem, mas não seria pega, de jeito nenhum. Disparou. Era excelente na montaria. Pois muito bem. Correu por uma parte de ruas fugindo e desviando-se dos cavalos que a perseguiram. Sim, uma perseguição se iniciou. Seu cavalo já estava ficando cansado. Ela entrou por um túnel escuro na tentativa de despistar os seus perseguidores. Nesse momento...

    Aramis: - Aah.. ah.... mmmmm.... mmmm... Alguém a puxara do cavalo e a segurava com força, impedindo de falar e gritar. Este mesmo alguém fez com que o cavalo saísse do túnel e disparasse para a esquerda da Rua mais próxima, dando-lhe um tapa no traseiro. Isto enganou os perseguidores de Aramis, pois os fez seguir o cavalo que disparou sozinho, enquanto Aramis ficou presa no aperto do estranho.

    Aramis: - ....mmmm.... Sol.... te... me....mmmm

    Athos: - Shhhh... Sou eu. Soltou-a, e virou-a para si. Está tudo bem. Vamos por aqui, estou um pouco atrasado. Vem. Sorriu. Ela ficou aliviada ao ver que se tratava de Athos, sorriu -lhe de volta e segurou em sua mão, a convite do mosqueteiro. Que lindo sorriso de Athos, ela notou.

    Aramis: - Obrigada!

    *

    Rochefort: - Ele está atrasado, mas que droga, Athos!

    Athos: - Estou, reconheço, perdoe-me. Chegavam um Athos e uma Aramis ofegantes e levemente atordoados. Foi o susto e a correria. Athos foi direto ao ponto: Rochefort, Aramis precisa sair da cidade e esperava que pudesses nos ajudar nisto...

    Rochefort: - ? Sair da cidade? Mas...

    *

    Duchateau: - COMO PUDERAM PERDÊ-LA, SEUS INCOPETENTES!! ESTIVEMOS TÃO PERTO, ERA ELA, TENHO CERTEZA!

    Gillies: - Ela não poderá ter ido muito longe, meu senhor. Onde poderá se esconder!

    Duchateau: - Ora, onde quiser, não vê que a PERDEMOS, Gillies! Tão perto, tão perto! Merdeee!

    Gillies: - Vamos encontrá-la, meu senhor, garanto!

    Duchateau: - Assim espero!

    *

    Rochefort: - Mas o que foi que houve, porque tem que partir assim!

    Athos: - Estão atrás dela, Rochefort. E estão chegando perto. Hoje, no começo da tarde, esteve no Gabinete do Capitão Treville um homem, que disse que está representando os interesses da família de Aramis e pediu autorização para espalhar cartazes como retrato de Reneé d’Herblay e ainda está oferecendo um boa recompensa para quem a encontrar.

    Aramis: - Oh!

    Athos: - É.... desculpe, Aramis, ainda bem que a encontrei, estava muito preocupado.

    Rochefort: - Nesse caso, acho que posso ajudar sim. Mas, por curiosidade, quem raios é este homem?

    Athos: - Identificou-se como Duque Fernand Duchateau..

    Aramis: - Aaaaaaaaah.

    Rochefort e Athos: - O que foi!!

    Aramis: - Ah, meu Deus!!

    Rochefort e Athos: - O QUE HOUVE?

    Aramis: - Eu o conheço, quero dizer, sei de seu nome, eu, ele é....

    Athos: - Quem?

    Aramis: - Eu não mencionei o nome daquele homem com quem meu tio queria muito que me casasse logo após a morte de François, mencionei?

    Athos e Rochefort: - Não, disseste apenas que era um Duque, mas não chegou a dizer seu nome. Então é este?

    Rochefort: - Mas não disseste que este homem morreu pouco tempo depois da tua partida, pelo que soube?

    Aramis: - Oh, Deus... sim, ele morreu, mas este não é o homem em si... e sim.. seu filho.

    Athos e Rochefort: - o.O’ Ah, não!

    Aramis: - Meu Deus, o que faz esse homem atrás de mim? Porque está em meu encalço!

    Rochefort: - Calma, calma... precisa ter calma e analisar os fatos friamente... Aramis, você disse que soube que o pai deste homem morreu pouco tempo depois de ter sido “abandonado” por ti, que fugiu para não assumir o noivado com ele, certo?

    Aramis: - Sim, certo, foi o que eu soube. As notícias chegaram até mim, em realidade, foi algo que noticiado em jornal, pois o Duque era muito afamado, apesar da velhice.

    Rochefort: - Então, só vejo uma razão para que o filho dele esteja atrás de ti.

    Athos: - Droga...

    Aramis: - Que razão?

    Rochefort: - Vingança.

    Aramis: - Não pode ser... não pode ser.... porque este passado teve que me perseguir agora... porque!! Aramis esmurrou a parede a seu lado e sentiu dores nas mãos. Ela teve muito vontade de chorar, mas lutava para manter as lágrimas presas aos olhos, não queria fraquejar. Aprendeu com seus amigos homens que chorar não leva a nada, só a desesperar-se e não soluciona o problema. Porém, a situação era tão tensa, e tantas incertezas em seu coração. Que quererá este homem, de fato, com ela. Que tipo de vingança planeja? E como pode representar os interesses de sua família? Será que seu tio teria aceitado que este homem se vingasse dela?? Será? Athos a ajudou, amparando-a e massageando suas mãos que doíam por causa dos socos que dera na parede.

    Athos: - Fique tranqüila, nós não vamos permitir que te façam nada, Aramis, acredite.

    Aramis: - Eu acredito, Athos. Novamente, os dois se abraçaram repentinamente, sem planejar, seguindo apenas os instintos. Athos tinha muita vontade de estar perto de Aramis. Incrível, ele sabia que já tinha esta vontade antes de saber que ela era mulher, mas ele não sabia definir que tipo de sentimento tinha, por vezes se questionava se não estava se interessando demais por Aramis... mas agora, sabendo que se trata de uma mulher, as coisas estavam diferentes e seus instintos de proteção e de querer proximidade se intensificaram. Rochefort assistiu a cena meio desconfortável e não soube explicar a si mesmo o porque.

    Rochefort: - Ham... bem, não vão querer saber para onde posso esconder Aramis?

    Athos e Aramis: - Ah, claro, claro que sim..

    Athos: - Então, podemos contar contigo?

    Rochefort: - Claro que sim, eu disse que estaria com vocês para o que precisassem. Muito bem. Eu tenho uma casa de campo, afastada de Paris o suficiente para mantê-la a salvo. É uma região, erma, Aramis, tenho receio de deixá-la sozinha, pois não muitas casas por perto, aliás, ela é a única casa nos arredores do local. Eu vou pouco para lá e não tenho empregados, você ficará oculta, com toda a certeza.

    Athos: - É ermo demais?

    Rochefort: - Sim.

    Athos: - Então, não podemos deixá-la sozinha para lá.

    Rochefort: - Eu também pensei nisso, mas quando pretendem partir? Podemos escoltá-la até lá, Athos.

    Athos: - O melhor momento para partir seria AGORA MESMO, mas não podemos ir sem avisar ao Capitão e aos outros.

    Aramis: Está certo. Mas o que farei, agora pouco passei um susto, estavam atrás de mim, Athos, chegaram bem perto de capturar, não posso ficar aqui esperando.

    Rochefort: - E não vai, esperas em minha casa mais uma noite. Até que Athos retorne. Vamos com meus cavalos.

    Athos: - Rochefort, e como vai avisar ao Cardeal de sua ausência.

    Rochefort: - Pedirei permissão a ele agora mesmo. Deixo Aramis em minha casa, mais uma vez, e antes do amanhecer, partimos.

    Athos: - Que vai dizer ao Cardeal, Rochefort? Não pode lhe contar que

    Rochefort: - Eu cuido disso, Athos, não vou dizer nada a respeito de Aramis. Eu lhes dei minha palavra e a honrarei.

    Athos: - Está certo.

    Rochefort: - Nos separamos agora... vá Athos, e te espero atrás de minha casa, chegue o quanto antes e antes de amanhecer.

    Athos: - Está bem.

    Foram-se.

    *

    Rochefort: - Vamos, entre, está muito frio. Rápido, a esta hora os empregados estão todos dormindo e não perceberão sua presença.

    Vá até meu quarto, pois eles não são autorizados a entrar lá seu meu consentimento, nem mesmo Madame Gertrudes o faz.

    Aramis: - Está bem. Aramis estava tremendo dos pés a cabeça. Rochefort foi ter com o Cardeal Duque e dizer-lhe que deverá partir rapidamente para uma breve viagem.

    *

    Rochefort: - Sinto muito vir perturbá-lo a esta hora da noite, Eminência. Mas, de fato, é assunto de máxima urgência que preciso lhe comunicar. Eu, venho pedir sua licença para me ausentar por alguns dias. Preciso ir a Rochefort, houve algum problema no vinhedo, recebi uma carta hoje cedo e receio que não possa evitar a viagem.

    Richelieu: - Hummm... entendo... então era isso que o afligia nesta manhã?

    Rochefort: - Ah.. sim... Eminência.

    Richelieu: - Então porque não me disse logo?

    Rochefort: - Porque eu pensava em não fazer a viagem, Eminência.

    Richelieu: - Mas quando lhe perguntei se estava tudo bem, se algo o incomodava, respondeu-me que não havia nada incomodando.

    Rochefort; - É que não era exatamente um incômodo.. Eminência, ocorre que

    Richelieu: - Você mentiu para mim, Rochefort.

    Rochefort: - Não!

    Richelieu: - Sim, você faltou com a verdade e não vejo que motivos o levaram a fazer isto comigo, eu que sou tão sincero convosco, meu caro.

    Rochefort: - Eu... sinto muito, Eminência. Meu objetivo era evitar que se preocupasse com tolices, já tens tantas preocupações muito mais sérias ocupando vosso precioso tempo que não queria que esta simples besteira lhe importunasse. Eu lamento que tenha parecido uma mentira.

    Richelieu: - Rochefort, qualquer coisa que te aflijas, meu filho, não é tolice para mim e preocupa-me muito mais que uma possível conspiração contra a Coroa da França. Você sabe disso! Rochefort sentiu um aperto no peito com aquelas palavras do Cardeal. Mentir para ele era um golpe tão duro, ele que sempre amparou Rochefort, sempre o apoiara. Rochefort se sentiu um monstro. Richelieu tinha esse poder sobre ele, o de saber articular bem as palavras e fazer Rochefort sentir muito remorso quanto a qualquer pequena falha. E ocultar algo ao Cardeal é uma grande falha. Ele ficou tentado a contar-lhe tudo, até para que desfrutando de sua sabedoria, pudesse ouvir os conselhos de Sua Eminência, mas resistiu, lembrou-se de Aramis, de seu rostinho desesperado quando foi descoberta e de Athos. Eles contavam com ele, não podia falhar.

    Rochefort: - Eu lamento muito, Eminência. Muito mesmo. Não querer preocupá-lo fez-me cometer um crime e pecar contra Deus e contra vós, mas peço que me perdoe, humildemente peço vosso perdão, mas eu preciso mesmo me ausentar, eu o farei com a maior brevidade possível.

    Richelieu: - E quem ficará em teu lugar, no comando de teus homens?

    Rochefort: - Jussac pode cuidar do comando, e Antoine tem se mostrado um promissor combatente, estava prestes a promovê-lo a tenente, Eminência. Acho que no tempo em que pretendo ficar fora, nada haverá de mais alarmante.

    Richelieu: - Muito bem, vejo que esta decidido a ir.

    Rochefort: - Eu preciso muito ir.

    Richelieu: - Vá. Vá em paz. Eu cuidarei de falar a Jussac pessoalmente.

    Rochefort: - Muito lhe agradeço, Eminência. Rochefort ajoelhou-se e beijou o anel do Cardeal. Em seguida, deixou o local e voltou rapidamente a sua residência. Seu coração apertou mais um pouco ao sair da casa de Richelieu.

    *

    Athos: - Está tudo entendido? Vocês podem contar ao capitão o que houve? Eu tenho que ir com Aramis e Rochefort. Vamos escoltá-la e garantir que esteja segura em seu escoderijo. Rochefort diz que o lugar fica a um dia de Paris, não é tão distante, nem tão próximo, como podem perceber. Então, e eu preciso ir agora.

    Porthos: - Vá com cuidado, Athos. E proteja-se. Não confie tanto em Rochefort.

    Athos: - Acho que está nos ajudando muito para que desconfiemos dele, Porthos. Mas vou tomar cuidado sim, é por Aramis que estamos fazendo isto. Vejam tudo o que conseguem descobrir por aqui. Qualquer coisa, saberão onde estamos. Athos abraçou os dois amigos com afeto e despediu-se deles. Montando em seu cavalo, vestiu a capa e saiu em direção à casa de Rochefort, na calada da madrugada, esgueirando-se para não ser visto por ninguém.

    *

    Aramis: - Eles estão demorando tanto, e eu aqui no quarto de Rochefort, que farei. E está tão frio!

    Rochefort: - Me desculpe. Sussurrava. Demorei muito?

    Aramis: - Eu estava preocupada.

    Rochefort: - O quarto tem lareira, deixe que eu acenda. Um instante só.

    Aramis: - Mas eu ficarei aqui durante a noite.

    Rochefort: - Mas é claro. Tem de estar onde ninguém mais possa vê-la. Aqui é mais seguro, como disse, nem mesmo Madame Gertrudes ousa entrar aqui sem minha permissão. Vamos. Precisa descansar um pouco, pois partiremos antes do amanhecer. Já são 1:00 da madrugada. Descanse. Ele percebeu Aramis tremendo de frio, quis ampará-la.

    Aramis: Tem razão, eu vou tentar. Ela, ainda sentada sobre a cama de Rochefort, recostou-se em sua enorme cabeceira e fechou os olhos.

    Rochefort pegou um cobertor quente em seu armário e pedindo licença a Aramis: - Com licença, permita-me agasalhá-la. Ele a enrolou com o cobertor às costas, retirando antes a capa fria e o molhada pela neve. Tocando no ombros de Aramis, Rochefort também notou o quanto a mosqueteira estava tensa. Não pode evitar tocar-lhe os ombros e massageá-los um pouco. Ele os apertou com delicadeza, tentando relaxá-los. Aramis estranhou.

    Aramis: - O... que está fazendo?

    Rochefort: - Me desculpe, mas percebi que seus ombros estão tensos. Deve ser o frio. Até que a lareira esquente o ambiente, eu só tive a intenção de aquecer e relaxar seus músculos um pouco. Me perdoe, devo ter sido invasivo. Ele parou e virou-se de costas. Levantou-se e sentou numa poltrona de seu próprio quarto.

    Aramis: - Ah... não quis ser grosseira, me desculpe... e obrigada, Rochefort.

    Rochefort: - Por nada. Estás mesmo aflita, não é?!

    Aramis: - Muito. Não vejo a hora de tudo isto terminar. E ainda estou tentando encaixar as peças, Rochefort. Vingança, vingança.... esse é o motivo? Mas após tanto tempo, porque não vingar-se antes, quando estava mais próximo do incidente da morte do pai dele? Porque esperou tanto?

    Rochefort: - Não sei, não faço mesmo idéia alguma. Mas se é um homem vingativo, temos de ter muito cuidado.

    Aramis: - Ah, sim... e isso me preocupa em dobro.

    Rochefort: - Estamos aqui para te proteger.

    Aramis: - Exatamente, estão aqui. Estão se arriscando por mim, eu temo por vocês, estou preocupada porque os envolvi nisso tudo.

    Rochefort: - Daremos um jeito.

    Aramis: - Não sei como agradecê-lo, Rochefort. Você é um grande homem, muito honrado. Perdão por todo o mau juízo que tenha feito sobre ti, foi tudo antes de saber quem eras tu realmente. E conhecer-te foi uma surpresa muito boa.

    Rochefort só conseguiu sorrir, estava até um pouco encabulado, mas disfarçou bem: - Descanse agora. Eu a acordo quando Athos chegar. Vou olhar pela janela.

    Aramis pegou no sono enquanto Rochefort olhava pela janela. Ele a ajeitou na cama quando percebeu que ela dormira realmente. Seu rosto era tão bonito. Engraçado, porque ele não notara isso antes? Só pelo disfarce? Será que a diferença era mesmo tão grande assim? Aramis sempre fora franzino e delicado, então, muitos até o consideravam afeminado. Então, porque ele não havia notado essa beleza antes. A masculinidade o impedia de ver a Aramis dessa forma? Será isso? Só a vê assim porque agora sabe que ela é mulher? Não sabia ao certo, não tinha respostas para estas perguntas, só sabia que, ela era incrivelmente bonita... ainda mais quando dormia. Tão serena...

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 8:06 am

    15. Esconderijo

    Rochefort: - És tão bela, Aramis, que me custa acreditar que não notei antes. E o quanto já te machuquei, sem saber que eras uma linda moça. Que monstro eu fui.

    Aramis: - -.- mmmm dormia tranqüila, seu inconsciente sabia que ela não estava sozinha e desamparada.

    Uma hora mais tarde, Athos chegava. Eram 2:00 da madrugada.

    Rochefort: - Aramis, Aramis... está na hora de ir. Athos chegou e nos espera lá embaixo.

    *

    Athos: - E então, conseguiu a permissão do Cardeal?

    Rochefort: - Sim, está tudo certo.

    Athos: - Então vamos.

    Aramis: - Certo.

    Athos: - O que é tudo isso, Rochefort?

    Rochefort: - São provisões. Aramis poderá precisar de comida, vinho para se aquecer, é inverno, Athos, não te esqueças. Vamos logo. Aqui também tem armas e munição.

    Aramis: - És muito prevenido.

    Athos ficou sem jeito, só havia se preocupado com roupas quentes e suas próprias armas. Trouxera algo mais na bolsa, mas estava ficando tarde para conferir os itens, o melhor era ir logo em frente.

    Os três vestiram suas capas e se puseram a caminho de Poissy, perto dos bosques de Saint Germain en Laye.

    *

    Duchateau: - Manteve homens de guarda, lá fora?

    Gillies: - Sim, meu senhor. Estão lá.

    Marcel: - Monsieur Duchateau, tenho certeza que com os cartazes que hoje espalhamos por Paris, ela não terá como ir muito longe.

    Duchateau: - Eu espero mesmo que isso funcione, pois falharam ontem ao deixá-la escapar. Se eu a perder, alguém pagará muito caro por isso.

    TOC TOC TOC

    Duchateau: - Entre.

    Empregado: - Monsieur Duque, disseram que três indivíduos suspeitos foram vistos saindo da cidade a estas horas. Nicolas os está seguindo com Raoul, mando mais homens?

    Duchateau: - Claro, mande verificar e tendo certeza de que se trata dela, mande me chamar imediatamente, pois tenho a impressão de que a caça começa a ficar interessante a partir de agora. Vão!

    Todos, exceto Marcel: - Oui.

    *

    Rochefort: - Como disse, fica a um dia de viagem, teremos que fazer pouso se não chegarmos até o cair da tarde de hoje.

    Athos: - Mas se isso acontecer, não podemos parar em nenhuma estalagem, para não sermos vistos. Lembre-se que estamos viajando ocultos. Não queremos deixar rastros.

    Rochefort: - Claro, por isso penso que se tivermos mesmo que fazer pouso em algum lugar, há um ponto desta estrada elo bosque, que é seguro, há uma gruta onde podemos nos refugiar e até nos proteger melhor do frio.

    Athos: - Está mesmo gelado demais... está tudo bem, Aramis, está com frio?

    Aramis: - ..........

    Athos: - Aramis?

    Rochefort: - ?

    Aramis: - Ah, desculpe, desculpe, Athos estava distraída.

    Athos: - ......

    Aramis: - Estava pensando, será que voltamos a tempo do Natal?

    Rochefort: - É uma boa pergunta, eu não gostaria de perder a Missa do Galo.

    Aramis espantou-se com a declaração de Rochefort. Apesar de sua ligação com o Cardeal, não imaginou que o Capitão da guarda de Sua Eminência fosse religioso a esse nível, o de preocupar-se em perder uma Celebração Religiosa. Mas ela percebeu o quão desatenta era, pois nunca antes havia reparado no crucifixo de prata que Rochefort carregava no pescoço. Tão bonito. http://img.mercado.etc.br/produto/150/full/crucifixo----prata-935-marcassitas--202150-202802-full.jpg

    (Eu queria algo mais medieval, mas não achei.)

    Talvez isso se deva ao fato de que Rochefort não estava usando sua farda habitual, e as roupas que vestia deixavam o crucifixo à mostra. Usava roupas e botas pretas, com a camisa branca por baixo, sem babados nas mangas e pescoço. Ele preferia trajes mais informais. E para viajar, julgou que era melhor usar roupas confortáveis e quentes. Mas nobres, são nobres, e nunca abriam mão da elegância. Athos também não usava sua farda de mosqueteiro, mas uma roupa mais usual, bem como Rochefort. Os mesmos moldes de gibão, pois era o que se vestia à época, suas roupas tinham uma tonalidade azul escuro e as botas eram marrons. Cabe lembrar que as botas que usavam vinham até quase a altura do joelho. E eram trajes distintos e requintados demais para um mosqueteiro. Rochefort reparou nisso. Aramis usava uma de suas roupas masculinas comuns que também não eram sua farda. O frio aumentou no caminho. Eram cerca de 10:00 da manhã, deviam parar para comer alguma coisa, não tinham nem tomado o desjejum.

