Sanjuushi Home Realm Forum

Um fórum para reunir todos os fãs de lingua portuguesa da série Sanjuushi, os 3 mosqueteiros, e da cultura japonesa!

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    VELHOS CAMINHOS...

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    Athos de La Fère
    General dos Mosqueteiros
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 21, 2013 10:17 am

    26. de la Fère e d’Herblay

    Aramis: - Ela despertou primeiro.. e em seguida deu um beijinho rápido na boca de Athos, acordando seu mosqueteiro favorito.

    Athos: - Aramis? J

    Aramis: - Bonjour, mousquetaire.

    Athos: - Bonjour...

    Aramis: - Está pronto?

    Athos: - Para?

    Aramis: - Para termos com nossos amigos e lhe contar a as nossas decisões... já tomaste a tua?

    Athos: - Eu.... oh... eu... eu... eu tenho até sexta...

    Aramis: - Prometemos um ao outro que hoje nos decidiríamos... eu já me decidi... posso esperar sua decisão somente até o fim do dia de hoje.. e para não te atrapalhar, vou para casa... J Ela se despediu beijando-o e abraçando-o mais uma vez... J Boa sorte....

    Athos: - Aaah....

    *

    D’Artagnan: - Obrigado Constance, o café estava delicioso... com sempre preparas a melhor comida de todas... J

    Constance: - De rien, D’Artagnan. Me levas ao Palácio?

    D’Artagnan: - Pois claro...

    *

    Porthos: - Capitão, meu amigos estão todos estranhos... sabes agora que Athos também tem algo a nos dizer, mas fica ensaiando e não conta nada... não o vemos desde ontem... ora....

    Treville: - Porthos, Porthos, meu filho, o que a vida me ensinou é que segredos sempre aparecem na hora certa.... deixemos que Athos nos conte quando quiser, sim... Agora.. gostaria de lhe falar sobre o que conversei com o Rei... naquele dia... sobre mulheres nos mosqueteiros...

    Porthos: - Aí vem! Sua Majestade veio com alguma maluquice, estou certo...

    Treville: - J Como foi que adivinhaste?

    *

    Rochefort: - Então, eu já posso me levantar e voltar ao comando de meus homens?

    Dr Leon: - É claro que não, Capitão. Infelizmente, a clavícula ainda não parece plenamente calcificada... isto sei porque ainda sente dores fortes ao menor toque...

    Rochefort: - Isto está sendo um inconveniente ao dormir, mas... eu já me sinto apto para levantar...

    Dr Leon: - Sem dúvida, Capitão, não duvido de sua capacidade e vitalidade.. no entanto, meu dever como médico é proibí-lo de fazer isto... e conto com o apoio de Sua Eminência que me recomendou o máximo cuidado contigo... portanto... não vou ceder, se está ainda tentando convencer-me a deixá-lo voltar ao trabalho.. especialmente um trabalho militar como vosso... ah, isso é impossível... faltamente podias lesionar tua clavícula para sempre.... de modo irreparável, enquanto que se guardares o repouso pelo tempo certo... tudo voltará ao normal..

    Rochefort: ¬¬ Está bem...

    Dr Leon: - Madame Gertrudes, devo recomendar que este bálsamos seja passado sobre a ferida todos os dias ao cair da tarde. É para atenuar a dor ao dormir. E se voltar a ter febre, panos úmidos no pescoço e testa.

    M. Gertrudes: - Ah, sim... com certeza... Não se preocupe Dr. Leon. Farei como dizes...

    Dr Leon: - Muito bem, já me vou. Eu sei o caminho, não se incomode.

    M. Gertrudes: - Oui, de qualquer modo, Pierre vai acompanhá-lo.

    Dr. Leon: Oui. Passar bem.

    M. Gertrudes e Rochefort: - Passar bem.

    Rochefort: - Como se se pudesse passar bem enquanto se cria teias de aranha em cima de uma cama... ¬¬ A senhora ouviu bem quanto tempo eu vou ter que aguardar aqui????

    M. Gertrudes: - Sim, ouvi. E achei muito prudente...

    Rochefort: - A senhora não está sendo complascente como antes.... J

    M. Gertrudes: - Neste caso naõ poderia ser, meu menino está precisando de repouso.. e sim, somente daqui duas semanas poderá se levantar e voltar as suas atividades normais... aumentando o esforço bem gradativamente, está bem?

    Rochefort: - 2 semanas.... Deus.. que farei em 2 semanas aqui parado!!!

    M. Gertrudes: - Aqui está... alguns livros de que gostais... os selecionei, poderá se divertir bem...

    Rochefort: - Pelo visto não há remédio mesmo!

    M Gertrudes: - J

    *

    Athos: - Decidir.. decidir... tenho que me decidir... estou sob muita pressão.... não é justo que eu tenha que tomar esta decisão assim... não é!! Flaubert.. Flaubert....

    Athos falava sozinho em sua casa. Pensava em tudo que o tal Flaubert tinha lhe dito e também nas considerações de Aramis...

    Ele pensou muito, por horas... passou a tarde toda pensando, até que mandou o recado a Aramis, Porthos e D’Artagnan. Que o encontrasse no Gabinete do Capitão Treville. Ele conseguiu. Depois de suar muito e de esquentar bem a cabeça, Athos se decidiu.

    *

    No Gabinete do Capitão Treville

    Treville: - Ah, finalmente chegaste, D’Artagnan.

    D’Artagnan: - Ora, só faltava eu?

    Porthos: Sim, só tu. Agora não mais... e também, chega de mistérios, não.. por esta semana já basta o que passamos...ou não? Vão nos contar o que há, Athos e Aramis?

    Aramis e Athos: - Sim... nós temos coisas a revelar e decisões a comunicar...

    Athos: - Espero que não se zanguem comigo...

    Porthos: - O que vem por aí, Athos?

    Athos: - Bem, combinamos que falaríamos em separado, Aramis e eu. Por isso eu primeiro vou sair, para que ela lhe diga o que tem a dizer... depois ela deixa a sala, e eu lhes direi tudo o que devem saber... e só depois de termos dito nossas decisões, separadamente, é que nos juntaremos os 5... eu só saberei a decisão de Aramis depois de juntarmos, e ela também só saberá a minha nesse mesmo momento. É assim que ela quer, e eu concordei.. vocês também concordam?

    Treville, D’Artagnan e Porthos: - Sim...

    Athos saiu para que Aramis fosse a primeira a dizer o que precisava ser dito.

    Aramis: - Meus caros amigos, meu amado Capitão, és como um pai para mim.... eu, de fato, depois de tudo o que houve, pensei muito bem no que me disse o Rei... e sobre o fato de ser mulher... e acho que não faz mais sentido algum ocultar-me.. a quem era preciso que este fosse um segredo, já acabou descobrindo , que foi Sua Majestade e ele considerou que não há problema algum... e também me foi autorizado permanecer no corpo dos Mosqueteiros,... sendo assim... eu... que não quero deixar esta minha família de verdade que são vocês, sabendo que é somente aqui que está minha felicidade, decido que, se me aceitam, claro, permaneço no corpo dos mosqueteiros... e o farei, se assim me for permitido, Capitão, na condição de mulher e não mais como homem...

    D’Artagnan: - Aaaaah!! Mas que bom, Aramis.. que boa notícia!!

    Porthos: - Ah, Aramis... Agarrou-a e abraçou e levantou-a do chão... e só lhe faltou rodar no ar.. mas o Capitão o conteve!!

    Treville: - Porthos?!

    Porthos: - Desculpe, Capitão... desculpe!!

    Treville: - esta é sim uma notícia que em muito me alegra minha filha, muito mesmo... eu fico felicíssimo com tua decisão e desde já adianto que está mais do que claro que poderás continuar nos mosqueteiros, tua família, e como mulher.... és melhor mosqueteira que muitos homens de minha guarda... portanto... sabes bem no que te metes! J

    Aramis: - J Muito obrigada, meu amado Capitão.. muito obrigada por tudo!! Sempre!! Abraçou seu capitão-pai ternamente.... ele também!

    D’Artagnan: - mas... como te chamaremos, afinal? Todos no corpo dos mosqueteiros te conhecem por Aramis... devemos chamá-la Reneé a partir de então?

    Aramis: - Também pensei sobre isto.. e... afinal... Aramis está muito bem.... Sou agora Reneé Aramis d’Herblay.... se concordam... e meu nome nos mosqueteiros não deverá mudar, podem continuar chamando-me Aramis.. e minha farda também não mudará... talvez apenas o tamanho... mais ajustado ao meu... pois as roupas que usava eram de François e me ficavam um pouco largas.. propositalmente.. como isso não será mais necessário, quero dizer, esconder-me nas roupas, então... posso perfeitamente conversar com Constance e Sr e Sra Bonacieux que me costuram roupas próprias para meu tamanho...

    Porthos: - É uma excelente idéia!! Que bom que ficas conosco, Aramis...

    Aramis: - J Vou mandar alguma ajuda a minha família... devem estar em dificuldades financeiras... tem talvez dívidas com a coroa e não posso deixar que eles sofram as penas por não pagarem aquilo que não podem...

    Treville: - Podemos conversar com o Rei e pedir que ele perdoe a dívida...

    Aramis: - Não, meu Capitão. O Rei já foi bondoso o suficiente e não quer abusar de sua benevolência. Vou mesmo pedir que levantem o quanto devem os d’Herblay e vou pagar a dívida. Tenho economias... acho que será suficiente...

    Treville: - Como quiser, filha....

    Aramis: - Bem, agora devo sair para que ouçam Athos... por favor, não contem a ele a minha decisão... combinamos isso para que não deixássemos influencias um pelo outro para decidir... então, é importante que ele não saiba sobre o que eu decidi, antes de dizer o que pensa.. e o que fará....

    Porthos: _ está bem, não falaremos nada!

    Aramis : - Nem esbocem qualquer coisa que indique qual foi a minha decisão, por favor, é importante.

    D’Artagnan: - Claro!

    Treville: - Sim...

    Aramis: - Obrigada.

    Aramis saiu.... chamou Athos que estava num outro aposento para não ouvir por trás da porta. Ele foi até o gabinete do Capitão, entrou....

    Athos: - Bem, é a minha vez...

    Porthos: - Sim, e fica tranquilo que estamos mais apreensivos que tu... o que foi que houve, meu amigo!! Tua cara é preocupada e grave.... isto preocupa-me a mim... ora!!

    Treville: - Porthos.. deixa-o falar...

    Sente-se Athos...

    Athos se sentou. Todos sentaram-se.

    Athos: - Bem... com disse a Aramis, minha história é longa...

    E novamente uma viagem no tempo foi feita por Athos, recordando-se do momento da briga com seu pai, da sua partida, do falecimento tanto de seu pai, como de sua mãe, o sentimento de remorso que ficou em seu coração desde então, de tudo o que renunciara e que não queria reaver, por julgar-se indigno, já que não foi responsável por nada daquilo. Disse que este era seu dilema no momento. Pediu muitas desculpas por nunca ter contado nada sobre quem era a qualquer um de seus amigos e a seu capitão, mas para Athos, aquele não era ele, nunca mais o seria... Os dois ficaram em choque ao ouvir aquilo... Treville não parecia tão alarmado... talvez só tivesse se surpreendido apenas com alguns fatos muito particulares, como o sofrimento que Athos guardou só para si todos estes anos após a morte de seus pais... e mesmo a distância deles quando ainda estavam vivos... ele sofreu sozinho, calado, sem nunca se queixar de nada a ninguém... mas parece que o Capitão não estava assustado sobre o fato de Athos ser um homem rico e ter tantas propriedades... ocorre que o nome de La Fère podia ser desconhecido entre os não nobres, mas certamente entre os nobres e lordes era sim um nome conhecido... e em muito respeitado... Treville sabia que o sobrenome de La Fère pertencia a Athos e imaginava que com ele viesse sim fortuna... Athos não contou ainda um detalhe importante a seus amigos, nem mesmo Aramis ainda o sabe... mas Treville e alguém mais entre os nobres conhecidos desta história, já sabiam...

    Treville: - de La Fére... Athos de La Fère...

    Athos: - Capitão?

    Treville: - Sim... um nome forte como esse nunca passa despercebido... conheci teu pai uma ocasião... foi numa festa, um baile na corte francesa, seus pais foram convidados...

    Porthos: - ?????? Os pais de Athos foram convidados para um baile da Corte?

    D’Artagnan: - Ora mas isto é lá um privilégio característico somente aos nobres com títulos e...

    Porthos e D’Artagnan: O.OOOOOOOO ATHOOOOOOOS?!

    Athos: - Sem graça.... ele não sabia onde enfiar a cabeça... queria esconder-se...* o Capitão já sabia?*

    Treville: - Meu filho.... já nos contaste tua história, mas ainda não disseste o que decidiu...

    Athos: - Ah, meu Capitão... eu pensei muito sobre isso, muito mesmo... meu orgulho me diz que eu mantenha minha renúncia a tudo... mas..... meu coração me diz que tanto meu pai quanto minha mãe morreram por causa deste meu orgulho descabido, e agora, se eu continuar renunciando, ou seja, de certa fugindo, estarei traindo a memória deles, vou matá-los uma segunda vez... meu orgulho os ferirá outra vez e os impedirá de descansar em paz... eu... não posso simplesmente abandonar tudo como eu tenho feito até agora... não posso continuar me esquivando do meu destino...

    Porthos: - Aaah... Athos, que quer dizer com teu destino!!

    Athos: - Quer dizer que vou fazer como me pede Sr. Flaubert... vou reaver as propriedades dos de La Fère... vou assumir o que talvez não seja meu por direito, mas sim... por... dever... em nome dos meus pais...

    Treville sorriu. Porthos e D’Artagnan entraram em pânico. Athos acabava de lhes contar que a maioria de suas propriedades era terras rurais no Bearn.... e bem... se ele vai assumir o que é seu... quer dizer que.... ele vai...

    Porthos: - Vais sair dos mosqueteeeeeeeeeiros?!!! Vai nos deixar?!!

    Treville: - Porthos!! Porthos!! Athos deve pensar no que é melhor para ele...

    D’Artagnan: - Mas não pode ir... nós... não queremos que vá.. aaaah....

    Athos: - J Eu não pretendo sair de Paris... e tão pouco vou deixar o corpo dos mosqueteiros, se meu Capitão me permitir ficar...

    Treville: - ????? Athos?

    Athos: - Meu Capitão... eu não quero sair dos mosqueteiros... quero continuar aqui... aqui é o meu lar... e... os de La Fére tem cá em Paris um pequeno Chateau.. J se me deixares ficar, minha felicidade estará quase completa!!!

    D’Artagnan e Porthos: - AHHHHHHAAAAA!!! GRAÇAS A DEUS!!!