    Rochefort: - Como estão?

    Athos: - Congelando.

    Aramis: - É. Imediatamente, Athos correu para proteger Aramis e a agasalhou com sua própria capa por cima da dela.

    Athos: - Melhorou?

    Aramis: - Athos, você vai morrer de frio, vai se resfriar.

    Rochefort: - Aqui, Athos, pegue. Eu tenho esta manta extra. Jogue em suas costas.

    Athos agradeceu e obedeceu.

    Athos: - Merci, Rochefort.

    Rochefort: - De rien. Ah como queria uma xícara de café quente a esta altura.

    Aramis: - Digo o mesmo!

    Athos: - Água? Passou o cantil para Aramis, que em seguida ofereceu a Rochefort.

    Depois, Rochefort comeu uma fruta, uma maçã. Athos e Aramis comeram um pedaço de queijo e pão.

    Athos: - Não vai comer?

    Rochefort: - Já comi. J Continuamos?

    Aramis: - Está bem!

    Voltaram para a estrada.

    Rochefort: - Mais tarde bebemos um pouco de vinho, vai ajudar a aquecer por dentro. Riu.

    Athos: - Tá legal. Athos tinha mais intolerância ao frio que Rochefort, que parecia o mais confortável dos 3 ao inverno.

    Mais algum tempo passado, e eles finalmente chegaram à metade do caminho! Mas infelizmente, a nevasca que começou a cair os impediu de continuarem na estrada. Tiveram de sair, entrar no bosque e buscar algum refúgio, um lugar onde pudessem tentar acender um fogueira, se é que haveria um lugar assim no meio da floresta, já que a neve cobria tudo.

    Acharam um lugarzinho um pouco mais aconchegante, onde a corrente de ar era bem menor, e pararam os cavalos por ali para saírem do meio da nevasca. Amarraram as montarias nas árvores próximas e procuraram se sentar. Athos ficou bem próximo de Aramis, queria aquecê-la mais do que a si mesmo, não suportava vê-la passando tanto frio. Por mais agasalhos que eles tivessem trazidos, a frio estava demais. Mas a viagem não podia ser adiada, Aramis tinha que fugir de Paris.

    Rochefort: - Eu nunca vi tanta neve em toda a minha vida, e eu gosto do inverno. Mon Dieu. Mas Rochefort sorria, apesar de tudo, queria passar confiança aos dois, eles tinham rugas de preocupação em seus rostos. Talvez essa seja uma boa hora pra o vinho. Rochefort passou o cantil amadeirado para Athos e Aramis. Ambos bebericaram um pouco. O vinho estava menos gelado que a água e sim, proporcionou que um calor percorresse o corpo dos dois.

    Aramis: - Talvez devamos ficar o mais próximo possível um do outro.

    Athos: - Sim, é uma boa idéia.

    Aramis: - Rochefort, deve se juntar a nós, ou vai congelar.

    Rochefort: - Ãhn? Não, estou bem...

    Athos: - Mas nós não, Capitão. Athos sorriu.

    Rochefort: - Sendo assim... Rochefort levantou-se para se aproximar dos dois quando parou de repente.

    Aramis: - O que foi?

    Athos; - Sshh...

    Rochefort sinalizou para Athos que havia alguém atrás dos arbustos.

    Aramis e Athos se levantaram e se puseram alertas.

    Rochefort estava mais perto deles agora.

    Athos percebeu alguém bem perto de suas costas e sem pestanejar, usou sua força bruta e puxou o indivíduo para vista de todos. Segurando pela gola da camisa e erguendo-o acima do chão, ele foi pressionando o homem a dizer quem era e o que fazia ali. Foi quando Rochefort percebeu que aquele era apenas uma isca proposital. Aconteceu rápido.

    Rochefort: - Aramis, cuidado! Ele a empurrou com destreza desviando do tiro que lhe acertaria. Mas com isso, ele foi atingido em seu lugar. Aaaaaaaah...

    Perseguidor 1: Idiota!! Não pode matá-la!!

    Athos e Aramis: - Rochefoooooort?! Não!!

    Athos arremessou o homem que tinha nas mãos em direção aos outros 3 que se aproximavam. Eram do grupo do Duque. Os 3 que iam na frente para certificar-se dos rastros. Como haviam alcançado os viajantes, acharam que poderia levar Aramis para o Duque em vez de esperar que ele os alcançasse também, conforme foram orientados. Iam emboscá-los. Foram bons em seguí-los em silêncio, sem que fossem percebidos, mas não souberam terminar o que começaram.

    Athos: - Aramis, hora de ir.... Vamos, pegue só o essencial... as armas e vamos, eu ajudo Rochefort.

    Rochefort: - Aaah, ai... não, esqueçam, corram...

    Athos: - Nem discuta! Athos levantou Rochefort e o apoiou em seus ombros, levando-o até seu cavalo.

    Aramis já havia montado, carregava somente as armas, o vinho e a água.

    Athos subiu no cavalo com rapidez, e segurando Rochefort que ia com ele, a sua frente, galopou seguindo Aramis.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 14, 2013 10:42 am

    16. Tensão

    Richelieu: - Ah. Mas o que é isso?

    Rei Loius: - Está tudo bem, Richelieu?

    Richelieu: - Sim, Majestade. Acho que são efeitos da idade que avança.

    Rei Louis: - Podemos continuar outra hora? Creio que seja melhor ver um médico e descansar.

    Richelieu: - Está bem, Majestade.

    *

    Nos aposentos de Richelieu, no Palácio de Versalhes

    Richelieu: - Jussac, você fez o que eu pedi?

    Jussac: - Sim, Eminência. Antoine está a caminho, com mais 3 homens.

    Richelieu: - Preciso de notícias imediatamente.

    Jussac: - Tão logo tenha, as trarei ao senhor, com toda a certeza.

    Richelieu: - Está bem. Vá.

    Jussac saiu.

    Richelieu: - Rochefort, que foi fazer, que foi fazer!

    *

    Treville: - D’Artagnan, Porthos, e então, quer dizer que o tal Duque deixou a estalagem esta manhã, bem cedo.

    Porthos: - Sim, Capitão. Vamos seguir-lhe os rastros, está nevando, não será difícil.

    Treville: - Mas está uma condição muito ruim para viajar.

    Porthos: - Trata-se de Athos e Aramis, Capitão. Não podemos hesitar. Eu e D’Artagnan estamos prontos. Athos nos indicou a região para onde estão indo, vamos achá-los.

    Treville: - Muito bem, mas eu só posso mandar vocês dois, sabem bem porque.

    Porthos: - Sim, Capitão, não se preocupe, daremos conta, não é mesmo D’Artagnan.

    *

    Athos: - Aguente firme, Rochefort, por favor.

    Rochefort: - Você devia ter.... me deix.. deixado para trás... Athos...

    Athos: - Esqueça disso... Sei que é pedir muito, mas só você sabe o caminho e precisamos despistá-los de vez para tratar você, diga para onde devemos ir.

    Rochefort: - Ahhh....está me apert... tando..

    Athos: - Desculpe... Você consegue enxergar....

    Rochefort: - Siga em frente até a bifurcação da estrada.... em vez de entrar na estrada, por qualquer um dos... aaah... ai....

    AThos: - Aguente firme.

    Rochefort: - por qualquer um dos dois caminhos... deixem os cavalos seguirem para a direita, sozinhos... e seguiremos a pé, por dentro do.... bosque... ahh.... tá bom?

    Aramis: - Rochefoooort...?? Aramis o viu apagar assim que terminou de falar a Athos como deviam fazer para escapar.

    Athos: - Aramis, a bifurcação, vejo-a daqui. Vamos.... prepare-se..

    Aramis: - Está bem... ela tinha lágrimas nos olhos. Calma, vai ficar tudo bem. Calma.

    Athos: - Vai ficar tudo bem, nós vamos ajudá-lo. Depressa, vamos, vamos, pare o cavalo, desça.. Eia, Eia.. Stap!!! Stap!! Athos bateu no traseiro dos cavalos e os pôs em galope como Rochefort lhes dissera para fazer. Em seguida, continuaram a viagem a pé, pelo bosque, não sem antes apagar os rastros que ficariam no começo da entrada da bosque.

    O plano foi muito bem sucedido, porque os homens do Duque seguiram os rastros dos cavalos, e isso lhes deu tempo para fugirem. Correram até um local onde acharam seguro para finalmente ajudar Rochefort, que estava até o momento sangrando sem parar.

    Aramis: - Rochefort, Rochefort, acorde, por favor, vamos... acorde... acorde...

    Athos: - Calma... Calma.... Athos rasgou uma tira larga de sua capa e ia prender o ferimento de Rochefort. Mas antes precisavam ver o tamanho do estrago.

    O tiro acertara-lhe o ombro, mas chegou a fraturar a clavícula também, tamanho impacto da bala. A dor que ele sentia era do osso fraturado e da pele dilacerada. Tudo ao mesmo tempo. Além do mais, a perda de sangue o enfraquecera muito. Ele estava pálido e Aramis muito assustada, temia que acontecesse o pior. Se a ferida inflamasse, se infeccionasse, ele poderia... Não, ela afastou o pensamento terrível.

    Athos expôs o ferimento de Rochefort, tirando um pouco seu gibão e abrindo-lhe a camisa, o crucifixo prateado aparecera de novo, bonito, estava no peito de Rochefort. Athos queria prender a ferida por dentro das roupas e não por cima. Pediu água a Aramis e limpou o local com seu lenço. Eu preciso imobilizá-lo, aqui no ombro, Aramis, preciso de mais pano da capa, por favor, me ajude.

    Aramis: - Sim... Tá... Aramis entendeu o que Athos queria fazer e rasgou o tecido conforme seu amigo lhe pedira.

    Primeiro Athos envolveu o ferimento e apertou bem forte para estancar o sangramento. Depois, vestiu a camisa e o gibão de Rochefort novamente.

    Athos: - Vamos lá, Rochefort, agüente... Athos ia fazer força para prender o ferimento também por fora.

    Aramis: - Ele está bem? Ele vai ficar bem, Athos?

    Athos: - Temos que evitar que infeccione.

    Aramis: - Como?

    Rochefort: - Aaaaaaaah... ai... ai ai ai.... Não aperte... está.... machucando... de verdade... merde... minha... cláv... Rochefort agarrou-se a Athos, que o amparava no colo.

    Athos: - Sim, amigo, infelizmente, quebrou a clavícula. Vamos ter de voltar a Paris.

    Rochefort: - Mas Aramis corre perigo.

    Aramis: - Não interessa, aqui você pode morrer. Nós vamos voltar. Além do mais, despistamos eles como você nos disse.... nós conseguimos, eles seguiram os rastros errados, com certeza, porque já deveriam estar aqui, se fosse o contrário.

    Athos: - Eu preciso terminar de apertar, estamos estancando a hemorragia, Rochefort.

    Rochefort: - Oh.... Ele ficou zonzo de repente, e Aramis se prontificou a ajudá-lo.

    Aramis: - Você está bem?

    Rochefort: - Vou ficar. Eu acho. A dor era forte, mas ele tinha que suportar. Nunca quebrara a clavícula e levara um tiro ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Mas era só o ombro, pensava. Não vou morrer.

    Athos: - Como se sente, Rochefort?

    Rochefort: - Como se uma diligência tivesse me atropelado. Eu posso voltar a Paris sozinho, vocês sigam viagem para a minha casa. Eu disse que ela é única no lugar, não vão

    Athos: - Rochefort, ninguém vai ficar sozinho em canto algum. Ficaremos juntos. E vamos tomar o caminho de volta. Se ainda encontrarmos nosso outro cavalo, você e Aramis não precisarão andar.

    Rochefort: Ok... Ele tentou se levantar...Athos foi ajudá-lo, mas ele recusou, disse que conseguia. E de fato levantou-se... mas, não durou muito tempo... sentindo-se tonto, Rochefort cambaleou e novamente Athos o segurou. O Capitão ia caindo para frente quando Athos percebeu e com seus reflexos os agarrou no ar. Rochefort ficou com o rosto colado no peito de Athos. E sentiu sua clavícula. Era um lugar delicado para se fraturar, qualquer movimento e uma dor aguda ele sentiria.

    Rochefort: - Aaaaai... merci...

    Athos: - Vamos, eu o levo, apóie-se em mim. Rochefort obedeceu. Procure não mover o seu braço machucado, eu apertei bem que é para manter o osso no mesmo lugar.

    Aramis: - Ainda temo que infeccione!

    Athos: - Por isso temos que nos apressar para chegar à Paris.

    Rochefort: - Falhamos por minha causa....

    Aramis: - Não diga isso, você salvou minha vida. Nunca poderei retribuir o que fez por mim, Rochefort.

    Rochefort: - Estávamos quase..

    Athos: - Shhh.. espere, eu acho que ouvi alguma coisa...

    Aramis: - Ãhn?

    Rochefort: - Merde!

    Athos: - Depressa, vamos, vamos... eles correram o mais rápido que puderam, Rochefort sempre carregado por Athos.

    Aramis: - Athos, Athos... olhe, uma gruta.... é a que Rochefort falou?

    Rochefort: - Não, não é, mas se estamos fugindo, serve, não?

    Aramis: - Serve!! Depressa!!

    Os 3 foram rápidos ao se esconder lá....

    Rochefort: - Estranho, não escuto mais os passos...

    Aramis: - Terão desistido?

    Athos: - Não aposto nisso!

    Rochefort: - Nem eu...

    Aramis: - Rochefort, deite-se. Precisa descansar.

    Com esforço, Rochefort se recostou na parede gelada da gruta que encontraram para servir de abrigo. Estava muito escuro, mas eles ainda conseguiam se ver. Athos viu Aramis ajeitar a cabeça de Rochefort em seu colo, protegendo-o. Ele sentiu ciúmes.

    Athos: - Vai escurecer logo, logo, acho que vamos ter que passar a noite aqui.

    Rochefort: - Dos males o pior...

    Aramis: - Como?

    Rochefort: - Nada, só acho melhor do que irmos lá fora enfrentar um bando de homens armados. Estamos em desvantagem e um confronto seria estupidez.

    Athos: - Descanse, Rochefort. Precisa recuperar suas forças.

    Rochefort: - Foi um jeito educado de me mandar calar o bico. Sorriu.

    Athos: - Que?

    Rochefort: - Nada...

    Athos: - Eu não mandei você calar o bico, só acho que é bom poupar as energias, não!? Agora mesmo estava gritando de dor...

    Rochefort: - Incomodo muito nas suas costas?

    Athos: - Não se trata disso, Rochefort.

    Rochefort: - Relaxe, Athos, eu só estou implicando.. você está muito nervoso.

    Athos: - E não deveria estar? Tem gente na nossa cola, querendo nos matar. Estão nos perseguindo como predadores atrás da próxima refeição!! Não podemos ser pegos, não podemos deixar que Aramis seja pega. VoCê entende a seriedade da situação? Você é o mais velho aqui, tente mostrar maturidade!

    Aramis: - Athos?!

    Rochefort: - Desculpe. Mas estou tentando descontrair.

    Athos: - Não precisamos descontrair, precisamos nos concentrar.

    Rochefort: - Eu não posso me concentrar, perdão.

    Athos: - Como não pode? Precisamos de todos nós com a cabeça fria e no lugar... não pode se distrair e distrair a todos nós!!

    Aramis: - Para, Athos, o que está havendo!

    Athos: - Ele estava melhor quando estava inconsciente!!

    Rochefort: - Eu já pedi desculpas.

    Athos: - Tá certo.

    Rochefort: - Eu só quis descontrair porque se me concentro... dói mais. Está frio, isso intensifica a dor, pode ser melhor para cicatrização, mas dói muito mais. Permaneceu quieto nos próximos minutos, quase uma hora se passou. Aramis pediu licença a ele um instante para falar com Athos. O mosqueteiro estava um tanto entristecido e aborrecido com alguma coisa que Aramis não entendia. Ela queria ajudar.

    Aramis: - Athos, podemos falar?

    Athos: - Claro... mas temos de falar baixo.

    Aramis: - Sim, claro. O que foi que te aborreceu, eu fiz alguma coisa de errado?

    Athos: - Não, de jeito nenhum. Eu só...

    Aramis: - Diga, o que foi?

    Athos: - Eu sinto que estou falhando ao te proteger e sinto-me um inútil. Rochefort se feriu para te salvar, e eu nem para perceber que estávamos sendo seguidos. Nada!

    Aramis: - Não é sua culpa! Rochefort me salvou, mas você também está aqui lutando para me manter a salvo. Eu te agradeço tanto por isto, meu querido Athos. Ela o beijou novamente no rosto. Rochefort viu e abaixou a cabeça.

    Athos: - Temos que dar um jeito de voltar a Paris o quanto antes, avisar ao Capitão Treville, pedir apoio a D’Artagnan e Porthos....

    Aramis: - E nós vamos conseguir...

    Athos: - Está certo... me perdoe se fui rude em algum momento, estou.. com os nervos a flor da pele.

    Aramis: - Eu entendo, meu querido, eu entendo! Ela o abraçou. Tão terno e quente.

    Voltou a sentar-se perto de Rochefort, e Athos também. Notaram algo não muito bom. Rochefort estava ofegante e recostado na parede, parecia ser forças.

    Aramis: - Rochefort, acalme-se. Venha, é melhor deitar-se, só recostar as costas não é confortável o suficiente e... Nossa!!! Ao tocar Rochefort para confortá-lo, Aramis pode sentir sua pele... estava fervendo...

    Athos: - Ele está com febre!!

    Aramis: - Sim, e pelo visto, altíssima. É o ferimento, Athos, deve ter infeccionado...

    Athos: - Droga!! Droga!! Espere, eu tenho uma sacola com remédio, pode ser que adiante alguma coisa.. vamos... eu costumo tomar quando as feridas infeccionam... não pode ser tomado antes, porque o médico que me receitou disse que é muito forte.

    Aramis: - Então vamos... dê a ele.

    Athos: - A água, depressa.

    Aramis pegou o cantil onde havia um pouco de água ainda. Estava gelada, mas havia de servir. Athos depositou o pó embaixo da língua de Rochefort. Era amargo demais, mas que fazer. Aramis derramou algumas gotas de água para dissolver o pó. Depois o ajudaram a engolir.

    Rochefort: - Aaaii..... ai...

    Athos: - Tem um gosto horrível, eu sei..mas vai ajudar a melhorar...

    Aramis: - É, vai sim.... Ela não resistiu ao estado de Rochefort. Sentindo-se culpada por isso, beijou-lhe a testa com carinho. Novamente, Athos ficou com ciúmes.

    Aramis retirou a pala do olho de Rochefort, e pensando que veria uma imagem talvez não muito bonita, surpreendeu-se. O olho de Rochefort, sequer abria. Havia uma pequena cicatriz na pálpebra superior, principalmente. Mas o olho permanecia fechado.

    Athos: - Você retirou a pala.

    Aramis: - Sim, está presa a cabeça dele, e acho que aperta um pouco. Ele precisa descansar.

    Athos: - Claro...

    Rochefort: - Estou parecendo um garotinho mimado chorando porque cortou o dedo, não é mesmo?

    Athos: - Não, Rochefort, está tudo bem.... Eu queria poder fazer alguma coisa para ajudar a interromper a dor.

    Rochefort: - Vocês estão fazendo demais por mim, estão atrasando. A essa altura já podiam estar perto de Paris....

    Aramis: - Ah, não, Rochefort, não sem os cavalos que nos arranjastes. Nós vamos ficar bem, e vamos ficar porque ficaremos juntos, como Athos disse.

    Athos: - Isso mesmo, ela está certa.

    Depois de um tempo calados, Rochefort adormeceu ainda no colo de Aramis.
    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Ter Jan 15, 2013 10:56 am

    17. Lutar ou Morrer

    Na pequena gruta onde se abrigavam, ouvia-se apenas o barulho de respingos de água gelada que escorria das paredes. O frio havia diminuído um pouco, talvez fosse apenas o calor dos três no mesmo canto da caverna.

    Aramis: - Acha que ele vai ficar bem?

    Athos: - .... Vai... vai sim...

    Aramis: - Não me pareceu muito convencido disso, Athos? Estou preocupada!

    Athos: - Porque está tão preocupada? O tom de leve insatisfação.

    Aramis: - Athos?! Porque terá sido minha culpa!

    Athos: - Não é culpa sua, não é culpa de ninguém, a não ser do seu insano perseguidor. Rochefort sabia dos riscos e quis ajudar.

    Aramis: - Eu sei, eu sei.... mas não importa, no fim das contas ele levou um tiro por que estava me ajudando, como acha que eu me sinto! Porque está agindo assim, não parece você, Athos? Para onde o Athos de verdade foi? Você não é o mesmo que começou esta viagem comigo...

    Athos: - Aramis, todos estamos nos arriscando, porque queremos, estamos cientes!! Mas ele vai sobreviver....

    Aramis: - Você tem certeza?

    Athos: - Sinceramente?

    Aramis: - Claro!

    Athos: - Não sei. Se infeccionou mesmo, há riscos maiores...