    Treville: - Mas isso nem é coisa que se pergunte.... J Houve um abraço coletivo....

    Porthos: - Mas espere... como vais fazer para tocar tuas propriedades e ao mesmo tempo seguir carreira nos mosqueteiros?

    Athos: - É por isso que Flaubert terá de aceitar meus termos... eu reavejo tudo, desde que ele continue administrando como tem feito até agora... eu farei visitas regulares e me comunicarei com ele por carta sempre... e eu sigo minha carreira aqui... quando já estiver bem velhinho e aposentado dos mosqueteiros... vou para minhas terras e lá morro feliz... J

    D’Artagnan: - Para de falar em morte!! Aaaaaaah!! Mas estou feliz que vais ficar, Athos.. muito...

    Treville: - Muito bem, muito bem, ambas as decisões foram tomadas, mande chamar a Aramis, D’Artagnan.. está na hora da conversa com todos nós, por completo!! J

    E assim foi feito... todos conversaram, Aramis soube o que Athos decidiu, e Athos soube o que ela decidiu e todos estavam muito felizes... muito animados...

    Antes da conversa acabar, porém, o curioso D’Artagnan perguntou: - Mas Athos, afinal.... se o Capitão Treville disse que conheceu teus pais numa festa da corte francesa, aqui mesmo em Paris, significa que és... nobre... bem.. isso quero dizer, no título, porque no caráter não me resta dúvida... Wink

    Aramis: - Athos?

    Porthos: - Aí está uma bela pergunta, D’Artagnan? Mate logo nossa curiosidade, Amigo, que título tens?

    Athos: - Isso importa mesmo?

    Treville: - Sem mistérios, Athos... caríssimos, cá estão vocês... diante de nosso querido Conde de La Fère.

    D’Artagnan, Porthos e Aramis: - CONDEEEEEE????affraid

    Athos: Aaaaaaah, mas o queee teeeem??? Que susto!!

    Risos... só se ouviam risos altos vindos do Gabinete do Capitão Treville. Athos teve seu encontro com Flaubert naquela sexta-feira e resolveu tudo. Aramis foi logo ter com Sr e Sra Bonacieux para fazer suas roupas.. a surpresa da família Bonacieux foi muito grande, exceto do garotinho Jean, que já havia descoberto, antes mesmo que D’Artagnana, que Aramis era mesmo uma mulher... uma linda mulher! J



    ***
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    Athos de La Fère
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Ter Jan 22, 2013 12:09 pm

    27. Véspera de Natal

    Três semanas depois

    Todos retomaram suas atividades normais. Rochefort voltou ao seu posto de Capitão, nomeou Antoine tenente, como queria e Jussac perdera seu posto de segundo, mesmo continuando Tenente, era Antoine quem gozava da confiança plena de Rochefort. Havia um “Q” de arrependimento em Jussac, ele nunca mais foi o mesmo depois de perder a amizade sincera de seu Capitão.

    Richelieu estava animado com o retorno de Rochefort, mas continuava notando seu pupilo muito distante, parecendo até que tanto tempo fora o deixara apático. Havia algo de muito diferente em Rochefort. Ele se modificava mais a cada dia.

    Aramis assumiu publicamente sua feminilidade, ou melhor, diante de toda a companhia dos mosqueteiros, que foi convocada pelo Capitão Treville, Aramis disse ser mulher, vestida com suas novas roupas de mosqueteira, que nada mais eram que um jibão semelhante ao que ela tinha, porém com cores mais alegres e femininas e mais ajustadas ao seu corpo, o que não deixava dúvidas a nenhum cavalheiro de que tratava-se mesmo de uma dama. Ela usava calças, era um escândalo a época, mas como poderia um mosqueteiro lutar com um vestido? Ninguém entre os mosqueteiros se opôs a que Aramis continuasse na corporação, até porque, ela, Athos e Porthos eram os melhores “homens” entre todos eles... eles eram responsáveis oficiais pelo treinamento de novos recrutas, D’Artagnan, por exemplo.

    Capitão Treville achou por bem nomear os três como Tenentes de sua guarda e D’Artagnan deixou de ser apenas um aspirante e passou a integrar oficialmente os Mosqueteiros do Rei. Conforme a vontade do próprio Luis XIII (lembre o leitor da conversa que teve o Rei com o Capitão Treville), outras mulheres que desejassem seriam autorizadas a ingressar nos mosqueteiros, desde que mostrassem aptidão à espada. Aramis seria encarregada de treinar todas elas.

    Tudo corria muito bem... Athos mudou-se para seu novo chateau em Paris e tratou de chamar seus amigos para uma visita. Ele fez uma breve viagem a Bearn para ver suas terras e ficou contente com o que viu. Era tudo promissor, o vinhedo e as plantações. Aramis e Athos continuavam na mesma situação, uma espécie de romance informal, nenhum dos dois definia a relação que tinham desde que Athos a beijara no Palácio, na frente de todos. Athos estava sempre inseguro sobre isso. Queria ter uma conversa definitiva com Aramis a respeito, e planejava fazer isso logo...

    Era ante véspera de Natal. D’Artagnan viajou, foi passar o Natal com sua família, na Gasconha, voltaria para que no ano novo estivesse com seus amigos. O Capitão Treville também ia passar o Natal com sua família, em sua casa.

    Esta era mesmo uma época propícia a que todos fossem festejar com suas famílias. E a quem fosse preciso viajar, sempre era autorizado por seus patrões, como o caso de Madame Gertrudes, que só saia do Chateau de seu “menino” na ocasião do Natal para ficar com sua sobrinha e sobrinhos netos. Ela não se casou ou teve filhos, então, seus pequenos sobrinhos netos eram uma alegria para ela. Rochefort jamais se oporia. Ela ia com pesar em ter de deixá-lo só, mas ele fazia questão que pelo menos nesta ocasião ela saísse do chateau. Fornecia a ela carruagem com cocheiro para levá-la, e depois buscá-la. Não era tão longe de Paris, mas jamais deixaria Madame Gertrudes, já idosa, andando sozinha. Algumas vezes chegou a ir com ela. Quando o relógio dava as 18 badaladas, indicando que a tarde do dia 23 acabara, Rochefort dispensou seus empregados, todos, sem exceção. E ficou esperando pelo dia seguinte, a Véspera de Natal. A Missa do Galo, claro!

    *

    24 de dezembro – Véspera de Natal

    Aramis e Athos também iam à Missa, afinal de contas, estavam somente os dois em Paris, do seu grupo de Amigos. Até mesmo Porthos tinha parentes para visitar. Seu irmão Richard o esperava em Lyon. Pois muito bem. O dia foi de preparativos na casa de muitas famílias em toda a França. No Palácio, o Rei e a Rainha também preparavam uma grande celebração para seus próprios familiares da alta nobreza da França.

    Richelieu seria o celebrante da Santa Missa do Galo e passou o dia se preparando para tal, optou pela reclusão com o mundo externo e adepto à Liturgia das Horas, orou durante quase todo o dia. Nada de assuntos políticos e econômicos para resolver, não neste dia.

    *

    Athos: - Nos vemos mais tarde, com certeza.

    Aramis: - Nos encontramos na Missa, eu o espero à porta de Notre-Dame

    Athos: - Oui, oui... J *Mas antes vou resolver uma breve pendência*...

    *

    Mais tarde

    TOC TOC TOC

    O eco das batidas ressoaram alto no interior daquele imenso Chateau que estava vazio uma vez que todos os empregados foram dispensados por ocasiãos das Festas.

    Sendo assim, não havia como não escutá-las. Ele apressou-se para responder á porta, estava no andar de cima e se demorasse, quem quer que fosse poderia desistir por pensar que não havia ninguém em casa. Abriu a porta e surpreendeu-se como seu visitante.

    Rochefort: - Athos?

    Athos: - Bonsoir, Rochefort...

    Rochefort: - Bonsoir... o.O

    Athos: - Podemos falar um instante…

    Rochefort: - Ah... claro, claro que sim.. entre. Desculpe, eu ainda não acendi as velas.

    Athos: - Não se preocupe. Eu vou ser breve, eu só preciso de uma resposta verdadeira, sincera.

    Rochefort: - o.O’ Qual é a pergunta?

    Athos: - Bom... é.. antes de mais nada, eu acho que... desculpe... eu fui rude.. rude demais... diga-me.. você está melhor? Como está seu ombro?

    Rochefort: - Muito bem, está em perfeitas condições.

    Athos: - Fico contente. Mas... agora eu...

    Rochefort: - Não quer se sentar?

    Athos: - Ah... está bem... obrigado... Rochefort notou como Athos estava diferente em dois aspectos: suas vestes estava mais sofisticadas e seu modo de falar estava atrapalhado e isso não era costumeiro. Indicava no mínimo, na opinião de Rochefort, que o assunto a ser discutido era delicado.

    Rochefort: - Muito bem, em que posso ajudar.

    Athos: - Indo direto ao assunto... é... bom... primeiro.. isto é... para você..

    Rochefort: - ? Um vinho?

    Athos: - Sim... eu o trouxe recentemente de Bearn.

    Rochefort: - Ahaaaa.... riu enquanto observava o rótulo da garrafa..... um Merlot do vinhedo de La Fère? Só pode ser brincadeira!! E eu nunca havia percebido isso antes... mas é isso... naquele dia... era o que eu ia dizer e foi o que Aramis me perguntou naquela tarde... sim... Athos, Athos, Athos... é por isso que estás.... diferente?

    Athos: - Diferente como?

    Rochefort: - Você é o pequeno de La Fère que eu visitei com meus pais há quase 30 anos. Fomos até sua terra, em visita a teus pais, parabenizá-los por seu nascimento. Meu pai era amigo do seu pai. Eu o vi bebê... hahaha mas... eu era também uma criança e não memorizei o nome que eu ouvi à época.. o nome com que iam batizá-lo. Chegamos em Bearn a convite de teu pai uns 3 dias após o teu nascimento... Isso é inacreditável... eu me deparar contigo já crescido... alguém que eu conheci bebê... e é claro que é você... porque escondeu este tempo todo que era o Conde de La Fère?

    Athos: - ???? o.O Já sabia?

    Rochefort: - Sabia do que? Você não disse que seu pai é falecido e que não tem irmãos?

    Athos: - Sim... eu disse mas...

    Rochefort: - Eu presumi que... enfim... só podia! Era isso o que ia dizer... de La Fère é um nome difícil de esquecer, é forte e talvez eu, enquanto menino tenha gravado apenas o nome do teu pai...

    Athos: - Será possível?

    Rochefort: - Se chamava Olivier de La Fère... não era?

    Athos: - Você... os conheceu mesmo...

    Rochefort: - Não posso acreditar!! Sorrindo...

    Athos: - Este é um mundo pequeno, realmente.

    Rochefort: - Sem dúvida... sem dúvida... bem, Conde, eu... o agradeço pelo bom vinho... Vou abrir agora mesmo!

    Athos: Ah... Rochefort... se for unicamente por minha presença, não se incomode... Eu realmente não vou ficar muito tempo, eu venho com objetivos bem definidos hoje.

    Rochefort: - Muito bem, nesse caso, eu vou guardá-lo para quando retornar a minha casa, quero abrir este apenas quando estiveres aqui. Vou esperar sua nova visita em breve Conde.

    Athos: - Ah.. não me chame assim...

    Rochefort: - Como queira... Então, como é que posso ajudar, volto a perguntar?

    Athos: - Bem, vou ser bastante direto porque eu não sou mais uma criança, ou bebê, e percebo algumas coisas a minha volta... então... Rochefort, você tem algum sentimento mais profundo por Aramis? Algo que vá além da amizade sincera? Rochefort perdeu o rumo!

    Rochefort: - COMO DISSE??

    Athos: - Você ouviu, sério, responda por favor, com honestidade, você tem algum sentimento por Aramis? Você... a ama?

    Rochefort: - ................... Aaaa Athos.. eu... mas que tipo de pergunta é essa??? Eu a conheço há tão pouco tempo e sempre pensei que fosse um homem, como é que

    Athos: - Honestamente, Rochefort.

    Rochefort: - Eu não entendo a razão da tua pergunta? Porque é que devo responder isto a ti, pode justificar isso?

    Athos: - Posso. Eu a amo, estou profundamente apaixonado por ela e pretendo que um dia, talvez em breve, ela seja Sra. de La Fère. Então... eu preciso saber se você sente alguma coisa por ela...

    Rochefort: - Deus.... eu devo estar sonhando....

    Athos: - Não é sonho... agora pode me responder?

    Rochefort: - ...............................................

    Rochefort se levantou desconfortável pela pergunta.

    Rochefort: - Está me intimando a responder?

    Athos: - Não, estou pedindo uma resposta sincera. Athos também se levantou e aproximou-se de Rochefort para encará-lo.

    Rochefort: - Não entendo, eu ainda não entendo o motivo da pergunta, Athos.. isso não faz o menor sentido, que tenho eu a ver com os teus sentimentos por Aramis... ele tentou desviar-se do olhar de Athos, mas o mosqueteiro o impediu, segurando-o quando ele tentou virar as costas. Athos o ‘obrigou’ a ficar de frente para ele com um repentino puxão no braço de Rochefort. Ele acabou paralizado, era o braço que semanas atrás estava seriamente ferido, ainda doía de vez em quando. Ele sentiu.

    Rochefort: - Aaah... au...porcaria!

    Athos: - Me desculpe... não foi intencional... eu só, preciso da resposta, Rochefort... por favor!!

    Rochefort: - MAS QUE RAIOS IMPORTA O QUE EU SINTO POR ARAMIS?????? Esbravejou, a dor o tirou um pouco do sério. DROGA, ATHOS! ISSO NÃO É PROBLEMA MEU!!

    Athos: - Eu não vim para brigar, Rochefort, desista. E não desvie do assunto, apenas responda, é tão simples, basta dizer sim ou não... Amas Aramis?

    Rochefort: - VocÊ ficou louco em tão pouco tempo!

    Athos: - RESPONDAAAAAA! Pare de evitar o assunto.. eu não saio daqui sem uma resposta! Não vou desistir... responda pelo amor de Deus!!

    Rochefort: - JÁ LHE DISSE, QUE IMPORTA ISSO!!

    Athos: - Apenas admitaaaaaaa!!!!

    Rochefort: - Admitir!!

    Athos; - Sim, admita que gosta dela...

    Rochefort: - Se você sabe a resposta, o que está fazendo aqui em plena véspera de Natal? Aaah, Athos, não me aborreça com isso.... eu não tenho nada com Aramis... nada!! Você está imaginando coisas!!

    Athos: - Não estou não!! Eu vi, eu não sou ingênuo, Rochefort, eu vi como você olhava para ela, na viagem, no dia em que ela nos contou tudo, eu tenho observado... só quero uma confirmação!

    Rochefort: - Aaaaah!! E daí, e daí... e se por acaso, eu admitisse que tenho sentimentos por ela, que mudaria afinal, entre vocês? Está muito claro para mim que você a ama, e que ela lhe corresponde, porque é que você tem que vir até aqui me .... atazanar o juízo com isso, Athos... por favor!!

    Athos: - Você sente algo por ela?

    Rochefort: ......................................................

    Athos: - Rochefort?

    Rochefort: - ESTÁ BEM, ESTÁ BEM... ADMITO.. ADMITO QUE SIM, SINTO ALGO POR ELA, TÁ BEM, EU... EU ME SINTO ATRAÍDO POR ARAMIS... E JÁ CHEGA... VÁ EMBORA!

    Athos: - Não ainda!

    Rochefort: - Já admiti, o que mais você queeeeeer? Afinal de contas, porque tudo isso? Sabe muito bem que ela corresponde ao teu sentimento, não ao meu... que diferença tem em eu tê-lo admitido a ti?

    Athos: - A diferença entre nossos sentimentos por ela está em que eu admiti a ela, e o declarei abertamente, e você o tem guardado em seu coração.

    Rochefort: - Só me falta agora você afirmar que eu devo me declarar a Aramis... mesmo sabendo que ela não corresponde ao que eu sinto por ela... Rochefort segurou Athos com força e o pressinou.

    Rochefort: - O QUE VOCÊ QUER COM TUDO ISSO, ATHOOOOS, ME ESCLAREÇA!! DROGAAA!

    Athos: - Ei.. ei... calma.. calma... eu só estou tentando fazer as coisas direito, de forma honesta, nós... pelo que me consta, Rochefort... nós estabelecemos um vínculo diferente.... eu, você, ARamis... e os D’Artagnan, Porthos e até mesmo o Capitão Treville. Houve uma cumplicidade entre nós em torno do segredo que Aramis guardava, e você não foi apenas um aliado, foi muito mais, você se tornou... um amigo! E eu, percebendo como se sente a respeito de Aramis, não podia simplesmente deixar as coisas assim... até agora não temos nosso relacionamento muito definido, mas eu quero mudar isso, mas para tal, eu precisava falar com você, saber como se sente e jogar limpo...

    Rochefort: - Eu não estou jogando nada!!

    Athos: - O que eu quero dizer é que quero deixar as coisas transparentes, abertas, o que eu sinto por ela é genuíno, eu a amo de verdade, e quero fazê-la muito feliz, se ela permitir, mas em nome da amizade que estabelecemos, não quero que fiquem mágoas ou ressentimentos...

    Rochefort: - Deixa eu ver se eu entendi... está pedindo a minha ‘bênção’, é isso?!! Athos... pelo amor de Deus... você e Aramis são livres para fazer o que quiserem com suas vidas e eu não tenho

    Athos: - TEM SIM! Você é um amigo que eu não quero magoar... não quero desconfortos depois que eu e Aramis estivermos juntos, se é que ela concordará com isso.... está tudo bem para você, eu e Aramis...

    Rochefort: - .............................

    Athos: - .......................................

    ......................................................

    ......................................................

    Rochefort: - E porque é que não haveria de estar! Athos, eu desejo apenas que sejam muito felizes, é tudoo que eu quero para vocês, está mais do que na hora! Eu... sim eu me sinto atraído por Aramis, mas isso não é motivo para causar desconforto entre nós... não vai mudar nada.... eu jamais deixaria que isso mudasse alguma coisa... sua amizade e respeito me são muito caros.. depois de tudo o que causei, obter o teu perdão foi para mim uma alegria sem tamanho, eu não vou jogar isso fora por um sentimento que sequer me será correspondido... eu sei disso, com muita clareza... além do mais eu.... ando... tão cheio de dúvidas... me questionando o tempo todo sobre tanta coisa... pode imaginar a situação, na minha idade e eu tão indeciso e insatisfeito comigo mesmo? Há algum médico que possa dar jeito nisso? Eu acho que não... Talvez meu sentimento por Aramis esteja baseado na forma como ela me fez contestar o mundo no qual eu vivia.... há algum tempo que venho fazendo indagações a mim mesmo e nunca encontro respostas satisfatórias... mas Aramis me fez perceber que não posso me acomodar com isso...

    Athos: - .... Eu... não imaginava que...

    Rochefort: - Acho que ninguém imagina... porque isso não deveria acontecer comigo, pelo menos não nessa idade em que já não sou um menino... não era para ter tantas dúvidas, mas eu as tenho... e não é só isso.. acho que o que eu procuro, o que tenho que encontrar, é que vai me dar as respostas... eu... me sinto muito sozinho... e essa é a grande verdade, Athos.. a solidão está me matando... Athos olhou em volta, o ambiente escuro que era o chateau do Rochefort, e ele sozinho naquela imensa casa.... ele ficou calado, ouviu atentamente a Rochefort e não ousou dizer mais nada...

    Rochefort: - Aramis me fez enxergar que eu preciso ir atrás das respostas, até encontrá-las.. conhecê-la me fez entender que não quero passar o resto dos meus dias sozinho.... J mas isso também não quer dizer que ela tenha que corrresponder ao que nasceu no meu coração.. e só nele... ela ama você... me esqueça, por favor,e cuide de fazê-la feliz, muito feliz como você disse que fará.. vá, Athos.. não perca mais tempo aqui... anda... vá embora e volta para Aramis... sejam felizes juntos, porque sei que ela não vai recusar qualquer pedido teu... eu lhe asseguro, meu caro Athos, jamais haverá ressentimentos entre nós.... esteja certo disso!! Smile Rochefort deu um abraço fraterno no mosqueteiro confuso que deixou aquele chateau um misto de agradecido, contente e preocupado. Estava feliz por ter acertado as coisas com Rochefort, deixado tudo as claras, porém, preocupava-o que o novo amigo estivesse mesmo tão solitário.... que poderia ele fazer a respeito? Não podia evitar sentir-se mal por não poder ajudar em nada....

    O resto da tarde passou depressa, a hora da Missa, chegou.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Jan 23, 2013 4:49 am

    28. Respostas

    Elegantemente vestido, Rochefort adentrou a Catedral de Notre Dame de Paris e acompanhou a celebração lindíssima da Santa Missa do Galo presidida por Sua Eminência, o Cardeal de Richelieu.

    Athos e Aramis, igualmente elegantes, também compareceram à Missa. Aramis usava um belíssimo vestido de cor azul escuro.

    Havia muitos rostos conhecidos por lá, Antoine, Jussac, os Bonacieux, Capitão Treville e sua família, e até mesmo o próprio Rei, que assistia a tudo de um camarote muito reservado junto da Rainha Anna.

    A celebração durou cerca de 2 horas. A Catedral estava realmente lotada e as pessoas, na hora da despedida, se esbarravam umas nas outras, acidentalmente, em busca da porta de saída. Os conhecidos se cumprimentaram e saíram. Athos e Aramis haviam sido previamente convidados a passar a ceia de Natal com os Bonacieux. Capitão Treville também cumprimentou a todos que conhecia, incluindo seus mosqueteiros favoritos e dirigiu-se a sua casa com sua família para celebrar a festa do Natal. Sua Eminência se retirou e voltou a reclusão em seus aposentos no Palácio de Versalhes. Jussac teve tempo de conversar um instante com Rochefort.

    Jussac: - Capitão?

    Rochefort: - Oui, Jussac. Era Natal, mas o tom de voz de Rochefort era seco.

    Jussac: - Joyeux Noël, Monsieur.

    Rochefort: Joyeux Noël, Jussac. A você e sua família.

    Jussac: - Merci, Capitaine...

    Rochefort: - Até breve.

    Jussac: - Mon Capitaine?

    Rochefort: - Oui…

    Jussac: - Je suis désolé... L

    Rochefort : ................... Je comprends, Jussac, je comprends... ne vous inquiétez pas. Á bientôt.

    Jussac : - J Á bientôt, Capitaine... à bientôt, merci, merci... Dieu bénisse..

    Rochefort : - Dieu bénisse... Rochefort deixou a presença de Jussac e foi dirigindo-se a Porta...

    Antoine: - Ah... Capitaine, Capitaine, s'il vous plaît !! Eu gostaria muito que conhecesse minha família e que nos desse a honra de cear conosco nesta noite?

    Rochefort: - Ah... Antoine... eu... de verdade eu

    Antoine : - Por favor, sim.. por favor, espere aqui um instante, já vou trazê-los aqui para conhecê-los...

    Rochefort: - Ah... está bem... está bem eu espero ! Rochefort não quiser ser mal educado!

    *

    Athos e Aramis iam seguindo os Bonacieux até a casa, mas iam a passos lentos, ficando sempre um pouco mais para trás.

    Aramis: - Estou feliz que esteja comigo, Athos.. ela estava realmente feliz, radiante, e lindíssima em seu vestido azul. Athos a admirava, mas tinha algo a dizer...

    Athos : - Eu só poderia estar contigo e ninguém mais... Aramis... Aramis.... como és linda... e como é bom estar a teu lado...

    Aramis : J Um selinho rápido no seu querido Athos.

    Athos : - Eu... quero dizer uma coisa importante a ti.... para depois da ceia, quando estivermos só nós dois... podemos conversar ?

    Aramis : Mas é claro, meu querido... J

    Athos : - Ótimo.. vou aguardar ansioso.. J

    Aramis : - Eu também.. porque agora me deixaste curiosa... J

    Athos : - Eu te amo !

    Aramis : - Eu também te amo, Athos de La Fére ! Era a primeira vez que Aramis dizia estas palavras a Athos... a primeira !!

    Os olhos do mosqueteiros mais equilibrado da corporação brilharam de contentamento e satisfação ao ouvir aquelas palavras... Ele a levantou no ar e a rodopiou uns instantes....

    Aramis : - Ahh...hahahahahahaha.... Depois, abraçados, continuaram a caminhada !! Constance olhou animada para a cena, lembrou-se de D’Artagnan, tinha tantas saudades de seu pequeno mosqueteiro valente.

    *

    Voz Desconhecida : - Anik, Anik, pare....não deve agir assim, minha filha...

    Finalmente saindo do interior da Catedral, Rochefort se posicionava do lado de fora, ao lado da porta, ainda olhava para dentro vendo o movimento das pessoas se cumprimentando e despedindo, desejando um feliz natal umas as outras quando... POFT !! Um esbarrão !!

    Rochefort : Wwwooow !

    Anik : - Aah... Damm it, Damm it.. get off of me...put your hands off of me... you bastard !! Uma garota de aparemente 12 anos, muito nervosinha, havia esbarrado-se ao Conde de Rochefort...e xingava falando um inglês fluente...

    Rochefort : - Hey, hey, hey, wait a minute, little girl.... Wow ! You’re brave one... yeah, I see.. but, where are your manners ?... J

    Mãe de Anik : - Oh, Oh, pardon, monsieur, je suis désolé...

    Rochefort : - Não se incomode, Madame... foi um acidente ! J

    Mãe de Anik : - Estou muito constragida pelo comportamento de minha filha, eu realmente sinto muitíssimo...

    Anik : - Eu não tenho culpa que este mastro de navio estava parado aí na porta da saída... it was not my fault, Mother.

    Rochefort : ¬¬ Mastro ?

    Mãe de Anik: - ANIIIIK?!! Enough!! I want you to Appologize immediately for your awful behavior! Your father would be so disappointed at you.

    Anik: Não ponha o papai nisso... não ponha!!!! Anik disparou até o chafariz que ficava ali perto. A mãe da garotinha, muito constrangida, continuava tentando desculpar-se com aquele cavalheiro alto e sim, até onde conseguiu observar, esbelto e bonito que estava diante dela, sorridente, apesar do esbarrão e da malcriação da criança.

    Rochefort: - Não há problema, de modo algum.

    Antoine: - Aah, finalmente encontrei... o.O’? Catherine? Já conhece Monsieur de Rochefort?

    Rochefort: - ?

    Catherine: ? Como disse, Tony?

    Rochefort: - J Se conhecem?

    Catherine: - Oui, oui, Tony é meu irmão caçula.

    Antoine: - Catherine... este é meu capitão Rochefort, é ele quem eu queria apresentar-lhe quando você correu seguindo Anik. Como está minha sobrinha?

    Catherine: - Chateada pela pergunta de Madame D’Ante. L

    Antoine: - E você, como está?

    Catherine: - Muito bem, meu irmão, muito bem, hoje é Natal, não é mesmo!

    Rochefort: - Ah, sim, Madame... com certeza uma data festiva, nasceu Nosso Salvador, só há motivos para alegria...

    Catherine: - Oui, Monsieur.

    Rochefort: - A propósito, queira perdoar minha indelicadeza. Rochefort beijou a mão da dama a sua frente, cumprimentando-a e dizendo-se encantado em conhecê-la.

    Catherine: - Com as bochechas vermelhas destacando em sua tez pálida, Madame Catherine fez uma reverência e se disse igualmente encantada em conhecer aquele lorde.

    Antoine: - Meu Pai, minha Mãe, este é meu Capitão, Monsieur Conde de Rochefort. Imediatamente Rochefort procedeu da mesma forma com a Senhora a seu lado, beijando-lhe a mão e cumprimentou o cavalheiro já um pouco idoso com muita cortesia.

    Sra Deboir: Encantada, Monsieur.

    Sr Deboir: Um prazer e uma honra, meu senhor...

    Rochefort: - São todos meus, senhor.

    Antoine: - Monsieur Rochefort, aceita nosso humilde convite para cear conosco?

    Catherine sentiu uma pequena palpitação ao ouvir seu irmão convidar Rochefort para a ceia de Natal em sua casa. Antoine vinha de uma linhagem nobre, já não tinham título há duas gerações, mas eram uma família de lordes muito respeitada em Paris. Catherine era a filha mais velha do casal Deboir, quando tinha 16 anos apenas, casou-se com o também jovem Barão de Camberwell, da Inglaterra, na época com 18 anos. Hoje com exatos 30 anos, regressava a sua terra natal, a França, Paris, depois da viuvez prematura há um ano. Seu marido, médico, havia se contagiado com uma enfermidade grave de alguns de seus pacientes que ele tratava com tanta devoção e carinho, por amor ao ser humano e à profissão, e foi por ela levado desta vida. Sua filha com o jovem barão, Anik, de 12 anos, não aceitou a morte de seu pai, com quem era fortemente ligada. A então Baronesa de Camberwell, decidiu vender a maioria de suas propriedades na Inglaterra e transferir seus bens para Paris. Comprou territórios na França, e estava providenciando sua mudança para a cidade de sua família, enquanto aguardava em casa de seus pais até que todos os preparativos estivessem prontos para sua mudança definitiva para sua própria casa, uma enorme mansão comprada pela Baronesa na ala dos Chateaus parisienses.