    Aramis: - Ah meu Deus!

    Athos: - Nós não vamos demorar muito aqui, é só o tempo de descansar um pouco e se abrigar do frio, e dele relaxar um pouco, ele mesmo não agüentaria a viagem neste estado.

    Aramis: - Ele tem tanta febre... disse acariciando a cabeça de Rochefort.

    Athos: - Ainda está em tempo do remédio fazer efeito, Aramis, vamos esperar um pouco, está bem? Procure se acalmar, não vai ajudar se começar a se desesperar. Eu prometo que não deixo NADA te acontecer!!

    Aramis: - Eu não estou preocupada comigo!

    Athos: - Mas eu estou. Seu tom foi firme, mas doce e comoveu Aramis.

    Como os rostos dos dois estavam próximos, Athos a olhou com ternura e acabou achegando ainda mais perto dela. Aramis semicerrou os olhos enquanto Athos quase encostava o rosto ao dela. Ela enrubesceu. Ele não. E avançou um pouco mais... os lábios agora estavam já bem próximos, quase se tocando....

    Rochefort: - mmm..... NÃO!!

    Athos: - Pffff... Havia desapontamento e raiva no olhar Athos, que virou o rosto para não mostrar o sentimento a Aramis e Rochefort. Ele estranhava-se, pois estas realmente não eram atitudes costumeiras de sua personalidade. Ele sempre fora comedido, calmo, e racional. Havia passionalidade demais em suas ações, não estava agindo com coerência, ele pensava!!

    Aramis: - O que foi Rochefort? O que houve?

    Rochefort: - Eu... não.. ãhn? Aramis?

    Aramis: - Sim, está tudo bem?

    Rochefort: - Eu estava....

    Athos: - Tendo um pesadelo, provavelmente.

    Rochefort: - Quanto tempo eu dormi? Eu dormi? Ah.... ajeitando-se para levantar do colo de Aramis, Rochefort sentiu o ombro novamente...Aaaah... ai...au...

    Athos: - Espere, eu ajudo. Ele amparou Rochefort na parede próxima, apoiando as costas do companheiro de viagem.

    Rochefort: - Acho que já chega de moleza, devemos continuar.

    Athos: - Mas, você não tem condição de

    Rochefort: - Tenho sim. Já me sinto bem melhor.

    Athos: - ¬¬ Está com febre ainda!

    Rochefort: - Mas está baixando. Vamos logo, levantou com destreza para alguém ferido. Vamos, andem, não percamos mais tempo. Agora a noite podemos avançar enquanto eles descansam. Vocês chegaram a ouvir mais passos enquanto eu dormia?

    Aramis: - Não, eu não ouvi nada.

    Athos: - Só o barulho da água pingando aqui dentro, e mais nada!

    Rochefort: - Então já chega... vamos, andem logo!

    Aramis: - Rochefort, talvez devamos esperar até amanha cedo, quando é mais quente e

    Rochefort: - Não. Não podemos esperar nem mais um segundo!

    Athos: - Tem certeza que consegue?

    Rochefort: - Consigo.

    Athos: - Muito bem, Aramis, vamos.

    Aramis: - Vamos... contrariada e talvez um pouco entristecida. Que situação tão complexa era essa!!

    *

    Antoine: - Eles passaram por aqui!! Tenho certeza!

    Claude: - Sim, eu vejo três pegadas distintas, uma delas é pequena, é de mulher. Há uma mulher acompanhando-o? E quem é o outro homem?

    Antoine: - Não pergunte, Claude. As ordens do Cardeal, são encontrar nosso Capitão e ver se está tudo bem e retornar com notícias. Com quem ele viajou não é da nossa conta. E devemos fazê-lo com discrição, sendo assim, isso vale tanto para não fazermos perguntas quanto para não sermos percebidos em seu encalço. Até porque, se ele nos pega seguindo-o, estaremos com sérios problemas com Monsieur Rochefort.

    Claude: - Ele será mais severo ainda nos treinos!!

    Antoine: - Stupide! ¬¬

    Claude: - O que?

    Antoine: - Rien!! Rien!!

    Claude: - Porque aqui, vamos! Disse ao outro que os acompanhava.

    *

    Porthos: - Olhe, D’Artagnan, veja lá, é um cavalo... está preso a árvore...

    D’Artagnan: - Vamos ver lá... ora...

    Porthos: - Não é de Athos, ou de Aramis....

    D’Artagnan: - Mas é de Rochefort, veja, a marca dos cavalos dele.

    Porthos: - Dá guarda do Cardeal? Não!! Não é marca do Cardeal!

    D’Artagnan: - É a marca do brasão da família Rochefort, olha ao na sela, Porthos.

    Porthos: - Que bom observador!

    D’Artagnan: - Vamos depressa...

    D’Artagnan e Porthos passaram algum tempo olhando para o lugar, perceberam que ali houve algum incidente, uma briga, viram sangue, e sentiram cheiro de pólvora... Isso os deixou alarmados. Perceberam rastros e imediatamente avançaram em alta velocidade para dentro da floresta, pois viram que tratava-se de muitos homens além de Athos, Aramis e Rochefort.

    *

    Athos: - Tudo bem, eu posso continuar te carregando, apóie-se nas minhas costas...

    Rochefort: - Não, obrigado. Eu consigo. Não se preocupem se eu ficar um pouco para trás, vão indo.

    Aramis: - Ainda acho que deves deixar Athos ajudá-lo, Rochefort.

    Rochefort: - Eu estou bem. Sorriu. Continuem andando.

    Athos: - Está bem, então vamos mais devagar, já estamos distantes da gruta onde estávamos e se eles estão descansando, podemos desacelerar um pouco.

    Rochefort: - Não acho que devemos ir mais devagar, é a hora de tomar uma boa distância, Athos... cof cof cof... Rochefort tossiu.

    Aramis: - Oh...

    Rochefort: - Tudo bem...

    Athos: - Desacelere.

    Rochefort: - Não.

    Aramis: - Meus amigos, por favor...

    Athos: - É o melhor a fazer agora, está cansado, não admite!

    Rochefort: - Não! Devemos continuar.... aaah.. ai..

    Aramis: - Parem, os dois! Aramis se enfureceu.... Athos de La Fére e..... se deu conta de que não sabia como se chamava Rochefort..... só o sobrenome... há tanto tempo um contra o outro e nunca se deram ao trabalho de saberem seus nomes completos...

    Rochefort: - De La Fére?

    Athos: - É sim, porque?

    Rochefort: - De La Fére, do Bearn? Cof cof..

    Athos: - Conhece a região do Bearn?

    Rochefort: - Estive lá quando criança, não me lembrarei muito, foi há muito tempo... mas me lembro perfeitamente que ficamos hospedados na casa do...... AAAAATHOOOOOS!

    Athos: - O que?!! O que foi que eu fiiiiiz?

    Rochefort: - Rien, rien... é só.. cof... cof.... você é.... seu pai ainda vive??

    Athos: - Não… porque a pergunta?

    Aramis: - Vamos em frente, não acho bom que estejamos parados aqui.

    Rochefort: - Porque .. porque... e irmãos, você tem irmãos?? Irmãos mais velhos, não, tem?

    Athos: - Não tenho irmãos, ou irmãs, sou filho único. Porque o repentino interesse na minha árvore genealógica?

    Aramis: - Estão me ouvindo?

    Rochefort: - Então é isso mesmo! Meu raciocínio está certo... você é... é sim..

    Athos: - Do que está falando, precisamente, Rochefort?

    Rochefort: - Você é...

    POW Um tiro que felizmente não acertara ninguém.

    Aramis: - Aaaaah!!! Assustada.

    Duchateau: - Até que enfim..... que bom que pararam para conversar!!

    Gillies: - Encontramos. Jean, vá na outra direção onde foi o segundo grupo e avise-os que já achamos nosso tesouro.

    Duchateau sorria maliciosamente.

    Athos: - Você.

    Duchateau: - Esperava outra pessoa? Peguem-na.

    Rochefort: - Receio que isso não vá ser possível.

    Athos: - Aramis, corre!

    Aramis: - Não... não vou deixar vocês!

    Athos sacou a espada, e Rochefort também!!

    Mas este último, vendo que Aramis ainda estava lá parada, preparando-se para sacar também sua espada, empurrou com força...

    Rochefort: - VÁ! CORRE!!! DEPRESSA!!!

    Ela correu. Eram cerca de 7 homens no grupo de Duchateau. Para enfrentá-los, apenas Athos e Rochefort.

    Um combate enfurecido começou, Athos tentava defender-se e dar cobertura a Rochefort, que lutava com apenas um braço. Duchateau foi atrás de Reneé/Aramis.

    Duchateau: - Não vou deixá-la escapar, minha querida Reneé!

    *

    Athos abatera 2 homens, e restavam ainda outros 5 contra quem apenas os 2 estavam lutando... Rochefort com problemas sérios, enfrentava 2 adversários ao mesmo tempo, enquanto Athos tinha de lidar com 3. Ele correu a toda velocidade que pode e conseguiu subir numa árvore. Os inimigos sacaram suas pistolas e atiraram para cima. Mas Athos só fez aquilo para ter tempo de ajudar Rochefort, que estava perdendo a luta contra os 2 que o encurralavam contra uma outra árvore muito grande que havia ali perto. Athos sacou seu revólver e atirou contra um dos agressores de Rochefort, para deixar a luta, pelo menos, mais justa, uma vez que ficou um contra um.

    Rochefort: - Merciiii... isso iguala as coisas por aqui... En garde... disse sorrindo e brincando.. mas tentava mesmo era esconder seu cansaço e ferimento do inimigo. Rochefort levou alguns cortes rasos no braço, mas suas pernas estavam ótimas, e seus reflexos também, seus esquives foram na medida e desviando-se de um ataque, Rochefort fez com que seu oponente prendesse a espada no tronco da árvore, isso foi suficiente para que ele o chutasse para longe e o desarmasse. Sendo assim, para não ser covarde, Rochefort guardou sua espada na bainha e foi se aproximando do adversário, que amedrontado, ia arrastando-se para trás. Com seu único braço disponível, Rochefort levantou seu oponente do chão, sentindo dores, claro, mas a adrenalina estava ajudando a aguentar, e deu-lhe uma cabeçada definitiva que o abateu deixando-o desarcordado. Rochefort ia partindo para ajudar Athos que ainda tinha mais 2 oponentes atacando-o simultaneamente. As espadas estalavam quandos e cruzavam no ar. Mas espere, havia um terceiro...

    Athos: - Uuuaah... Athos matara mais um deles. Só resta um. Pronto, está feito, Athos matou mais este com uma estocada certeira no coração. Era muito bom esgrimista.

    Athos: - Muito bem, vamos atrás de Aramis e

    Rochefort: - Aaaaaaaaaah.......... Ah...

    Gillies: - Receio que não vão atrás de ninguém, cavalheiros....Largue a espada e entregue-se.

    Athos: - O que??

    Rochefort: - Aaah... aaaaaah.... Seu... filho da... aaaaaaaah..

    Gillies: - Quieto! Deve estar doendo bastante, este ferimento, não está??? Gillies tinha Rochefort em seu poder, e o ameaçava com um punhal ao pescoço ao mesmo tempo em que apertava com violência o local onde Rochefort estava seriamente machucado.

    Athos: - Solte-o, agora. Apontou o revólver para o homem.

    Gillies: - Não está entendendo bem, não é mesmo, rapaz... não está em posição de fazer exigências, ou se entrega ou eu o mato.

    Rochefort: - Idiota!! Athos, esqueça, vá atrás de Aramis...

    Athos: - Não posso, Rochefort...

    Rochefort: - Se abaixar a arma ele vai te matar... sai daqaaaaaaaaaaaahhh..

    Gilies: - Shhh... você está falando alto demais... Desta vez Gillies tinha machucado de verdade, pois o ferimento de Rochefort voltou a sangrar.

    Rochefort: - puf puf puf.... ofegante, pois sentia muita dor...

    Athos: - Eu te mato!! Athos estava irado.

    Gillies: - Eu acho que farei isso primeiro... começo por você ou seu amiguinho?

    Athos: - Você e que exército?

    Barulhos atrás das moitas foram ouvidos, saíram de lá mais 5 homens do Grupo de Duchateau. Os que haviam ido na outra direção, foram espertos, dividiram-se em duas equipes.

    Gillies: - Sorrindo, respondeu... este deve servir! Largue a arma, garoto, o jogo acabou. Ele pressionava o punhal contra a garganta de Rochefort. Eu não estou brincando!!

    Athos estava indeciso, mas não podia deixar Rochefort em maus lençóis. Por outro lado, se largasse as armas, Rochefort seria morto do mesmo jeito, tinha certeza de que Gillies não cumpriria a palavra.

    Athos: - *Estou perdido, droga...* Mas barulhos atrás da moita, ninguém ouviu... Está bem, eu vou abaixar a arma, só quero que deixe ele ir... ele não tem nada com isso...

    Gillies: - Muito bem, prometo que não corto a garganta dele... sorrindo...

    Rochefort estava fulo de ódio, suas bochechas vermelhas e não era por causa da febre, mas estava rendido, nada podia fazer.

    Voz desconhecida: - Larguem as armas!!!!!!!!!!!

    Gillies: - ?

    Antoine apareceu com outros 2 rapazes da guarda do Cardeal.

    Antoine: Hora de virar o jogo, cavalheiros... e para começar, é melhor soltá-lo agora ou vou estripá-lo começando pelo seu rim esquerdo até chegar a sua nuca... Ele falava com a espada apontada às costas de Gillies.

    Athos: Quem são esses aí? Pensou em voz alta...

    Rochefort sorria satisfeito, reconheceu a voz.

    Homem de Duchateau: - Ainda estamos em maior número!!

    D’Artagnan: Bem, mas isso lá não é problema, certo, Porthos. Podemos equilibrar bem a partida... Mas advirto-vos já de que Porthos vale por 2 ou 3, depende de quanto lhe agüentam!!! E sabem, não costumam agüentar nada!!

    Athos: - HAHAHAHAHAHA Ah, nunca fiquei tão feliz em vê-los, de verdade, não podiam chegar em hora melhor, meus amigos...

    Antoine: - E então, como é que vai ser?

    Gillies tremia, mas achou que Rochefort fosse sua única garantia de segurança.

    Antoine: - Vou lhe dar 3 segundos... 1......2.......

    Gillies: - Eu me rendo!!

    Os cinco, vendo que haveria combate e que estavam sem liderança, ficaram apalermados, e foi fácil para os outros derrotá-los, D’Artagnan, Porthos e Claude deram conta do recado enquanto Antoine, Athos e outro membro da guarda do Cardeal que os acompanhava, cuidavam de imobilizar Gillies e socorrer Rochefort. Furioso de raiva com Gillies, Rochefort ainda teve forças para dar-lhe um soco no rosto com tanta intensidade que fez o inimigo desmaiar. Infelizmente, o mesmo aconteceu com ele assim que viu que tudo havia acabado relativamente bem... Rochefort foi desfalecendo até desabar nos braços de Antoine que não o deixou cair.

    Antoine: - Capitaine? Mon capitaine? Acorde!

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Jan 16, 2013 4:02 am

    18. Verdade

    Athos: - Rochefort? Droga... Acorde, vamos, desperte...

    Porthos: - Athos, Aramis, temos que ir...

    Athos: - Mas não podemos deixá-lo...

    D’Artagnan: - Ei, você pode levar seu capitão para longe daqui? Pode levá-lo a Paris para socorrê-lo? Temos agora é que ajudar nosso amigo que está sendo perseguido.

    Antoine: - Isso não é preciso dizer, mosqueteiro... Antoine se preparou, carregou seu capitão ferido e inconsciente até o cavalo e galopou a toda velocidade para Paris. Claude e o outro membro da guarda cuidaram de amarrar os homens que os atacaram, impedindo-os de escapar.

    Porthos: - Agora, vamos!!!

    Athos e D’Artagnan: - Sim!

    *

    Antoine: - Sua Eminência não vai gostar nada disso! Estranho é que vi mulher alguma entre eles... as pegadas... deixavam claro que havia uma viajando com meu Capitão. Terá sido daquele baixote? Referia-se a D’Artagnan? Não, até ele tem um pé maior.... tem algo estranho.... Aguente firme, Capitão, vou salvá-lo, custe o que custar... Antoine tinha um sentimento de quase adoração por Rochefort, respeitava-o muito e o tomava como modelo a seguir. Não se tratava de ser um puxa-sacos, mas sim, admiração profunda por alguém que ele dizia ser ‘seu mestre’.

    Rochefort: - ........... ah.... Ara... mis...

    *

    Athos: - ARAMIS? ONDE ESTÁ? RESPONDA?

    No meio da mata, Athos e os outros procuravam por Aramis, que tinha fugido com Duchateau em sua perseguição.

    POrthos: - Para onde terão ido?

    D’Artagnan: - Está ainda um pouco escuro, apesar de já ser quase dia..

    Athos: - Eu enxergo, ali... olha.. rastros ali... a neve facilita identificar as pegadas. Vamos por aqui.

    *

    Antoine: - Eminência, Eminência, ajude-me, por favor... é o Capitão Rochefort, não está nada bem foi ferido na viagem.

    Richelieu: - O QUE? COMO ACONTECEU?

    Antoine: - Não estou certo, Eminência, mas os Mosqueteiros estavam por perto e onde estes estão, sempre há problemas.

    Richelieu: - Um médico, imediatamente, mande chamar um médico...

    Antoine: - Já mandei, Eminência. Quando entrava em Paris, pedi a Monsieur Jussac, que avistei nos arredores da entrada da cidade, que mandasse um médico imediatamente a Versalhes. Antoine depositou o corpo de seu capitão ferido sobre a cama dos aposentos do Cardeal de Richelieu, conforme o próprio ordenara que fosse feito. Rochefort queimava de febre e não recobrava a consciência não importa o quanto o chamassem. Desta vez seu estado parecia realmente grave. Antoine contribuiu retirando-lhe o gibão e abrindo-lhe a camisa. Em seguida, retirou as ataduras improvisadas que Athos lhe tinha colocado. Rochefort gemeu de dor, mas ainda assim, permanecia desacordado.

    O médico chegava no Palácio de Versalhes e foi encaminhado as pressas para onde seu paciente aguardava atendimento. Richelieu o recebeu e pediu-lhe que salvasse a vida de Rochefort. Dr. Leon era cirurgião, e prontamente localizou o projétil no ombro do Capitão. Começou o procedimento para retirá-lo. Percebeu a clavícula quebrada. Mas estamos num tempo em que não havia anestesia. Extrair esta bala doeria muito mais do que o normal.

    Rochefort: - Ugh... Ah.... ãhn.. ah ai … O inconsciente Capitão Rochefort gemia pela intensidade da dor. Ao mesmo tempo, balbuciava o nome dela... Aramis... Aramis..

    Richelieu: - Mas o que tem o Aramis?

    Antoine: - Não sei, Eminência.. mas ele veio o caminho todo até aqui, delirando e chamando o nome deste mosqueteiro... dizia também que precisava ficar para ajudá-lo...

    Richelieu: - Eu preciso de uma explicação para isso!

    Antoine: - Sinto muito, Eminência, não consegui a resposta... também não entendo o que está acontecendo.. o que sei com toda a certeza é que Monsieur Rochefort não viajava sozinho e que ia com ele uma dama, pois identificamos as pegadas no caminho.

    Richelieu: - Uma mulher? Com Rochefort?

    Antoine: - Sim... mas Eminência, temo estar sendo demasiado indiscreto em relação a vida pessoal de meu Capitão...

    Richelieu: Você fez o que fez a meu pedido, rapaz e o fez porque a segurança do seu Capitão estava ameaçada... Fez um bom trabalho.. já pode ir.

    Antoine: - Se me permite, Eminência, posso perguntar ao Dr. Leon se Monsieur Rochefort ficará bem?

    Dr. Leon: - Estou trabalhando para isso, filho, agora por favor, deixe o local. Preciso de privacidade aqui.

    Antoine: - Com sua permissão! Antoine deixou o aposento.

    *

    Athos: - O sol está raiando...

    Porthos: - Não posso acreditar que a perdemos... nããão!!

    D’Artagnan: - Não vamos parar agora, não vamos embora sem Aramis!

    Athos: - Sim, não vamos... ARAMIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIS..... Quando eu encontrar aquele verme, vou matá-lo com minhas próprias mãos!!

    D’Artagnan e Porthos se assustaram ao ouvir Athos falar daquela maneira tão agressiva... não era ele, não mesmo....

    Athos: - Eu.... vou matá-lo!!

    Porthos: - Calma, Athos...

    Tsstsss A moita atrás deles se mexeu. Os 3 se viraram imediatamente, esperavam o inimigo, Athos com a espada em punho.

    D’Artagnan: - Ah!!

    Athos: - Aramis!!! Largou a espada ao chão e correu para abraçá-la! Você está bem, examinando-a toda, ele te alcançou, te machucou, você se feriu, me diga, você está bem? Aramis.... responda!!

    Chorando por finalmente ter encontrado os braços de Athos e também seus amigos, Aramis apenas respondeu:

    Aramis: - Ele vai me expor, Athos... deve estar a caminho do Versalhes a esta hora... vai me expor à Corte, ao REI, Capitão Treville também... ele...