    Rochefort não planejava cear com a família Deboir, no entanto, ponderou que passaria o Natal sozinho e a família de Antoine era tão agradável quando seu caro jovem tenente, porque não, afinal, aceitar o gentil convite? Ele olhava fixamente para Madame Catherine de Camberwell e percebeu que ficou realmente encantado conhecê-la. Sorriu para ela, e para seus familiares. Anik se aproximou da família e perguntou:

    Anik: Are we going home for dinner?! I’m hungry?

    Catherine: - Anik, Anik, please, be polite, dear!

    Anik: - I’m being polite, I’m just… hungry, Mother..

    Sr e Sra Deboir: - HAHAHAHAHA

    Antoine: - Muito bem, sobrinha, vamos logo para casa! E veja se tentar falar francês por aqui, estás em tua casa agora..

    Anik: - Sorry, uncle Tony, but my home is Camberwell, England, where I was born and where is my father buried. L

    Silêncio.

    Em seguida, se puseram todos a caminho da mansão Deboir, onde seria a ceia.

    Anik percebeu um convidado a mais acompanhando-os e percebeu mais ainda que este convidado a mais estava muito próximo de sua mãe. Isso a incomodou profundamente.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Jan 23, 2013 8:01 am

    29. A Proposta

    A família Deboir-Camberwell juntamente com monsieur de Rochefort chegaram à casa e cearam tranquilamente. Bem, Anik não pareceu muito confortável, mas DESTA vez comportou-se à mesa, pois seu pai sempre recomendava que tivesse bons modos à mesa, já que as refeições eram sagradas. Após a sobremesa, em que todos se deliciaram, Rochefort sempre elogiando o sabor da comida e as senhoras da casa sempre contentes com tais elogios, foram os cavalheiros para a sala de estar e as senhoras para a saleta.

    Rochefort também foi generoso com Antoine e o elogiou bastante a seu pai, dizendo-lhe que o jovem tenente seria um excelente comandante no futuro.

    Antoine: - É muita bondade de sua parte, Mon Capitaine.

    Rochefort: - Bobagem, Antoine, sabes que não precisar ser modesto. Estamos falando francamente!

    Antoine: - Eu o agradeço, Capitaine.

    Sr Deboir: - Eu também agradeço pelos elogios ao meu filho, Capitão Rochefort.

    Rochefort: - De rien. Mas sou em quem deve agradecê-lo pelo convite e hospitalidade Monsieur Deboir.

    Sr Deboir: - Nossa casa é sua casa, Monsieur.

    Rochefort sorriu.

    Rochefort: - Eu só espero não ter causado algum desconforto a sua pequena neta, Mademoseille Anik. Minha presença pareceu incomodá-la um pouco.

    Sr Deboir: Oh, peço-lhe mil desculpas pelo comportamento de Anik, minha neta. Após um ano e ainda está desolada pela morte do pai.

    Rochefort: - Entendo...

    Sr. Deboir: - Meu amado genro morreu há um ano, acometido por uma terrível enfermidade. Era médico, contagiou-se ao cuidar demasiado bem de seus pacientes. Era inglês, o Barão de Camberwell. Mas minha filha sente-se muito solitário na Inglaterra agora que seu marido não está com ela. Deciciu voltar a viver na França, mas Anik não aceitou bem a mudança. Ainda não se conforma com a morte do pai e muito menos em deixar a casa onde nasceu e foi criada.

    Rochefort: - Eu lamento vossa perda, Monsieur. E desejo que a pequena Anik seja consolada por sua dor e possa ser o mais feliz agora que está junto de sua família.

    Madame Camberwell ia ter com seu pai, para fazer-lhe uma pergunta qualquer quando ouviu o último comentário de Rochefort. Emocionou-se com ele. Ia voltando para trás tentando não ser percebida quando seu calcanhar encostou sobre um móvel e ela derrubou um artefato da casa. Houve um barulho que chamou a atenção dos cavalheiros presentes.

    Antoine: - Minha irmã, está tudo bem?

    Catherine: - Ah, claro, claro, sim. Fui apenas desajeitada, vim apenas me certificar se já está em tempo de servir um café, e esbarrei na mobília. Eu ainda não me acostumei às mudanças que mamãe introduziu na casa desde a minha partida para a Inglaterra.

    Antoine: - Um café seria muito bem vindo, minha irmã. E podias te juntar a nós, tu, minha mãe e Anik, não?

    Sr Deboir: Eu não me oponho. Algum incoveniente, Monsieur Rochefort?

    Rochefort: ........ paralizado, olhava para Catherine, nem ouviu a pergunta de seu interlocutor.

    Sr. Deboir: Monsieur?

    Rochefort: - Ah... como? Desculpe... Não.. não, de forma alguma... por favor!

    Catherine: - Neste caso, vou chamá-las e regresso.

    Sr Deboir: - Oui, mon cher.

    Antoine: Não esqueça de pedir para servir o café, minha irmã.

    Catherine: Claro que não, Tony.

    O café foi servido com as mulheres já presentes na sala de estar. Anik com uma tromba enorme na cara. Muito insatisfeita. Era o seu primeiro Natal sem o pai.

    Conversa vai, conversa vem, e a hora passou. Eram já 3h da madrugada, Rochefort achou que era tarde demais para estar em casa de amigos, mesmo sendo tão novos amigos e avisou que ia retirar-se.

    Rochefort: - Devo agradecer mais uma vez, muitíssimo, pelo convite. E agora espero-vos em minha casa em breve.

    Sr. Deboir: - Será uma honra, meu senhor.

    Rochefort: - Até breve, cavalheiros, senhoras. Joyeux Noël!

    Todos, menos Anik: Até breve, Monsieur Rochefort. Joyeux Noël!

    Rochefort: - Á bientôt, Mademoiselle Anik. Beijou-lhe a mãozinha. Merry Christmas! A menina ficou tão sem jeito que não conseguiu sequer ser malcriada com o cavalheiro. Ela enrubesceu as bochechas. Ele sorriu para ela, e os deixou indo para sua casa.

    Rochefort: Que noite agradável... mais do que eu esperava... eu não sabia que seria convidado para uma ceia fabulosa, com pessoas tão gentis.. Antoine é mesmo um rapaz valoroso, e sua família é especial. Tão amáveis... até mesmo a pequena e esbravejada Anik.

    Tirou suas botas, livrou-se da capa, do jibão pesado, cinturão, espada e pistola, e claro, do chapéu. Subiu para seu quarto, acendeu a lareira e jogou-se sobre sua cama confortável, emaranhando-se debaixo dos lençóis e cobertores quentes. Não esqueçamos do frio que faz em Paris no inverno. Ele congelou no trajeto para casa, porque não estava usando seu cavalo. Naquela noite, estava a pé, por sua conta.

    Rochefort: - E que bela baronesa, muito bela... e encantadora, muito encantadora.... Baronesa de Camberwell, Madame Catherine Deboir Camberwell. Sorriu sem perceber. Fechou os olhos, apagou as velas e adormeceu. Teve bons sonhos naquele resto de noite.

    *

    Ao final da ceia em casa dos Bonacieux, a mesma alegria na conversa entre todos. Divertindo-se, cantando até, algumas cantigas de Natal, um bom vinho trazido por Athos, mais alegria, travessuras de Jean, risadas de Constance, e tudo ia muito bem. A hora realmente passou depressa, e Athos e Aramis se despediram para voltar a suas respectivas casas.

    Aramis: - Até amanhã, Sr e Sra Bonacieux, Constance e Jean. Obrigada pela ceia. Estava tudo delicioso.

    Athos: - No Ano Novo espero que não tenham nenhum compromisso, pois a ceia e a festa serão em minha casa. E não vou aceitar a vossa recusa. Até amanhã.

    Todos se despediram.

    A caminho da casa de Aramis

    Athos: - Está na hora de lhe dizer o que tenho que dizer, quer ouvir?

    Aramis: Ah, já pensava que esta hora não chegava nunca... sim, é claro... por favor, diga! Seu coração batia forte... estava tão curiosa para saber do que se tratava...

    Athos: - Aramis... o que nós temos é muito especial. É algo tão sublime, eu a amo muito, demais, e não quero perdê-la, quero estar contigo todo o tempo, quero acordar contigo todas as manhãs e ir dormir também em tua companhia todas as noites... não quero mais passar um segundo do meu dia sem te ver e sem te sentir.... e por desejar isso do fundo do coração, é que eu quero te fazer um pedido...

    Aramis: - Athos... seus olhos estavam enchendo de lágrimas, imaginava qual era o pedido.. mas precisava ouvir... ouviu...

    Athos: - Aramis... Reneé Aramis d’Herblay... Ajoelhou-se... Aceitas casar-se comigo? Apresentou-lhe uma pequena caixa aveludada, abriu-a diante dela e lá estava um anel de brilhantes lindíssimo, um diamante finíssimo.

    Aramis: - Athos... oh meu Deus, é tão lindo.... Athos, você... oh.... Ela também se ajoelhou diante dele...olhou-lhe nos olhos, por fração de segundo, lembrou-se de François e o viu sorrindo. Em seguida, respondeu.

    Aramis: - Sim, eu aceito. Eu aceito, eu aceito, eu aceito... sorrindo... Eu aceito... Eu te amo, Athos, te amo, e aceito me casar contigo, me faria a mulher mais feliz do mundo...

    Athos: - Obrigado!! Acaba de fazer a mim o homem mais feliz do mundo... isto sim!! Abraçou-a... e a beijou apaixonadamente.... e os dois começaram a rir e novamente Athos a rodopiou no ar, sem parar, estava tão feliz, tão contente. Foram para o chateau dele, e lá passaram o resto da noite juntos, conversando e fazendo mil promessas amorosas um ao outro. Athos colocou o anel no dedo de Aramis e consagrou o noivado.

    Athos: Joyeux Noël, Aramis.

    Aramis: - Joyeux Noël, mon Amour.

    ***
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Jan 24, 2013 10:27 am

    30. Visitas

    Na manhã seguinte

    Joyeux Noël, Joyeux Noël!! Era só o que se ouvia nas ruas agitadas da cidade. Era dia de Natal! Que alegria!! O dia da troca de presentes. Athos e Aramis voltaram para a casa dos Bonacieux com seus respectivos presentes para cada um.

    Rochefort, por sua vez, foi ter com Sua Eminência, o cardeal de Richelieu.

    *

    Rochefort: - Bonjour, Eminência. Beijou-lhe o anel.

    Richelieu: - Bonjour, Phillipe.

    Rochefort: - Há tempos que não me chamas pelo primeiro nome. J Joyeux Noël, Eminência.

    Richelieu: - Joyeux Noël... o que o traz a mim nesta manhã?

    Rochefort: - A vontade de vê-lo e cumprimentá-lo, Eminência.

    Richelieu: - Merci. Sente-se, o chá será servido em breve, e podes compartilhar alguns momentos comigo.

    Rochefort: - Com prazer, Eminência.

    Richelieu: - Diga-me, Phillipe, tem algo de novo para contar?

    Rochefort: - Na verdade, não Eminência. A não ser pelo fato de que, ontem, ceei com a família do jovem Tenente Antoine Deboir.

    Richelieu não pareceu muito interessado, mas ficou surpreso que Rochefort tenha se confraternizado com estranhos, ele que não tinha um comportamento social expansivo.

    Rochefort: - Recebi um convite de última hora e o aceitei e conheci os familiares de Antoine, o Sr e a Sra Deboir, a Baronesa de Camberwell, recém chegada a França, e sua filha, Anik.

    Richelieu: - Baronesa de Camberwell? Inglaterra? Conheceu uma baronesa inglesa na França?

    Rochefort: - É francesa, na realidae, Eminência, mas é viúva do barão, que era inglês. Está regressando a Paris, sua cidade natal em decorrência da solidão que sente pela ausência do falecido esposo.

    Richelieu: - Entendo. Pelo que posso perceber o jantar foi aprazível, vejo em seu semblante.

    Rochefort: - Sim, Eminência, devo reconhecer que foi um tempo muito proveitoso e agradável, a família de Antoine é acolhedora e gentil. Senti-me como se estivesse em casa.

    Richelieu: - Muito bem...

    Rochefort: - Eminência, venho também para dar-lhe isto. Humildemente quero oferecer-lhe este que considero um singelo presente por ocasião do Natal. Jamais poderei retribuir tudo o que fez e faz por mim, Eminência, mas gostaria que aceitasse.

    Richelieu: - Surpreso, o Cardeal aceitou o presente, tomando o pequeno pacote muito bonito das mãos de Rochefort. Olhando para seu pupilo, Richelieu puxou a ponta da fita dourada que prendia a frente do embrulho e o papel delicado na cor prata abriu revelando o presente. Nova supresa. Tratava-se da última edição do livro Regulae ad directionem ingenii (Regras para a direção do Espírito) de René Descartes, obra que Richelieu há muito queria para constar em sua biblioteca, mas não havia ainda conseguido. O livro veio com uma dedicatória a Sua Eminência, o Cardeal de Richelieu. Vou cometer uma indiscrição, mas, como o conseguiu, Phillipe?

    Rochefort: - Conheci Descartes por intermédio de um amigo, o Conde d’Arles. Foi no início deste ano, quando fui convidado para o aniversário de casamento deste mesmo amigo. Lembrei-me, na ocasião, do quanto Sua Eminência gostaria de ler o título de Descartes, mas com a sua edição esgotada à época, ficou sem seu exemplar. Conversando com Descartes, soube que para o final deste ano, ou seja, agora, outra edição seria publicada. Só fiz esperar e enviei uma carta solicitando um exemplar para presenteá-lo. Também quero dizer que René ficou grato com o interesse de Sua Eminência em sua obra e disse estar a sua disposição para quando e se desejar, falar-lhe. Bastará um chamado.

    Richelieu sorriu. [ O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE? Sim, Richelieu sorriu, caro leitor. ]

    Richelieu: - Merci, Phillipe, merci. Tal presente não pode ser ignorado, vou iniciar a leitura o mais breve possível.



    Rochefort: - Poderá iniciá-la agora mesmo, se for do seu agrado, Eminência, pois já devo me retirar. Agradeço muito o chá e mais uma vez, Joyeux Noël.

    Richelieu: - Phillipe? Espere.

    Rochefort: - Ah, oui?