    Athos: - Aquele Bastardo! Vamos voltar, depressa!! Depressa!!

    Aramis: - Obrigada!! Obrigada!!

    Os 4 voltaram a Paris com rapidez, Porthos carregava Athos em seu cavalo e D’Artagnan carregava Aramis...

    Aramis: - Estou disposta a tudo, só não quero prejudicar vocês e meu Capitão!

    Athos: - Também estamos dispostos a tudo e sei que Capitão Treville também está!

    *

    Enquanto eles regressavam, o Cardeal tinha mandado homens para aprisionar aqueles que haviam causado tamanho dano a Rochefort. Cerca de 20 homens de sua guarda foram com Antoine e Claude até o local onde haviam feito alguns de prisioneiro e encontrando o restante do grupo com ferimentos leves, alguns mortos e outros inconscientes, terminaram de decretar as prisões necessárias. Na diligência que traziam, levaram todos para as masmorras. Antoine os interrogava para saber quem era o mandante, pois sabiam que falta um, Gillies foi o primeiro a abrir o bico e contar logo toda a verdade... a verdade que chocou a Antoine... e principalmente, o Cardeal de Richelieu.

    *

    Richelieu: - ARAMIS é uma MULHER?!!!

    Antoine: - Foi o que nos disse o suspeito. Disseram que vieram a Paris atrás de uma tal Reneé d’Herblay e acabaram descobrindo que ela estava disfarçada e infiltrada nos mosqueteiros de Sua Majestade, o Rei, na pessoa de Aramis.

    Richelieu: - Isto é escandaloso demais até mesmo para os mosqueteiros...

    Antoine: - Ainda nos falta encontrar o mandante, Duchateau. Mas Eminência, este homem cometeu algum crime procurando por esta mulher?

    Richelieu: - Não se trata de quem ele procurava, meu filho, mas sim dos métodos que usou.

    Antoine: - Sim, feriu o Capitão Rochefort.

    Richelieu: - Por isso vai pagar pelo crime que cometeu. Mas há algo que não está claro... como foi que Aramis se infiltrou nos mosqueteiros sem despertar qualquer suspeita? Uma mulher, entre homens, combatentes, experientes, e ninguém desconfiou de nada?

    Dr. Leon: - Aaah, não pode se levantar, Capitão... não pode sequer se mover bruscamente... como espera se restabelecer se não segue minhas orientações.... volte aqui....

    Rochefort: - Aaaah... Eminência... . eu preciso voltar...

    Richelieu: Mas Rochefort.... NÃO! Volte imediatamente para o quarto e descanse...

    Dr. Leon: - Eu ainda tenho de terminar as ataduras... e posicionar sua clavícula no lugar, Capitão Rochefort.. por favor...

    Rochefort: - Me deixe em PAZ!! Me solte...

    Richelieu: - Antoine, por favor...

    Antoine: - Eminência? Eu....?

    Richelieu: - Segure-o...

    Antoine: - Mas

    Rochefort: - Não se atreva, Tony!!

    Antoine: - Mas o senhor não está bem... precisa de

    Rochefort: - EU NÃO QUERO DESCANSAR, NÃO ME DIGAM PARA FICAR AQUI PARAAAAADO!

    Dr. Leon: - Tenho que sedá-lo!

    Richelieu: - Porque tanta obstinação, Rochefort, porque lutas tanto.. estás vendo que não pode fazer mais nada... seu esforço pode matá-lo....

    Rochefort: - PRECISAM DE MIM, EMINÊNCIA, ELA PRECISA....

    Richelieu: - ELA?

    Rochefort: - Aaaaai.... ME LARGUE!! ME LARGUE!! Que ousadia é essa... Antoine...

    Antoine: - Me perdoe, Mon Capitaine...

    Richelieu: - Ela quem, precisa da sua ajuda Rochefort...

    Rochefort: - Não... Eminência... por favor, não permita que ele faça isso comigo... Antoine foi arrastando o irredutível Rochefort, que apesar da dor, lutava bastante para se manter fora do quarto.... ele foi colocado na cama contra sua vontade e segurado por Antoine até que o Dr. Leon tivesse um sedativo pronto para aplicar-lhe... não era poderoso para manter Rochefort inconsciente, sua mente lutava muito com os efeitos daquele medicamento indutor de sono... NÃÃÃO!!! Dr. Leon injetou o líquido nas veias de Rochefort.

    Dr. Leon: Acalme-se... não há nada mais que possa fazer... está ferido, e deve permanecer em repouso absoluto até segunda ordem... Dr. Leon amarrou o punho são de Rochefort na cabeceira da cama. O outro ficou solto por causa do ferimento no ombro. E sedado, ele oferecia menor resistência.

    Rochefort: - Não acredito nisso...

    Richelieu: - Dr. Leon, há algo mais que seja necessário?

    Dr. Leon: - Não, Eminência. Agora é o repouso. Não há risco de morte, só o haverá se ele não descansar... quanto maior o esforço, mais a ferida pode infeccionar.

    Richelieu: - Ele ficará em repouso.

    Dr. Leon: - Mande me chamar a qualquer instante, Eminência.

    Richelieu: - Preciso que fique aqui no Palácio caso precise de sua ajuda novamente, Dr. Antoine, pode providenciar um aposento para ele... pode tratar disto para mim?

    Antoine: - Claro, Eminência.

    Rochefort: - Porque? Porque não me deixou partir?

    Richelieu: - Deixá-lo ir? Elouqueceu, Rochefort?

    Rochefort: - Não ainda... mas quanto mais... tempo fico aqui.. preso a esta cama... mais riscos corro de enlouquecer... não posso acreditar que permitiu que ele... me sedasse... eu... não consigo me manter acordado... lúcido....

    Richelieu: - Ah, Phillipe, Phillipe... eu só quero o seu bem estar, só isso importa...

    Rochefort: - Eu... sei... lágrimas começaram a se formar no olho de Rochefort... coisa que ele mais odiava na vida era sentir-se incapaz, impotente, exatamente como ele se sentia agora... as lágrimas lhe escorreram pelo rosto... o choro era contido, ele não expressava barulho algum, somente as lágrimas diziam que ele chorava... Richelieu percebeu... apiedou-se dele e tomando cuidado para não machucá-lo, o abraçou ternamente....

    Richelieu: - Está tudo bem agora, meu filho, tudo bem.... Diante deste gesto e destas palavras do Cardeal, Rochefort desabou... chorou como uma criança amparado pelo abraço do Cardeal. Sua clavícula ainda muito dolorida. O sedativo não era anestésico.

    *
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Jan 16, 2013 9:10 am

    19. Cortinas Abertas

    Rei: - Mas quem é este cidadão?

    Mensageiro: - Ele diz ser o Duque Duchateau, Majestade e também que representa os interesses da família d’Herblay e que tem algo muito importante a lhe dizer sobre o paradeiro desta jovem. Algo grave que ele alega envolver seus mosqueteiros.

    Rei: - Meus Mosqueteiros?! Mas quem este homem pensa que é para falar de meus mosqueteiros!!

    Mensageiro: - Devo deixá-lo entrar, Majestade!?

    Rei: - d’Herblay... este nome não me é estranho!!! Mande-o entrar, mas com mosqueteiros acompanhando-o.

    *

    TOC TOC TOC

    Richelieu levantou-se para abrir a porta.

    Richelieu: - Porque interrompes o descanso de teu capitão?

    Antoine: - Mil desculpas, Eminência, mas há qualquer agitação que parece importante que o senhor presencie. Este nome, Duchateau, é o mesmo que o suspeito que interrogamos delatou esta manhã.

    Richelieu: - O que tem? O acharam?

    Antoine: - Na realidade, está agora mesmo diante de Sua Majestade, o Rei. Traz sérias acusações contra os Mosqueteiros.

    Richelieu: - O que?

    Antoine: - Que deseja que eu faça, Eminência?

    Richelieu: - Desejo que permaneça com teu Capitão.

    Antoine: - Oui, Eminência. Assim o farei.

    *

    Rei: - Mas como ousas acusá-lo!! Treville não faria tal coisa! O Duque deve ter provas do que diz, não é mesmo!

    Duchateau: - A prova cabal, Majestade, é que o teu mosqueteiro Aramis seja agora mesmo trazido aqui e se exponha diante de vós. Se for um homem, realmente, saberemos todos. Mas se for mulher, saberás que digo a verdade, meu Rei.

    Rei: - Treville.... Treville... não pode ser... não pode ser... GUARDAAA!

    Guarda: - Sua Majestade?

    Rei: - Mande vir o Capitão de Treville á minha presença IMEDIATAMENTE!

    Richelieu: - Majestade? Mas o que está acontecendo?

    Rei: - Richelieu? Este homem diz ter provas de que Aramis é na realidade uma mulher e que estavas este tempo todo oculta nos mosqueteiros sobre a proteção de Treville. Ele afirma que Aramis é na realidade Reneé d’Herblay a desaparecida cuja família escreveu-me há poucos dias, pedindo que fosse determinado o seu paradeiro.

    Richelieu: - O senhor é? O Cardeal mostrava uma calma e serenidade incríveis.

    Duchateau: - Eminência?! Beijou-lhe o anel. Sou Duque Duchateau, e venho representando os interesses da família d’Herblay.

    *

    Aramis: - Para onde vamos quando chegarmos a Paris?

    D’Artagnan: - Suponho que o melhor é irmos até o Capitão. Ele saberá o que fazer.

    Athos: - Estou com um mau pressentimento, precisamos ir mais depressa. Nossos planos tem falhado até agora. E aquele homem já deve ter chegado ao Rei.

    Porthos: - Mas não o deixaremos impune!

    Athos: - Eu não sei não, Porthos... Capitão pode estar enfrentando sérios problemas agora mesmo!

    Aramis ficou mais aflita. Ela conseguiu despistar o Duque na perseguição na floresta, mas não contava que a exporia ao Rei. Talvez ele tenha usado esta alternativa como última opção... estava certo que conseguiria pegá-la... como não obteve êxito, levou o caso às últimas instâncias. Mas sua disposição para enfrentar o que fosse não mudara... até mesmo a forca ela enfrentaria, mas não voltaria com aquele homem para parte algum. Sua preocupação era apenas os que ela envolveu em sua história... Athos, D’Artagnan, Porthos, Capitão Treville e até Rochefort...

    *

    Rochefort: _- Ãhn? Antoine? Você?... onde está o... aah...

    Antoine: - Não se esforce, Capitão.

    Rochefort: - Não toque em mim! Não depois do que fez.. Como pôde?

    Antoine: - Capitão, foi uma ordem de Sua Eminência e além do mais, que poderia eu fazer vendo-te ferido e precisando de cuidados médicos... seu ferimento tem gravidade severa, deves repousar... peço perdão pela ousadia, mas foi necessário para que ficasse bem...

    Rochefort: - COMO POSSO ESTAR BEM SE ESTOU PRESO A UMA CAMA?!! RESPONDA?!

    Antoine: - Gelou dos pés as cabeça com o tom de voz de Rochefort, nunca o vira tão enérgico, tão furioso e enraivecido... se pudesse disparar projéteis com o olhar, certamente Antoine estaria morto agora. Perdão, Capitão... mil desculpas...

    Rochefort: - Grrrrrr.... com você acerto contas muito depois... antes preciso que me tire daqui.. anda, obedeça seu capitão e solte-me daqui.

    Antoine: - EU???

    Rochefort: - Não!!! Estava pensando que talvez a Rainha da Inglaterra pudesse fazê-lo!! QUEM MAIS PODE SER, ANTOINE!! ESTOU LHE DANDO UMA ORDEM!!

    Antoine: - Mas o Cardeal de Richelieu foi claro e contundente, “não permita que ele saia daqui em hipótese alguma!” Não posso fazer isso, Capitão, eu... eu..... Sua Eminência é capaz de mandar à forca!!

    Rochefort: - Sua Eminência vai mandá-lo a forca!!! POIS VAIS DESEJAR QUE ISSO LHE TIVESSE ACONTECIDO SE EU ME SOLTAR DAQUI E NÃO FORES TU A ME AJUDAR, ANTOINE... ACREDITE-ME, NÃO É CAPAZ DE PRESUMIR O QUE FAREI CONTIGO SE NÃO CUMPRIR MINHA ORDEM AGORA MESMO!

    Antoine: - Mas.... Capitão...

    Rochefort: - ESCOLHAS TU, O TEU DESTINO!!!

    Antoine se rendeu à Rochefort e soltou sua mão que estava presa à cama.

    Rochefort: - Sábia decisão! Agora pegue minhas botas... já..

    Antoine: - Mas Capitão, o senhor também não pretende sair daqui, não é mesmo?!!

    Rochefort apenas sorriu...

    Antoine: - Ah Meu Senhor e Meu Deus, perdoai-me por isso.... não permitas que o Cardeal me castigue e que Sua Ira não recaia também sobre mim.... Antoine começou a se desesperar... Rochefort vestiu as botas um pouco devagar, porque só usava uma das mãos... não permitiu que seu pupilo o ajudasse....

    Rochefort: - Tire suas mãos daí, moleque!!

    Antoine: o.O’

    Com um Antoine tentando persuadi-lo a voltar para a cama, cambaleando, Rochefort foi se dirigindo em direção à sala do Rei.

    *

    Treville: - Sua Majestade mandou chamar-me? Em que posso ser útil?^

    Rei: - Treville, esclareça-me por favor, este engano...

    Duque: - Perdão pela intromissão, mas há engano, Majestade, eu lhe posso garantir.

    O Capitão Treville teve arrepios na espinha ao ver o Duque com o Rei, já sabia do que se tratava a conversa repentina para a qual Louis XIII o chamara.

    Treville: - Não entendo, Majestade, de que se trata?

    Duque: - Capitão, o senhor está dissimulado...

    Os mosqueteiros que estavam presentes se irritaram com o insulto feito pelo Duque ao seu Capitão, ficaram inflamados.

    Richelieu: - Capitão Treville.

    Treville: _- Eminência.

    Richelieu: - Este homem o acusa de ter escondido uma mulher entre teus mosqueteiros e afirma que esta mulher chama-se Reneé d’Herblay, de Noisy Le Sec, e que o senhor a ocultas como Aramis.

    Treville gelou. Segundos de silêncio.

    Duque: Estáis vendo, Majestade, Eminência... trata-se da verdade e nada mais...

    Rei: - Treville, por favor, confirme que tal acusação é falsa. Não é permitido que mulheres se alistem e porque ocultarias o fato a mim... teu Rei? Treville? Não me vais responder? Confirmas este disparate?

    Treville: - Vossa Majestade não deve se afligir com tal história...

    Rei: - Treville.... não me digas tu, homem, que me escondestes isto... há quanto tempo o fazes??

    Sem resposta do Capitão, o Duque respondeu.

    Duchateau: - 8 anos, Majestade, 8 longos anos pelos quais a família desta jovem passou por terríveis momentos de aflição pensando terem-na perdido para sempre.

    Richelieu: - Mais que interesses tens tu, Duque, na vida particular da família d’Herblay? Em que isto tudo lhe diz respeito...

    Treville não acreditava em seus olhos e ouvidos.. o Cardeal estava... AJUDANDO? E... sabia já de tudo? Oh, droga, Rochefort revelou o segredo de Aramis... era por isso que ele estava ali, mas que jogo era aquele... estava enrascado, não sabia que explicações dar ao Rei, pois não sabia que Reneé pretendia fazer.... o que dizer... para não piorar a situação ainda mais com outra mentira... o que dizer?!!

    Duchateau: - Eu vou desposá-la, Eminência... seu tio prometeu-me sua mão se a encontrasse... e desejo muito este casamento...

    Rei: - Treville.... ainda não me respondestes porque me ocultaste este fato?

    Capitão Treville permaneceu calado...

    Rei: - PORQUE, Treville?!! Confio tanto em ti... PORQUE??!!

    .................

    BAM.. as portas da sala se abrem num estrondo e uma voz firme de mulher responde a indagação do Rei.

    Aramis: - PORQUE EU IMPLOREI A ELE QUE NÃO O FIZESTE, MAJESTADE.... EU O FIZ, SE ALGUÉM O ENGANOU TODOS ESTES ANOS, ESSE ALGUÉM FUI EU E É TÃO SOMENTE MINHA A CULPA POR ESTE INCIDENTE QUE OFENDESTE A SENHOR, MEU REI...

    Duchateau: - Reneé... é ela.... Majestade, é ela...

    Rei: - Aramis...? Tu és mesmo uma...

    Aramis: - Sim, eu sou, Majestade, eu sou uma mulher.... está tudo acabado, meu segredo revelado... tenho porém todas as explicações que achares necessárias, se me deres a oportunidade de contar-lhes tudo o que me aconteceu....

    D’Artagnan: - Além do mais, meu Rei, este homem não é nada inocente! E vem até Aramis para vingar-se!!

    Duchateau: - Peça a ela que prove que é mulher, revelando-se, Majestade!

    Athos: - Você não teme pela sua vida, infame???!!!!

    Porthos teve de conter Athos e impedi-lo de fazer besteira diante do Rei.

    Treville: Majestade, eu admito que ocultei Reneé d’Herblay como Aramis em meus mosqueteiros.... e o fiz durante os últimos 8 anos. Sim, esta é a verdade... Aramis é uma mulher...

    O Rei estava atordoado com tais revelações, para falar a verdade, ele pouco sabia como resolver tal situação... que fazer com Aramis? Puni-la? Porque razão o faria? Por ser mulher? Seria esse motivo suficiente para uma punição? E quanto a Treville? Puni-lo por tê-lo enganado, sim... mas... Treville era mais que capitão de sua Guarda, o Rei o estimava muito... eram bons amigos...

    Rei: Que querem dizer estes homens quando te acusam de não ser inocente, Duque, responda-me vós?

    Duchateau: - Não sei que querem com isso, Majestade, talvez enganá-lo mais uma vez e desviar vossa distinta atenção do caso real.

    Rei: - ..........

    Rochefort: - Ah, isso é que não, canalha! Rochefort atirou no Duque o projétil que lhe atingira na floresta e que foi extraído pelo Dr. Leon. Ainda estava com ele num recipiente em sua cabeceira.

    Rei/Richelieu: - ROCHEFORT??!!

    Rei: - MAS O QUE? SABIAS TU TAMBÉM QUE ARAMIS ERA UMA MULHER????

    Rochefort: - Só recentemente, Majestade... mas este calhorda tentou matar a todos nós, perseguiu-nos com seus homens, atirou em nós e eu sou prova disto, (mostrou sua ferida)... Portanto, se há algum criminoso aqui presente, é este impertinente Duque Homicida...

    Richelieu: - Não devias estar aqui!! ANTOIIIIIIIIIINE...

    Antoine: - Perdão, Eminência, não consegui mantê-lo no quarto... ele disse que seu não o soltasse..

    Richelieu: - Cale-se!!

    Rei: - Está ferido?

    Athos: - Gravemente, Majestade, graças a este Duque e seus homens...

    Rei: - Seus homens?

    Richelieu: - Isto também é verdade, Majestade, meus homens tem todos sob custódia.

    Rei: - PORQUE SOMENTE EU ESTOU SABENDO AGORA?!!

    Aramis: - Majestade, permita-me contar-lhe tudo, posso falar-lhe em particular?

    Rei: - ............................................. Devo confiar na palavra de alguém que mentiu a esse ponto e por tanto anos....

    Aramis: - Dá-me uma chance, Majestade... peço em nome de todos os anos em que servi nos mosqueteiros... apenas mais esta chance...

    Treville: - Por favor, Majestade, ouça-a. Saberás o porque de tudo.

    Duchateau: - Saberá a sua versão da história, Majestade... não se deixe

    Richelieu: - Silêncio! Já teve sua audiência com o Rei e já expôs sua versão dos fatos... Majestade, se ouvires a moça, poderás tomar a melhor decisão sobre o caso, tenho certeza que sua razão não lhe faltará neste julgamento.

    Athos: - ?

    D’Artagnan e Porthos: ???

    Rochefort: - Smile

    O Rei consentiu que Aramis lhe falasse em particular e dirigiu-se com ele para uma saleta enquanto os demais aguardavam do lado de fora. Rochefort sentado numa poltrona que lhe fora trazida, os demais em pé... O Duque suava frio.... que é que lhe aconteceria se o Rei favorecesse Reneé no julgamento?

    Richelieu saiu um instante de lado e encontrou-se com Jussac que lhe entregou um relatório. Tal relatório foi solicitado pelo próprio Cardeal,mas na condição de Primeiro Ministro da França.

    Athos e os outros temiam por Aramis e por seu Capitão!!!

    O rosto do Capitão Treville estava impassível, ele já não temia a nada... Mas ele foi ter com Rochefort para um esclarecimento.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Jan 17, 2013 8:48 am

    20. Veredicto

    Treville: - Rochefort...

    Rochefort: - Capitão? Antoine se aproximou como um cão de guarda.

    Treville: ¬¬

    Rochefort: - Tudo bem, Tony, nos dê licença. Antoine obedeceu. Muito bem, Capitão... diga.

    Treville: - Você se atreveu a revelar o segredo dela, foi você quem vazou a informação, não foi?