    Richelieu: - Eu também tenho algo para lhe dar. Richelieu abriu a gaveta de sua escrivaninha e retirou de dentro dela uma caixa pequenina e aveludada. Dentro dela havia uma jóia, especialmente cunhada para Rochefort. Era um medalhão de família, em ouro, geralmente mandado cunhar pelos patriarcas das famílias nobres. Rochefort não possuia um desses tradicionais medalhões que vinham com o brasão familiar à frente e no interior, um espaço para colocar o retrato da pessoa quem pertencesse. Richelieu teve o cuidado de mandar retratar Rochefort quando ainda criança, como o conheceu, de acordo com um antigo retrato que ele mesmo havia guardado do menino. Mas neste medalhão também havia espaços para mais dois pequenos retratos. No caso, já estavam também preenchidos. O Cardeal mandou retratar os pais de Rochefort.

    Rochefort: - Engasgado pela emoção que sentiu, Rochefort avançou sobre o Cardeal e o abraçou, agracendo muito. Eu não tenho palavras para agradecê-lo...

    Richelieu: - Não há pelo que agradecer, Phillipe, foste motivo de grande alegria para mim e sempre me foi muito leal. Tua fidelidade nunca encontrei ou encontrarei em nenhuma outra pessoa neste mundo. Eu o estimo muito, meu filho.

    Rochefort se recompôs, sabia que o Cardeal não era de mostrar sentimentos e não era também muito afeto a que demonstrassem os seus a ele. O Cardeal observou Rochefort. Estava mesmo muito emotivo e isso o preocupava. Rochefort deixou o local em direção ao seu próximo destino: a mansão Deboir.

    *

    Mordomo: - Oui, Monsieur?

    Rochefort: - Por favor, queira avisar ao Sr Deboir que eu vim para outra visita esperando não ser inoportuno.

    Mordomo: - Oui, um momento, por gentileza. O cavalheiro pode aguardar na saleta por favor. Rochefort aguardou na saleta próxima a entrada da mansão.

    Mordono: - Pardon, Baronesa, mas o Conde de Rochefort veio para um visita inesperada e aguarda o convite para entrar.

    Catherine: - Que entre!!! Que entre, por favor, não o faça esperar!!!!! Catherine foi imediatamente para a sala esperá-lo. Seus pais não estavam em casa, haviam saído para uma caminhada matinal e ainda não haviam regressado.

    Mordomo: A Baronesa o aguarda, Monsieur. Por aqui, por favor.

    Rochefort: - Claro..

    *

    Catherine: - Monsieur Rochefort! Reverência ao cumprimentá-lo.

    Rochefort: - Baronesa. Beijou-lhe a mão curvando-se. Ele trazia um bonito pacote e flores.

    Catherine: - A que devo a honra da vossa visita?

    Rochefort: - *apenas um pretexto para te ver de novo*... Bem, eu vim trazer a vosso pai um pequeno agrado neste dia de Natal. Ontem fui tão bem recebido em vossa casa e nada ofereci, eu sinto que devo retribuir de alguma forma, mesmo sabendo que com nada se paga afeição e apreço.

    Catherine: - Ah... Mas quanta gentileza! Não era necessário, em absoluto!! Ficamos honrados em tê-lo conosco na ceia de Natal.

    Rochefort: - E eu agradeço imensamente por toda a atenção que me foi dispensada. A vossa estimada família Deboir, deixo estes vinhos (06 garrafas) de safra especial de meu próprio vinhedo em Rochefort. A Baronesa,e Madame Deboir, certamente que não tenho presente a altura, mas ouso entregar-lhe este singelo ramo de flores. Este pequenino ramalhete é para Anik. E este, com as rosas vermelhas são para a Baronesa.

    Catherine: - O Conde é certamente mais gentil do que merecemos.

    Rochefort: - Sem dúvida que não!

    Catherine: - É muito amável! Chamando uma criada, Catherine mandou que as flores fossem colocada na água imediatamente e deixadas em local de destaque na sala principal das visitas. Os vinhos foram deixados embalados como estava no escritório de Monsieur Deboir, com o cartão assinado pelo Conde.

    Rochefort: - A Baronesa está só em casa?

    Catherine: - Oui. Imagine o senhor que fui abandonada por meu próprio irmão e sobrinha que foram se divertir na cidade. Meus pais foram apenas caminhar ao ar livre. Parece que hoje o frio decidiu recolher-se um pouco, não acha?

    Rochefort: - Concordo. E Anik, como está se adaptando a Paris?

    Catherine: - Bem, ela na verdade... não está se adaptando, não ainda. Devo ter muito paciência, como me recomenda minha mãe, mas Anik passa dos limites em muitos momentos, como por exemplo quando ela o ofendeu na Catedral, oh, quanta vergonha!

    Rochefort: - Vergonha alguma.. assim são as crianças!

    Catherine: - Tem filhos, Monsieur!

    Rochefort: o.o Ah, eu?!

    Catherine: - haha Oui, oui...

    Rochefort: - Não. Nem sobrinhos, infelizmente. Apenas alguns primos de grau distante e que residem longe de Paris.

    Catherine: - As crianças são uma alegria, mas a medida que crescem e se vão tornando adultas, tem um temperamento difícil.

    Rochefort: - Eu presumo que seja o esse o problema das crianças, Madame.

    Catherine: - Qual?

    Rochefort: - Crescer... elas crescem, esse é problema.. e crescendo, perdem a ingenuidade, pureza de caráter e espírito que tem.... nem sempre se tornam adultos louváveis e nobres. A Baronesa não concorda?

    Catherine: - Oh, sim, eu concordo plenamente. Monsieur Rochefort?

    Rochefort: - Sim?

    Catherine: - Fique a vontade para chamar-me Catherine.

    Rochefort: - OH... se vos agrada mais, certamente.

    Catherine: - Sentiria-me mais confortável, sem dúvida.

    Rochefort: - Muito bem, também lhe peço a gentileza de me tratar por Rochefort, sempre.

    Catherine: - É um acordo?

    Rochefort: - J Sim, é um acordo.

    Catherine: - Selêmo-lo pois.

    Rochefort: - Perfeitamente. Ele delicadamente trouxe a mão direita da Baronesa para perto de seus lábios e a beijou docemente. Está selado, Catherine.

    Catherine: - Oui... vermelha e sorridente. (*DERRETEEEEEEEEEEEEENDO-SE TODA*Que magnetismo é esse?)

    Rochefort: - Bem, eu.. não pretendo incomodar mais, vou me retirar. Aguardo-vos em minha casa para uma visita.

    Catherine: - Que gentileza! Agradeço vosso convite. Certamente que vamos visitar-lhe. Agradeço também pela vossa visita de hoje e pelos belos presentes que se preocupaste em nos trazer. Deus o abençoe, Monsi..... Rochefort...

    Rochefort: - Deus a abençoe, Catherine.

    Montou seu cavalo e voltou para sua casa.

    *
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Seg Jan 28, 2013 6:26 am

    31. Fúria

    27 de dezembro

    Porthos: - Ah, como é bom estar de volta!!! Em tempo de festejar o ano novo com meus amigos!

    Porthos descia do cavalo, em frente de sua casa em Paris. Foi para dentro, lavou-se, pois estava cansado da viagem, e colocou roupas limpas. Deitou-se um pouco em sua cama, esticar o corpo era muito bom depois de um longo tempo cavalgando. E ele dormiu.

    *

    Constance: - Aramis, sabes quando regressa o D’Artagnan?

    Aramis: - Tem saudades dele, não é?

    Constance: - De fato, não posso mentir, sinto falta dele. J

    Aramis: - Pois se bem me lembro, ele disse que voltava antes do ano novo, não foi?

    Constance: Sim, mas pensei que talvez pudesse ser no dia de hoje... O Natal já foi há 2 dias.

    Aramis: - Tens razão, porque não esperamos até o fim do dia, quem sabe não temos uma boa surpresa!

    Athos: - Eu também sinto falta de D’Artagnan, e Porthos, claro!! Que fazemos sem sua fome e piadas?

    Aramis: - HAHAHAHAHA Ficamos perdidos!

    Athos: - A taverna?

    Aramis: - Sim! Constance, quer uma carona até o Louvre?

    Constance: - Ah, sim, eu vou aceitar, Aramis. Obrigada. Constance sempre gostou de Aramis, ele era sempre tão amoroso e gentil... agora que ela sabia que Aramis era mulher, estava se aproximando ainda mais, sem tanto medo de parecer indiscreta ou inadequada. Subiu na montaria de Aramis e foram os três. Deixando Constance no Louvre, se dirigiram para a taverna que costumavam freqüentar. Estava cheia, o movimento era grande, alguns mosqueteiros, mas muitos homens do Cardeal.

    Athos e Aramis entraram um pouco desconfiados e sentaram-se numa das mesas que geralmente costumavam ser ocupadas por mosqueteiros. Era algo como: lado direito para os homens do Cardeal, lado esquerdo para os homens do Rei. Passaram algum tempo por lá, bebendo e conversando. Agora que Aramis era publicamente uma mulher e usava trajes mais justos ao corpo, dada a necessidade de flexibilidade para o manejo da espada, suas curvas bem desenhadas eram muito observadas por qualquer homem. Alguns ficavam de queixo caído. Não eram muitos os que ousavam chegar até ela com galanteios, pois a reputação do mosqueteiro Aramis era conhecida, e temida.

    Mas numa taverna, há sempre um quem que bebe demais e portanto, fala demais. Às vezes até, faz besteiras demais.

    E foi assim que começou:

    Aramis se levantou porque estava impossível chamar o taverneiro para pedir mais vinho. O movimento o impedia de atender a todos. Aramis foi então até o balcão e pediu uma nova garrafa. Pegando-a, ia regressando ao seu lugar. Porthos entrou na taverna e ela o viu chegando. Correu, então, na direção dele, não se conteve e abraçou o amigo quase jogando-se nele. Apesar da agitação do lugar, não houve quem não percebesse a reação de Aramis ao ver Porthos entrar. Algum zum zum de comentários começou. Até este momento, ninguém ligou, nem mesmo Athos. Aramis levou o recém chegado Porthos até a mesa onde estava com Athos, que também abraçou seu amigo de quem sentia falta.

    Athos: - É bom vê-lo de volta, meu amigo! Pensei que não voltavas mais, que demora!!!

    Porthos: E perder as festividades de Ano Novo convosco? Estais loucos! È a única época do ano em que te vejo perder as estribeiras... bebes como quem morrerá no dia seguinte...

    Athos: - É como dizes, uma data festiva! E eu não perco as estribeiras...perco?

    Aramis: - HAHAHAHAHAHAHA Tem certeza que quer esta resposta?

    Athos: .................... NÃO?! Hahahaha Abra a garrafa!! Porthos, onde está tua taça!!

    Porthos: - Com o taverneiro ainda, hahaha, mas já resolvo isso!

    Aramis: - Deixa, eu a trago a ti. Ela voltou ao balcão, onde dois guardas de Sua Eminência estavam embriagando-se.

    Guarda 1: - Este lugar não é para mulheres, como pode estar aqui?

    Aramis: - Desculpe, o que disse? ¬¬

    Guarda 2: - Você é surda!!! Veste-se indecentemente e ainda freqüentas uma taverna... que tipo de mulher é você!!

    Aramis: Sou o tipo de mulher que empunha uma espada tão bem quanto qualquer um de vós, se é que isso não depõe contra o que estou dizendo, já que não pareceis muito... habilidosos. Virou-se de costas com a taça e ia voltando para sua mesa. Mas uma mão muito boba a interrompeu. Um daqueles guardas passou a mão onde não devia e Aramis se enfureceu. Meteu-lhe um soco no nariz, sangrando-o e quebrando-o.

    Guarda 1: - Aaah... Ahhh.... meu nariiiiiz... meu nariiiiiz.... você o quebrou... o quebrou!!

    Guarda 2: - Como se atreve! Nem devias estar aqui, para começar, agora te preparas!

    Aramis: - Para o que!??? *com raiva*

    Athos e Porthos levantaram-se.

    Os uivos começaram, todos na taverna voltaram suas atenções para a briga que acabava de começar.

    Guarda 2: - Para istooo... sacou da espada e atacou Aramis. Com facilidade, ela esquivou-se do golpe e segurando o braço que empunhava a espada de seu adversário contra o balcão, deu-lhe um violento chute no estômago que o fez cair no chão com as dores.

    Aramis: - É o que ganhas por me desafiar... e os uivos continuariam se os homens caídos fossem mosqueteiros, mas eram homens do Cardeal que tombaram, nesse caso, todos os colegas dos atrapalhados guardas se enfureceram por ver a derrota de seus companheiros por uma mulheres e mosqueteira do rei... isso era humilhante... e ela nem sacou a espada....

    *

    A caminho de casa, Rochefort mudou de idéia e quis comer alguma coisa. Parou portanto na taverna A Toca da Raposa, que costumava freqüentar com seus homens. Prendeu seu cavalo à porta, e entrou.

    *

    Aramis: - Que venha!

    Porthos e Athos já junto dela.

    Athos: - Quantos queres para ti, Porthos?

    Porthos: - Todos! J

    Aramis: - Não sejas egoísta, meu amigo!!

    Porthos: - Estava era com saudades de dar uma boa sova a estes palermas!! Venham!!!

    Pelo menos uns 10 guardas avançaram contra eles, urrando. Os três preparados para combater.

    Rochefort: - MAS O QUE É ISSO? *FURIOSO*

    Os mesmos 10 tiveram de interromper a corrida até seus oponentes e ao brecar os passos, um bateu-se contra o outro que ia a frente e foi uma cena embaraçosa para a guarda do Cardeal, quase sempre ridicularizada pelos Mosqueteiros do Rei. Caíram todos ao chão, fazendo caras e bocas pela queda.

    Guarda 3: - Capitaine?!! Estes mosqueteiros baderneiros vieram a taverna para nos provocar!!

    Aramis: - não foi nada dis- Interrompida pela grito estrondoso que o Capitão Conde dera na taverna!