    Rochefort: - Está muito enganado, caro Capitão Treville.

    Treville: - Estou mesmo? Então como explica que agora o Rei tenha descoberto e este tal Duque esteja aqui atrás de Reneé? A conversa era sussurrada.

    Rochefort: - Eu não contei nada. Ocorre que fomos perseguidos por este insuportável Duque, que um raio o parta!!! Grrrr O nervoso Rochefort permanecia sentado.

    Treville: - ?

    Rochefort: - Não vê o meu ombro? Obra de quem achas que é?

    Treville: - Do tal Duque?

    Rochefort: - De seus homens, sob comando dele, claro.

    Treville: - Muito bem, se é verdade o que diz, porque Sua Eminência, o Cardeal também o sabes?

    Rochefort: - Porque Sua Eminência é infinitamente mais perspicaz, que Sua Majestade o Rei, Capitão... não é fácil enganá-lo e lhe ocultar alguma coisa...

    Treville: - Ora seu... o Capitão se irritou... já imaginando que Rochefort traíra mesmo a confiança de Aramis e de todos eles como seria de se esperar.

    Rochefort: - Ora espere um minuto, exaltando-se.. Ficou de é, com esforço.... e respondeu em alta voz... Eu não contei nada, nem mesmo a ele... eu cumpri minha palavra... O Cardeal descobriu tudo porque sua guarda capturou parte dos homens desta besta que anda e fala... apontou para o Duque, e eles entregaram o segredo... de algum modo que eu desconheço, meu caro Capitão Treville, souberam da verdade... Mas eu não tenho nada a ver com isso!!

    Duchateau: - Eu ouvi o que disse, insolente! Repita se tiver coragem!!

    Porthos e D’Artagnan riam... Athos se afligia... Treville ficou confuso... Antoine e Richelieu preocupados.... Rochefort enfurecido!!

    Rochefort: - Eu digo e repito, és uma besta que anda e fala... e grita feito gralha também!!

    Duchateau: - BASTA! Não permito que me falte com respeito dessa maneira, Eminência, o senhor permitirá tais modos no Palácio?

    Rochefort: - Não ouse se dirigir a Sua Eminência, sua serpente peçonhenta!!

    Porthos: - Ah, mas estás inspirado, Rochefort!!!

    D’Artagnan: - Nada como um bom ferimento a bala!!

    Athos: - Parem! Não tem graça, não vê a expressão no rosto dele...

    D’Artagnan: - O que tem?

    Athos: - Está doendo...

    Porthos: - Ora, mas são ossos do ofício!!

    Athos: - Ele levou o tiro no lugar de Aramis, Porthos... O semblante de Athos era sério. Estou dizendo, não tem graça.

    D’Artagnan: - Esta coisa toda está começando a cheirar muito mal... algo não acaba bem aqui hoje... eu posso sentir...

    Athos: - Também estou sentindo isso...

    Richelieu: - Esperemos civilizadamente pelo decisão do Rei... mas é certo, Monsieur Duchateau, que há muitas coisas que tens omitido a Sua Majestade também, não há?!

    Todos ficaram calados. Treville foi conversar com Athos e ficou convencido de que Rochefort não tinha mesmo culpa no cartório. Athos contou ao seu capitão tudo pelo que passaram e como Rochefort o ajudara muito. Restava agora saber o veredito do Rei após ouvir a versão de Aramis.

    Foram quase 2 horas de conversa. Ininterruptas. Até que finalmente eles saíram da saleta e vieram ao salão principal.

    Todos aflitos, inclusive o Duque.

    Rei: - Creio que já tenha elementos suficientes para analisar o caso.

    Aramis tinha uma expressão preocupada no rosto, mas estava um tanto aliviada por não ter mais nada a esconder. Sua preocupação era apenas o destino daqueles que a apoiaram, caso o Rei decida condená-los de alguma forma... qualquer forma... Ela se juntou a eles, os seus, ficando ao lado de Athos.

    Richelieu: - Majestade, acredito que talvez haja algo mais que devas considerar antes de dar sua palavra final, se estiveres disposto, tenho aqui um relatório que muito diz respeito a este caso. Todos ficaram com cara de paisagem diante da atitude do Cardeal. No fim da história, o trunfo estava com ele, afinal!! Ele soube do que se tratava, e se posicionou... restava saber que posição era esta!!

    Rei: - O que é isto, Richelieu?

    Richelieu: - Na condição de Ministro, eu pedi que fossem feitas algumas averiguações. Eu peço que Sua Majestade tome alguns minutos de vosso precioso tempo e analise estes papéis. São cruciais para o caso. Assim, vossa Majestade ficará com a consciência tranqüila perante Deus e os homens de que fez justiça. Há crimes e crimes, Majestade. Aí estão provas inconstetáveis.

    O Rei decidiu levar em conta a opinião do Cardeal, até porque este era um homem muito mais bem formado, de inteligência apuradíssima e com uma visão política tal que até o momento colocou a França em excelente posição entre as economias da Europa. Sua opinião era valiosa, importante e precisava ser levada em conta. Ele falou na condição de 1º Ministro... o Rei tinha a obrigação política de ver os documentos e assim ele o fez. Dirigiu-se novamente a saleta e analisou os papéis enquanto os outros aguardavam do lado de fora. Ele ficou consternado com o que leu.

    *

    Rochefort: - Eminência... o que são aqueles papéis...?

    Richelieu: - Respeitei os segredos que guardaste de mim, Rochefort, peço agora que espere o tempo certo para saber de que se trata.

    Aramis ficou aflita, que será que o Cardeal terá feito.

    O Duque também estava inquieto. O que ele pretendia que fosse rápido, uma acusação formal e o consentimento do Rei para levar Reneé a Noisy le Sec, não tinha saído como planejado. E seus homens estavam nas masmorras... mas com isso ele pouco se importava, a não ser pelo fato de que estes homens o entregaram.... terão dito algo que não deviam?

    Athos sinalizou qualquer coisa para os mosqueteiros que guardavam as portas do salão principal. Deviam prestar atenção aos movimentos do tal Duque. Rochefort por sua vez disse o mesmo a Antoine.

    Richelieu permanecia calmo. De algum modo, já sabia qual seria o veredicto do Rei... sua expressão facial dizia isso. Mas será que este veredicto será positivo para Aramis, ou para o Duque???

    ......................

    1 horas depois

    O Rei retona.

    Já tenho uma posição. Richelieu, agradeço-te por mais um serviço prestado a Coroa da França. Pois esta certamente não é a vontade do Rei, pois não é a vontade do povo.

    Rochefort: - ? *Não é a vontade do Rei e do povo que Aramis não se vista de homem e se aliste nos mosqueteiros?*

    Athos: - Meu Deus...

    Aramis suava frio.

    Athos: - Estou do seu lado... Ele segurou a mão dela.

    Rei: - Monsieur Duchateau... O que me foi revelado aqui, nestes relatórios, são fatos comprováveis, testemunhados por pessoas que se dispõe a vir à Paris para um julgamento.

    Duchateau: - Vossa Majestade fala sobre algo que desconheço... que fatos foram revelados, Majestade? Peço humildemente que me lho reveles a mim...

    Rei: - Dentre tantas atrocidades que cometestes em tua própria cidade natal, está aqui descrito também os crimes que cometestes, depondo contra a Coroa da França, que você representa sendo um membro da guarda de Noise le Sec, em cidades menores e pequenas vilas nas redondezas. Como pôde?

    Para esclarecer ao leitor: O que o Rei tinha nas mãos, “presente” do Cardeal, era um dossiê sobre o Duque Duchateau. O dossiê partiu sem dúvida das informações delatadas pelos homens do próprio Duque quando se imaginaram abandonados pelo próprio nas masmorras do Palácio. A partir destas revelações, o Cardeal que tem um sem número de espiões e informantes eficazes por toda a França, cuidaram de levantar as testemunhas que disseram como se comportava o Duque, na condição de Capitão da Guarda Noise le Sec. As muitas pessoas que matou por razões descabidas, por exemplo um jovem que passava fome e roubou pão; ou as pessoas que o contrariavam; bastava-lhe que o humor não estivesse muito bom para que infelizes que cruzassem seu caminho sofressem conseqüências. Sendo a Lei em sua cidade, ninguém ousava desafiá-lo, desobedecê-lo ou mesmo entregá-lo à Coroa. Mas agora a Coroa foi até a cidade e a maldade do Duque veio a tona e ele foi desmascarado. Também ficou claro nestes documentos que o interesse do Duque em Reneé d’Herblay não podia ser um casamento para união das famílias, pois a família de d’Herblay não tinha condições financeiras favoráveis a um Duque. Seu interesse era puramente uma vingança, pois seu pai morrera pouco tempo depois de ter sido recusado como noivo por Reneé que fugira para evitar o casamento forçado. Estavam lá, enfim, provas de que a historia de Reneé sobre o Duque era verdade... os fatos confirmavam os relatos de Aramis. Muitas informações coincidiam, pois Aramis contou toda a sua história. Na França, não é permitido que mulheres se alistes nos mosqueteiros, mas não é um crime uma mulher recusar-se a casar. Como sua família não aprovaria sua decisão, Reneé se viu obrigada a assumir uma posição drástica em sua vida.

    Buscando justiça pela morte prematura de sua noivo, ela se infiltrou no lugar certo para achar o culpado de um crime, a guarda do Rei, os mosqueteiros. Treville fez tudo por gratidão ao pai de Reneé, de quem fora amigo e com quem serviu na guerra, anos atrás... devia-lhe a vida, e quis retribuir ajudando sua filha, já que ele mesmo havia falecido .

    O Rei ponderou todos os fatos. Todos! Entendeu finalmente o que o Cardeal Richelieu quis dizer com “Há crimes e crimes, Majestade”.

    Duchateau: - Vossa Majestade permita-me a defesa de minha pessoa... estas acusações são..

    Rei: - Terás a oportunidade de te defenderes, meu caro Duque, no dia de teu julgamento. Pagarás pelas atrocidades que cometeu.

    Duchateau: - Mas!! Isto.. como?? E quanto a esta mulher que o enganou???

    Rei: - Isto é assunto que não mais lhe diz respeito.

    Duchateu: - Não pode ser.. não pode ser... enlouquecendo, o Duque foi perdendo a razão quando se deu conta de que era ele quem estava realmente encrencado.

    Rei: Richelieu, posso entregar-lhe a tua guarda, pois já tem sobre custódia os homens que...

    Duchateau: - NÃO!! JAMAIS... ISSO É UM ULTRAJE.. UM ULTRAJE... ESTA MULHER É QUEM DEVE PAGAR PELO QUE FEZ.... NÃO EU... ESTE RELATÓRIO É FALSO...

    Rochefort: - Falso como o tiro um de teus capangas me deste? Ora!

    Richelieu: - Antoine, peça que Jussac traga homens para escoltar o Duque até sua cela..

    Antoine: - Imediatamente, Eminência. Saiu para cumprir a ordem.

    Duque: - CELA??! Celaaaaaaaaaa?? Isso nunca!!

    O enlouquecido Duque sacou sua espada... ela pagará... ela pagarááááááá... pagarááááááá!!

    Partiu com violência na direção de Aramis. Athos ia intervir quando Aramis o interrompeu...

    Aramis: - Não, Athos... esta batalha é minha...

    Athos: - Aramis??

    Aramis: - Iaaaah... Huh.... as espadas dos dois se cruzaram no ar, Aramis bloqueando o ataque desesperado do Duque.

    Duchateau: - Não ficarás impune, sua víbora perversa...

    Aramis: - Falas demais... Hááá.. há.... Aramis atacou o Duque golpeando-o no braço. Suas vestes foram rasgadas pelo corte da espada afiada do mosqueteiro.. ou será mosqueteira?!

    Com raiva, o Duque descontou, voltou ao combate, e conseguiu chutar Aramis no estômago... Ela não desanimou... os outros temeram por ela... desta vez Porthos fez movimento de quem ia entrar na batalha... mas ela não permitiu.

    Aramis: - NINGUEM SE ATREVA A ENTRAR NA MINHA BATALHA. Nunca viram tamanha obstinação nos olhos de Aramis... e ela continou... – SEU CANALHA!! Iaa háaa. Aaaaaaah... haááá... desferiu uma sequência de golpes com a espada, acertando o Duque mais 2 vezes, uma na barriga, outra no outro braço.... finalmente deu-lhe um soco no rosto e o Duque ameaçou cair.... numa investida novamente desesperada, o Duque consegue esquivar-se de mais um golpe de Aramis e a atinge na perna.

    Aramis: - Aaaah!! Grrrrr..

    Duchateau: - Grrrr.. pagará! Você pagará!! Correu na direção dela com a espada em punho, apontada para a adversária...

    Aramis: - Já chega!! Girando para esquivar-se do golpe que vinha frontalmente, Aramis atingiu o Duque com as costas da mão e isso o atrapalhou. Ficou fácil portanto, desarmá-lo e tomar-lhe a espada. Dando-lhe um chute nas costas, Aramis virou-se novamente para o Duque e o paralisou, finalmente, com a espada em seu pescoço, pronta para lhe cortar a artéria carótida. Estava acabado. O Duque perdeu o combate. Entrega-te! Você perdeu!

    Ofegante, o Duque não respondia.. estava incrédulo.. como perdera a batalha para uma mulheeeeeer!!

    Os guardas de Richelieu chegaram, e foram na direção do criminoso Duque Duchateau para o levarem às masmorras, onde esperaria pelo seu julgamento. Vendo isto, Aramis cravou a espada do Duque no chão, e guardou a sua na bainha. Virou-se de costas para ele, e saiu andando em direção a seus amigos, que estava mais ou menos próximos.

    Duchateau: - Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah...... empurrando os guardas, que não esperavam por sua resistência, o Duque pegou sua espada e partiu em direção a Reneé a toda velocidade, ia atacá-la pelas costas.... Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhh, pagaráááááááááááááááááá.........

    Athos: - Aramiiiiiiiis... Não!!! TCHUP....

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Jan 17, 2013 9:41 am

    21. Retomar

    Um corpo sem vida tombava no chão, o coração fora atingido em cheio por uma lâmina muito bem afiada.

    Athos: - Aramis...

    Porthos e D’Artagnan de olhos arregalados.

    Treville assustadíssimo.

    Richelieu calmo como sempre.

    O Rei não acreditava no rumo que esta história tinha tomado.

    Rochefort estava quase em choque!

    Rochefort: - Aramiiiiiiiis....

    Athos: - Estás bem??!!!

    Aramis: - Oh, meu querido Athos.... meu querido Athos... eu... estou... se não fosse por você, não sei se estaria... ele... me atacou pelas costas!!!!

    Athos: - Estás bem??????? Aflitíssimo...

    Aramis: ................... Sim.... Estou... estou bem... Sorriu... eu.. estou bem, agora estou....

    Ah, Athos não resistiu nem mais um segundo. Abraçou-se a Aramis, colocando-a docemente em seus braços, envolvendo-a em sua ternura e amor... e beijou-lhe ardentemente diante de todos que só fizeram olhar muito surpresos. Ela correspondeu e se deixou levar pelo momento, no caloroso abraço e beijo de Athos, ela se entregou completamente...

    ...............................................

    ...............................................

    ...............................................

    Treville e o Rei: - o.O’’’’’’’’ Oh!!

    D’Artagnan e POrthos: - OLHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA?!!!

    Rochefort sorriu sem graça, estava feliz por eles, mas seu coração deu leves pontadas.... *Aramis... *

    Richelieu: - Mas isto não é local para.....

    Athos: - Ah... é... perdão... perdão Majestade, Eminência... a todos... é só que... ela está bem.. J

    Aramis: - Eu estou bem...

    O corpo do Duque foi levado de lá pelos guardas de Richelieu. E ARamis olhou para o Rei e falou:

    Aramis: - Majestade, e quando a mim, o que decistes a meu respeito? Como lhe falei ainda há pouco, as pessoas que me apoiaram o fizeram por misericórdia, não tinham intenção de ofender a Vossa Majestade. Por favor, se há culpa, que ela recaia somente sobre mim...

    Athos: - Aramis... não.. você não tem culpa!!

    Rei: - Aramis... ham ham... talvez eu deva chamá-la de Reneé... não sei bem.. isto caberá a ti decidir... pois decisão sobre ti é que não cometeste crime algum que possa levá-la a uma punição... talvez apenas o fato de o teres ocultado a mim... junto com teu Capitão Treville, homem da minha mais inteira confiança... no entanto, entendo que não é só para comigo que Treville comporta-se com verdadeira lealdade... ele a apoiou, honrou a teu pai, em ti... e o fez porque gosta de ti... além disso, você tem se mostrado um excelente mosqueteiro.... servindo a Coroa com tua vida, mesmo sendo mulher... é por isso que decido que estás livre, Reneé, d’Herblay, tu e teus amigos nada devem à Coroa da França de modo que podem voltar as vossas vidas e retomá-las.... afinal, no fim das contas, que mal fizeste??

    Aramis: - Vossa Majestade é muito bondoso e justo... Agradeço-lhe imenso por me teres perdoado!! E a meus amigos que apenas me ajudaram num período de grande dificuldade da minha vida.

    Treville: - Majestade.... fico muito feliz com vossa decisão... me alegra muito...

    Rei: - Treville, meu caro amigo, por favor, não volte a ocultar nada de mim outra vez, está bem!

    Treville: - Com toda a certeza, Majestade!

    Athos, Porthos e D’Artagnan respiraram aliviados. Rochefort também.... mas observava o Cardeal.

    Aramis: - Majestade... apenas mais uma dúvida?

    Rei: - Qual é a dúvida, Reneé?

    Aramis: - Posso continuar a integrar o corpo de teus Mosqueteiros? Eu gostaria muito de ficar, Majestade, não quero deixar os Mosqueteiros, são minha família agora, e para sempre o serão.

    Rei: - Pensei ter sido claro quando disse que poderiam retomar as vossas vidas.. sim, podes continuar nos mosqueteiros... Treville...?

    Treville: - Oui, Majestade!

    Rei: - Você pode ficar mais um instante?

    Treville: Se o é o desejo de Vossa Majestade, é claro que sim!

    Rei: - Preciso lhe falar sobre aceitar mulheres nos mosqueteiros...

    Treville: - ??

    Rei: - Sabes, venha comigo, creio que Aramis me mostrou algo que... e saiu andando com Treville pelo Palácio, conversando sobre a montagem de um possível regimento especial de mosqueteiros composto apenas por mulheres.. Talvez para compor uma guarda pessoal para a Rainha Anna, que me dizes,Trevile? ..........................

    AThos: - HAHA....

    D’Artagnan e Porthos: - HÁ... HAHA...

    Todos, exceto o Cardeal que permanecia no local: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Estavam muito felizes com o desfecho dado à história de Reneé/Aramis.

    Rochefort se dirigiu ao Cardeal: Eminência...?

    Richelieu: - Oui?

    Rochefort: - Obrigado.... sei que foi por vossa intervenção que isto acabou bem para Aramis... Muito obrigado... e espero que possa realmente me perdoar por ter mentido.

    Richelieu: - Estás perdoado, meu filho. Agora deves descansar, estou certo?

    Rochefort:: - Claro... claro que sim, sempre está, Eminência.

    Richelieu deixava o salão, quando Athos o abordou.

    Athos: - Eminência, por favor.. espere?

    Richelieu: - O que quer?

    Athos: - Agradecer-lhe pela ajuda sem a qual Aramis certamente estaria perdida. Obrigado. Aramis aproximou-se e também agradeceu.

    Aramis: - Obrigada, Eminência.

    Richelieu: - É um escândalo que se vista como homem... não sabe?

    Aramis abaixou a cabeça.

    Athos: - Muito obrigado.

    Richelieu: - Considere minha dívida paga, mosqueteiro. Richelieu se referia a quando ele foi injustamente acusado de desviar dinheiro da Coroa da França e fora encarcerado para investigações. Se não fosse pelos mosqueteiros, ele teria sido condenado.

    Athos: - Nunca houve dívida, Eminência, apenas justiça.

    Richelieu: - Como queira! Richelieu saiu do salão.

    *

    D’Artagnan: - Há! Isto pede uma comemoração, não?! Vamos agora a taverna, o melhor vinho!!! Vamos depressa!!! Rochefort, será que estás em condição de vir conosco?

    Rochefort: - Evidente que não, D’Artagnan. Eu vou para casa.

    Aramis: - Oh, Rochefort... eu preciso agradecer-lhe também.. muito obrigada, se naõ fosse por ti, talvez eu não estivesse aqui agora. Salvaste a minha vida, arriscando a tua... és um herói e muito nobre, verdadeiramente nobre, Rochefort. Ela beijou-lhe o rosto. Que Deus lhe pague aquilo que eu jamais poderei retribuir.

    Rochefort: - Acho que já recebi muita recompensa ao ter vosso respeito... e de Athos.. E, ao menos contar com a tolerância de teus amigos, Porthos e D’Artagnan...

    Aramis: - E quem vai levá-lo para casa?

    Rochefort: - Antoine... já o mandei preparar uma carruagem. Não posso sequer ir montando... é humilhante e aaah... ah... Rochefort sentiu o ombro de novo, tamanha agitação o deixou com dores e a febre voltaria... ele não cumpriu a ordem de repouso absoluto do Dr. Leon.

    Athos: - Opa... não estás nada bem... onde está Antoine?

    Rochefort: - Deve estar lá fora... preparando tudo...

    Aramis: - Bem, é certo que não podes ir andando até lá...

    Athos: - Claro.. apóie-se em mim, eu o levo...

    Rochefort: - Novamente... oh não...

    D’Artagnan: - Ah, Porthos, resolva logo isto que lá ele deve pesar como uma pluma para ti.

    Porthos: - Mas é claro.... Porthos pegou Rochefort no colo e não lhe deu chances de resistir... afinal, quando mais se remexesse, mais o seu ombro doía.

    Todos: - HAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Rochefort: - Mas o que é tão engraçado! Porthos.. ponha-me no chão... eu posso....

    Porthos: _ Bla bla bla... não ouço nada, vocês ouvem?

    Todos: - HAHAHAHAHAHHAHA Não!!!

    *

    Antoine: - o.O’’’’’’ Mon Capitaine????? MAs…

    Porthos: - Aqui está teu Capitão, cuide bem dele... Porthos o colocou dentro da carruagem, confortavelmente... Rochefort estava todo embaraçado, vermelho como tomate...

    Antoine entrou na carruagem e disse ao cocheiro que podia ir.

    Antoine: - Merci, mousquetaires...

    Aramis: - De rien, de rien....

    *

    D’Artagnan: E agora sim, podemos comemorar ou não?? Ora?

    Porthos: - Ah, porque não vamos comer um bom frango e tomamos um belo vinho...?

    Athos e Aramis estavam se olhando... pouco notando seus amigos em volta.

    Porthos: - Ahaaaaaam... ei... e então, como vai ser, Aramis, vamos celebrar ou não?!

    Aramis: Oh.. é... Oh, meu queridos... parece justo celebrar sem a presença de Rochefort??? Ele muito nos ajudou... ele me ajudou e salvou..

    D’Artagnan: Ora, mas depois repetimos a comemoração....

    Athos: - Mas há ainda coisas que Aramis tem que arranjar, antes, amigos...

    Porthos: - Ora, mas o que?!!

    Aramis: - O Rei me aceitou nos mosqueteiros... e não faz objeção a minha presença na corporação mesmo na condição de mulher... então... eu não sei o que fazer.... tanto tempo sendo o Aramis, acho que não sei mais como ser a Reneé.... quero dizer... não sei se estou sendo clara, se compreendem minha angústia...

    Athos: - Vá para casa, pense um pouco...

    Aramis: - Eu preciso de vocês por perto... por favor.. Não querem vir comigo a minha casa?

    Athos: - Eu gostaria muito mesmo.... mas acredito que este seja um momento importate para você tomar uma decisão definitiva... sobre tua vida Aramis, e como vais retomá-la... não podemos influenciar tua decisão, ela tem que vir apenas do teu coração.... e eu tenho... negócios a tratar, acho que já é tempo...

    Aramis:- Negócios?

    Athos: Sabes, não és a única que recebestes uma carta estranha...

    Aramis: - Carta?

    Porthos e D’Artagnan: - Aquela carta? Já a leste?

    Athos: - Li... ia compartilhar com vocês naquele dia em que a verdade de Aramis veio a tona e mergulhamos numa série de incidentes... agora vou tratar disto e voltamos a falar... então eu lhes digo do que se trata.. pelo menos depois de ter ido até lá, posso explicar-lhes melhor, porque nem mesmo eu sei se entendi bem....

    Aramis: - Está bem...

    D’Artagnan: - Está certo, está certo... muito bem... Quer dizer que Porthos, somos só eu e você!!!

    Porthos: - Sim, meu caro D’Artagnan.... e saíram os quatro, cada qual para sua direção....

    Athos: - Aramis???? De longe...

    Aramis: - Sim??? Respondeu...

    Athos: - EU TE AMOOOOO! Sorriu.... e correu!!

    Aramis: - Vermelha... Athos.... J Oh..... espeeeere.... não ia alcança-lo, ele era o mais veloz dos 4.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Jan 18, 2013 4:15 am

    22. Tempo

    Antoine: - A bientôt, mon Capitaine... Estimas melhoras.

    Rochefort: - Merci, Tony.

    Antoine: - Com licença.

    Rochefort: - Antoine?

    Antoine: - Oui, Capitaine?

    Rochefort: - Não tire os olhos de Jussac para mim, está bem?

    Antoine: - Sorrindo, respondeu. Pode deixar, farei isso. E saiu.

    Rochefort: - Aaaah, que porcaria de ficar parado no quarto feito um morimbundo.

    TOC TOC TOC

    Rochefort: - Entre.

    M. Gertrudes: - Monsieur Rochefort?

    Rochefort: - Madame Gertrudes, está precisando de alguma coisa?

    M. Gertrudes: Fechando a porta, respondeu: Só vim ver como estava meu menino Phillipe...

    Rochefort: - J Obrigado pelo carinho que tens por mim... não seria nada sem ti, foste como uma mãe para mim todos estes anos. Sabe Madame Gertrudes, eu não sei o que pensam meus pais a meu respeito onde quer que estejam... não sei se se orgulham dos caminhos que eu escolhi na vida, não sei se gostariam que eu tivesse me dedicado mais ao vinhedo que buscado força numa carreira militar... eu também não sei se eu mesmo tenho algum orgulho próprio....

    M. Gertrudes: - Mas, porque andas pensando nestas coisas?

    Rochefort: - O poeta diz:

    Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
    Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
    Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
    Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
    Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
    Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
    Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
    Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
    'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
    Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
    Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
    Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
    O essencial faz a vida valer a pena.
    E para mim, basta o essencial!


    (“Usurpando” o poema de Mário de Andrade só para fazer de conta que é algum poeta famoso da época que Rochefort apreciava... É que o poema de Mário de Andrade, O Valioso Tempo dos Maduros, traduz muito bem o sentimento que quero que apersonagem viva!).

    Rochefort: - A senhora não concorda com o poeta?

    M. Gertrudes: - Em muito, concordo... não entendo, pois, porque está tão preocupado... se ainda é jovem e há tanta coisa para viver...

    Rochefort: - Sua sabedoria é uma dádiva, M. Gertrudes,mas veja... eu estou aqui procurando em todos estes meus anos de vida, e não tenho encontrado nada de que me orgulhasse... é disso que se trata, na realidade... não posso nem fazer jus ao que diz Gaspard (nome fictício que dei ao poeta que Rochefort admira), no fim das contas... pois ele sim parece alguém que muitos motivos para se orgulhar de si mesmo... Eu tenho sido tão.... superficial em todo este tempo!!!

    M. Gertrudes: - Se me permite, parece-me mais que o poeta quer dizer que percebeu em tempo que o essencial é que é importante... que também ele não tinha motivos de que orgulhar muito, ou então, que estava apenas distraído demais e finalmente abriu os olhos.... e quero acrescentar que nunca foste superficial em todos estes “teus aaaanos de vida”... que são tão poucos comparados aos meus, meu menino.....

    Rochefort: - J Eu a amo, Madame Gertrudes, a senhora é tão complascente comigo!! J Sempre foi!!!

    M. Gertrudes: Meu menino sempre foi um garoto exemplar e é um homem honrado de que eu tenho muito orgulho e admiração...

    Rochefort: - Ouvir isso me faz muito feliz... J De verdade!! Riu... riu alto... sentiu um pouco o ombro, mas riu alto.... e Madame Gertrudes o acompanhou e os dois gargalharam juntos por um bom par de minutos...

    M. Gertrudes: - Meu menino não deve se afligir com tais coisas, saiba que seus pais tem muito orgulho de você, meu querido, tenho absoluta certeza de que estão plenamente satisfeitos em ver o homem correto e nobre que te tornate. Estão felizes no Céu, ao lado do Nosso Senhor.

    Rochefort: - Rezo por isso, para que seja verdade...

    M. Gertrudes: - Mas porque te questiona tanto nestes tempos? Tenho notado-te distante, meditativo há algum tempo...

    Rochefort: - Estou ficando velho... 39 anos... já é quase 40... é assustador!!

    M. Gertrudes: - O que exatamente, é assustador?

    Rochefort: - Envelhecer... J hahahahahahaha

    M. Gertrudes: - Repito que és ainda muito jovem para pensar tal coisa...

    Rochefort: - Hummm... não sou não.. mas não é isso o que mais incomoda...

    M. Gertrudes: - O que é então?

    Rochefort: - Tem valido a pena? Terá valido a pena quando eu morrer?

    M. Gertrudes: - Oh, por favor, nunca mais diga uma coisa dessas, meu menino.... nunca mais!

    Rochefort: _ O que?

    M. Gertrudes: - ¬¬

    Rochefort: - A morte é certa, madame!! J

    M. Gertrudes: - .........a VIDA também é, meu menino... a vida também é.. J Vou deixá-lo descansar... Madame Gertrudes ajeitou seu “bebê” na cama, tomando muito cuidado com seu ombro ferido. Controlou a temperatura de Rochefort, para evitar que a febre voltasse intensa... ela saiu do quarto, deixando apenas algumas poucas velas acesas a pedido do convalescente Rochefort que pretendia ler ainda um instante até para que pegasse no sono.

    *

    Athos: - Monsieur Flaubert? Já faz tanto tempo!!! Foi o senhor quem escreveu pedindo que eu estivesse aqui hoje? Meu Deus... mas.... tanto tempo... tanto tempo... porque não assinou a carta???

    Flaubert: - 9 anos, 4 meses... Nossa... você cresceu ainda mais ou é impressão minha???

    Athos: - Não sei dizer... é... como tem passado??

    Flaubert: - Eu vou bem, Athos... mas minha preocupação me fez não adiar mais esta vinda a Paris... mesmo contra a sua vontade, filho, precisa rever algumas coisas...

    Athos: - Do que exatamente estamos falando, Monsieur Flaubert?

    Flaubert: - Não precisa me chamar de Monsieur... você é mais do que um homem, pelo que vejo.... eu trabalho para você, Athos... vim tratar de seus interesses... está na hora de reaver suas propriedades, aquilo que é seu por direito...

    Athos: - Ah, não.. isso não..

    Flaubert: -Até quando pretende fugir da sua propria história de vida, rapaz? São suas coisas, não pode simplesmente abnegar-se delas..

    Athos: - Eu não tenho nenhum direito sobre elas, eu renunciei a tudo quando deixei a casa de meus pais... Por favor, eu não sei, nem quero saber de nada disto!!

    Flaubert: - Então terá que decidir o que fará de tudo, pois não posso continuar assim... Athos... você deve vendê-las, deve decidir a destinação de seus bens, de todo o patrimnônio da família de La Fère, que como sabe, não é pouco!!! Não pode tirar uma breve licença para tratar de suas coisas pessoais?

    Athos: - Mas eu não quero!! Será que não fui claro o suficiente!

    Flaubert: - Talvez eu é que não tenha sido claro o suficiente, Athos... se não quiser assumir o que é seu de direito, eu não trabalharei mais para a família de La Fére... e o patrimônio que seu pai lutou tanto para conquistar, construir e manter.. com muito suor, se perderá... assim como o nome dele.. deve fazer isso no mínimo em respeito a memória dele, Athos... eu sei que vocês se desentenderam, mas por favor, você não é mais um menino... está crescido, bem crescido, e pelo que vejo se tornou um homem de bem, fico feliz em vê-lo assim... saudável e vigoroso... não deixe que a luta de seu pai e de sua mãe tenha sido em vão... por nada... não deixe tudo a Deus dará, rapaz... assuma o que é seu!!! Eu não poderei continuar trabalhando sem saber que fim pretende dar aos teus bens... são SEUS, quer queira, quer não....

    Athos abaixou a cabeça, não soube nem o que dizer, Flaubert, o fiel administrador que trabalhava para seu pai há anos e continuou cuidando de tudo depois da morte do Sr. e Sra. de La Fére, estava lá, diante dele, e tinha toda a razão.. seu pai foi um homem rígido, mas muito honrado e batalhador.. conquistou com dignidade cada centavo de sua imensa fortuna... sim, Athos era um homem rico... muito rico.... e Flaubert veio lhe dizer que está na hora de parar de fugir e renunciar o que é dele... está na hora de um novo Conde de La Fére assumir suas propriedades e dar continuidade ao nome e à luta da família... a herança de Athos não podia mais ficar ‘sem dono’... ela tinha um, Athos precisava assumir seu título e seus bens... Mas porque ele se recusava tanto!!!

    Flaubert: - E então, Athos? Melhor dizendo, e então, Monsieur Conde de La Fére?

    Athos: - Pare com isso!! Foi tudo fruto da luta do meu pai, não é nada meu porque não tem esforço meu nessas conquistas..

    Flaubert: - Athos, entendo que seja demasiado chocante eu aparecer assim, depois de tanto tempo... mas quero dizer que está tudo em ordem... tentei deixar tudo como seu pai gostava que as coisas acontecessem... os criados são muito leais também... seu pais os tratava muito bem e eles tem cuidado muito bem também de suas terras.... mas quero que pense com cuidado em tudo... aqui está um inventário de seus bens, leia com calma, e daqui uma semana quero uma resposta, aguardo aqui em Paris... espero você na próxima sexta-feira aqui neste local... por favor, quero pelo menos um decisão permanente sobre o que será feito de tudo isso, Athos.. não posso continuar a deriva.. preciso de seu aval... é tudo seu... não meu!! Se há alguém sem o direito de tomar decisões sobre tudo isto, sou eu!! Eu sou apenas um empregado do seu pai... e agora, seu... a menos que renuncie a tudo... se renunciares, saiba que também eu renunciarei ao emprego de administrador... e poderás fazer o que bem quiser depois disso.. Desculpe ser tão direto... mas... tenho muita pena de ver tudo aquilo em Bearn sem seu dono legítimo... está tudo muito bonito, deverias ver antes de tomar uma decisão.. mas...em todo o caso... eu não podia esperar mais....

    Athos: - Monsieu Flaubert... isso a essa altura da minha vida... Sad

    Flaubert: - Pense... reflita bem... és um bom rapaz, Athos... eu tenho certeza, posso sentir, mesmo depois de tanto tempo sem vê-lo.... puxa... que alegria me dá!! Mas pense.. és o Conde de La Fére....

    Athos: - Conde.... L Aaaaaaaah... Flaubert foi embora....

    Athos ficou cabisbaixo, remexer seu passado doía. Está aí uma outra surpresa.... Athos também tinha um passado oculto que ninguém conhecia... neste caso, nem mesmo o Capitão Treville... Era sua própria história pessoal que ele ocultava... era um Conde, e muito rico, mas porque reluta em assumir o que é seu?

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Sex Jan 18, 2013 8:25 am

    23. Decisões

    Athos saiu consternado e o pior é que nem sabia se compartilhava aquilo tudo com seus amigos ou não... estava ainda processando o monte de coisas que Monsieur Flaubert veio lhe dizer. Reassumir suas propriedaes? Mas e sua carreira nos Mosqueteiros? Ele era feliz assim, porque isto tinha que ressurgir?

    *Flashback*

    Sr. de La Férei: - Não pode fazer isto com sua vida, Athos?! Não foi para a guerra que eu o criei!!!

    Athos: - Pai, porque não pode aceitar isso? Eu sou adulto, posso tomar minhas próprias decisões...

    Sr. de La Fére: - Não faria isso com teu pai? E tua mãe, que dirá sobre isso?

    Athos: - Tenho certeza que mamãe compreenderá minhas razões, ela não é intransigentes como o senhor... além do mais, como pôde fazer tal promessa?? Eu ainda nem havia nascido! Isso não é o tipo de coisa que se prometa...

    Sr. de La Fére: - Você é meu único filho, Athos!! Sua mãe demorou para engravidar... eu fiz uma promessa e vou cumpri-la!

    Athos: - Pois trate de viabilizar outro filho, pai, porque no que depender de mim jamais cumprirá sua promessa!!!

    Sr. de La Fére: - MAIS QUE INSOLENTE,VOCÊ É! MAIS RESPEITO QUE SOU TE PAI!!

    Athos: - És um tirano, Conde!!

    Sr. de La Fére: - Eu disse a sua mãe que te afastasse um pouco do livros, que isso só te faria um rebelde, e aí está, estava certo desde o começo.... toda a educação que lhe dei só te fez um moleque arrogante e contestador... um rebelde sem causa, Athos...

    Athos: - O QUE?! SEM CAUSA!! PROMETEU-ME A IGREJA, PAI.... EU NÃO QUERO SER PADRE!!! É ISSO O QUE CHAMA DE REBELDIA!!! NÃO CORRESPONDO A ESSA VOCAÇÃO, PAI.. Não me obrigue a isso!!

    Sr. de La Fére: - Aaaaaaaaaaaah..... aaaaaaaah.. MOLEQUE!!!

    Athos: - Eu não sou moleque há muito tempo, o senhor não me respeita!!

    Sra. de La Fére: - Meu Deus, o que está acontecendo nesta casa, ouve-se os gritos dos dois lá de fora!! Por favor, o que vãopensar os empregados!

    Athos: - Mãe?! Não importa.... convença meu pai que é uma loucura confinar-me num seminário... eu não quero ser padre...

    Sr. de La Fére: - ENTÂO O QUE RAIOS VOCÊ QUER???????!!!

    Athos: - Sei que não quero ser padre... não quero!! E não serei!! Sinto muito que tenha feito tal promessa... ache um jeito de cumpri-la... adote um menino e interne... eu é que não vou!! Está acabado, pai! Não continuarei esta discussão!!

    Sra de La Fére: - Meu filho, teu pai prometeu para que tu viesse com saúde... tive muita dificuldade na gravidez...

    Athos: - Mamãe!!!

    Sra de La Fére: E se Deus nos castigar por não cumprir a promessa, meu filho!! Por favor, pense nisso, considere o que seu pai está lhe pedindo...

    Athos: - Mamãe, mamãe, mamãe... não é possível... não podiam ter prometido qualquer outra coisa?? Porque isso???

    Sr. de La Fére: - Ouça tua mãe, menino... ouça tua mãe...

    Athos: - ........................................

    ........................................................................

    Athos: - Eu... sinto muito.. eu não posso assumir este compromisso que assumiram por mim, sinto muito, sinto muito, sinto muito.. é como estar morto ainda com vida.... não façam isso comigo, não me obriguem a isso, porque terei que desobedecê-los... eu não posso entrar para o seminário.. eu não vou ser padre... jamais o serei!!

    Sr. de La Fére: - ÓTIMO.. ÓTIMO.. QUE SEJA, TOMASTE A TUA DECISÃO, NÃO É MESMO!! POIS ESQUEÇA QUE TEM FAMÍLIA.. A PARTIR DE HOJE NÃO TENS PAI OU MÃE... SE NÃO TE PREOCUPAS EM NOS CAUSAR DESGOSTOS, QUE SIGA SEU CAMINHO E FAÇA A TUA VONTADE, MAS ESQUEÇA-SE DE MIM E DE TUA MÃE..

    Athos: - O que??? Eu.. Pai...

    Sr. de La Fére: - EU NÃO SOU MAIS TEU PAI, CONSIDERE-ME MORTOOOOOOOOOOOOOO....

    Sra de La Fére: - Aaaaah... non... non...

    Athos: - QUE SEEEEEEEEEEEJA!! NÃO FICO NEM MAIS UM DIA NESSA CASA!!!

    Sra de La Fére: - Não.. meu filho... meu filho.. você não pode fazer isso com tua mãe.. não pode ir.. obedeça teu pai...

    Athos: - Eu te amo, minha mãe... sempre a amarei.. mas ele foi bastante claro.... eu vou embora...

    Sra de La Fére: - Para onde pode ir??? Não vou permitir que vá embora... athos.. é meu filho, não posso viver sem ti... não posso...

    Athos: - Eu sinto muito, mamãe, mas foi meu pai quem quis assim.... ou melhor, teu marido, ele não quer mais que o chame de pai.. assim seja... como ele quiser!!

    ..........

    Athos: - Adeus minha mãe! Ele a beijou suavemente na testa. Eu te amo!

    Sra de La Fére: - Não... não, Athos.. não vá.. não pode me deixar.. meu filho... meu fiiiiiiiiilho.... não... não....

    Sr de La Fére: - Ele já fez a escolha dele... segurou-a.

    Athos: - Adeus pai...

    Sr de La Fére: - Não sou teu pai...

    Athos: - Negue o quanto quiser... não faço questão algum de ser teu filho... infelizmente não posso mudar meu sobrenome, mas de hoje em diante eu renego e renuncio a tudo que vem dos de La Fére...

    Sr de La Fére: - Vá embora logo! Não vê o estado de tua mãe!

    Athos: - Não jogue a tua culpa sobre mim... é um homem cruel e egoísta! Athos virou as costas e com poucos pertences que se resumiam a algumas roupas somente, deixou a casa paterna e a cidade de Bearn. Seu destino: Paris... na cidade grande, pensaria em que rumo tomar de sua vida... há mais oportunidades... sem dúvida... tudo que ele sabia sobre si era que... não queria ser padre... mas sentia a dor de partir.. principalmente em deixar sua mãe... mas era um homem e não podia ficar em casa depois de ouvir claramente que seu pai não fazia o menor gosto disso...