    Rochefort: - EU ESTOU FAAAAAAARTO DISSO!! Levantou-se o pobre coitado que mentira para ele pela gola de sua camisa. Me dê sua espada e sua pistola. Suma da minha frente, não faz mais parte deste regimento. Desapareça! O que são vocês, olhava para seus homens, enquanto falava com muita indignação e fúria. Seus homens tremiam. EU PERGUNTEI O QUE SÃO VOCÊS, MARMOTAS! SÃO UM BANDO DE CRIANÇAS?? PORQUE SE FOREM NÃO PRECISAM DE UM CAPITÃO, MAS DE UMA AMA PARA CUIDAR-LHES!! E EU NÃO TENHO VOCAÇÃO PARA SER AMA DE NINGUÉM... NÃO É POSSÍVEL QUE ISTO CONTINUE, SERÁ QUE NEM MESMO UM DECRETO DE SUA MAJESTADE, O REI E SUA EMINÊNCIA, O CARDEAL LHES SERVE PARA ADVERTIR QUE NÃO SÃO MAIS ACEITOS TAIS CONFLITOS... MEEEESMO QUE FOREM PROVOCADOS, E EU SEI QUE NÃO O FOOOOORAM, POR DEUS, ACABEM COM ISTO... Bateu com violência no balcão. Acabem com isso de agora em diante ou juro por minha vida que renovo meu corpo de guardas estraçalhando cada um de vocês com minhas próprias mãos!!! É A ÚLTIMA VEZ QUE VOU RECOMENDAR ISTO A VOCÊS: HOOOONREM SUAS ESPAAAAADAS! Cada dia que os vejo se parecem mais com ratos que com homens. Custo a acreditar que um dia eu os recrutei acreditando que eram valentes. Não se comportem desta maneira vexatória outra vez, eu fui CLAAAAAAAAAARO?

    Todos da Guarda: OUI, CAPITAINE. Ninguém ousou contestá-lo, morriam de medo de Rochefort. E tinham razão, pois Rochefort sempre fora muito rígido em seus treinos, o problema é que a cultura da intriga fazia parte daquele grupo de homens e todos sabemos que os que fazem intrigas, se não o são no início, acabam por se tornar covardes. Antoine era uma grande excessão naquele grupo e ele percebera isso logo. Por isso tratou de investir esforços na formação daquele cadete que agora já era seu tenente nº 1, ultrapassando seu antigo favorito, Jussac. Jussac em quem ele sempre confiara, mas que mostrou seu caráter verdadeiro. Mas Rochefort, que se vinha se questionando sobre muitas coisas há algum tempo, estava desapontado com seu regimento. Precisava renovar seu corpo de soldados, não era possível conduzir homens como aquele. Ele ia falar com sua Eminência e pedir um novo processo de recrutamento urgentemente.

    Athos, Aramis e Porthos também estavam assustados, pois nunca viram Rochefort tão furioso daquele jeito, nem mesmo contra o Máscara da Ferro. Ele soltava fogo pelas ventas. Tinham até medo de lhe dirigir a palavra. E o Capitão Conde, de tão zangado, desistiu da refeição, pediu desculpas ao taverneiro e deixou o lugar.

    Rochefort: - Desculpe, Jacques.

    Jacques Taverneiro: - Não foi nada, Excelência.

    Athos, Aramis e Porthos: - o.O’ Gulp!

    Aramis: - Vou agradecer a ele.

    Porthos: - Achas uma boa idéia?

    Athos: - É, talvez não seja um bom momento, Aramis?

    Aramis: - Que? Ora mas porque não é uma boa idéia? Ele nos ajudou?

    Porthos: - Não tem medos de morrer? Brincou?

    Aramis: - hahaha Ele nos ajudou, já disse, não está com raiva de nós.

    Athos: - Não creio que seja uma questão de raiva de nós ou não, acho que ele está furioso, mas tão furioso, que quem quer que seja que o amole agora, vai ter!

    Aramis: - Vou até lá falar com ele, garotos.

    Athos: - Garotos?

    Porthos: - Mas ela tem um dom incrível de fazer-nos sentir como meninotes!!!

    *

    Aramis: - Rochefort, Rochefort? Espere, por favor.

    Ele já havia soltado seu cavalo e estava prestes a montá-lo.

    Rochefort: - O que?

    Aramis: - É... desculpe.. eu vejo que está mesmo uma pilha, não podia deixá-lo sair sem agradecer pelo que fez... nos ajudou.

    Rochefort: - Não, Aramis, eu ME ajudei... estou farto... não preciso de homens como aqueles... e se me dá licença, eu tenho que ir agora...

    Aramis: - Está chateado conosco?

    Rochefort: - NÃO!

    Aramis: - Pois parece!

    Rochefort: - Pois não estou...

    Aramis: - Pois parece.

    Athos e Porthos saíram e observaram.

    Rochefort: - Já disse que não estou. Aramis foi atrevida e lhe puxou pelo braço.

    Aramis: - POIS PARECE!

    Rochefort: - POIS NÃO ESTAVA, MAS ESTOU COMEÇANDO A FICAR!!! SOLTE-ME!!

    Aramis o soltou imediatamente.... as bochechas dele estavam vermelhas outra vez, e não era de vergonha... Rochefort tinha a tez muito branca, e ficava vermelho com certa facilidade, se passasse raiva ou se ficasse tímido. Ocorre que ele tinha um autocontrole muito bom... coisa que Aramis o fez perder de vez em quando desde que se hospedara em sua casa... a começar por aquele tombo na sua biblioteca e depois pela situação embaraçosa, que ele nunca esclareceu, do perfume que não vinha das velas...

    Aramis: - Me desculpe, minha intenção era apenas agradecer e não irritá-lo. Também queria fazer um convite antecipado...

    Rochefort: - ?

    Aramis: - Ia perguntar se aceitas passar a festa de Ano Novo conosco, aceitas?

    Athos: - Mas ela não disse que ia fazer isso!! Olhando para Porthos, incrédulo!

    Porthos: - Calma, acho que ela está tentando amansar a fera e veja, está funcionando... Porthos observou um sorriso se formando no rosto de Rochefort.

    Rochefort: - Eu? Passar o ano novo com vocês?

    Aramis: - Sim, porque não? Tem plano melhor?

    Rochefort: - Humm... e se tiver?

    Aramis: - Cancele! Sorriu.

    Rochefort: - Mas não tenho plano algum.

    Aramis: - Tanto melhor... você vem? Começaremos a festejar às 22h.

    Rochefort: - ATHOS? PORTHOS?

    Os dois: - Ãhn?! Fingindo-se de distraídos...

    Rochefort: - Concordam com a proposta de tua amiga mosqueteira?

    Porthos: - Bem... veja... Eu acho que..

    Athos: - Bom... é que.. claro.... porque não!!!

    Porthos: - Isso, é... porque não!! *PORQUE NÃÃÃÃÃ, EU ODEIO O CAPITÃO CAOLHO*

    Aramis: - Está perfeito, então esperamos por você em casa de Athos, sabe onde fica?

    Rochefort: - A casa de Athos, ou a casa do Conde de La Fére? Sorriu.

    Athos: - Será na casa do Conde, a casa do Athos não teria acomodações para todos... sorriu sem graça.

    Rochefort: - Muito bem, montou em seu cavalo, espero ansioso pelo réveillon. Obrigado pelo convite.

    *

    Athos: - Você não me disse que queria convidá-lo, Aramis?

    Aramis: - Bem, eu ia comentar agora com você e Porthos, mas a situação acabou antecipando... eu ia consultá-los para saber se estava tudo bem, mas aí considerei que, claro que sim, porque..afinal, ele foi nosso aliado e me ajudou muito e está tudo bem, não está?!!! Olhou para Porthos e Athos?

    Porthos: - Fazer o que, não é, já o convidaste, agora não dá pra desfazer sem ficar desagradável! Que seja, com ou sem Rochefort, vou me divertir com vocês neste fim de ano! Ah, vou!! E, digam... cadê o D’Artagnan.
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qua Jan 30, 2013 11:01 am

    32. Convites

    É, esse D’Artagnan estava demorando a voltar, de fato... mas foi passar um tempo com a família, fazia meses que não os via. Os três continuaram juntos, mas foram para outro local, claro. Não queriam confusão.

    3 dias depois

    *

    30 de dezembro

    Passaram-se três dias em que todos retomaram suas atividades normais. D’Artagnan finalmente retornou à Paris, no dia 29, para alegria de Constance. Os namoricos dos dois voltaram. Atualizando-se rapidamente, o mosqueteiro caçula do grupo soube do noivado de Aramis e Athos e também do réveillon na casa do Conde de La Fère. Inclsive soube que Rochefort compareceria, e a expressão que fez ao descobrir não foi das melhores. Como Porthos, D’Artagnan não ia com a cara de Rochefort, mesmo depois da ajuda e do que fez por Aramis, não adianta, foi um longo tempo de rixas, às vezes violentas demais. Para D’Artagnan, ele não era de confiança, e ponto final. Talvez o tempo o fizesse mudar de idéia, mas ele não estava muito preocupado com isso. Importava era comemorar com seus amigos. E para a tal festa de fim de ano foram convidados:

    Os Bonacieux (Constance e seus pais, além do Jean – que é um agregado);

    Porthos, D’Artagnan e Aramis (mas isto é óbvio)

    O Conde de Rochefort

    Claro que tratava-se de algo intimista. Athos convidaria o Sr. de Treville se não soubesse que ele já fora convidado e certamente compareceria a uma festa no Louvre. Rochefort também foi convidado para esta festa na corte, mas não pensava em ir. Não mesmo! Ele ia todos os anos, um que não fosse não faria tanta diferença, faria? O Cardeal nem ficava por tanto tempo e o Rei, bem o Rei era o Rei... e que importava que o capitão da Guarda do CARDEAL não apareceu? Ele só estava preocupado com uma coisa... Catherine... sim, pegou-se todas as três noites depois da útlima visita a Baronesa, pensando nela e em seus longos cabelos lisos e castanhos, seu olhar meigo, eeee... em sua adoráááável filhinha, Anik.

    Athos e Aramis tratavam de todos os preparativos para o jantar de ano novo, conseguiram contratar empregados só para aquela noite. Athos ainda estava iniciando sua vida como Conde e nem gostava muito dela, isso de encher a casa de gente, era complicado na cabeça dele, que gostava de silêncio e calma. Mas os empregados foram recomendados por Flaubert, e os que se saíssem bem, poderiam ser contratados permanentemente depois, de Athos quisesse. Flaubert viria a Paris no início do novo ano para tratar disso para ele.

    *

    Na casa dos Deboir

    Sr. Deboir: - Muito bem, querida, abra o envelope.

    Sra. Deboir: - Oh, oh, é um recado de Madame Villenueve. Nos quer em sua casa na noite de ano novo. Oh, estou com saudades desta minha querida amiga, meu marido. Iremos?

    Sr. Deboir: - A casa dos Villenueve? Oh, mas e nossos filhos e neta?

    Sra. Deboir: - Bem, estou certa de que o convite poderá ser estendido a eles, não?

    Sr. Deboir: - Não é melhor confirmar, antes de aparecer na casa de sua amiga com mais pessoas do que ela espera receber, mulher?

    Sra. Deboir: - Tem razão, tem razão... é melhor..

    Catherine: - Mamãe, Papai? Sobre o que conversam? Que convite receberam?

    Sra. Deboir: - Oh... minha filha.. estavas aí atrás, não a vi.

    Catherine: - Sim, cheguei há pouco... foram convidados para um jantar de ano novo? Mas que bom!

    Sra. Deboir: - Sim, fomos... minha querida amiga Vivianne de Villeneuve.

    Sr. Deboir: - O problema é que o convite veio endereçado para sua mãe e eu, mas não diz nada sobre você, Antoine e Anik. E não queremos ir se não forem, não vamos deixá-los sozinhos nesta data especial, somos uma família.

    Catherine: - Oh, papai, o que é isso. Mamãe está tão feliz com o convite e faz tempo que não vão a um jantar ou evento, pelo que me escreveram da última vez. Nesse caso, não se preocupem comigo, eu nem me sentiria a vontade indo a casa da Sra. Villeneuve, pois não a conheço, e Anik, do jeito que está, coma rebeldia e os modos, você imagina, não é?

    Sra Deboir: - Viu, meu marido, Catherine está certa...

    Sr. Deboir: - Mas e Antoine?

    Catherine: - Ora, nós passaremos juntos, os três... por favor, não se preocupem conosco, estaremos bem, e celebraremos no primeiro dia do ano com um almoço em família... está bem assim?

    Sra. Deboir: ...........Apreensiva.

    Sr. Deboir: - Está bem, está bem... mas falaremos com Antoine quando ele chegar, assim confirmamos...

    Sra. Deboir: - Está bem assim, meu marido. J

    Catherine: - J Aniiiik, venha, vamos a cidade, você não queria sair um pouco? Pois vamos...

    Anik: - Já vooooou!!! Desceu correndo as escadas!!

    Catherine: - Onde vais vestida assim? Retire já esta calça! Onde já se viu, uma menina usando calças... e onde as conseguiu.... retire já....

    Anik: - Achei no quarto do Tio Tony.... eu sei que ele deixa eu usar...

    Catherine: - Isso é inaceitável, Anik. Não vou tolerar este comportamento.. retire esta calça, ou não sairemos.

    Anik: - Mas mamãe...

    Catherine: - Agora, Anik!

    Anik: - Damm it!

    Catherine: - Veja como fala, veja como fala!!

    Anik: - ...pfff..... Anik retirou a calça que estava usando, e colocou um vestido normal para sair. Evidente que não usou as fitas no cabelo como sua mãe gostava. Desceu novamente, e saíram as duas.

    *

    Na cidade

    Fazendo ronda, Athos, Porthos, D’Artagnan e Aramis “passeavam” por Paris. Estava perto do palácio do Louvre agora. E viram quando Rochefort saía de lá de dentro, com um leve sorriso no rosto.

    Aramis: - Salut, Rochefort.

    Rochefort: - Salut, mousquetaires. J

    Athos: - Confirmado amanhã?

    Rochefort: - Se estiver para você, Conde!

    Athos: - Para com isso! ¬¬ E sim, está confirmado.

    Rochefort: - Bem vindo de volta, D’Artagnan.

    D’Artagnan: - Ãhn? O.O

    Rochefort: - HAHAHAHA

    Enquanto os cinco conversavam, vinha atrapalhadamente uma senhora e sua filha, caminhando em frente ao Palácio, deslumbradas. Esquecendo-se do movimento da rua, Catherine andava de costas, batendo-se de leve com alguns transeuntes que passavam por ali, e Anik, sem querer, sofria o mesmo, pois acompanhava sua mãe. Ela não conhecia Paris, sua mãe sim, mas havia tanto tempo que esteve longe que era maravilhoso rever a cidade. De repente, TUM!

    Anik: - Ops! Sorry mister.....affraid MASTRO?

    Rochefort: - É um prazer revê-la também, Anik. J Ele a provocava e sempre beijava sua mãozinha, cumprimentando-a com todo o cavalheirismo possível. Ela ficava vermelhinha, mas não dava o braço a torcer.

    Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan: - Maaastro? O.O’

    Catherine: - Oh, Pardon Rochefort, Pardon... eu não o vi e

    Rochefort: - Fico feliz com o esbarrão, assim pude vê-la novamente!

    Aramis: - affraidWhat a Face””

    Athos e Porthos: - Twisted Evil

    D’Artagnan: - Neutral’ Mas heim?