    Sua mãe o viu partir, segurada por seu marido, chorava inconsoladamente.

    *fim do flashback*

    TUM

    D’Artagnan: - Ah, Athos...

    Athos: - D’Artagnan? É...

    D’Artagnan: E então, já resolveste teus negócios??? Ainda está em tempo de comemorar, ia eu agora mesmo em casa de Aramis, ver se ela não gostava de ir a taverna.

    Athos: - Ah... é.. Aramis... é...

    D’Artagnan: - Mas o que foi que houve, está pálido... está tudo bem?

    Athos: - Sim... é.. mais ou menos... eu....

    D’Artagnan: - Não vem não?

    Athos: - Onde?

    D’Artagnan: - Chamar Aramis para comemorar, ora...

    Athos: - Ah... não... não, D’Artagnan.. não vai dar... eu acho.... eu... tenho que ir... eu vou precisar falar com todos vocês depois, mas agora eu.. eu preciso mesmo ir...

    D’Artagnan: - Athos?? Pra onde vai??? Ei...esperaaaa... Mas o que foi?! Porque é que estão todos tão estranhos... Ora!! Vou eu logo ter com Aramis.. e vou lhe contar sobre o estado de Athos...

    .............

    Toc Toc Toc

    D’Artagnan: - Aramiiis? Aramiiis? Está em casa??? Aramiis?

    Nada... ninguém veio....

    D’Artagnan: - Ora, mas para onde foi??

    *

    Toc Toc Toc

    Toc Toc Toc

    M. Gertrudes: - Ah... Monsieur Aramis?

    Aramis: - É... boa tarde, M. Gertrudes... espero não atrapalhar, mas... venho ver Monsieur Rochefort... sei que sua saúde não anda bem...

    Rochefort ainda não contara como tudo aconteceu a Madame Gertrudes.. e ela não era focada em saber tudo TIM TIM por TIM TIM da vida de seu patrão... seu menino... ela só queria mesmo é que ele estivesse bem... há muito que ela observa seu comportamento mais reflexivo... ela tem pensado consigo mesma, “acho que meu menino está apaixonado... ou então... sente necessidade de ter alguém ao seu lado... só isso explica seu jeito de ser diferente”... Madame Gertrudes porém, não sabia que Aramis é mulher... será?

    M. Gertrudes: - Monsieur Aramis, não incomoda de maneira alguma... entre por favor...

    Aramis: - Merci, Madame..

    M. Gertrudes: - Deseja beber alguma coisa?

    Aramis: - Ah, não se incomode Madame.. na verdade venho fazer uma breve visita ao Capitão Rochefort... se não por inoportuno...

    M. Gertrudes: - Ele está em seu quarto..

    Aramis: - Oh, deve estar descansando, acho que o momento não é bom... venho em outra hora...

    M. Gertrudes: - Oh,não por favor, creio que ele ficará feliz em vê-lo... por favor, venha comigo... Ela levou Aramis até o quarto de Rochefort.. bateu na porta e entrou na frente... viu que seu menino estava dormindo, mesmo assim, permitiu que Aramis entrasse.. Vou deixá-los a sós... com licença..

    Aramis: - Ah, Madame, mas ele está dormin.. ah!! Oh!! Estava sozinha com ele... que dormia tranquilo e sereno em sua cama gigantesca. Ela se aproximou de seu leito e o observou. Oh, Rochefort, sinto tanto que tenha se ferido por minha causa, sinto tanto, queria poder fazer alguma coisa, eu juro... ela viu os dois olhos fechados... a pequena cicatriz na pálpebra de seu olho direito... foste tão corajoso, tão digno, eu não teria conseguido sem tua ajuda, sem duvida que não... queria que soubesse o quanto sou grata... acho que nunca será suficiente, agradecer-te apenas não é suficiente... colocaste tua vida em risco por mim.... e colocou em cheque tua lealdade ao Cardeal Richelieu, e eu sei que ele só me ajudou porque você estava me ajudando... Obrigada... muito obrigada, Rochefort, muito obrigada!! Ela não resistiu, tirando as luvas, afastou a franja do Conde adormecido de sua testa.. aproveitou para ver se ele tinha febre... com delicadeza, não pretendia acordá-lo...

    Rochefort: - mmmmmmm.... uma respiração profunda....

    Aramis: - Ela trouxe as próprias mãos ao rosto... e sentiu.. seus dedos tinham um leve toque daquela fragância tão deliciosa.... o sândalo... bem, ela não sabia que fragância era...mas agora vinha a certeza... era de Rochefort.. o perfume delicioso era de Rochefort... ela podia sentir... sim... podia... realmente podia... mexeu mais uma vez nos cabelos dele.... e tocou seu rosto... quente.... não muito quente... não de febre, pelo menos... só quente... ela sorriu... e vestiu suas luvas novamente e se preparou para sair do quarto... estava satisfeita, o viu descansando e ele parecia bem...

    Foi se digirindo à porta....

    Rochefort: - Huuuuummmm..... esfregando os olhos, mesmo o que não enxerga.... Aramis Reneé d’Herblay? É você mesmo que está aqui?

    Aramis: - Rochefort?? Oh, eu o acordei?

    Rochefort: - Não... Eu estava sonhando.... não vou me lembrar agora.. sumiu da minha mente... mas era uma coisa boa... J Que bom te ver aqui... J

    Aramis: - É bom vê-lo melhor...

    Rochefort: - É bom estar melhor...

    Aramis: - Posso ver?

    Rochefort: - O que? O.O

    Aramis: - Seu ombro... posso ver como está? Ou está envolvido por ataduras?

    Rochefort: - Está sim, por causa da clavícula, na verdade....

    Aramis: - Oh...

    Rochefort: - É preciso que ela volte ao lugar certo para se recalcificar.

    Aramis: - Entendo... opa, deixou um livro cair no chão... Aramis recolheu um título em inglês.

    Rochefort só a observou vendo o exemplar do livro que ele lia antes de cair no sono.

    Aramis: - Gosta mesmo de ler... e sempre escolhes títulos excelentes...

    Rochefort: - É de William Shakespeare... A Tempestade… pode levá-lo se quiser ler, eu já o li.. terminei ainda há pouco...

    Aramis: - Obrigada... Sempre quis ler algo de Shakespeare, dizem que é excepcional... que achou?

    Rochefort: - Estraga a leitura se eu contar...

    Aramis – Mas só vais me dizer se gostaste ou não! Como pode estragar?

    Rochefort: - Vai te dar expectativas... é melhor ter as tuas próprias que inspirar-te nas minhas... J

    Aramis: - *que homem profundo, porque nunca percebemos isso nele?* Está bem...

    Rochefort: - Não estava com Athos? Depois daquele.... bom... hehe....

    Aramis: - Oh... Aramis ficou corou... bem, é... ele disse que tinha negócios a tratar... J mas que depois nos encontrava... então eu vim vê-lo para saber como estavas...

    Rochefort: - Ah sim... muito bem então...

    Aramis: - Ah, Rochefort.. falando nisso... digo, em Athos.. se bem me lembro, você tinha algo para dizer quando nos acharam na mata...

    Rochefort: - Hum..... não me lembro...? Que era?

    Aramis: - Bem... você perguntou sobre... a família do Athos?

    Rochefort: - Perguntei?????

    Aramis: - Perguntou, ora, eu estava lá... eu ouvi....

    Rochefort: - Aaaaaaaah....

    Aramis: E então?

    Rochefort: - Não me lembro mesmo!!

    Aramis: - ? Mas... você disse que..

    Rochefort: - Eu esqueci completamente do que se tratava... pode ser que uma hora ou outra eu me lembre...

    Aramis: - Oh, está bem... está bem... bem... Eu acho que já vou indo...

    Rochefort: - Ah, mas tu acabas de chegar!!

    Aramis: - Vou encontrar-me com Porthos e D’Artagnan e até ver se Athos já voltou...

    Rochefort: - E vão celebrar, não é? É uma merecida ‘vitória’... devem fazê-lo mesmo...

    Aramis: - Não nos atreveremos a comemorar sem ti... não te preocupes que esperamos tua recuperação para a festa...

    Rochefort: J Obrigado... é muita consideração... ah... Aramis?

    Aramis: - Sim...

    Rochefort: - Já decidiste se serás Aramis ou Reneé?

    Aramis: - Oh... eu... eu ainda não decidi, para bem da verdade ainda não pensei sobre isso, não com a cautela que o assunto merece...

    Rochefort: - Espera, então.. antes de ir... toma... aqui... abriu uma gaveta da cabeceira com um pouco de dificuldade para se mexer... mas retirou de dentro dela um crucifixo de prata... outro que era diferente do seu.. era bem menor.... na realidade, tratava-se de um delicadíssimo Rosário... com um pequeno diamante cravado no centro da cruz...

    Aramis: - Nossa, Rochefort, é lindíssimo...

    Rochefort: - É seu.... é um presente...

    Aramis: - Mas... não.. não posso aceitar!!! Isso é seu... deve representar algo de muito importância para ti.. por favor.... não posso mesmo aceitá-lo!!

    Rochefort: - Pertencia à minha mãe, uma mulher muito especial J.. Tu também és uma mulher especial.. o mereces.... vamos... aceite...

    Aramis: - Oh meu Deus! E ainda pertenceu a tua mãe, Rochefort não posso!!

    Rochefort: - Eu queeero que aceites... é para que Deus, Nosso Senhor, e Maria Santíssima iluminem a tua decisão... J Aceite por favor... o honraras fazendo bom uso dele...

    Aramis: - É muito gentil de sua parte, muito mesmo... muito obrigada! Ela se aproximou e beijou-lhe a testa, um pouco mais demoradamente do que outros beijinhos que ela lhe dera antes, por agradecimento... desta vez havia ainda mais ternura no beijo de Aramis.... e o sândalo... ah, o sândalo... que aroma tão gostoso de sentir... e era suave... inebriava Aramis.....

    Rochefort: Ele até fechou os olhos, ou melhor, o olho, para receber aquele beijo... sentiu um calor percorrer-lhe o corpo.... sua voz saiu baixa, quando ele perguntou a ela: Quer que eu o ponha em teu pescoço?

    Aramis: - Gostaria sim... mas teu ombro... !

    Rochefort: - Chegue mais perto... sente-se aqui na ponta eu... só preciso de uma mão se o segurares assim.... ele tocou o pescoço dela depois de ter afastado seus longos cabelos loiros para a frente... muito bem... com um pouco da ajuda da Aramis, ele fechou o Rosário no pescoço dela... Ficou muito bonito em ti....

    Aramis: - Obrigada... obrigada... eu.... eu agora preciso mesmo ir... eu..... um tanto sem jeito... Aramis se despediu de Rochefort... e saiu...

    Rochefort: - Ah... Aramis.... Reneé... Aaaah... deu um tapa violento sobre a cabeceira de sua cama....Aaaaaau.. ai... porcaria!!

    ***


    Última edição por Comte Athos de La Fére em Seg Jan 21, 2013 9:09 am, editado 1 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 21, 2013 3:07 am

    24. Resoluções

    M. Gertrudes: - Mas o que foi? Passava no corredor e ouvi teus gritos, meu menino? Estás bem?

    Rochefort: - Aaaaaaaaaaaaah!!!

    M. Gertrudes: O que foi?? ? Seu ombro... meu Deus... oh...ela correu em socorro daquela criança de 39 anos e 1,85 de altura... sempre o veria como menino...

    Rochefort: - Não é meu ombro... está tudo bem com ele... já acostumei com a dor...

    M. Gertrudes: - Então porque gritaste?

    Rochefort: - É que estou aqui sem fazer nada.... inutilizado, não posso passar o dia dormindo, isto é.... isto é.... é.... não há palavra para descrever... eu tenho que voltar ao comando de meus homens...

    M. Gertrudes: - Voltar ao trabalho? Meu menino machucou o ombro, não a cabeça... não pode voltar ao trabalho tão cedo... não faz sequer um dia que se feriu gravemente... o repouso é absolutamente necessário... Dr Leon virá aqui para vê-lo amanhã. Como vai se recuperar se saires?

    Rochefort: - Sempre me recupero bem de ferimentos...

    M. Gertrudes: - Nunca foi ferido tão gravemente antes, Graças ao Senhor Bom Deus, por favor, não faça isso...

    Rochefort: - Mas não quero ficar na cama todo o tempo.. preciso me levantar... preciso respirar ar fresco.. o quarto está todo fechado...

    M. Gertrudes abriu imediatamente a janela... as cortinas esvoaçaram com o vento forte... É inverno, está muito frio para deixar a janela aberta....

    Rochefort: - .............................. a expressão de seu rosto era de imensa insatisfação....

    M. Gertrudes: - Se me permite... meu menino... Estás muito irritado... és mesmo apenas por estar convalescendo e não poder fazer esforço ou há algum outro motivo que o aborrece?

    Rochefort: - .......................................... ele não soube responder... talvez não quisesse admitir... ou talvez nem soubesse mesmo que motivos o irritavam... Rien! Neutralsilent

    M. Gertrudes: - És um homem de fé, e portanto não te podes considerar vazio, pois teu espírito é preenchido por Deus... mas... Teu poeta o disse mais cedo, não te lembras:

    quero a essência, minha alma tem pressa... .O essencial faz a vida valer a pena...

    Rochefort: - Não entendo...

    M. Gertrudes: Deves perceber o que te é essencial para viver, acho que ainda pouco saiu alguém daqui que pode ser a resposta para tuas dúvidas... ao menos foi este alguém que o fez manifestar aquilo que há algum tempo está em teu coração.... cuida-te de encontrar o que é essencial, meu menino... J

    Rochefort: - O que tem o mosqueteiro Aramis com isso, porque dizes que ele é a resposta... eu não sou bom com enigmas, Madame, por favor... que tem o Aramis?

    M. Gertrudes: - Mosqueteiro?

    Rochefort: - Oui... o que tem?!

    M. Gertrudes: Bem, foi ela quem te fez perceber que não há mais tempo a perder, de fato... não foi?

    Rochefort: O.O.................... madame disse ELA?

    M. Gertrudes apenas sorriu... meu menino, meu menino.... as cerejas do cesto... Smile já tive tempo de sobre para dar cabo de todas... ela demorou muito ao banho, também lhe ficaram muito grandes as tuas roupas de quando era um rapazote, observando-se isto, mais os traços e porte delicados que tem.... só se pode supor que é uma moça.. que cavalheiro costuma demorar-se no banho? E talvez minha idade me tenha feito mais detalhista, mas percebi um andar diferente... sua forma de andar era mais feminina...

    Rochefor: - A madame já sabia que era uma moça... o tempo todo????? Mas.... disse a alguém??

    M. Gertrudes: - Certamente que não... não disse a ninguém.. mas percebi logo, sim... mas isso não importante... importante é que descubras o que é que completarás... meu menino... precisa de alguma coisa? Vou preparar-lhe uma sopa de galinha, e trazer-lhe aqui... com licença! Ela saiu do quarto...

    Rochefort: - o.O'''' Ela sabia.... simplesmente sabia.... que tapados somos todos nós, os homens... não percebemos... nenhum de nós... será insensibilidade? -.- Não sei que pensar... mas isto de encontrar o que me completa... ah, Madame... de novo e como sempre, tens razão... preciso logo encontrar... eu só nao percebo o que é exatamente... sei que pensava nisto antes de Aramis 'acontecer' na minha vida... ela só.... talvez eu... será que? Ah, não... ainda mais sabendo que Athos... bem, ficou muito claro que ele... talvez eles já.... será que já.... antes de.... O.O' wow! Nãããão! Se fosse assim ele teria sabido antes... com toda a certeza..... mas Aramis é... tão... doce, serena e linda.... *suspiro* Affff.. ¬¬ Pareço um menino, um menino.... talvez eu o seja... talvez só um menino... Sad

    *

    Aramis não conseguia simplesmente ir para casa pensar em seus novos dilemas.... ela queria estar com seus amigos, após a visita a Rochefort, ela decidiu ir ter com Athos... ver se ele já tinha regressado... foi então até a taverna... e viu Porthos e D'Artagnan apenas... estranhou... foi até eles...

    Aramis: - Amigos!!

    Porthos: - Ah, chegaste, finalmente.. resta apenas chegar o Athos e estamos completos...

    Aramis: - Já disse que não vamos comemorar sem o Rochefort, até lhe prometi isso em minha visita agora mesmo...

    D'Artagnan: Foste visitá-lo???

    Aramis: - Sim.. fui.. está bem melhor... acho que se recupera bem, graças a Deus...

    POrthos: - Bem, mas então vamos esperar o Athos...

    D'Artagnan: É... vamos... mas não sei se ele vem...

    Aramis: - Como?

    D'Artagnan: - Encontrei-me com ele e o chamei para vir, mas ele disse que tinha que ver algumas coisas.... estava estranho, parecia aflito... disse até que queria falar conosco sim, mas antes precisava ver alguma coisa...

    Aramis: - Ué? Mas que será? Eu realmente pensei que ele já tivesse resolvido suas coisas e que estivesse com vocês...

    Porthos: - Mas afinal, não vamos nem brindar, ora??

    Aramis: - Ah, Porthos, seria muito bom poder brindar, mas ainda não está tudo resolvido, eu ainda tenho decisões a tomar...

    D’Artagnan: - Sim, disso sabemos.... mas já passaste por muitas, Aramis, porque é que não relaxas um pouco?

    Aramis: - Relaxaria, se minha intuição não estivesse avisando que há algo de errado com Athos...

    Porthos: - Bem, não é preciso intuição para perceber que não está normal, desde que recebeu aquela carta estranha, praticamente no mesmo dia em que soubeste da tua própria carta maluca, que ele anda assim, evasivo... não sei que pode ser, mas certamente mexeu com ele...

    D’Artagnan: - Porque não vamos falar com ele então?

    Porthos: - Eu já tentei de tudo, ele disse que vai falar conosco, mas pelo visto, ainda não está pronto...

    D’Artagnan: - Então vamos deixá-lo com problemas? Sim, porque, pelo que percebi mais cedo quando o encontrei, ele parecia ter problemas... estava aflito, como disse...

    Porthos: - Talvez haja alguém que possa conversar com ele?

    D’Artagnan: - Quem, o Capitão?

    Porthos: - Não...

    Aramis: - Quem?

    Porthos: - Ora, tu, Aramis... ele sempre te escuta, lembra-te que eu posso ser o companheiro de aventuras do Athos, mas tu és mais confidente que nós dois aqui... ele sempre leva em conta tua opinião, porque sabe que eu sou cabeça quente e que D’Artagnan... bem...

    D’Artagnan: - Vê lá o que vai dizer Porthos... ¬¬

    Porthos: - Ora, meu amigo, você é um rapazote ainda.. tanto por aprender... HAHAHAHAHAHA

    D’Artagnan: - ¬¬ Não tem graça nenhuma..

    Aramis: - Sim.. tem razão Porthos... Eu vou até o Athos...

    Porthos: - Depois volta aqui e nos conte tudo...

    Aramis: - Está bem.. eu vou ver do que se trata e falamos depois...

    D’Artagnan: - Tá bom...

    *

    Aramis se dirigiu até a casa de Athos. Era o cair da noite. Ela chegou até a porta da casa do amigo mosqueteiro, e bateu. Bateu mais uma vez pois ninguém respondeu. E outra vez... passado algum tempo sem resposta... ela não pensou em simplesmente ir embora... não achou que Athos estivesse em qualquer outro lugar que não fosse a casa dele... afinal de contas, ele era mais recatado e quando tinha problemas, gostava de passar a impressão de que estava tudo bem... era de uma sensatez aguçada e não sairia por aí se estivesse ‘aflito’ como disse o D’Artagnan. De certo que viria para casa pensar.. refletir... portanto, Aramis insistiu, e batendo mais uma vez, decidiu tentar abrir a porta, pois ninguém respondia mesmo. Por sorte, a porta estava aberta... talvez Athos não tenha se preocupado em trancar. Ela entrou.

    Aramis: - Athos? Athos? Está aí? Ela notou a lareira acesa... a casa estava quentinha... Athos... eu... a porta estava aberta, então eu... entrei... onde você está, eu sei que está em casa, e

    Athos: - Aramis???? Descia as escadas um Athos de cabelos molhados e com a camisa semiaberta....

    Aramis: - Athos... oi... Sorriu...

    Athos: - Oi... J o que está fazendo aqui?

    Aramis: - J Visitando um amigo... e você? Rindo.

    Athos: - Ah... eu... moro aqui.. hahaha... J

    Aramis: - Você não vai se resfriar com esses cabelos molhados? Com o frio que está fazendo!!!

    Athos: - Por isso acendi a lareira antes do banho... para quando eu saisse, já estivesse quente...Mas de verdade, aconteceu alguma coisa?

    Aramis: - Te esperávamos na taverna e como não apareceste, vim ver se precisa de algo... já.. resolveste teus negócios? J

    Athos: - Ãhn? Ah... eu.... mais ou menos... é.. talvez... ainda faltem algumas decisões a tomar, mas....

    Aramis: - Você ri e sorri, mas parece triste... seu tom de voz não é o mesmo... e seus olhos te denunciam, Athos... aconteceu alguma coisa não foi? O que houve?

    Athos: - Bem, tem uma coisa... eu... tenho que contar a todos..