    Anik: - ......fffff.......Evil or Very Mad

    Rochefort: - Como vai, Catherine?

    Catherine: - Bem, está tudo bem, e você, como vai?

    Rochefort: - Melhor agora que a reencontrei.

    Catherine: - Oh! Embarassed

    Rochefort: - Está revisitando Paris?

    Catherine: - Sim, sim.. tanto tempo longe e já tinha quase me esquecido de como é linda.

    Aramis: - Ahaaam... ham...

    Rochefort: - Ah! Que indelicadeza... perdão... deixe-me apresentá-la a meus amigos.

    D’Artagnan: - Amigos? Você tá sabendo de alguma coisa?

    Porthos: - Não, não to não!! Mas acho que Athos e Aramis votaram por nós... pff...

    D’Artagnan: - Iiiih!! Mas que linda senhora, não!! Os dois cochichavam até levarem cotoveladas de Athos...

    Rochefort: - Apresento-lhes a Baronesa de Camberwell, recém chegada a Paris e sua filha Mademoiselle Anik.

    Athos: - Encantado, beijou-lhes a mão e fez uma reverência. Achou a madame a sua frente muito bonita... encantadoramente bonita. Sou Athos, é uma honra conhecê-las.

    Aramis: - ......................... ¬¬ ........

    Porthos e D’Artagnan fizeram o mesmo! E bem, Aramis foi um susto para Catherine e uma alegria para Anik.

    Catherine: - Pardon, está usando calças e portando uma espada e uma pistola?

    Aramis: - Oui, chamo-me Renée Aramis d’Herblay, mosqueteira do Rei, com muita honra. É um grande prazer conhecê-la, Baronesa. Senhorita Anik... as duas assentiram com a cabeça em sinal de que haviam se apresentado.

    Catherine parecia confusa... Mosqueteira do Rei??!!!! Shocked

    Rochefort: - É uma longa história!

    Aramis: - Ah, sim, muito longa.

    Catherine: - Encantada em conhecer-lhes, cavalheiros e senhorita Renée.

    Anik: - Mamãe, porque ela pode usar calças e eu não?

    Todos: - ??????????????????

    Catherine: - Anik, porque, ora, porque... porque.... porque....

    Aramis: - Porque já sou adulta e entrei para o corpo dos mosqueteiros e seria impossível usar a espada com um vestido! J Mas em sua idade só usei vestidos.

    Anik: - Hummmm... então quando eu for adulta eu posso usar calças, mamãe?

    Catherine: - Mas porque você cismou em usar calças, menina?

    Anik: - Porque quero montar, na Inglaterra o papai me deixava montar, aqui não posso montar...

    Catherine: - Mas por favor, Anik já conversamos sobre isso... nossas propriedades ainda não estão prontas para..

    Anik: - Está bem, está bem... Eu vou esperar ficar adulta...

    Todos: - HAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Rochefort: - Você quer montar?

    Anik: - Quero, porque?

    Rochefort: - Acho que posso te ajudar a resolver isso, Anik, se permitir...

    Anik: - Está tentando fazer algum acordo comigo?

    Porthos para D’Artagnan: - Gostei desta garotinha, não tem papas na língua!!

    D’Artagnan: - HAHAHA também gostei, amigo.

    Rochefort: - Mas que acordo? Só estou lhe oferecendo a chance de montar, em minha casa há espaço e cavalos, claro.

    Anik o olhava desconfiada. Repito a pergunta: É algum tipo de acordo?

    Rochefort: - Mas que tipo de acordo eu faria, e porque o faria?

    Anik: - Não finja que não sabe de nada, Conde, eu já percebi você olhando para minha mãe com uma cara assim (imitou a expressão) e se está querendo me “comprar” de alguma forma, saiba que eu posso esperar os meus cavalos chegarem da Inglaterra. ¬¬

    Rochefort e Catherine ficaram muito vermelhos, agora sim, de vergonha!! Os outros também, com vergonha alheia e Porthos e D’Artagnan quase morrendo de segurar as risadas que queriam sair. Athos também achou engraçado, mas era mais contido. Aramis achou engraçado, e ficou feliz por Rochefort.

    Catherine: - Anik, assim já está ultrapassando os limites... você está de castigo!!

    Anik: - Mas porque???? Eu não disse mentira nenhuma... papai disse que eu nunca devia mentir e que devia ser sempre sincera com as pessoas...

    Rochefort: - Mas Anik... Sua mãe é encantadora, sabe disso...

    Anik: - Eu sei que minha mãe é bonita!! ¬¬

    Rochefort: - Não é apenas bonita, Anik... é linda! E se já sabes, porque se espanta?

    Catherine: - Ah, meu Deus... muito envergonhada, nem sabia o que dizer...

    Anik não respondeu e cruzou os braços.

    Rochefort: - Não é um tipo de acordo, não estou tentando comprá-la de forma nenhuma, não faria isso, mas apreciaria se nos tornássemos amigos, o que acha?

    Anik: - Amigos? Eu e você?

    Catherine: - VOCÊ? Anik?

    Anik: - Eu e o senhor? ¬¬

    Rochefort: - Eu prefiro o você, Catherine? – Sentindo-se um avô!

    Catherine: - Como preferir, Rochefort.

    Anik: - Não é melhor irmos, Mamãe, você não tem que ir ao ourives?

    Rochefort: - Vou deixar a oferta de pé, Anik, quando se decidir, estarei a sua disposição.

    Anik: - ...........

    Catherine: - Anik, por Deus, seja educada, sim, seu pai gostaria que fosse.

    Anik: - Oui, Monsieur, Merci beaucoup. ¬¬

    Todos: - J

    Rochefort: Français!

    Catherine: - -.-‘

    Anik: - I know French, I just… don’t like it…

    Todos: - O.O”

    Catherine: - Ah, Rochefort, espero poder compensá-lo por todas as malcriações de Anik, eu não sei se consigo olhar-lhe nos olhos sem envergonhar-me. Pardon, pardon... mil vezes perdão. Me permita compensá-lo, me diga como, se é possível?

    Rochefort: - Catherine, por favor, isso não é necessário!!

    Catherine: - Mas eu gostaria muito de fazer alguma coisa por você! Tem sido tão gentil e Anik... Anik sequer lhe agradeceu as lindas flores que deixou para ela. Olhou com reprovação para a filha, que deu de ombros e respondeu um frio: Obrigada, são bonitas.

    Aramis: - Huuumm... rápido no gatilho. Cochichou com os amigos. Era como se eles tivessem ficado invisíveis. Athos, dê uma ajudinha!

    Athos: - Como?

    Aramis: - Convide-a para o ano novo na sua casa.

    Athos: - Heim? Mas eu... nós nem a conhecemos...

    Aramis: - E daí? Ótima oportunidade para, não?!

    Athos: - Está certo, mas preciso da deixa...

    Aramis: - Aguarde aí, vejo se provoco o assunto.

    Athos: - Tá!

    Aramis: - Ah, permita-me uma curiosidade, onde passarão o réveillon, Baronesa?

    Catherine: - Ah, em minha casa, e, é uma excelente pergunta... Rochefort, você gostaria de nos honrar com sua presença na ceia de ano novo também?

    Aramis: - *Também???? Rápido meeeeeeeesmo!*

    Rochefort: - Seria uma honra, mas já estou comprometido com o convite que este cavalheiro me fez antecipadamente. Apontou para Athos.

    Catherine: - Oh, é uma pena.... Entristecida.

    Athos: - De forma alguma, se me permite, Baronesa, mas podias perfeitamente nos dar a honra da vossa presença e de sua filha em minha casa para cearmos e juntos recebermos o ano que se aproxima.

    Catherine: - Oh.... mas...

    Rochefort: Sorriso de orelha a orelha.

    Anik: - ¬¬ ai ai... suspirou... *Mas esse cara fez algum feitiço na minha mãe? E o papai?*

    Catherine: - Certamente é muita honra receber vosso convite, Monsieur Athos... eu...

    Anik: - Mas e o Tio Tony, mamãe? Vai deixá-lo sozinho em casa, não se lembra que vovô e vovó vão para casa dos Villeneuve?

    Catherine: - Ah, sim, tem razão *ANIIIIIK GRRRR* tens razão, minha filha *FILHIIIINHA QUERIDA*.... meu irmão Antoine, não posso deixá-lo sozinho.

    Athos: - Por favor, traga-o para celebrar conosco! Ficarei muito feliz e grato por recebê-los.

    Catherine: - Oh... mesmo?

    Athos: - Sem dúvida!

    Aramis: - *ótimo!!!! J*

    Catherine: - Neste caso, eu fico.... imensamente grata e aceito o convite.

    Catherine, com o mesmo sorriso de orelha a orelha, despediu-se de todos, e com carinho maior de Rochefort, e foi até o ourives. Anik estava soltando fumaça, precisava pensar em como atrapalhar aquele jantar. Não podia deixar sua mãe com aquele homem. Não podia... mesmo que ele parecesse legal, não era legal.. não era!!!

    Aramis: - Que bom... mais convidados!

    Rochefort: - Muito obrigado, Athos. J

    Athos: - Não há porque!

    Rochefort: - Mas me digam, estava tão EVIDENTE assim que eu... bem.. ela.... nós... que eu gosto dela???

    D’Artagnan e Porthos: - NÃÃÃÃO!! IMAGINA....

    Athos: - Estava! A cara... a.. menininha.... hahahaaha está certa... parecias um gatinho peludo ao receber afago.... ou algo parecido... J

    Rochefort: - Mas ela é mesmo linda, não acham? Vermelho.

    Aramis: - HAHAHAHAHAHAHAHA Estás com vergonha, Deus, isto é muito engraçado... vê-lo todo avermelhado, Rochefort...

    Porthos: - Não sendo de raiva, para mim está tudo bem!

    D’Artagnan: - HAHAHAHAHAHAHA Vocês!!

    ***
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    Athos de La Fère
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    Re: VELHOS CAMINHOS...

    Mensagem por Athos de La Fère em Qui Jan 31, 2013 9:54 am

    33. Bonne Anne: 1.628

    31 de dezembro

    Aramis: - Está tudo pronto, agora é só eles cuidarem da ceia, a casa está toda em ordem, muito arrumada, Conde de La Fére!

    Athos: - Já disse tantas vezes que não me sinto confortável com esta história de Conde.... por favor...

    D’Artagnan: _ Mas Athos, você precisa se acostumar, meu amigo... é o que é...

    Athos: - Acho que eu sou o tipo que demora pra se adaptar as coisas...

    Porthos: - Não demorou para te acostumares a nova Aramis...

    Aramis: - Porthos!!! ShockedNeutral

    Athos: -Ah, mas a Aramis é o incentivo perfeito! J Aproximando-se dela, deu-lhe um beijo muito bem correspondido.

    Porthos: - Vocês parecem que já eram apaixonados antes, mas como não percebemos nada é que é estranho... D’Artagnan, você que soube antes de nós que Aramis era Renée, percebeu algo entre ela e Athos? Será que só eu fui parvo de não notar nada?

    D’Artagnan: - Não, amigo, eles foram discretos, porque eu não notei nada além de amizade entre eles. E jamais pensei que Athos fosse se interessar pelo Aramis pensando ele que Aramis era homem e não mulher.. entende?! Será que compliquei?!

    Porthos: - Nada, nada, entendi perfeitamente e está ótimo porque me fazes sentir menos idiota.

    Athos: - Não são idiotas por não desconfiarem de nada. Eu mesmo era bastante confuso e não queria arriscar perder a amizade de Aramis, e se ela fosse realmente homem?

    D’Artagnan: - Se fosse homem, não seria tão bonito! J

    Aramis: - Obrigada, meu querido D’Artagnan!!

    D’Artagnan: - De nada, é a verdade!

    Athos: - Concordo... concordo...

    Aramis: - Ah, mas os mosqueteiros do Rei são todos homens valentes e bonitos... não são!!

    Athos: - Ah, são, é?

    Aramis: - Sim, e estou noiva do mais belo de todos eles!! J

    Athos: - Mesmo? Hummmm........ mais abraços e beijocas... eeee mel!

    Porthos: - Parem com isso, vocês.. que açúcar todo é esse!!! Hahahaha

    *

    Anik: - Mamãe, porque temos que ir na casa de pessoas que não conhecemos?

    Catherine: - Anik, não são desconhecidos, são amigos do Conde de Rochefort, que é nosso amigo e capitão de teu tio...

    Anik: - Mas os mosqueteiros e os guardas do Tio Tony não são inimigos?

    Catherine: - Não é mais assim, Anik...

    Anik: - Eu não vou gostar!

    Catherine: - Claro que vai, Anik. Se pelo menos se esforçasse, talvez gostasse, mas seu único intuito é detestar Paris. É aqui que vamos morar de hoje em diante, deves te acostumar cedo ou tarde. Aos poucos retomará suas atividades, e eu sei como sentes falta de teu pai, eu também sinto, muito, mas ele não voltará para nós, está agora no Céu, velando por você, por mim, nossa família... deixe-o descansar, está bem, deixe-o descansar e respeite a memória dele. Agora vá se arrumar para não nos atrasarmos... vamos...

    Anik: - Eu respeito a memória do Papai, você é que não respeita namorando o conde Mastro.

    Catherine: - O QUE?! Agora chega, Anik. Quero mais respeito! É suficiente o que tem feito, não pensas na dor outros, apenas na tua. Egoísta! Catherine saiu do quarto da filha e foi arrumar-se para a festa na casa de Athos. Ela escolheu um lindo vestido dourado, assim como seus sapatos e pediu a mãe, que antes de sair, a ajudasse com as tranças que pretendia fazer no cabelo para enfeitá-lo. Usou jóias que seu marido lhe dera, com alguns detalhes em preto. Anik estava com um adorável vestidinho na cor púrpura. Os cabelos castanhos claros e lisos presos a um rabo de cavalo bem penteado e um franja bem cortada. Pensava no que sua mãe dissera a ela... talvez ela tivesse razão, Anik podia estar sendo egoísta e pensando somente em sua dor... mas vendo sua mãe com o COnde de Rochefort, Anik julgava que sua mãe havia se esquecido de seu pai.

    Todos se arrumaram, Os Bonacieux também. Constance estava radiante com um vestido vermelho costurado por ela e a mãe especialmente para a ocasião... Impressionaria muito a D’Artagnan, com certeza.... seus cabelos longos, loiros e lisos muito bem penteados, já não usava fita ou laço, deixou-os soltos...

    Aramis também usava um vestido muito bonito, desta vez na cor verde escuro. O decote de princesa deixava seu pescoço bem a mostra. O rosário que Rochefort lhe dera de presente estava preso a ele. E o anel com que Athos lhe presenteara, em razão do noivado, também estava usando no seu anelar direito. Brincos discretos para não ofuscar seu anel, pingos de ouro pequenos que cobriam praticamente apenas o furinho na orelha. Porthos também colocou um de seus melhores gibões, e veio usando capa, coisa que ele não gostava muito de fazer. D’Artagnan também se arrumou bem, trouxe roupas novas feitas na Gasconha por sua mãe e estava muito bonito, com simplicidade, mas bonito. Jean também estava gracioso com o pequeno gibãozinho feito sob medida para ele. Até uma capinha lhe foi feita pelo Sr. Bonacieux.

    Restam os cavalheiros... Athos colocou um traje muito bonito, de cor azul escuro, lhe caia muito bem com as botas longas e marrons, os detalhes do traje em dourado queimado. Ele prendeu os longos cabelos para trás, tinha babados e rendas nas mangas e gola da camisa branquíssima, e não usava sua capa e chapéu porque estava dentro de casa esperando seus convidados. A lareira, já acesa, também dispensava o uso das luvas.

    Rochefort foi vestir-se para a ocasião. Queria estar muito elegante para impressionar Catherine. Escolheu um traje na cor vinho, com detalhes em dourado, até alguns fios de ouro, provavelmente. Seu crucifixo era prateado, mas não saia de seu pescoço nem mesmo ao dormir. A capa preta, como as botas e luvas. O Chapeu também, preto, com plumas de faisão.

    Prontos, todos prontos.

    *

    TOC TOC TOC

    Catherine: - É ele, Antoine.

    Antoine: - ............... ¬¬ Catherine, minha irmã, estás envolvida por meu capitão a tal ponto de te empolgares feito menina? confused

    Catherine: - Não me venhas tu, Antoine, que ainda és solteiro, dar-me conselhos. Ocorre que Monsieur Rochefort é um cavalheiro muito amável e gosto da sua companhia agradável.

    Antoine: - Como diz Anik, OF COURSE! Cool

    Antoine abriu a porta e recebeu Rochefort que veio buscá-los com sua carruagem. Seu cocheiro e os outros empregados já haviam retornado, Madame apenas Madame Gertrudes estava passando um tempo maior com seus familiares.

    Todos, incluindo Anik, saíram com o Conde de Rochefort para a casa do Conde de La Fére.

    Antoine: - Bonsoir, Capitaine.

    Rochefort: - Bonsoir, Antoine... Anik, Catherine! Beijou-lhes as mãos da mesma maneira de sempre.

    Anik: - Good evening, Mister Rochefort.

    Rochefort: - Oh, you’ve said my name, God, this is impressive!!

    Anik: - Yes, I did… ¬¬

    Catherine: - Apesar do frio, está uma linda noite, não é mesmo.

    Rochefort: - Sim, está. Belíssima... Não tanto quanto a ti... mas..

    Antoine: - Ahaaam... ham... Enquanto Antoine parecia descofortável, Anik desesperou-se, tinha que para aqueles galanteios.

    Anik: - Eu... eu.. Eu concordo em montar na sua casa, Conde Rochefort.

    Rochefort: - Como disse? Prestando atenção ao brilho dos olhos de Catherine.

    Anik: - Eu quero montar um de seus cavalos, não disse que se eu me decidisse, eu podia ir? Então, eu quero ir, quando posso??? Jogada de despero, tinha que envolvê-lo no assunto para distraí-lo de sua mãe. A pobre Anik não pensou, porém, que isso os aproximaria ainda mais.

    Rochefort: - Ah, decidiu-se, então. Good! Pode ser no domingo, após a Missa, o que você acha?

    Anik: - Tá bom... e.... qual a raça dos seus cavalos?

    Rochefort: - Andaluzes e Puros Sangue Ingleses...

    Anik: Puro Sangue?? Tem mesmo um puro sangue?

    Rochefort: - Tenho, aqui em Paris, apenas 5.

    Anik: Apenas 5!!! O restante são todos espanhóis?

    Rochefort: - São... você entende bem de cavalos...

    Anik: - Papai me ensinou muitas coisas, ele amava cavalos... tínhamos alguns cavalos e 1 puro sangue.

    Rochefort: - Entendo... meu pai também gostava muito de cavalos, ele tinha a mesma paixão que você e seu pai pelos puro sangue. É por isso que no Condado tem mais...

    Anik: - No Condado, é onde seu pai mora?

    Rochefort: - Não... ele morava lá, mas não mora mais... J Mas lá é minha casa também, foi onde nasci e cresci.

    Anik: - Sei como é ruim estar longe de casa, não acha ruim estar longe da sua casa e dos seus pais?

    Rochefort: - Todo lugar onde estou, faço ser a minha casa, mas sinto saudades dos meus pais.

    Anik: - E não vai vê-los?

    Rochefort: - Todos os anos, em julho.

    Anik: - Porque em julho? É aniversário deles?

    Catherine: - Anik, porque tantas perguntas, filha. Não seja indiscreta.

    Anik: Só quero saber... É aniversário deles?

    Rochefort: - Não, minha mãe fazia aniversário em outubro e meu pai, em abril. J Sorria, ele sorria sereno para a curiosa Anik, que de repente pareceu tão interessada na história do Conde Mastro.

    Anik: - Não percebeu que ele havia dito FAZIA... seus olhinhos mais curiosos ainda... e uma nova pergunta: E onde eles moram agora?

    Rochefort: - .................... J No Céu... J

    Anik: - Oh ..........................

    Catherine e Antoine: - Discretamente surpresos.

    Anik: - ..... Seus pais já morreram... os dois? L Sinto muito! Que educadinha! Ela pareceu compreender a dor de Rochefort, pois ela mesma não havia aceitado a morte de seu pai.

    Rochefort: - Sim, infelizmente... J Mas eu ainda estou aqui, não é mesmo...

    Anik: - Eu sinto falta do papai.... L

    Rochefort: - Eu também sinto falta dos meus pais... mas você ainda tem sua mãe e seu tio, e seus avós...

    Anik: - E você, não tem seus tios e avós e irmãos?

    Rochefort: - Eu não tive irmãos, e meus avós e quase todos os meus tios já morreram também...

    Anik: - Isso é muito triste... desculpe... Sad

    Rochefort: - Está tudo bem, Anik.

    A carruagem parou.

    Rochefort: - Bem, acho que chegamos... ele foi o primeiro a descer e ajudou Catherine e Anik. Depois Tony desceu e os 4 se dirigiram a porta da casa. Um chateau lindíssimo e enorme... Não tão grande quando a casa de Rochefort, mas ainda assim, suntuoso.

    Catherine: - Que linda casa...

    Foram recebidos pelo mordomo.

    Mordomo: - Sejam bem vindos a residência do Conde de La Fére. Por favor, entrem. Por favor, seus casacos. Fiquem a vontade. Um outro empregado apareceu e lhes recebeu, os introduzindo na sala onde estavam os demais convidados.

    Empregado: - Suas Excelências o Conde de Rochefort, a Baronesa de Camberwell e Monsieur Deboir filho e Mademoiselle de Camberwell.

    Athos: - Ah, que bom que chegaram. Aproximou-se para recebê-los. Por favor, estejam a vontade em minha casa. Baronesa, Mademoiselle e Monsieur Deboir, permitam que lhes apresente meus amigos... E Athos foi fazendo as honras de anfitrião para seus convidados.

    Muita conversa durante a noite, todos estavam mesmo a vontade, nem D’Artagnan nem Porthos tiveram problemas com Rochefort. A festa intimista estava animada.

    Rochefort: - Bem, eu era novato, mas não fiquei para esperar a resposta. Sabia que levaria nas costas se ficasse... HAHAHAHA

    Todos gargalharam... claro, efeito do vinho e da piada que Rochefort contava fazendo graça com episódios de sua juventude, quando ainda era cadete entre o regimento do Cardeal.

    Antoine: - Capitão, eu não o imaginava que fosses assim.... espirituoso... se o vosso capitão o descobrisse?

    Rochefort: - Se o Capitão descobrisse, estava acabado!! Mas ele não desconfia de nada até hoje... J

    Antoine: - HAHAHAHA

    Rochefort: - Agora está aposentado, velhinho e já não anda... soube que anda muito adoentado. Fui vê-lo há alguns meses atrás.... da última vez estava realmente abatido... L É uma pena, é um grande homem... Aprendi muito com ele...

    D’Artagnan: - Aprendeu a ser um tirano com teus homens? Nada pessoal, é uma pergunta.. não faço provocação... entenda-me bem... mas parece-me bem enérgico... vi um dia de seus treinos na minha folga, quando fui ver Constance no Louvre.. e uma outra vez no Versalhes.

    Rochefort: - Porque me consideras um tirano?

    D’Artagnan: - Em sério que não desconfia do porque?

    Rochefort: - Não desconfio... ? Diga-me porque.

    D’Artagnan: - Eu me lembro bem que estava ensinando um de seus homens em especial, parecia que ele não tinha se saído muito bem... e ele não tinha muita velocidade... então você dispensou a todos... e conversava em particular com ele.... disse que ele tinha 10 segundos para ir e voltar de uma boooa distância... e ele estava com um cara de quem estava certo que não conseguiria... já estava até ofegante, o garoto... Então ele se pôs na marca, mas de tão cansado, apoiou as mãos aos joelhos... e foi aí que assustei contigo...

    Rochefort: - Não me lembro disso!! Um ar inocente no rosto...

    D’Artagnan: Se estivesses no lugar do rapaz, certamente te lembrarias...

    Todos: - Diga logo!!!! O que foi que houve???

    D’Artagnan: - Desculpe.. bem... nem bem o garoto tinha consciência de onde devia ir, desatento, e cansado.. você disparou um tiro bem no meio dos pés dele.... e gritou AGOOOOOOOOOOORA, MOLEEEEQUE!! D’Artagnan imitou Rochefort de uma maneira tão engraçada....

    Porthos: - Devias estar como naquele dia na taverna!!!

    Rochefort: - Aaaaaaaah, só isso!!!

    Todos: - O.O’ *Que métodos ele usa?*

    Athos: - Caramba.... é assim que faz com teus recrutas?

    Antoine: - E como deveria ser? Se não for duro com eles, se tornam palermas e molengas... na guerra isso equivale a morrer rapidamente...

    D’Artagnan: - Isso é loucura.. é uma tirania.... Ele falava a sério.

    Catherine: - Bem.... é que talvez seja a forma de melhor treinar homens para a guerra, como bem disse meu irmão...

    Rochefort: - Bem, D’Artagnan, já me lembrei do caso específico... sem de quem está falando... é Joseph.... ele é muito inteligente, mas tinha péssimo condicionamento físico... eu quis apostar nele... J

    D’Artagnan: - Apostar! Você quase o matou!

    Rochefort: - Ora, o que é isso! Foi um tiro no chão, eu tenho boa mira, jamais atingiria o rapaz!!

    D’Artagnan: - Quase o mata de susto!!! Não sei o que foi pior, o tiro ou o teu grito!!

    Rochefort: - J A partir daquele dia ele corria que era uma beleza... dava gosto de ver como havia melhorado da noite para o dia! Twisted Evil

    Todos: - HAHAHAHAHAHAHAHAHA

    D’Artagnan: - AFe!! Ainda bem que meu Capitão é o Sr. de Treville!!

    Rochefort: - Você tá fazendo graça, nas está, D’Artagnan?

    Athos: - Ham.... D’Artagnan, meu amigo, acho que vou concordar com Rochefort... não treinas com ele, diretamente, por isso é que não sabes, mas eu e Porthos ainda o pegamos treinando os cadetes mosqueteiros... e acredite.... é... tão tirano quanto!!

    D’Artagnan: - Não acredito!!

    Rochefort: - Você pensará diferente quando for Capitão, D’Artagnan... J

    D’Artagnan sorriu para si mesmo... será que um dia seria capitão dos mosqueteiros?? Wow!

    Constance: - A refeição está ótima!

    Aramis: - Ah, sim, está mesmo.

    Athos: - Fico feliz que tenham gostado.

    *

    Jean e Anik já haviam pedido licença para se retirar da mesa e conversavam na sala. J Ela achou o garotinho muito simpático.. mas era obrigada a falar em Francês, pois Jean não sabia inglês. Os dois tinham personalidades muito parecidas e perceberam isso enquanto dialogavam.

    Anik: - E aí meu pai morreu e eu tive que vir para cá... L

    Jean: - Entendo como se sente, eu me perdi da minha mãe.... L mas ganhei uma nova família, Constance é minha irmã agora e o Sr e a Sra Bonacieux me acolheram... eu me sinto bem com eles... você tem a sua família também... sua mãe é muito bonita... J como você! *Arriscou!*

    Anik: - Ah... Merci... Jean... ooh, ela ficou sem palavras... e toda vermelhinha...

    *

    Athos: - E que tal um brinde com o delicioso Champagne que Rochefort fez a gentileza de trazer?

    Todos: - De acordo.

    SAÚÚÚÚÚÚÚÚDE!!

    *

    Athos: - Atenção... eu.. quero aproveitar este momento em que estão aqui presentes, pessoas tão queridas, e novos amigos tão queridos quanto, para anunciar algo muito importante para mim.

    Porthos: - Opaa... diga lá, meu amigo... diga lá... vamos!! O que é!!

    Athos: - Aramis... por favor, gostaria que fizesse o anúncio comigo...

    Aramis: - Claro... Levantou-se...

    Olhares curiosos...

    Athos: - Eu estou muito orgulhoso e feliz em dizer-lhes que eu e Aramis estamos noivos desde o Natal. E nos casaremos no próximo ano... Eu queria oficializar na presença de amigos. É pena meu capitão Treville não estar aqui. J Mas ele já o sabe...

    Rochefort: - Ooh... Meus... meus parabéns... aos dois... felicidades!!

    D’Artagnan: - Aaaah!! Isso sim!! Vamos brindar novamente!!

    Constance: - Siiim...

    E assim o fizeram, novo brinde e depois Athos e Aramis receberam os cumprimentos dos amigos. Anik achou tudo muito curioso... porque homens e mulheres se casavam, afinal, e se ficassem viúvos como sua mãe?? Será que todo casamento teria de ter um fim triste? Ou então, se isso não for verdade, porque é que logo o pai dela foi morrer e logo o casamento dos pais dela teve este final horrível?

    Fui uma noite alegre e todos foram para a varanda enorme de onde acompanharam a queima de fogos que ocorria na praça principal da cidade para receber o novo ano.

    TODOS: - SEJA BEM VINDO, 1.628!!!!!

    BONNE ANNE!!!!

    ***

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    Re: VELHOS CAMINHOS...

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      Data/hora atual: Seg Nov 20, 2017 7:20 am