    Aramis: - Sei.. mas pelo visto é algo sério... porque... teu semblante é grave.... e és sempre tão sereno e calmo.. isto está te preocupando bastante, Athos... diga-me, posso ajudar-te de alguma forma....

    Athos: - Pode... sim, voCê pode..

    Aramis: - Como?? É só me dizer o que fazer.. eu

    Athos: - Me abrace... por.. favor... me abrace bem forte.. Aramis, esta noite, permita que eu não saia de teus braços... me deixa ficar perto de ti.. me deixa?

    Aramis atendeu prontamente ao apelo de Athos.... correu abraçá-lo, pressionando-o com força e ao mesmo tempo, ternura contra o próprio corpo...

    Aramis: - Estou aqui... é claro que te abraço... meu querido.... é claro que sim.. vem cá... fique aqui... junto de mim.... eu não te deixo por nada... está bem?!

    Athos: - Obrigado... Aramis... ele repousou o rosto no ombro dela e de repente teve vontade de chorar como um menino assustado.. mas não o fez, segurou as emoções, fechando os olhos...

    Aramis o levou para perto da lareira.. para esquentar o corpo dele que estava desagasalhado e por causa dos cabelos molhados... Vem pra perto do fogo...

    Athos: - Tá bom... eles ‘se levaram’ até bem perto da lareira e sentaram-se... no chão... Em seguida, Athos deiou-se no colo de Aramis, que ficou acariciando seu cabelos molhados... desembaraçando-os... os fios era muito lisos... e bem pretos.... a camisa de Athos ainda semi aberta...

    Aramis: *O que você tem, príncipe Athos..., o que você tem...?*

    Athos: - Aramis...

    Aramis: - Sim?

    Athos: - Você é linda... eu já te disse isso?

    Aramis: - ........ Oh... Athos...

    Athos: É sim... eu falei sério quando disse que te amo... você acredita em mim, não é?

    Aramis: - Athos... eu...

    Athos: - Não acredita?

    Aramis: - Eu acredito... acredito sim.... é claro que sim.. ela se inclinou para baixo e eles começaram um beijo intenso.... Athos virou-se avançando sobre Aramis, e beijando-a deliciosamente... no pescoço e no rosto... e na boca...e tocava seu rosto e seus cabelos.. ela se sentia em êxtase com o toque suave de Athos... e ela o beijava e se deixava beijar.... esse momento entre os dois seria crucial para as resoluções que ambos dariam para suas vidas a partir dos últimos acontecimentos...


    (Calma, gente, eles ficaram apenas nos beijinhos e abraços mesmo!)


    ***


    Última edição por Comte Athos de La Fére em Seg Jan 21, 2013 9:08 am, editado 1 vez(es)
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 21, 2013 8:28 am

    25. Novos Caminhos

    Aramis: - Athos.. Athos... calma.. devagar...

    Athos: - Eu perco a cabeça quando você está comigo.. não era assim antes... porque acontece agora?

    Aramis: - Eu não sei... J dando-lhe um selinho... não sei... as coisas mudaram um pouco, não é... agora você sabe que eu.... sou Reneé e não Aramis...

    Athos: - É, mas antes... já tinha uma afeição forte por você...

    Aramis: - Como?

    Athos: - Eu me policiava, não queria pensar que eu talvez estivesse gostando de... você sabe... eu fiquei confuso... até que eu escolhi me convencer de que o que eu sentia por ti era apenas um carinho imenso... um carinho que eu teria por um irmão.... é que sempre gostei da idéia de ter um irmão, talvez por ser filho único....

    Aramis: - Está falando sério? Como é que eu nunca percebi que....

    Athos: - Shh... deixa eu falar... já estou todo embaraçado confessando-lhe isso... J ele acariciava o rosto e os cabelos dela novamente... e sentando-se apoiando as costas na poltrona de sua sala que ficava ali mesmo, perto da lareira, ele a aconchegou no peito dele, sempre acarinhando-a, e continuou falando....

    Athos: - Eu.. acho que se você conseguiu esconder-se bem, eu também... tenho aqui minhas habilidades para disfarçar... foi por isso que não percebeu, eu acho... não sei... eu só escondi porque nem mesmo eu acreditava muito em mim mesmo...como disse, convenci a mim mesmo que se tratava de um sentimento de amor fraternal... e foi empurrando para lá o sentimento real... que somente agora que sei quem és, voltou a me....

    Aramis: - Assombrar?

    Athos: - hahaha Não.... não é um assombro amar você.. ele só voltou à tona... e eu não consigo mais empurrá-lo, esconder ou esquecer... naquele momento em que aquele bastardo Duchateau quase a matou.... pelas costas, eu... meu coração quase salta para fora do peito... eu pensei que perderia você... eu não podia deixar isso acontecer... e além do mais... Athos se atrapalhava um pouco para falar, falava rápida e nervosamente, como NUNCA acontecia com ele...

    Aramis: - Além do mais?

    Athos: - Ssshhh... está me deixando mais nervoso.. J além do mais... Durante a nossa ‘fuga’ com Rochefort nos apoiando... eu sabia que o que eu estava sentindo era ciúmes e não era ciúmes de irmão, coisa nenhuma... aquilo me enfurecia...

    Aramis: - Aquilo o que?

    Athos: - Rochefort e você... Ele sempre tão... solícito e todo herói.... e eu sentindo que falhava ao te proteger... simplesmente me irritava...

    Aramis: - Oh.. Athos... Rochefort estava apenas

    Athos: - Sshhh... já pedi.... J silenciou-a com um beijo... todo este tempo, Aramis... aaaah, ainda não consigo chamar você de Reneé e é tão complicado me declarar assim... para alguém com nome de homem... hahahaha

    Aramis: - Declarar....

    Athos: - Aramis.. eu vou dizer novamente... eu te amo.... eu te amo muito, de verdade, e agora eu sei... eu sei o que eu sinto, o que sempre senti... faz todo o sentido agora... meus instintos não estavam me pregando uma peça... eu realmente... me apaixonei por você....

    Aramis: - Oh meu Deus, Athos...

    Athos: - Eu já disse... pronto eu já disse.

    .....................................................................

    .....................................................................

    Aramis: - Estou muito surpresa, Athos..

    Athos: - Está? Depois de termos nos beijado, ainda está surpresa?

    Aramis: - É que.... eu não sei... eu...

    Athos: - Aaah.... Aramis... você me assusta...

    Aramis: - Eu?... mas porque?

    Athos: - Porque eu não sei se correspondes ao que eu sinto por ti, eu não sei se resolveste seu sentimento com teu noivo, François....

    Aramis: - François está morto... L

    Athos: - Mas talvez teu amor por ele não.

    Aramis: - Não.... não é que não o ame mais... mas ele morreu... e sinto que está feliz onde está... e eu sei que o honrei fazendo justiça contra Manson.

    Athos: - Tem certeza de que não o ama mais... que tipo de amor tem por ele então?

    Aramis: - É um outro sentimento, Athos... um carinho enorme pela memória de François, que sim, jamais esquecerei. Mas não é mais o que um dia foi, porque não poderia ser... o sentimento se transformou....

    Athos: - ...............................

    Aramis: - No que está pensando?

    Athos: - Em Rochefort...

    Aramis: - ?? Porque?

    Athos: - Gosta dele?

    Aramis: - QUE?!

    Athos: - Você... sente algo por ele? Me desculpe... eu só... preciso saber.... é que... talvez... se for assim, eu esteja... até...atrapalhando... e

    Aramis: - Eu não gosto do Rochefort... não assim!!!!!!!!!!!!! Que loucura !

    Athos: - Não me pareceu muita loucura assim... vocês.. na viagem eu percebi que.. não sei.. você ficou muito preocupada com ele.... e

    Aramis: - ATHOS?! Ele levou um tiro por mim.... ele se arriscou, ele quase morreu, me senti mais do que na obrigação de cuidar dele.... Faria o mesmo por você, ou Porthos ou D’Artagnan, por Deus!

    Athos: - Faria o MESMO por mim?

    Aramis: - Claro que sim... você sabe que sim...

    Athos: - Não duvido nem por um minuto que se arriscaria por mim, ou por nossos amigos... eu faria a mesma coisa e vice versa... mas... eu quero saber o que sente por mim.... porque... você... permitiu que... eu a beijasse e estamos aqui, bem aqui, juntos... e estivesse deitado em teu colo, e agora tu está no meu... eu....

    Aramis: - Porque eu acho que não é exatamente isso que te aflige... ou pelo menos, não só isso...

    Athos: - Só isso???

    Aramis: - O que acha que estou fazendo aqui contigo...

    Athos: - Conversando.... J

    Aramis o beijou...

    Athos: - Hum.. Conversando também... J

    Aramis: - J

    Athos observava Aramis e estava como que enfeitiçado por seu sorriso magnético, lindo, luminoso...

    Aramis: - Teus cabelos já secaram....Smile

    Athos: - São finos.... secam rápido mesmo....

    Aramis: - Athos... porque não me conta o que está acontecendo?

    Athos: - ....................

    Aramis: - Eu quero te ajudar...

    Athos: - Eu sei.. J Eu sei mesmo...

    Aramis: - Então me conte... estou preocupada contigo... nossos amigos também estão... vamos... me diga... o que está havendo... seu olhos... tem menos brilho do que sempre tiveram...

    Athos: - J É mesmo?

    Aramis: - É.... isso está visível para mim... conte-me, vamos...

    Athos: - É... uma história longa, Aramis... muito longa... vamos voltar muito no tempo..

    Aramis: - Tem relação com a carta que recebeste:

    Athos: - Sim... olha nós dois sendo, aí sim, assombrados por cartas que trazem nosso passado de volta.

    Aramis: - Passado?

    Athos: - Sim... L e esse passado me pressiona a tomar uma decisão e eu não sei o que fazer... não consigo me decidir... tenho até sexta-feira... trata-se de uma decisão que eu não gostaria sequer de ter que ponderar... mas Flaubert me força..

    Aramis: - Flaubert?

    Athos: - É sim... bem, eu vou-te contar... Aramis se calou para ouvir atentamente a história de Athos... imagina.. seu passado? Ele lhe revelaria seu passado? Puxa vida!!! Ela tinha tanta curiosidade de saber mais sobre Athos.. sempre tivera... ele nunca fora tão expansivo para falar de sua própria vida e história.... sabia pouco sobre ele... o suficiente para ter por ele um apreço imenso, carinho, mas sempre houve um algo mais em relação a Athos que Aramis não sabia explicar a si mesma.. talvez estivesse tão obstinada em obter logo a justiça pela morte de François que acabou sem querer desviando-se do seu objetivo, também secreto, que era desvendar Athos de La Fére... ah, quando soube do sobrenome dele, foi uma animação só... um primeiro dado pessoal que ela descobriu... Athos não era mesmo de se abrir... e ao contrário do que possa parecer ao leitor, que ele também tenha um passado oculto como teve Aramis e por isso nem podia ter ficado magoado com ela por ter-lhes escondido quem era, nao.. não se trata do mesmo peso.. Athos pode não revelar muito sobre si mesmo, e ser reservado, mas nunca escondeu seu gênero.... J isso implica em muita coisa quando se relaciona com as pessoas.... ninguémé mesmo obrigado a contar sua vida inteira a alguém, mas as pessoas precisam ao menos saber se estão lidando com um homem ou mulher... o que Aramis ocultava era muito diferente daquilo que Athos ocultava. E ele continuou.

    Athos: - Flaubert é da minha terra natal, Bearn. Ele.... trabalhava para o meu pai, para minha família, mas enfim, para o meu pai, era nosso administrador. Ele apareceu agora depois de tantos anos e vem me por entre a cruz e a espada, isto, a esta altura da minha vida, só faz sentido para ele, não para mim, Aramis.

    Aramis: - O que exatamente não faz sentido. Este homem veio lhe trazer problemas? Seus pais, pelo que sei, já são falecidos, não são. Que pode querer este homem então?

    Athos: - ............................ Não havia remédio... Athos haveria de contar todos os detalhes... todos... E ele contou... contou de sua partida da casa de seu pai, o que o motivou e contou que o administrador veio agora exigir que ele reclame aquilo que por direito é dele. Ele quer que eu assuma tudo... que eu... seja... proprietário de tudo.. que eu assine o monte de papéis para ficar com coisas que não me pertecem por direito coisa nenhuma, pois eu estava bem longe de casa.. não é justo que agora eu usufrua daquilo que não ajudei a construir, Aramis.... você não concorda?

    Aramis: Ela estava em choque... Athos tinha propriedades, muitas e boas propriedades, não apenas em sua terra natal.... o inventário era enorme... ele mostrou a ela...Aaathos... você é.. dono de tudo isto?

    Athos: - NÃO! Não.. aí está, não sou.. naõ sou... é do meu pai, é tudo dele...

    Aramis: - Ele deixou para você, Athos...

    Athos: - Nãããão!!!!

    Aramis: - Sim!!

    Athos: - Eu fui rude com ele, eu saí de casa muito magoado com ele, e o deixei magoado também... nós rompemos, eu briguei com meu pai, abandonei minha mãe, minha casa... eu renunciei a tudo, não posso agora simplesmente voltar atrás, isso seria muito conveniente..... eu não fiz o que ele me pediu.. mesmo que tenha sido injusto... talvez... talvez eu devesse ter sido menos intenso no embate com ele... ele... minha mãe me contou, quando estive lá após a morte de meu pai, que ele ficou desgosto depois que eu me fui... que ele se arrependeu da briga, mas nunca daria o braço a torcer, e eu também não dei, e apesar de também arrependido, e de sentir muita falta deles... eu nunca voltei lá... nunca... jamais voltei até saber que ele havia morrido.... eu tenho tanto remorso, Aramis.. tanto.... mas no fundo, fui orgulhoso uma vez mais, porque quando só fui visitar minha mãe 2 dias depois do funeral do meu pai, porque segundo consta em documento lavrado em cartório, eu não poderia ir ao funeral dele, não era a vontade dele que eu fosse.... droga!! Sabendo disso, em vez de ficar com minha mãe, eu disse que se ele não queria que eu fosse em seu funeral, não ir me querer na casa dele mesmo depois de ter morrido... o orgulho, o meu orgulho me fez errar de novo, e eu voltei a Paris...

    Aramis: - Eu me lembro de quando recebeste a notícia... e de teres ficado arrasado por só saberes depois de ele ter sido sepultado..

    Athos: - Sim... eu fiquei muito chateado... culpei minha mãe por não te me avisado antes... mas depois lhe pedi desculpas... só que, no final... eu voltei a Paris e a deixei sozinha... sozinha...Aramis.... e você se lembra, não se lembra...

    Aramis: - Do que?

    Athos: - De que.... ela.... ela morreu 4 meses depois de meu pai..... tenho certeza que foi minha culpa.. minha culpa... se eu não tivesse sido tão orgulhoso, tão estúpido, eles poderiam ainda estar vivos...

    Aramis: - Você não teve culpa, Athos... Ela o abraçou.... ele estava chorando... as lágrimas corriam por sua face branca.. seus olhos estavam brilhando novamente, mas não era aquele brilho vivo, e sim o brilho das lágrimas que não paravam se formar. Está tudo bem, você não teve culpa nenhuma... nenhuma.... você fez escolhas, seus pais também as fizeram...

    Athos: - Mas... eles me deram tudo.. tudo... e eu só lhes dei desgosto e problemas.... e desprezo, desprezo que eles não mereciam, principalmente minha mãe.... ela me amava tanto, Aramis, e eu .. que fiz? Eu a matei de desgosto....

    Aramis: - Não diga isso, nunca... ela o beijava muito, e o deixou chorar em seu colo, pressionando-o forte.... Athos chorava mais uma vez... a última tinha sido com a revelação de que Aramis era mulher... Aramis ficou um misto de triste por ele, mas ao mesmo tempo, feliz por ver que Athos só se entregava realmente ás suas emoções com ela, só quando era com ela... Você não foi culpado de nada... as coisas simplesmente aconteceram assim....

    Athos: - Eu errei, partindo.

    Aramis: - Então eles erraram ao deixar você partir. Não se desespere e não se responsabilize por algo de que você não é culpado. Sua partida foi praticamente imposta, você não errou.

    Athos: - Mas

    Aramis: - Shhh.. não.. não errou... Beijou-lhe a testa... não errou... não errou, meu príncipe...

    Athos: - Você tem o dom de me fazer sorrir nas horas mais difíceis... enxugou as lágrimas que finalmente paravam de passear em seu rosto. Aramis?

    Aramis: - Sim?

    Athos: - Supondo mesmo que eu não tenha essaa culpa, o que eu faço!! O que faço sobre tudo isso? Eu não quero assumir estas propriedades todas... eu ainda acho que não é nada meu....

    Aramis: - Athos, não sei que decisão você deve tomar, isso somente você pode saber... terás que procurar esta resposta em teu coração... e somente nele... mas eu penso que, se seu pai estivesse realmente magoado, ele o teria deserdado, e não o fez... e se você acha que não o honrou até hoje, podia pensar em começar a fazê-lo agora, cuidando daquilo que ele tanto lutou para levantar.. assim estarás valorizando o esforço dele, de tua mãe... é um ponto de vista... se acha mesmo que estava errado todos estes anos (e eu discordo disso, mas isto é com você), comece sua redenção amando o que sua família edificou, eles o fizeram por ti, agora faça tu, por eles... mesmo que seja em honra da memória deles... daqueles que tenho certeza, te amam e se orgulham de ti onde estão agora... mas estou contigo em qualquer decisão que tomares.... J estás comigo também na decisão que eu tomar?

    Athos: ? Estou.. mas é claro... já tomaste uma decisão?

    Aramis: - Ainda não, mas como tu, precisarei tomar uma... L Athos se aproximou mais uma vez para beijar Aramis... começando mais uma vez pelo pescoço.. desta vez ele estava de olhos abertos.... eeee...

    Athos: - O.... que é isto? Um rosário?

    Aramis: - Ah... é... sim, é um rosário....

    Athos: - Nunca o vi antes em ti... já o tinhas?

    Aramis: - ..................................

    Athos:- É claro que não.. eu nunca vi antes... é lindíssimo... mas...

    Aramis: - Foi um presente... recente... acabo de ganhar...

    Athos: - ... humm.... de quem?

    Aramis: - De... Rochefort...

    Athos: - Rochefort... Rochefort.... ele.... outra vez ele...

    Aramis: - Athos, foi um presente de um amigo, ele disse que deseja que Deus e Nossa Senhora me abençoem na decisão que eu preciso tomar.

    Athos: - Hum..... entendi... eu entendi... (ENTENDEU NÃO).... também desejo isso...

    Aramis: - Eu sei... J

    Athos: - Mas acho que Rochefort não está sabendo ainda...

    Aramis: - O que?

    Athos: - Rien, rien... J

    Aramis: - Quer que eu fique contigo aqui até amanhã?

    Athos: É claro que quero.. nem pergunte... Ele Aramis ficou com Athos... os dois ficaram calados depois deste pequeno inconveniente....

    Aramis: - Bem, é uma boa hora pra nós dois pensarmos no que faremos nos próximos capítulos de nosas vidas... uma decisão eu tomei...

    Athos: - Qual?

    Aramis: - A de que não vou mais adiar, amanhã defino minha situação. Você também o deve fazer. Mas... ambos vamos fazer um pacto.

    Athos: - Que pacto?

    Aramis: - Vamos contar aos nossos Amigos em separado primeiro.. depois nos juntamos os cinco,

    Athos: - CINCO?

    Aramis: - Claro, pois estou contando também o Capitão Treville.

    Athos: - Ah... ah sim... claro..

    Aramis: - ? Mas... quem pensou que fosse o quinto?

    Athos: - ¬¬ Rochefort...

    Aramis: - Podemos esquecer o Rochefort por um minuto?

    Athos: - AH, MAS CLARO... COM UM PRAZER ENORME!!

    Aramis: J Pare... já deixei claro que se trata apenas de amizade sincera... nunca esperava que Rochefort fosse quem... ele é.. afinal.... um cavalheiro e um nobre de verdade...

    Athos: - Não deviamos ter esquecido de Rochefort?? Combinamos há pouco, não foi assim?

    Aramis: - Está bem... está bem.. mas estamos acertados sobre nossa decisão. Primeiro entro eu e comunico aos meus amigos minha decisão. Você permanece do lado de fora. Depois entras tu, e saio eu, e comunicas a tua decisão a todos. Só depois disso é que vamos conversar todos juntos, os cinco. Está bem?

    Athos: - Está sim, mas não sei porque este cerimonial todo.

    Aramis: - Não quero que minha decisão influencie a tua e não quero que a tua influencie a minha... devemos tomar nossa decisão em separado... e só depois é que vamos dizer um ao outro o que decidimos... J

    Athos: - Está bem, Aramis... como você quiser... Eles se deitaram lado a lado, sempre perto da lareira, e deram-se as mãos... não conversaram mais... olharam-se nos olhos por alguns instantes, sorrindo um para o outro.... depois olharam para a brasa queimando... as labaredas... pegaram no sono...

    Dormiram com o pensamento de que a partir do dia seguinte, suas vidas teriam um novo rumo...

    ***

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      Data/hora atual: Seg Nov 20, 2017 7:23 am